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Deputados “vou ali e já volto”

por contrário, em 01.12.16

A propósito do falecimento de Fidel Castro foram apresentados, na passada terça-feira, dois votos de pesar, um apresentado pelo PCP e outro pelo PS. Ambos foram aprovados, mas não por unanimidade. Até aqui tudo bem. Independentemente da minha posição sobre este assunto (votaria favoravelmente) considero que todos os deputados devem ser livres de manifestar as suas intenções como bem entenderem. A Assembleia da República é a casa da Democracia e os deputados não podem ter os seus direitos e deveres amputados. Devem votar de acordo com a sua consciência e no pleno exercício das suas funções.

 

A bancada do PSD, que anda perdida, resolveu ter mais um dos seus achaques e comportou-se com a já habitual disfuncionalidade. Segundo consta, havia indicação da direcção da bancada parlamentar para que todos os deputados do PSD se abstivessem de votar ambos os documentos, contudo, alguns optaram por votar contra, estando agora sujeitos a processos disciplinares por terem violado a disciplina de voto. Disciplina de voto em “votos de pesar”? A disciplina de voto já é algo muito questionável, mas em matérias como votos de pesar é simplesmente ridícula.

 

Mas, ainda mais absurdo foi o facto de vários deputados do PSD, entre os quais as excelentíssimas senhoras donas Maria Luís Albuquerque e Paula Teixeira da Cruz, terem fugido do hemiciclo no momento da votação (segundo corre na comunicação social). Estes deputados não foram capazes de assumir as suas posições. Não foram competentes para exercer o seu direito e dever de votar que, neste caso concreto, está-se mesmo a ver que seria duplamente contra, ou seja, contra a aprovação dos votos de pesar e contra a orientação da direcção da bancada parlamentar. Parece-me óbvio que aquilo que os levou a fugir às suas responsabilidades foi a segunda, o não querer contrariar as ordens do partido. O que torna a situação ainda mais patética. Se queriam votar contra, porque não o fizeram? Não são livres de exercer o seu direito de voto?

 

Como gosto muito de animais e até acho os ratos uns bichinhos simpáticos, costumo apelidar este tipo de deputados de “vou ali e já volto”.

 

Mas a pérola, a ironia de todo este desnecessário imbróglio está na declaração de voto apresentada por alguns deputados do PSD. Reparem, esses deputados justificaram o seu sentido de voto com o facto de não quererem “branquear um ditador”, que não podiam “esquecer as violações da liberdade…” e ainda “a perseguição aos opositores”. Irónico não é? Afinal, parece que na bancada do PSD há quem goste de ditar comportamentos, há quem não aceite a liberdade de voto e, pior ainda, também há perseguição aos opositores dos ditames, já que os infractores poderão vir a ser alvo de processos disciplinares.

 

Ó xôs deputados!

Ó xôs deputados!

 

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