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Depois de tantos anos debaixo da "troika dos cortes", onde vimos os nossos rendimentos consideravelmente reduzidos e um enorme aumento da carga fiscal (que significa corte no rendimento disponível), com todos os impactos negativos que isso causou à vida das pessoas, principalmente aos mais desfavorecidos, agora, já para 2016, teremos em vigor a "troika dos aumentos".

 

À partida, até soa a algo bom. Bem, as pensões até 628 euros (essa pequena fortuna que abrange uma substancial fatia de pensionistas) vão ter um aumento igual à inflação para 2016. Contudo, já estamos avisados que a partir de Janeiro teremos aumentos nos transportes, na água, na electricidade, nas rendas, nas portagens, no pão, nas telecomunicações e em outros bens e serviços.

 

Quer-me parecer que a "troika dos aumentos" não será muito diferente da "troika dos cortes".

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Portas, o "Messias"

por contrário, em 29.12.15

Por que razão decidiu anunciar, neste momento, a sua saída? É certo que os ratos costumam abandonar o navio quando este se está a afundar, mas segundo vozes do próprio CDS, “Paulo Portas é um dos melhores políticos da Europa”, então, agora mais do que nunca é que Portas se deveria empenhar na liderança do seu partido. Dentro de portas todos o amam, é o melhor, um verdadeiro líder e, quando a casa está a arder, o ídolo vai-se embora?

 

Portas decide abandonar neste momento, porque depois da atitude vergonhosa da sua bancada parlamentar (orquestrada por ele mesmo) na passada semana, aquando do voto contra o Orçamento Rectificativo (por causa do Banif), não lhe restava alternativa. Não porque ele esteja preocupado com valores como a dignidade, mas porque só assim consegue deixar acesa a chama que o trará à ribalta num futuro próximo. Como poderia continuar a submergir (e “submergir” é o verbo de Portas) em pleno Parlamento, sempre que as coisas apertassem?

 

Na sua declaração, Portas afirmou que se estivesse no governo também deixaria a liderança do partido, mas não deixaria o lugar no governo. Ora, estando na oposição, opta por deixar de liderar o partido e deixar também o lugar de deputado na Assembleia da República. A isto chama-se fugir como um rato, ou então, é apenas a dualidade de critérios habitual em Portas.

 

Mas, porquê agora? Porque não esperou pelo período pós-presidenciais? Só pode ser para causar maior impacto, perturbar o ambiente de pré-campanha e tentar, como sempre, fomentar a relevância pessoal. Portas está sempre a actuar em nome próprio. Portas não quer saber do partido que, aliás, há muito deixou de ser o CDS para se tornar no seu próprio partido – o PP de Paulo Portas.

 

Portas aproveita ainda este momento – campanha eleitoral para as presidenciais – para tentar perturbar os acontecimentos, quer chamar a si a atenção política e, bem no fundo, ele quer também dar uma facadinha em Marcelo Rebelo de Sousa, porque Portas não esquece.

 

Há quem ache que o CDS está agora condenado à irrelevância, mas a verdade é que o CDS já não tem qualquer relevância há muito tempo. Portas concentrou em si toda a importância que um partido (ainda que pequeno) deveria ter. Portas direccionou o “seu” partido sempre numa trajectória de consecução de ambições pessoais. Agora deixa-o entregue aos ganapos que o serviram desde o início, na esperança de que o partido se aguente até ao momento em que decida reaparecer em cena novamente. E isso pode ser muito antes do que se pensa, tudo vai depender da intensidade do cheiro da carniça.

 

Fala-se de Melos, Cristas, Soares, Almeidas ou Correias para a sucessão, e reparem que “sucessão” é o substantivo certo. São as marionetas de Paulo Portas. E, para mim, o partido que há muito era uma espécie de “sociedade unipessoal”, apesar de ter vários imitadores baratos do seu comandante (“comandante” é mesmo o substantivo correcto) está condenado à sua congénita insignificância. Veremos se o CDS se vai tornar, novamente, no “partido do táxi” ou no “partido do tuk-tuk”. Se o sucessor for o Mota Soares, é provável que se torne no “partido da lambreta”.

 

A verdade é que Portas vai sair de cena. O "caso Banif" foi a primeira bomba deixada pelo anterior governo a rebentar e Portas sabe que muitas outras irão estourar em breve. Esta "manobra" foi apenas o concretizar de mais uma "saída limpa", à Portas. Talvez Coelho lhe siga os passos em breve.

 

Mas Portas – o "Messias" – disse-lhes: “Não tenham medo”.

 

 

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União Europeia do Bancos

por contrário, em 23.12.15

Dizem por aí que o Banif foi vendido ao Santander por 150 milhões de euros. Na verdade, só uma parte do Banif é que foi vendida ao Santander – a parte boa. A má, essa fica para os contribuintes pagarem, tal como foi feito em situações anteriores (ex: BPN, BES).

 

Como é possível o Estado vender a parte boa de um banco que é seu, por meia dúzia de tostões e assumir a responsabilidade de tudo o que é mau e que representa, ao que para já se sabe, para cima de 3 mil milhões euros? Ou seja, o Estado “decide” alienar a parte boa de um banco, a única capaz de gerar proveitos por 150 milhões de euros e, ao mesmo tempo, assume toda a parte má que será de milhares de milhões de euros. Alguém consegue perceber um negócio destes?

 

É óbvio que não. Já que é o Estado (os contribuintes) quem vai assumir todos os prejuízos, então porquê vender a parte que dá lucro? Além disso, o banco já pertencia ao Estado português. Seria assim tão descabido integrar a parte boa na Caixa Geral de Depósitos? Ou então manter a insígnia Banif.

 

Ninguém compreende isto. E a única razão pela qual o negócio decorreu nestes moldes é o facto da União Europeia exigir ao Estado português que venda o banco. As instituições europeias não permitiram outra solução, pelo que o governo português não teve alternativa. As instituições europeias obrigam que sejam os contribuintes portugueses a pagar pelos prejuízos causados pela má gestão privada num banco e que aquilo que sobrar de bom desse banco continue na mão de privados. Vejam bem, as instituições europeias até estão dispostas a permitir que Portugal apresente um défice superior a 3%, porque quando se trata de salvar bancos o défice já não interessa para nada.

 

Acho que se torna cada vez mais evidente a necessidade de referendar a União Económica e Monetária e, em última instância, a própria União Europeia, já que a mesma se tem mostrado profundamente incompetente em satisfazer e defender os interesses das populações.

 

Esta não é a União Europeia das Pessoas, é a União Europeia dos Bancos.

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O Natal ainda é o que era... para o Sporting

por contrário, em 21.12.15

Apenas um pequeno apontamento sobre a derrota do Sporting frente ao União da Madeira que relegou o clube para o segundo lugar do campeonato, já que o Porto venceu a Académica e passou a liderar com um ponto de vantagem.

 

Não me vou alongar com muitas considerações sobre o assunto, quero apenas salientar que durante a semana passada, principalmente sobre a antevisão à jornada do fim-de-semana, os principais órgãos de comunicação social afirmavam que o Sporting de Jorge Jesus chegava ao Natal na liderança do campeonato. Eu pensei, o Natal é só a 25 de Dezembro e ainda falta uma jornada...

 

A verdade é que foram muitos os que pensaram que os 3 pontos em disputa frente ao União da Madeira já estavam garantidos, o que não se verificou. Fica mais um aviso para uma certa comunicação social que tem um especial prazer em fazer jornalismo clientelista.

 

Resumindo, o Natal está a chegar e quem lidera o campeonato da Primeira Liga é o Porto. O Sporting é agora segundo. O Natal ainda é o que era para o Sporting.

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Alguém tem bilhete para o Araújo e Zambujo?

por contrário, em 20.12.15

Já lhes chamam “os Ujos”. Também poderiam ser o duo “de A a Z”, parece que as vitaminas estão lá todas…

 

Bem, indo directo ao assunto, alguém tem por aí um bilhete para assistir a um dos… 10 concertos, sim parece que são 10 concertos que Miguel Araújo e António Zambujo vão dar nos Coliseus do Porto e Lisboa? Eu ouvi dizer que 10 Coliseus já estão esgotados, mas se calhar já estão a tratar de vender mais alguns… O que eu queria mesmo saber é quais são as condições de participação nestes espectáculos.

 

Será que se trata de normais concertos, em que as pessoas interessadas adquirem um ingresso que lhes permite a entrada no recinto e, consequentemente assistir aos espectáculos destes dois músicos, em duo e, ao que parece, apenas acompanhados de uma ou duas guitarras e das suas insípidas e aborrecidas vozes.

 

Sinceramente, não sei dizer qual destes dois músicos é mais maçador. Não conseguiria assistir a um concerto de nenhum deles, muito menos dos dois em conjunto, nem que me pagassem. Daí a minha curiosidade, será que há assim tanto público disposto a pagar para ver estes dois músicos? Já sei que gostos não se discutem, mas 10 coliseus? Tantos músicos portugueses de qualidade muito superior nunca o conseguiram e estes dois “secas” conseguem-no em tempos de crise? Devem ser mesmo bons…

 

Cá para mim, nas condições de acesso aos espectáculos deve referir algo como:

 

- Quem conseguir adormecer antes de acabar o primeiro tema ganha uma viagem às Maldivas;

- Na compra de 1 bilhete tem direito a jantar para duas pessoas, em Paris;

- Na compra de 2 bilhetes tem direito a uma semana de férias no Algarve;

- Na compra de um pack de 10 bilhetes, torna-se gestor de carreira dos músicos, podendo proibi-los de voltar a actuar nos próximos 50 anos.

 

Ou então, coisas mais simples, do tipo:

 

- Há bar aberto;

- Bifanas de borla;

- Oferta de uma almofada 100% natural com cheirinho a alfazema, para usar durante o espectáculo.

 

Ou ainda, talvez tenham vendido apenas um coliseu no Porto e outro em Lisboa, mas como é de esperar, quem assistir ao primeiro espectáculo ficará em estado de dormência profunda, pelo menos durante uns 15 dias, porque aquilo deve bater mais forte do que 10 embalagens de Xanax. Então, os músicos aproveitam e vão lá tocar todas as noites, enquanto o estado de hipnose colectiva se mantiver. É capaz de ser isso…

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Prémios Stromp atentos ao Benfica

por contrário, em 19.12.15

Os prémios Stromp são uma homenagem que anualmente se faz no clube Sporting Clube de Portugal. Até aqui nada de novo. Todos os clubes têm atitudes semelhantes, no que respeita ao reconhecimento daquilo que os seus colaboradores (dirigentes, técnicos, atletas, sócios, adeptos, etc.) fazem ao serviço do seu clube.

 

O grande facto na atribuição dos prémios deste ano foi Jorge Jesus ter sido distinguido como “o técnico do ano”. Deveras surpreendente. E surpreendeu-me por dois motivos: o primeiro tem a ver com o facto de Jorge Jesus não ter conseguido o acesso à Liga dos Campeões (frente ao CSKA de Moscovo), já ter sido eliminado da Taça de Portugal e não ter ganho nada este ano. OK! Venceu a Supertaça, mas por essa ordem de grandeza, então o treinador do ano deveria ter sido o Marco Silva, que venceu a Taça de Portugal. O segundo motivo, aquele que mais me espanta, é que depois de tanta celeuma e tanta rivalidade com as águias, o universo sportinguista decide reconhecer publicamente, com a atribuição deste prémio a Jorge Jesus, o bom trabalho que este fez, não ao serviço do Sporting mas do Benfica, pois só assim se compreende que seja visto como o técnico do ano.

 

Ainda uma referência para a atribuição do prémio de futebolista do ano ao William Carvalho. É mesmo o desespero a tentar valorizar de todas as formas e fora dos relvados, um jogador que pouco valor demonstra em campo. O Sporting precisa de vender activos para compensar quem tem andado a injectar capital no clube mas, santa paciência, com tantos jogadores melhores que o Sporting tem, que raio de embirração é esta?

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Álbuns: os melhores de 2015

por contrário, em 17.12.15

Já saíram muitas listas dos melhores álbuns do ano, normalmente são TOP20 e TOP10. Eu apresento apenas o meu TOP5, ordenados por data de lançamento :

 

1 - Mark Knopfler - Tracker

2 - Blur - The Magic Whip

3 - Florence + The Machine - How Big How Blue How Beautiful

4 - Neil Young - The Monsanto Years

5 - David Gilmour - Rattle That Lock

 

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Isabel dos Santos corrupta? Tenham juízo...

por contrário, em 12.12.15

Mas quem se foi lembrar de uma coisa destas? Isso é coisa do diabo.

 

Isabel dos Santos é uma santa! Estes tipos da ONG Transparência Internacional nunca ouviram falar no "milagre dos dólares"?

 

Reza a lenda que desde muito tenra idade, Isabel – a princesa de Angola - demonstrou uma enorme capacidade para colher simpatias e agraciar os membros da nobreza. Então, seu pai, um rei tirano que assombrava o reino ordenou que sua filhinha querida tivesse livre-trânsito e pudesse passear por todo o reino, sem qualquer tipo de restrição. Isabel, que adorava percorrer os corredores das cortes, rapidamente conseguiu estabelecer relações de proximidade com os Barões da Sonangol, os Duques da Unitel, com os Regentes da Banca, e cedo demonstrou o especial dom de aparecer no palácio real com muitos dólares no regaço. Seu paizinho não conseguia acreditar nos poderes miraculosos de sua filha-princesa e chegou mesmo a pensar que a fortuna de sua filha provinha dos bolsos do povo angolano. Como pode atrever-se a alvitrar tal coisa? Um certo dia, quando sua querida filhinha regressava de mais um dos seus profícuos passeios pelas cortes, o rei tirano reparou que Isabel trazia com ela um enorme e pesado saco, que mal conseguia arrastar. O rei tirano perguntou-lhe: "O que trazes dentro desse enorme saco?". E ela respondeu-lhe: "São dólares, Senhor!". O rei tirano perguntou: "Dólares em Angola?". Ela abriu o saco e despejou uns quantos milhões de dólares pelo pátio real. Seu paizinho ficou estupefacto e exclamou: “Que linda esta menina, que parece uma rainha!”.

 

Desde então, ficou muito popular em Angola (mais tarde em Portugal) como a princesa “santa” Isabel, que executa com bastante frequência o milagre dos dólares. Crê-se que actualmente, a princesa “santa” Isabel dos Santos consiga também operar o milagre do desaparecimento dos dólares.

 

Isto só pode ser coisa de gente muito boa, com dons muito especiais. Agora, virem tentar conspurcar a história de alguém com tamanhos méritos, com ideias mirabolantes de corrupção e coisas do género… Tenham juízo!

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Todos com Marcelo?

por contrário, em 12.12.15

Eu não. Deus me livre!

 

Era só o que faltava ter que aturar mais um aristocrata, afilhado do Estado Novo, na Presidência.

 

Mas parece que a maioria está com Marcelo: a comunicação social (não apenas a TVI), a direita (em peso), Passos Coelho, Paulo Portas e até alguns que se dizem de esquerda.

 

A comunicação social, essa grande instituição que prima pela isenção, está definitivamente com Marcelo para a Presidência. Neste campo, a TVI teve e tem um papel primordial, já que permitiu que Marcelo fosse esgadanhando o seu percurso que o levou a candidato à Presidência da República. Mas a estação do Balsemão (que parece estar já com assento garantido no Conselho de Estado) não lhe fica atrás.

 

Até Passos Coelho já decidiu apoiar o “catavento de opiniões erráticas” (palavras do próprio), porque não lhe resta alternativa.

 

Também Paulo Portas (BFF de Marcelo) anunciou o seu apoio ao candidato Marcelo. Alegou em defesa da sua posição que, existem muitos socialistas no poder: o Presidente da Assembleia da República é socialista, o Primeiro-Ministro é socialista, o Governo é socialista, o Presidente da Câmara de Lisboa é socialista, mas como se esqueceu de referir que o Presidente da Junta de Freguesia de Cucujães também é socialista, não me convenceu. Disse ainda que Marcelo é o único candidato independente e que, por esse motivo, é o candidato ideal a vencer as eleições. Ora, o que significa “independente”? Em teoria, todos os candidatos são independentes, já que nenhum se está a candidatar em representação de um partido. Contudo, poucos serão os candidatos sem filiação partidária e Marcelo não é um desses, com absoluta certeza. Mas como é o candidato da direita, é independente, só porque dá jeito. Os candidatos da esquerda, esses é que são todos uns agrilhoados às máquinas partidárias, não é verdade senhor Paulo Portas? Compreendo a frustração de Portas em ter que apoiar Marcelo, militante PPD, mas, fazer o quê? Portas e o seu CDS não têm capacidade para apresentar um candidato à Presidência da República, por isso, apoia Marcelo e apelida-o de candidato independente e abrangente. Mas, tratando-se de Portas, há sempre tempo para revogar as tomadas de posição. É óbvio que os principais candidatos presidenciais não são independentes, eles dependem e muito das máquinas partidárias para se elegerem. No entanto, há que recordar que a maior máquina partidária neste país é a comunicação social.

 

Marcelo Rebelo de Sousa esteve 15 anos com a comunicação social ao seu dispor, o que lhe permitiu construir uma imagem positiva, mas falsa, de si mesmo. Marcelo não é nada do que aparenta ser e do que dizem por aí. Politicamente, Marcelo é um impreparado, nunca esteve à altura dos desafios que enfrentou. Já como comentador é um “expert” em todas as matérias. Parece um papagaio a comentar tudo e mais alguma coisa, mesmo sem saber patavina do que está a dizer. Se lhe pedirem para se pronunciar sobre as ovelhas bordaleiras, ele vai fazê-lo passando a ideia que se dedica ao pastoreio desde pequenino e é bem capaz de dizer que ainda guarda umas mantinhas de burel que trouxe de Celorico de Basto, quando ainda era um petiz, só para conferir mais realismo à coisa.

 

Foram raras as intervenções dominicais em que não metesse as patas na poça. Dizem por aí que é um indivíduo culto, porque consegue opinar sobre tudo, o Ti Zé Bilro da tasca da esquina também o faz e ninguém lhe reconhece os mesmos méritos. Dizem que é muito culto por recomendar e dar opiniões sobre livros que nunca leu. E que demonstra uma educação e preparação académica de fazer inveja. Tenho ouvido e lido que por ser professor universitário é alguém cujo intelecto merece uma enorme admiração… Pedro Arroja e Pedro Cosme Vieira também são dois grandes intelectuais que leccionam no ensino superior.

 

Marcelo Rebelo de Sousa saberá (?) alguma coisa de Direito e de leis, mas até aí coloco as minhas reservas. Recordo-me perfeitamente de ouvir Marcelo questionar, a propósito das dívidas de Passos Coelho à Segurança Social, “como é que este (Passos Coelho) pagou uma dívida que já não existe?”. Disse, com aquele ar de espanto, não entender como isso foi possível. Portanto, Marcelo – um especialista em leis – desconhecia que é sempre possível liquidar uma dívida à Segurança Social. A dívida pode prescrever e, nesse caso, deixa de existir a possibilidade de cobrança coerciva, mas isso não significa que o sujeito devedor não possa regularizar a sua situação perante a Previdência. Marcelo desconhecia esse facto, como tantos outros que foi comentando sem ter qualquer conhecimento sobre a matéria, baseando-se apenas em títulos de jornais e opiniões infundadas de outros bitaiteiros. Isto é matéria de facto, senhor professor. No fundo, Marcelo é um bitaiteiro, coisa comum no mundo futebolês. Por falar em futebol, Marcelo enverga também no seu majestoso currículo uma grande intervenção como entrevistador de jogadores de futebol. Certamente que todos se lembram da entrevista que fez a Cristiano Ronaldo. Marcelo é isto. Um básico! Um palpiteiro! Mas as TVs têm esse fantástico poder de endeusar qualquer aboleimado. Basta pô-lo a falar imediatamente antes das telenovelas e a maior parte dos telespectadores vai-se render. Parece que a maioria das pessoas gosta disso, que lhes entrem pela cabeça adentro, que lhes poupem dessa tarefa secante que é pensar, que as impeçam de enxergar para além do óbvio, que as mantenham adormecidas nesse indefectível estado de repouso dos seus neurónios.

 

Marcelo vai continuar a andar por aí a piscar o olho à direita e à esquerda, principalmente à esquerda. Finório! Soube interpretar bem o quadro sociopolítico, bem espelhado no quadro parlamentar nacional. Marcelo percebeu (também não era difícil) que só os votos da direita não chegam para vencer as presidenciais. Ninguém será eleito com menos de 40% dos votos. E por isso, são muitos os “soundbytes” lançados ao eleitorado de esquerda, porque só assim conseguirá vencer. Também a direita de Passos e Portas decidiram, por fim, apoiar a candidatura de Marcelo, muito a contragosto, é claro. Mas não lhes resta alternativa, senão eleger Marcelo e esperar que este dissolva o Parlamento. Portanto, o circo está montado. A comunicação social já decidiu qual o candidato a eleger e nós bem sabemos que a comunicação social consegue eleger até o Tino de Rans, se quiser.

 

Para ser eleito, Marcelo necessitará de muitos votos do eleitorado de esquerda. Quando vi os resultados da última sondagem, que dá a vitória a Marcelo logo na primeira volta com 62% dos votos, até me passou pela cabeça que Marcelo seria o candidato da ala esquerda, já que a direita nas últimas eleições ficou-se pelos 38%...

 

Um último apelo aos eleitores de esquerda: não se deixem enganar por este “novo” Marcelo. É, apenas e só, mais um embuste da direita. Um autocrata ressuscitado do Estado Novo. O que ele quer sei eu. E bem me lembro do que ele andou a bitaitar durante anos sobre a esquerda, em especial, sobre o PCP e o BE. Lembro-me perfeitamente da desditosa logorreia que foi vomitando sobre Catarina Martins e João Semedo, chegando mesmo a roçar a patetice. Mas agora já fala como se os tivesse em boa conta e consideração. Ninguém muda do dia para a noite, a água não se mistura com o azeite e, muito menos se torna em vinho, a menos que seja “martelado”.

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Mas afinal, o que significa BFF?

por contrário, em 04.12.15

Ontem, quando ouvi Paulo Portas a usar a sigla BFF no Parlamento, passou-me pela cabeça que este iria fazer ali uma espécie de mea-culpa, e que iria desatar a esclarecer o enorme rol de trapalhadas em que o seu passado político está assente. Assim de repente, mal ouvi a boca de Portas soletrar a sigla BFF, só me ocorreram coisas do tipo:

 

Bataglia, Ferreira e Finórios

ou,

Bofunfa Fornecida em Fatias

ou,

BES, Financiamentos e Ferrostaal

ou,

Branquamento, Fotocópias e Ficheiros

ou,

Barafunda, Feiras e Feirinhas

ou até mesmo,

Bichonas Frescas e Fofas

 

Mas, afinal não, Portas quis referir-se à expressão "Best Friends Forever" que, no caso concreto, alude à suposta relação de grande e duradoura amizade entre os partidos PS, BE e PCP. Então, logo percebi que Paulo Portas continua a ser o mesmo de sempre, agora mais evidente do que nunca, pois como já aqui referi, a verdadeira essência de um direitola vê-se quando ele está na oposição e não no poder.

 

Realmente, não se me ocorre ninguém melhor do que Paulo Portas para falar sobre "relações de amizade", nomeadamente aquelas que ele julga como definitivas. Portas é, talvez, a pessoa ideal para falar sobre amizades em política. Basta recordar a constância afectiva que Paulo Portas sempre teve em relação a Cavaco, em relação a Durão Barroso, em relação a Marcelo Rebelo de Sousa, em relação a Manuel Monteiro, em relação a Passos Coelho (e aqui o melhor ainda está para vir, ou então já que o Portas gosta tanto de estrangeirismos, TBIYTC, que significa "The Best Is Yet To Come") e até mesmo na relação emotiva e irrevogável que ele mantém com a sua própria pessoa.

 

Paulo Portas continua o mesmo de sempre. Um "burro autenticamente", como dizia o outro.

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