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O que se pode dizer sobre a polémica levantada acerca do número de mortos na tragédia de Pedrógão Grande? Uma vergonha. Para quem? Para o PSD e CDS. Contrariamente ao que dizem estes dois partidos, foram eles que geraram a polémica em torno deste assunto e não o governo ou outra entidade. Convém também lembrar que a polémica só se tornou “polémica” devido àquela “subtil” imparcialidade com que alguma comunicação social lida com este tipo de assuntos.

 

Vamos por partes. A oposição exigiu ao governo que apresentasse (em 24 horas) uma lista com os nomes das pessoas que perderam a vida nos incêndios de Pedrógão Grande, alegando que não seriam apenas 64 mortos mas sim 73 as vítimas mortais. Lembremo-nos que todas as autoridades envolvidas confirmaram que foram 64 as vítimas, mas eis que de um buraco qualquer surgiu “uma mulher” (é nestes termos que a comunicação social se tem referido à credível fonte) com outros números, aos quais a oposição PSD/CDS se agarrou veementemente. Mulher essa que, segundo consta, vagueia pelo fascinante mundo dos negócios onde, ao que parece, tem cavado alguns buracos. Portanto, as habituais fontes fidedignas a que a Direita invariavelmente recorre. Tal como aquele senhor provedor que também é candidato laranja a uma Câmara Municipal, quando segredou ao ouvido de um líder político que, por sua vez, tem a boca maior que o cérebro, sobre uns eventuais suicídios. Lembram-se? Pois. Se eu tivesse uma mente maliciosa, até me atreveria a dizer que estes escroques que servem de fonte aos senhores da Direita são obra dos próprios.

 

Saliente-se que a Direita andou por aí a apregoar que as pessoas não são números, quando na verdade eram eles os mais preocupados com os números. Senão vejamos, que raio de diferença faz serem 64, 65, 70 ou 100 mortos? Eu julgava que o importante era apurar as necessidades no terreno e garantir que a ajuda chegue com a maior brevidade possível. Mas para a Direita (PSD/CDS) há uma substancial diferença e, por isso, exigiram ao governo a publicação da lista com os nomes das pessoas. Que aberração! Passa pela cabeça de alguém que o governo deveria tornar público o nome das pessoas falecidas? Passa, pelas cabeças da Direita, que não tem condições nem para ser oposição e que se socorre da desgraça para tentar retirar dividendos políticos. Uma vergonha!

 

Obviamente que o governo não devia nem podia fazê-lo. Por outro lado, a senhora procuradora Joana Marques Vidal decidiu publicar o nome das pessoas, vá se lá saber porquê, e eis que, afinal, eram mesmo 64 as vítimas, tal como as fontes oficiais haviam anteriormente confirmado.

 

Do lado da Direita houve logo quem levantasse a crista para afirmar que, finalmente estava esclarecida a polémica gerada pelo governo. Haja lata! E eu que pensava que, uma vez tornado público os nomes das pessoas, a Direita iria exigir que se publicasse também as fotos.

 

Com todo o respeito pelas vítimas e seus familiares, há que reconhecer que para o caso é indiferente que o país saiba o número exacto ou o nome das pessoas. Obviamente que as autoridades competentes têm que apurar esses dados, mas para o país esse facto é irrelevante. O que o povo português deseja é que estes casos não voltem a acontecer e que, no imediato, se ajude quem precisa. Não, as pessoas não são números, mas também não são apenas o seu nome. Para o cidadão comum não interessa a publicitação do nome das pessoas, nem mesmo se foram 64 ou 73. Poderia até ter sido 1000, como poderia ter sido apenas uma. O pesar, a preocupação e a solidariedade não se sente em função de números ou nomes. Tenham juízo.

 

Importante seria ver a oposição (e também o governo) empenhada em mudar o que está errado nesta matéria, desde logo, começando por mudar o funcionamento do SIRESP (que nunca funcionou devidamente), passando pela revisão ou anulação dos contratos com empresas privadas, nomeadamente as empresas de meios aéreos de combate aos incêndios. Isto é que tem que ser alterado e não vejo ninguém, excepto a Esquerda mais à esquerda, com vontade de “rasgar” esses contratos altamente lesivos para o Estado Português. Faz algum sentido o Estado contratar uma empresa privada de aviação para combater os incêndios, quando dispõe de meios próprios para o fazer? Empresas que cobram milhares de euros por hora. Empresas que lucram tanto mais quanto mais incêndios houver. O lucro dessas empresas aumenta exponencialmente com a ocorrência de incêndios. Que perversidade! Note-se ainda que, muitas dessas empresas privadas recorrem ao serviço dos pilotos da Força Aérea Portuguesa. Isto sim é um escândalo de lesa-pátria. Mas sobre isto a oposição não tem nada para dizer.

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