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Trumpolinices

por contrário, em 31.05.16

Resisti o mais que pude para não falar sobre as eleições nos EUA. Sinceramente, aquilo que se passa nos EUA não me interessa muito, ainda que isso possa ter impacto no resto do mundo. Contudo, a minha vida nunca dependeu nem dependerá da escolha que os norte-americanos façam para a presidência.

 

Nos últimos meses, só se ouve falar na corrida às presidenciais norte-americanas e é algo que tende a intensificar-se com o aproximar das eleições finais. O que mais tenho constatado é uma inexplicável perplexidade que a maioria das pessoas demonstra, quando confrontadas com a possibilidade do candidato republicano Donald Trump poder tornar-se no próximo presidente dos EUA.

 

Todos os dias se lê e se ouve:

 

“Trump é lunático…”;

“Trump é idiota…”;

“Trump é xenófobo…”;

“Trump é uma ameaça…”;

“Os EUA não estão preparados para Donald Trump…”;

“O mundo está preocupado com a possibilidade de Trump ser eleito…”.

 

Eu não conheço bem os EUA, reconheço, mas sei o suficiente para afirmar que Donald Trump é o candidato que melhor espelha as características do seu povo.

 

Sinceramente, não sei de onde vem tanto espanto.

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Mulheres no topo

por contrário, em 29.05.16

O Governo anunciou que pretende uma maior representatividade das mulheres nos cargos de topo do Estado e prevê que, em 2019, elas possam desempenhar 40% dos lugares. A proposta do governo vai ainda mais longe ao pretender que as empresas que não cumpram com uma quota de 20% de administradores femininos possam sofrer suspensão da cotação.

 

Para isto ser possível, o governo necessita de alterar as regras sobre os concursos públicos. Como é do conhecimento geral, criou-se uma “coisa” que se chama CRESAP – Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública, que serve para gerir os processos de recrutamento de cargos dirigentes superiores, basicamente.

 

Eu tenho muitas dúvidas em relação a este tipo de postura política, perante um assunto que considero de extrema importância. De facto, é notória a ausência de mulheres em cargos públicos de topo, e isso nota-se desde logo nos maiores cargos políticos. Por que razão não escolheram mais mulheres para as pastas ministeriais? Vejamos, a maioria da população portuguesa é do sexo feminino, a maioria de pessoas que trabalham na função pública são mulheres, até já há por aí estudos que atestam que as mulheres têm, em geral, mais qualificações académicas que os homens. Por que raio não são elas que estão a ocupar a maioria dos cargos públicos de topo?

 

Alterar a lei vai resolver alguma coisa? É sabido que a decisão final dos processos de recrutamento cabe sempre aos governantes. Também é do conhecimento público que, normalmente a esmagadora maioria de candidatos aos cargos públicos de topo são homens. E também toda a gente sabe que os escolhidos já o foram, mesmo antes de o concurso se tornar público. Toda a gente sabe que os escolhidos são gente que gravita em torno dos maiores partidos políticos (PS e PSD), e também toda a gente sabe que a maioria desses “satélites da política” são homens, pelo que não é de espantar que as escolhas acabem por cair maioritariamente neste género.

 

Já agora, se é para estabelecer igualdade de género, por que razão o governo aponta a meta de 40% e não de 50%? Isto faz-me lembrar aquela regra da “quota de representatividade de género” (na maioria das vezes erradamente chamada de “quota das mulheres”), que alguns partidos usam para formar as suas listas de candidatos, que diz que, pelo menos 33% da lista deve ser composta por um dos géneros. E, claro está, são as mulheres que acabam por preencher os tais 33% dos lugares, sendo que em muitos casos acabam por abdicar do cargo em favor de um homem.

 

Portanto, tudo tretas! Não acredito em nada disto. Muitos menos na igualdade conseguida “à força”. Não pode haver nada mais desproporcionado que uma igualdade imposta, especialmente quando são os próprios governantes que têm o poder da decisão final nas suas mãos.

 

O que importa garantir é que os concursos públicos sejam devidamente publicitados e que permitam a qualquer pessoa detentora dos requisitos necessários para o exercício das funções concorrer em pé de igualdade com os demais candidatos. E, acima de tudo, que seja tratado com equidade por quem o vai avaliar e decidir. E que deixe de ser considerado como um mero figurante num concurso inquinado na sua génese.

 

Propor uma lei com estes contornos é assumir que muito de errado se passa nos concursos públicos. E aprovar esta lei servirá apenas para colocar mais uma peneira na frente do Sol. O verdadeiro problema reside na perversão dos referidos concursos públicos, que culminam sempre com a escolha de um “boy” para a respectiva “job” e, sendo assim, estou-me nas tintas se o(a) escolhido(a) é um homem ou uma mulher. O que eu gostaria de ver era processos de recrutamento e selecção transparentes, e que no final se escolhesse o melhor candidato ou candidata. Se fosse assim, de certeza que não haveria tanta disparidade de género nos cargos de topo e, muito menos, necessidade de andar a criar cortinas de fumo para tentar esconder o verdadeiro mal.

 

Evidentemente que as mulheres têm capacidade para desempenhar as funções de topo, e se os tais processos de recrutamento fossem cristalinos e justos, certamente que haveria mais mulheres no desempenho de tais funções. Até nesse pormenor elas revelam mais inteligência, quero dizer, como sabem de antemão que se trata de processos inquinados, nem se dão ao trabalho de concorrer.

 

Transformar esta proposta do governo em lei, só vai acentuar ainda mais a fedorenta guerra que se trava nas trincheiras dos principais partidos. Se vier a ser aprovada, ainda vamos assistir à mudança de sexo de alguns homens só para poderem chegar ao topo, por via da quota feminina. Naquela guerra vale tudo.

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Mourinho pensa ou afunda?

por contrário, em 27.05.16

José Mourinho sempre vai treinar o Manchester United. Depois de algum tempo parado, Mourinho voltará ao activo já na próxima temporada ao comando dos red devils. O que me deixa intrigado é que depois de tanto tempo a viver em Inglaterra, Mourinho ainda não sabe a diferença entre "pensar" e "afundar". E, certamente que afundar não é um verbo que os adeptos do United queiram pronunciar.

 

E é isto... Mourinho continua a "sinkar" forte e feio, por terras de Sua Majestade, pelo que a pergunta de hoje é:

 

Mourinho pensa ou afunda?

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Portas não bate a porta

por contrário, em 27.05.16

Paulo Portas é um dos deputados mais faltosos da Assembleia da República. Já faltou dezasseis vezes. Só neste mês de Maio já faltou a mais de metade das sessões plenárias. Pior que o número de faltas são os assuntos aos quais cobardemente virou as costas, sem bater de vez com a porta, é que o salário de deputado (que alguns dizem que é pequeno) ainda dá um jeitão. Portas não compareceu à discussão de temas como o Orçamento do Estado, a procriação medicamente assistida e a maternidade de substituição.

 

E de quem é a culpa dessa impune bardinice dos deputados? Ainda hoje se pôde constatar que apenas cerca de metade dos deputados marcaram presença na Assembleia da República. E não tenho dúvidas que todos os que faltaram hoje, para passar um fim-de-semana de 4 dias no Algarve, não terão nenhum problema em ver aceite as suas justificações. A culpa é da própria Assembleia da República que, no Estatuto dos Deputados prevê que estes possam faltar até três vezes de forma injustificada, sendo que atingido esse limite poderá haver lugar a perda de mandato. Contudo, os deputados nunca dão faltas injustificadas. Não, eles não querem perder a rendosa diária, muito menos pôr em causa a continuidade do mandato. Podem faltar à fartazana, desde que justifiquem. E podem engenhar qualquer coisa como justificação. A Assembleia da República, que é deles, aceita tudo. No caso de Portas, parece que o mesmo tem alegado “trabalho político” para justificar o seu elevado absentismo. Alguém conhece algum trabalho político de Paulo Portas nos últimos meses?

 

Em Dezembro de 2015, Portas havia dito que abandonaria o cargo de deputado, por considerar que isso poderia ofuscar a liderança de Assunção Cristas. Contudo, já todos sabemos que aquilo que Portas diz não é para ser levado a sério. Ora, estamos no final de Maio e o "líder" do CDS ainda não renunciou ao cargo para o qual foi eleito. Entretanto, Portas já veio dizer que “está por dias” a sua saída da Assembleia da República. Deve estar à espera do final do mês, só para facilitar as contas aos processadores de salários da AR. Ou então, estará a completar alguma contagem de dias para uma futura reforma de agradável e adequado valor. Portas vai sair, disso não há dúvidas. Mas, primeiro, necessita de asseverar com a TVI o seu lugar de comentador. Portas será o próximo bitaiteiro da referida estação televisiva. Portas quer começar, desde já, a traçar “os caminhos de Marcelo”, estando convicto que isso o levará a alcançar o mesmo objectivo, ou seja, a Presidência da República, daqui a dez anos.

 

Portas é assim. Tem muita dificuldade em bater com a porta, especialmente se dessa porta saem cobres para o seu bolso. Encenou a saída da liderança do seu partido que, como todos sabemos, continua a liderar. Disse que abandonaria a Assembleia da República e, apesar de na prática já o ter feito, já que pouco intervém e poucas vezes lá vai, a verdade é que, oficialmente segue sendo deputado, com o único objectivo de ser pago por algo que, na verdade, se recusa exercer com a devida probidade. Portas seguirá agora para a TVI onde, provavelmente irá receber muito mais do que recebe enquanto deputado. Dir-me-ão que Portas até está a ser honesto, já que poderia acumular as duas funções. Mas eu digo que não. Não, por uma simples razão. A forma como Portas vai exercer o seu trabalhinho de comentador será completamente incompatível com a função de deputado que, no momento, o próprio já se recusa a exercer de forma honrada.

 

Estejam atentos e não percam as próximas sessões de malabarismo. Qual Cirque du Soleil qual quê…

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Os Passos Perdidos de Passos

por contrário, em 24.05.16

Passos Coelho, líder(?) do PPD/PSD anda por aí a pregar a desgraça, a sua visão do apocalipse, numa tentativa quase desesperada de se fazer ouvir e notar. Coloquei a interrogação porque, na verdade, Passos Coelho parece tudo menos um líder. Há muito que perdeu o estatuto de líder da oposição para, imagine-se, Assunção Cristas, que sendo apenas uma súbdita de Paulo Portas, envergonha e diminui a importância do PSD na cena política nacional.

 

Há que reconhecer que Passos Coelho até se esforça, mas como é hábito seu, faz tudo errado. Não obstante, tiro o meu chapéu pelo facto de ser (talvez) a única pessoa neste país que consegue exercer a sua profissão de sonho num contexto profissional diferente. Passos queria ser actor, mas como o Ângelo Correia não tinha forma de lhe conferir currículo nessa área, enveredou rapidamente pela política e até com bastante sucesso pessoal, muito mais do que ele próprio alguma vez terá imaginado.

 

Mas agora, Passos anda perdido. Ora defende acerrimamente os contratos de associação com escolas e colégios privados, ora é a favor das barrigas de aluguer e da procriação medicamente assistida. Mete as mãos, os pés e o que for preciso no fogo, só para defender a sua querida professora Maria Luís. Passos acusa o PS de estar a encostar-se ao BE e ao PCP, mas não se apercebe que, por um lado, quer distinguir-se das políticas de esquerda, por outro lado, parece andar a reboque do CDS no papel de opositor ao governo, sendo que algumas vezes até se encosta ao PS. Passos diz que nunca inaugurou nada enquanto Primeiro-ministro e, já depois de deixar de o ser, continuou a inaugurar. Contudo, o túnel do Marão sempre lhe fez muita comichão, pelo que decidiu não comparecer na inauguração. Logo ele que até viveu parte da sua vida naquela região. Enfim, que grande barafunda que vai naquela cabeça.

 

Passos Coelho também insiste em tratar o Presidente da República por “Dr. Rebelo de Sousa”, aquele velho tique fascista que João Jardim muitas vezes usou para se referir a Cavaco Silva, chamando-o de “Sr. Silva”. Não é que eu nutra especial afecto por qualquer um dos visados, mas na posição que ocupa e ainda por cima pertencendo à “família laranja”, Passos deveria pronunciar-se noutros termos.

 

Mediocridade. Mediocridade. Mediocridade.

 

Resta-me o meu habitual considerando à comunicação social, que ainda tenta puxar por ele, tal como fez enquanto foi Primeiro-ministro, mas agora essa tarefa é bastante mais espinhosa. Neste momento, tentar puxar Passos Coelho para a ribalta é como querer desencalhar um bacalhoeiro com fio de pesca. As últimas aparições públicas de Passos Coelho são um exemplo disso mesmo. Mostram um líder isolado, a falar para meia-dúzia de interessados com cara de quem comeu sobremesa estragada. Passos anda desencontrado. São os Passos Perdidos de Passos.

 

 

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Esta é a pergunta que me está a inquietar hoje... Afinal quantos são os adeptos do Braga (só do Braga)? Quantos vibram e apoiam o seu clube e mais nenhum outro?

 

Com tantos estudos que se fazem por aí, sugiro que alguém se interesse por analisar este assunto. Para já, o que deu para aferir é que um clube que tem "Sporting" no nome e vermelho na cor, não parece ter muitos adeptos em regime de exclusividade. Lamentavelmente, isso foi demasiado notório na festarola de ontem e hoje.

 

Nenhum clube se torna grande com adeptos de coração dividido.

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Animais não são coisas

por contrário, em 21.05.16

A propósito dos projectos de lei apresentados na Assembleia da República, que visam alterar o estatuto jurídico dos animais e incrementar as sanções a todos quantos pratiquem maus-tratos, decidi acrescentar algum pensamento ao debate. Não, os animais não são coisas. E o agravamento das sanções sobre todos os que lhes inflijam maus-tratos é algo que deveria encher de orgulho qualquer pessoa de bem.

 

Aqueles que acham que o Homem é um ser superior aos demais animais que coabitam o planeta Terra, geralmente, são os mesmos que defendem que dentro da própria espécie humana também uns são mais importantes que outros e, por essa razão, devem ser alvo de tratamento diferenciado. A mediocridade de pensamento de alguns leva-os também a argumentar sobre os desfavorecidos, os pobres, os refugiados e as crianças indefesas quando são confrontados com manifestações de afecto e de defesa dos direitos dos animais. Isto leva-me a colocar-lhes já algumas questões: Qual o problema em aumentar as penas para quem maltratar um animal de forma gratuita? Qual o problema em aproximar ou igualar as penas para quem atentar contra a integridade física de uma pessoa ou de um animal? A mim não me choca nadinha que se puna da mesma maneira todos quantos não sabem viver em comunhão e respeito pelo meio envolvente (pessoas, animais e meio-ambiente). Esse meio é composto não apenas por seres humanos e, acima de tudo, a Natureza não lhes pertence em exclusividade. O que leva um ser humano a pensar que tem mais direitos que um animal, no que diz respeito à preservação da sua integridade física, liberdade e observância da moral?

 

A decência do ser humano reside precisamente na forma como este trata os animais. Ou, como disse Gandhi, “a grandeza de uma nação [eu salientaria, “de uma pessoa”] pode ser julgada pela forma como os seus animais são tratados”.

 

Outra questão que importa fazer aos incomodados com o debate sobre os direitos dos animais é: Em que medida a luta pela salvaguarda dos direitos dos animais e do incremento do seu estatuto jurídico colide com o respeito pelo ser humano? Talvez encontremos a resposta mais à frente…

 

Regra geral, os que se sentem incomodados com a crescente e alegada “adoração” que alguns seres humanos têm para com os animais, são os mesmos que nunca souberam o significado de amar, nem mesmo uma pessoa. Por que razão o amor de um ser humano por um animal deve ser posto em causa, criticado e desprezado? Esses incomodados são objectores do amor. Haverá alguma forma de amor passível de merecer desprezo? Bem, talvez o amor ao dinheiro, algo que certamente não perturba a rarescente consciência da maioria desses importunados. Esses críticos são os mesmos que insistentemente dividem a sociedade, menosprezando todos os que manifestam amor pelos animais, todos os que lutam pelos seus direitos chegando a considerá-los como uns bandidos que não gostam de pessoas. A esses críticos eu respondo dizendo: pobre das suas almas que nunca souberam o que é amar um animal e, como tal, jamais conseguirão amar um semelhante.

 

A real subversão de valores reside, antes, nas pessoas que não aceitam esta mudança de paradigma, que não é mais do que um sinal de evolução das sociedades, sendo que são eles que, não só não respeitam os animais não-humanos, como também não respeitam as pessoas que pensam de forma diferente e o ser humano em geral. Encontram-se no primeiro estágio que os levará também até ao ponto em que não serão capazes de gostar de ninguém, nem deles próprios.

 

Repare-se, independentemente da opinião de cada um sobre este assunto, que mal traz ao mundo uma legislação mais severa contra todos aqueles que pratiquem maus-tratos a animais? Nenhuma lei que demonstre rigor na defesa dos direitos, quer dos seres humanos quer dos restantes animais ou meio-ambiente deve ser objecto de desconfiança, muito menos sentida como uma agressão à cidadania.

 

Se notar bem, aqueles que se mostram vincadamente contra os projectos de lei do PS, BE e PAN são os que não raras vezes apoiam e aprovam legislação contrária ao bem-estar de todos nós, os humanos. A esses não reconheço nenhuma autoridade moral para o que quer que seja, apenas constato (sem surpresa) e lamento a sua bolorenta hipocrisia.

 

Há muito a alterar nos Códigos Civil e Penal, de facto. Qual a lógica em, por exemplo, condenar à morte um cão que feriu uma pessoa, muitas vezes sem gravidade, e em que o principal culpado é o respectivo detentor legal (pelo menos nos casos em que existe dono) e, por outro lado, um indivíduo que assassina o próprio filho recém-nascido com uma faca no coração ou o abandona num caixote do lixo para morrer, incorrer numa pena que, na pior das hipóteses, poderá atingir os 25 anos de prisão? É urgente alterar o estatuto jurídico dos animais, agravar as sanções sobre os que lhes inflijam maus-tratos e, acima de tudo, fazer cumprir lei. E não apenas para os animais de companhia que possuem detentor legal.

 

Apertando um pouco mais a minha visão sobre este assunto, e já sei que algumas virgens púdicas se vão chocar com o que vou escrever, devo salientar que nutro muito mais respeito, consideração e preocupação pelos animais do que por muitas pessoas. Sim, é verdade. Espantados? Só quem vive alheado da realidade é que pode estranhar este facto. Contudo, não posso deixar de reconhecer e aceitar que essas desprezíveis pessoas tenham os mesmos direitos que os demais cidadãos. Note-se que são os próprios seres humanos os piores inimigos da sua espécie e, sem surpresa, dos restantes animais e meio-ambiente. Como poderei eu não gostar mais de um animal do que dessas pessoas? Posso até dizer que me revejo totalmente naquela frase que diz que “quanto mais conheço as pessoas mais gosto dos animais”. Felizmente, ainda há muito boa gente por aí.

 

Quero ainda retrucar a esses idiotas que trazem para esta discussão, os maus-tratos e a suposta violência que o ser humano exerce sobre moscas, melgas e mosquitos, tentando estabelecer paralelismos absurdos, chegando a comparar um cão a uma mosca ou uma barata. Algumas pessoas conseguem demonstrar, todos os dias, que a imbecilidade é uma coisa infinita. Bem, chegados a este ponto fica difícil manter uma discussão inteligente e profícua sobre a matéria. Comparar uma barata com um cão é estúpido. As diferenças são tantas que estar aqui a mencioná-las tornaria este texto ainda maior. Basta por exemplo pensar que, se se arrancar uma pata a uma barata ela continuará a andar e a manter as suas rotinas de vida, agora pense o que sentirá um cão se lhe arrancar uma perna. Pode não ser o melhor exemplo, mas certamente que dá para perceber que o sofrimento do cão é, em tudo, semelhante, ao do ser humano. E em tudo diferente ao da barata.

 

Apetece-me ainda trazer à colação o que dizem os caçadores e os toureiros sobre este assunto. Sem surpresa, são dos primeiros a enfileirar-se contra os conhecidos projectos de lei. O que surpreende é que teimam em assumir-se como amantes dos animais e da Natureza. De facto, não há melhor exemplo de amor pelos animais e pela Natureza, do que alguém que adora embrenhar-se na floresta com uma caçadeira na mão. Realmente, amor como este só é superado pela explosiva paixão entre judeus e palestinianos.

 

E depois há as touradas, claro. Os toureadores também já demonstraram o seu descontentamento, pois já perceberam que o fim das touradas também está na mira. Estes também alegam que são amantes dos animais e da Natureza. Alguns até dizem que ninguém ama mais os touros do que eles. Levar com bandarilhas no cachaço é o passatempo preferido de qualquer touro. Gostaria de perguntar a esta classe de bostas, onde está a dignidade de um ser humano que sente prazer em massacrar um touro? Tudo isto para gáudio dos outros bostas que assistem ao degradante espectáculo em que, saliente-se, o touro se apresenta propositadamente debilitado. E ainda há aqueles que defendem as touradas porque é uma tradição. É, de facto, uma tradição. Uma tradição estúpida e irracional.

 

Estas manifestações de imbecilidade só me dão vontade de ir ainda mais além, resumindo a minha postura perante esta pérfida sociedade numa pessoal formulação filosófica que diz o seguinte:

 

“A principal diferença entre os animais e as pessoas é que todos os animais são de boa índole”.

 

Quem sente prazer na tortura e/ou na morte de um animal tende, velozmente, para sentir o mesmo em relação aos humanos. É uma obrigação dos seres humanos proteger os animais de actos cruéis. Como é possível um ser humano sentir prazer com o sofrimento infligido de forma gratuita a um animal? Podia enveredar pela forma como os animais são mortos nos matadouros, ou até mesmo em casa, para consumo. Podia e devia questionar também a forma como são tratados durante as suas vidas, cada vez mais curtas. Mas isso daria pano para mangas, fica, contudo, a ressalva de que também nisto há muito de errado, de irracional e que urge mudar.

 

Afinal onde reside a diferença entre humanos e não humanos, no que respeita à violência e maus-tratos? Maltratar um ser humano está errado porquê? Porque ele tem sentimentos e é fisicamente sensível à violência? Ou será apenas por se tratar de um animal racional? Parece-me evidente que não é por ser racional e, tal como os humanos, também os animais são seres sensíveis aos maus-tratos e às barbáries que se lhes acometem. Insensível é todo aquele que não consegue compreender isso e/ou consegue tirar prazer do sofrimento de um animal. É o sofrimento que está em causa e não a racionalidade. E nessa matéria, seres humanos e muitos dos não-humanos sofrem da mesma forma perante a violência. Caso contrário, tal como dizia Bentham (séc. XVIII), os bebés e os incapacitados mentais teriam também de ser tratados como coisas, já que têm a sua capacidade de raciocínio muito limitada.

 

Realmente, volvidos que estão vários séculos de pensamento sobre esta matéria e somos obrigados a reconhecer que uma significante e preocupante parcela do Homem moderno é, cada vez mais, um bando de boçais insensíveis com tiques de superioridade moral.

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É esta a pergunta do dia. Por que razão a comunicação social insiste em informar que o português que viajava a bordo do voo da EgyptAir, era um alto funcionário da empresa Mota-Engil? Um alto responsável da empresa para o mercado africano...

 

A profissão de um passageiro que desaparece num desastre de avião é algo sem qualquer tipo de relevância jornalística, desprovido de qualquer interesse para o público em geral.

 

Então... E se fosse um estucador ou uma empregada de limpeza? Tais factos também seriam salientados?

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Jorge Jesus, Bruno de Carvalho, Octávio Machado, Augusto Inácio, entre outros, passaram a época a cantar de galo, como se este ano fossem favas contadas para o Sporting.

 

Foram muitas as acusações infundadas sobre supostos estratagemas levados a cabo pelos seus adversários directos, Porto e Benfica, com especial enfoque no Benfica (por razões óbvias). Foram histórias de caixinhas e vouchers. Foi a arrogância de Jorge Jesus que, segundo ele, colocou o Rui Vitória bem rasteirinho. Para Jorge Jesus, o Rui Vitória não sabia conduzir o Ferrari, o cérebro já não estava na Luz, o Rui Vitória não era ninguém, nunca tinha ganho nada antes (bola, zero), como se ele tivesse ganho alguma coisa antes de chegar ao Benfica.

 

Há que reconhecer que o Sporting não assumiu a candidatura a vencer todas as provas em que esteve presente, mas todos nos recordamos que o Sporting assumiu vincadamente que o grande objectivo era vencer a Primeira Liga. Também todos se lembram que, apesar do Sporting ter iniciado a época a vencer a Supertaça ao Benfica (o título com menor importância e que, na verdade, se refere à época passada), o Sporting não conseguiu vencer nenhuma das cinco competições em que entrou.

 

Taça da Liga? Bola… Zero…

Taça de Portugal? Bola… Zero…

Liga dos Campeões? Bola… Zero…

Liga Europa? Bola… Zero…

Primeira Liga? Bola… Zero…

 

Gostaria ainda de realçar mais um facto para somar ao ego do Jorge Jesus. Ele que se acha o “criador” do futebol em Portugal (e não só) fartou-se de estabelecer paralelismos entre aquilo que ele conseguiu conquistar no Benfica e aquilo que Rui Vitória estava a fazer. Quero então relembrá-lo que, apesar de ele achar que o Sporting está muito melhor este ano, na época passada o Sporting de Marco Silva conseguiu vencer a Taça de Portugal. E o que conseguiu Jorge Jesus? Bola… Zero…

 

Ainda assim, o quarteto que referi logo no início deste texto continua a afirmar que o Sporting é a melhor equipa em Portugal e que o Benfica é um injusto vencedor. Isto já não se trata apenas de arrogância. Isto é estupidez no seu estado mais bruto.

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Brasil a T(r)emer

por contrário, em 14.05.16

Nas últimas semanas o mundo assistiu a um verdadeiro circo político no Brasil. Em causa estava, apenas e só, a destituição de Dilma Rousseff do cargo de Presidente da República. Desde logo se percebeu que, o que verdadeiramente estava a acontecer era uma campanha concertada para eliminar o PT do poder.

 

Depois de tantos lamentáveis e quase anedóticos episódios de política barata, Dilma acabou por ser destituída. Tudo isto foi feito em nome de um Brasil mais transparente e menos corrupto. Curiosamente, os contestatários de Dilma deixaram de falar em Lula da Silva, logo que se aperceberam que o objectivo estava prestes a ser atingido.

 

O Brasil é, de facto, um país excepcional. E se há qualidade que muito bem caracteriza o povo brasileiro é a franqueza. O povo brasileiro sempre se exprimiu de forma livre e aberta. O provo brasileiro transpira liberalidade. E assim, o povo permitiu, quer pela vontade própria de alguns milhares que saíram à rua a manifestar o apoio à destituição da Presidente deposta, quer pela inépcia dos muitos milhões que se alhearam deste assunto, que um novo e especial lote de governantes tomasse o poder de assalto.

 

Agora, quer por acção ou omissão, o povo quis e o povo tem um governo digno da sua representação. Um novo Presidente (não eleito) com vastíssimo cadastro político, investigado e suspeito de acção criminosa e antipatriota. Um Presidente que escolheu (a dedo) 23 ministros, que na sua maioria são pessoas que estão ou estiveram a braços com a justiça brasileira, cinco dos quais até foram condenados. O próprio Michel Temer é citado na operação "lava-jato" e, agora, dirige-se ao povo acenando com a bandeira da credibilidade.

 

No Brasil é assim. O povo gosta de transparência. Se é para ser enganado e roubado, pelo menos, os governantes que digam desde logo ao que vêm. Além disso, o povo prefere ser roubado por gente da alta sociedade, especializada no “métier”, do que por um bando de bóias-frias.

 

Oi gentchi, o Brasiu tá ficando chiqui!

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