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A assunção de Cristas e do CDS

por contrário, em 30.01.18

Durante o passado fim-de-semana, Assunção Cristas, líder do CDS disse que “Em 2019 não se discute já quem fica em primeiro lugar, em 2019 não se discute já quem é que pode ou não governar porque ficou em primeiro lugar. Isso era antes, antes de 2015. Em 2019, o que se vai discutir é quem é que consegue ter um bloco de apoio no parlamento de 116 deputados”.

 

Também disse que “Houve alguém que perdeu as eleições e está a governar, e governará até ao fim com a ajuda das esquerdas unidas, disso não tenho dúvidas. Mas ‘esse alguém’ também poderá ver um dia o filme virar. E o filme virará quando no centro-direita, nós tivermos 116 deputados”.

 

Que diabo! Então não foi sempre assim? Ora deixa cá ver se eu ainda sei fazer contas simples: a Assembleia da República é composta por 230 deputados; para haver uma maioria que possa suportar um governo são necessários… hmm… ora deixa cá ver… 6 vezes 3 são 18… olha! 116. São necessários 116 deputados para ter maioria.

 

Ao que parece, Assunção Cristas só conseguiu realizar este cálculo em 2015, altura em que o Partido Socialista, mesmo não tendo vencido as eleições, conseguiu formar governo – porque conseguiu um apoio parlamentar superior a 115 deputados. Mas só agora assumiu que o seu partido também está disposto a "geringonçar".

 

Convém lembrar que o CDS já fez parte de governos por intermédio de coligações pós-eleitorais, num dos quais Cristas até foi ministra. O que há de novo então? Parece que, afinal, o CDS de Cristas concorda com a solução que o PS encontrou para governar após as eleições de 2015, assumindo que estarão dispostos a actuar da mesma forma nas eleições de 2019.

 

Outra coisa. Assunção Cristas disse que não tem dúvidas que o actual governo durará até ao fim da legislatura, com o apoio das esquerdas (parece que há mais que uma). Que metamorfose! Ainda se lembram do que diziam da actual solução governativa?

 

Para terminar em beleza, resta-me salientar aquilo que disse Nuno Magalhães, deputado do CDS, a propósito das jornadas parlamentares do seu partido. Nuno Magalhães afirmou estar contra o aumento do salário mínimo nacional, sendo que o tema do debate era “Diálogo Social para Mais Investimento, Melhores Empregos e Melhores Salários”. Melhores salários dizem eles. Resta saber para quem é que eles defendem os melhores salários, se estão contra o aumento do salário mínimo nacional.

 

O CDS é um partido anedótico. Mas tem uma grande virtude, assume-se todos os dias. Só não vê quem não quer.

 

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