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Este PSD é o mesmo de sempre

por contrário, em 07.10.17

São muitos os que andaram e adam por aí a dizer que “este PSD” – o de Passos Coelho – não é igual ao PSD de outros tempos. Pois eu sempre achei que este PSD não passa de uma canção do Tony Carreira, ou seja, o mesmo de sempre.

 

Há poucos dias, Pacheco Pereira escreveu que o PSD “foi fundado de uma forma sui generis, que resultou da combinação de três tradições políticas: o liberalismo político, o personalismo de origem cristã e a social-democracia”. Eu concordo com Pacheco Pereira quanto à parte do sui generis, já no que respeita às tradições políticas a coisa muda de figura. O PSD é, de facto, um partido muito peculiar. Um partido que se fundou sob a denominação de Partido Popular Democrático (PPD) e com o primordial objectivo de acolher os aprendizes e descendentes do Estado Novo. Mais tarde alterou a designação para Partido Social Democrata, com o intuito de parecer um partido democrata e com preocupações sociais. Passaram então a usar chavões como “solidariedade social” e “justiça social”, conseguindo vender (a muitos) a ideia de que se preocupavam com os mais desfavorecidos.

 

Pacheco Pereira tem meia razão noutra coisa, quando diz que o PSD incorpora a tradição do liberalismo político. Liberalismo sim, mas não é político é económico e elevado ao expoente máximo. O PSD é e sempre foi um partido de direita. Não embarquem na ideia do centro-direita ou nas oscilações à esquerda, como aludiu Pacheco Pereira. Isso não passa de habitual e dissimulada treteira do PSD. Note-se que Pacheco Pereira ainda foi mais longe dizendo que “o PSD nunca foi anti-socialista”. Não tardará muito e estarão a dizer que, afinal não são laranjas, são toranjas. Vermelhinhos por dentro, quase comunistas. Na verdade, eles estão só a um passinho de o fazer, já que também dizem que defendem a social-democracia.

 

Não vão em cantigas. O PSD de Passos Coelho não é diferente do PSD de Cavaco (do qual Pacheco Pereira fez parte) e também não será diferente do PSD que, em breve, terá um novo líder. Será apenas mais um a figurar no rol de personagens que este fingido partido já partejou.

 

Por último, e porque está na moda elogiar Passos Coelho (agora que está de saída), importa salientar que, mesmo sem querer, Passos Coelho, no meio de toda a exibição “redícula” que foi o seu reinado, foi o líder que mais conseguiu expor a verdadeira natureza do PSD. Passos Coelho fez um enorme favor aos portugueses distraídos, levantando o véu laranja para que todos pudessem enxergar um pouco do que lá vai dentro.

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