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O competente Sérgio Monteiro

por contrário, em 05.01.17

Em Novembro de 2015, Sérgio Monteiro, ex-secretário de estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações do Governo de Passos e Portas, assinou um contrato (com duração de 12 meses) com o Fundo de Resolução (Banco de Portugal) com o único objectivo de vender o Novo Banco. O Banco de Portugal assumiu o pagamento de um salário mensal no valor de 30 mil euros, suportando ainda as obrigações para com a Segurança Social. Segundo o contrato de prestação de serviços firmado por ambas as partes, Sérgio Monteiro teria o prazo de 12 meses para vender o banco. Não cumpriu.

 

Recorde-se que em Agosto de 2014, o Fundo de Resolução injectou 4900 milhões de euros no banco, sendo que 3900 milhões provieram do Estado, pelo que não seria suposto nem aceitável que o banco fosse vendido abaixo desse valor. A verdade é que o prazo concedido a Sérgio Monteiro para a venda do banco já terminou e a situação do Novo Banco continua num impasse. Pior. Acresce a esta situação o facto de as propostas apresentadas serem de valor muito inferior ao que seria suposto. Fala-se em duas propostas, uma veiculada pela Lone Star e outra pela Apollo, ambas com valores que não ultrapassam os 750 milhões de euros. Ridículo. Ainda pior? Sim, os pretensos compradores exigem ao Estado uma garantia acima dos 2000 milhões de euros, caso o negócio não lhes corra bem. Haja lata!

 

Recordemos também que o nome de Sérgio Monteiro foi escolhido por Passos Coelho e Carlos Costa, alegando este último que Sérgio Monteiro era uma pessoa com reconhecidos méritos e elevada experiência. A forma vergonhosa e altamente polémica com que geriu o processo de privatização da TAP e os contratos swap brutalmente corrosivos que assinou com o Estado Português, enquanto representante de consórcios privados são alguns dos mais elevados méritos de Sérgio Monteiro. Nem o relatório do Tribunal de Contas sobre o TGV, que dava conta de perdas de mais 150 milhões de euros para o Estado, devido a um contrato swap que Sérgio Monteiro assinou do lado dos privados e que resgatou enquanto secretário de estado (em nome do Estado) juntamente com a ex-ministra Maria Luís, tendo o Estado assumido todo o prejuízo, foi suficiente para impedir que este senhor voltasse a assumir funções públicas. Sérgio Monteiro também foi o competente governante que "negociou" a concessão dos STCP e Metro do Porto à boca das urnas. Tal como no caso da TAP, quando é preciso andar da perna ele até corresponde.

 

Estamos em Janeiro de 2017 e o Novo Banco continua por vender. Já se fala que o prazo para a venda do banco foi alargado até Agosto. Entretanto, também foi alargado o contrato de prestação de serviços com Sérgio Monteiro, que continuará na posição de principal negociador da venda do banco. É justo. O homem já provou que é verdadeiramente competente.

 

Parece-me óbvio que enquanto o competente Sérgio Monteiro estiver à cabeça das negociações, o preço do Novo Banco estará em constante queda. Primeiro, enquanto governante ignorou (ele, a sua ministra e o seu primeiro) a situação do banco e nada fizeram para o evitar. Depois, enquanto negociador da venda do mesmo, não tem feito outra coisa que não seja depreciar o seu valor no mercado. Haja competência.

 

Também me parece cada vez mais óbvio que, passados mais de dois anos não irá aparecer (nem mesmo com o alargamento do prazo até Agosto) nenhuma oferta de compra que ultrapasse os 750 milhões de euros, ou seja, meros trocos para o valor em causa. Mais vale facilitar já a vida ao senhor Sérgio Monteiro e autorizá-lo a dar o banco a quem lhe aprouver. E assim sempre se poupava no salário principesco que aufere. Ou então, não vejo outra solução que não seja a nacionalização do banco. Dizem que é penalizador para os contribuintes, mas a verdade é que os contribuintes já foram penalizados com a injecção de 3900 milhões de euros no Fundo de Resolução, montante que o Estado só iria reaver daqui a 20 anos se optasse pela venda desbaratada a um privado e, claro, se depositasse muita fé nisso e o Papa viesse cá todos os anos.

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