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Camaradas do PCP, comunista sou eu!

por contrário, em 08.10.16

O PCP não concorda com a proposta de aumento de 10 euros apenas para as reformas até 600 euros, veiculada pelo PS e BE para o Orçamento do Estado do próximo ano. Jerónimo de Sousa fez saber que nesta proposta “não há critério de justiça”.

 

Para o PCP, todas as reformas devem ser aumentadas. O PCP considera que só há critério de justiça se a proposta for direccionada a todos os pensionistas. Se for apenas para alguns, estará a fomentar a divisão entre reformados.

 

A mim, quer-me parecer que o PCP necessita de rever urgentemente os seus critérios de justiça social e igualdade. Jerónimo de Sousa até usou um exemplo comparativo, que eu vou aproveitar para demonstrar precisamente o contrário daquilo que defende o PCP, nesta matéria. Jerónimo de Sousa disse que a proposta do PCP “não agrava as desigualdades entre reformados” e que o aumento que propõem, em termos percentuais, é superior para os que têm reformas mais baixas. De facto, pode não agravar, mas também não contribui muito para a igualdade e justiça social que o PCP tanto tem defendido. Consideremos o exemplo dado por Jerónimo de Sousa, em defesa da proposta do seu partido:

 

- Uma pensão de 275 euros teria um aumento de 3,6%;

- Por outro lado, uma pensão de 1.000 euros teria “apenas” um aumento de 1%.

 

Visto assim, em termos percentuais, até parece uma proposta justa já que a reforma mais baixa teria um aumento “percentual” de quase quatro vezes mais (3,6 vezes). Contudo, a verdade é que um pensionista que recebe 275 euros por mês passaria a receber mais 9,90 euros, já um pensionista que recebe 1.000 euros seria aumentado em 10 exactos euros. Ou seja, em termos reais, e isso é que importa, um pensionista que recebe 1.000 euros teria um aumento real no seu rendimento mensal superior (pouco, mas superior) face a um que recebe apenas 275 euros. É a isto que o PCP chama de justiça?

 

Supondo que seria possível manter as mesmas taxas de aumento para ambas as pensões por um período de 20 anos, a reforma mais baixa (a de 275 euros) apenas conseguiria encurtar a diferença para a reforma de 1.000 euros em pouco mais de 50 euros.

 

Na verdade, os percentuais apresentados pelo PCP é que não têm nenhum critério, a não ser o de propor um aumento real de 10 euros para todas as reformas. Ou seja, se é para aumentar é para todos, mesmo para os que não necessitam. A mesma tese que defenderam na gratuitidade dos livros escolares… Enfim.

 

Mas a situação piora quando o PCP informa que as reformas mais altas seriam aumentadas em 0,8%. Ou seja, aquelas que rondam os 5.000 euros mensais teriam um aumento de 40 euros. Portanto, o desgraçado que aufere 275 euros leva um aumento de 10 euros, já o abastado que recebe 5.000 euros leva quatro vezes mais.

 

Concordo com Jerónimo de Sousa quando afirma que os pensionistas que recebem 700, 800, 900 ou 1000 euros não são ricos, no entanto, se esses não são ricos o que dizer dos que recebem apenas 275, 300 ou 400 euros?

 

Caríssimo Jerónimo de Sousa, não lhe parece prioritário começar por aumentar as pensões mais baixas? Não lhe parece mais justo reduzir o fosso entre as reformas “realmente” baixas e as de valor médio? Tomando o seu exemplo, não acha que seria até mais justo aumentar o pensionista que recebe 275 euros mensais em 20 euros, ao invés de lhe atribuir um aumento de apenas 9,90 euros, sendo que os outros 10 euros vão parar ao bolso do pensionista que já recebe 1.000 euros mensais (bem acima do salário médio mensal em Portugal)?

 

Às vezes até parece que eu é que sou comunista.

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