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A obsessão é corrosiva e doentia, mas há quem não saiba viver de outra forma, especialmente quando se depende disso para viver. Não, hoje não vou falar de Nuno Melo, hoje é a vez de João Miguel Tavares (JMT), que também é um tipo obcecado por José Sócrates. Eu acho que ele até tem um fraquinho por ele. Bem, na verdade, eu não sei quem é o JMT, mas sei que tem via aberta em alguns dos principais órgãos de comunicação social, vá se lá entender porquê. JMT é um perfeito soldado disciplinado da Direita, disso ninguém duvida e a missão que lhe foi confiada foi a de difundir a ideia de que tudo o que de mal se faz (ou se fez) neste país é culpa de José Sócrates. Antes de José Sócrates, o Portugal do JMT era o país das maravilhas. Uma Suíça ou um Luxemburgo eram países terceiro-mundistas ao nosso pé.

 

A última deste “obcecado por Sócrates” foi atribuir-lhe a responsabilidade-mor do alegado caso de corrupção na EDP. Diz ele: “a EDP é a peça que falta para fechar o circuito dos malfadados anos Socráticos”. Eu acho que o JMT cometeu aqui um grande erro, pois hipotecou toda e qualquer possibilidade de lhe atribuir mais desgraças. E cheira-me que ainda faltam muitas. Ou então estará a apostar todas as suas fichas na remota possibilidade de que este caso possa, definitivamente incriminar José Sócrates. Creio que o JMT anda mesmo desesperado, porque se há caso de alegada corrupção onde, aparentemente, Sócrates não tem qualquer implicação é este da EDP. Quando muito, poderão existir suspeitas de promiscuidade entre ex-governantes (Manuel Pinho) de um governo liderado por José Sócrates e os administradores da EDP. Mas se queremos ser sérios a falar de promiscuidade e até mesmo de legislação encomendada, temos que recuar um pouco mais.

 

Por que razão JMT dá maior ênfase ao que se terá passado no reinado de Sócrates do que noutros reinados, bem mais ricos em matéria de promiscuidade? Por que raio o JMT não é capaz de admitir e, até mesmo alertar para o facto de, à semelhança do que se passou no BPN, também esta EDP apresentar no seu “board administration” tudo gente boa do PSD? Ele é Mexias, Catrogas, etc. E sim, também por lá anda gente que passeou pela administração do BPN. Mas isso são só coincidências, pois claro.

 

O António Mexia foi adjunto de um Secretário de Estado de um governo de Cavaco Silva, posteriormente, integrou o governo fugaz liderado por Santana Lopes, onde foi Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. Recordemos que foi precisamente na governação laranja que se deu a liberalização do mercado de electricidade, bem como os procedimentos administrativos relativos à introdução dos Custos para Manutenção do Equilíbrio Contratual (os CMECs). Pouco tempo depois, Mexia foi parar ao cadeirão maior da EDP, e o JMT prefere insinuar que isso foi obra de Sócrates (porque era Primeiro-ministro na altura) e não moeda de troca pelos favores prestados enquanto governante. O JMT acredita que tudo o que de errado aconteceu desde 2005 é culpa do Sócrates, inclusivamente o desaparecimento da Maddie. Para ele, também Paulo Portas está na Mota-Engil porque António Costa é Primeiro-ministro. Bem, não deixa de ser um pouco verdade, se pensarmos que se António Costa não fosse Primeiro-ministro, talvez Portas ainda fosse “vice”, a menos que lhe desse algum ataque fulminante de irrevogabilidade.

 

O JMT prefere salientar o que tem menos relevância neste assunto, como o cursinho do ex-ministro dos “corninhos”, do que colocar o dedo na ferida, ou seja, de que tudo isto começou num governo laranja, do qual o próprio Mexia fez parte e onde se produziu legislação sobre o sector eléctrico, em particular, sobre o que está a ser investigado agora. O JMT é um obcecado por Sócrates e por pintelhos, para usar uma linguagem à Catroga.

 

João Miguel Tavares, por mim, podes continuar a envergar esse jugo alaranjado que te enche o comedouro. Apesar de não teres a comicidade do Araújo Pereira, nem a verticalidade e sensatez do Mexia (o Pedro, não confundamos), ainda que na sombra deles, chegas quase a ser uma piada.

 

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