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O PSD não aprende

por contrário, em 17.11.16

O PSD venceu as Legislativas de Outubro de 2015, mas não percebeu que o resultado obtido não chegava para formar governo. Ainda assim, sob a protecção e patrocínio do Presidente da República de então, tudo fez para formar um governo que não tinha pernas para andar.

 

Logo de seguida, o PS formou governo com o apoio do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista e de Os Verdes. O PSD não se conformou (continua inconformado) e vaticinou que este governo (“a geringonça”, por eles apelidado) seria um fogacho, destinado ao fracasso. O PSD não percebeu nem aprendeu com o que estava a acontecer.

 

Na discussão do Orçamento do Estado para 2016, Passos Coelho disse que “o seu partido não faria qualquer proposta e que deixava essa responsabilidade aos partidos que suportam o governo”, esperançado que a coisa corresse mal. Ora, os partidos à Esquerda não se desentenderam e a coisa até nem correu mal. O PSD insistia em não aprender.

 

Ao longo deste ano foram vários os sinais de que o país estava a recuperar, lentamente, mas a recuperar e tornava-se cada vez mais evidente que “a geringonça”, afinal, até funcionava. E o que fez o PSD? O seu líder Passos Coelho prenunciou a vinda do diabo. Referia-se ao Orçamento do Estado para 2017. Passos Coelho e o seu PSD profetizavam o descalabro económico-financeiro do país e que o OE2017 seria um diabo ainda mais austero. Como já se percebeu, nada disso aconteceu e o PSD continuava sem aprender patavina.

 

O OE2017 foi aprovado na generalidade no Parlamento com os votos favoráveis do PS, BE, PCP e Os Verdes. O PSD e o CDS votaram contra. Uma vez mais o PSD fez questão de não apresentar qualquer proposta para o país. Ou seja, um ano depois, o PSD repete a cena e demonstra uma vez mais que nada aprendeu.

 

Entretanto, a agência de notação financeira DBRS manteve o rating a Portugal, a Comissão Europeia fez uma avaliação positiva do OE2017 apresentado pelo governo português, prevendo que Portugal poderá deixar o Procedimento por Défices Excessivos brevemente. Outra coisa que a CE anunciou foi que não fará nenhuma indicação para o congelamento dos Fundos Estruturais. Que chatice! O PSD não estava nada a contar com estas boas notícias. E só não contava com estas notícias porque ainda não aprendeu.

 

Acresce ainda a todo este cenário o facto de o INE ter divulgado que a economia portuguesa cresceu 0,8% no terceiro trimestre deste ano, face ao trimestre anterior e 1,6% face ao período homólogo do ano anterior. Um crescimento acima do previsto e um dos maiores da zona Euro.

 

E o que diz agora o PSD? O seu líder Passos Coelho fez saber que o PSD irá, agora, apresentar algumas propostas para o país, na discussão do Orçamento na especialidade. Passos Coelho até já fez questão de apresentar a nova estratégia do seu partido, anunciando que vai propor ao governo que parte da receita do IVA seja entregue às autarquias. Passos Coelho fala em descentralização. Uma descentralização de que não se lembrou nos quatro anos em que governou com maioria absoluta. Consta que o PSD vai apresentar mais algumas propostas, sendo que quase todas têm essa particularidade de transferir dinheiro e competências para os municípios. Portanto, está claro qual a estratégia de Passos Coelho e seu PSD – descentralizar o poder, concedendo maior capacidade de decisão aos municípios. Curioso apresentar agora estas propostas, não é?

 

Será porque as eleições autárquicas são já no próximo ano? Será pelo facto de o PSD já não ter mais nada no horizonte até essas eleições? Deve ser muito chato para quem diz que se está a lixar para as eleições.

 

A estratégia de Passos Coelho e do PSD é muito clara, passa por convencer o governo a atribuir mais poder às autarquias, que o PSD julga que vai conquistar e assim voltar a “mandar” um bocadinho no país.

 

As Autárquicas hão-de chegar e seremos, uma vez mais obrigados a constatar que, definitivamente, o PSD não aprende. 

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