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Passos não quer qualquer um em Portugal

por contrário, em 17.08.17

No passado Domingo, deu-se no Algarve a “Festa do Pontal” do PSD. Esta “festa” marca o reinício da actividade política do PSD, ou se preferirem, a chamada “rentrée política”. Mas, note-se que, aqui, o termo “festa” não assume o carácter de festividade, alegria ou comemoração. Nada disso. No PSD, “festa” significa trabalho árduo, sacrifício e abnegação.

 

Indo directo ao que mais interessa, lá mais para o final do seu discurso, bem depois de ter criticado o aumento das pensões mais baixas, Passos Coelho mostrou-se muito preocupado com a segurança do país, tendo deixado no ar o seguinte: “O que é que vai acontecer ao país seguro que temos sido, se esta nova forma de ver a possibilidade de qualquer um residir em Portugal se mantiver?”. Acrescentou que “é por isso que o PSD é um partido que não cede à facilidade…”. Passos Coelho referia-se assim, de forma transviada, à alteração produzida na Lei da Imigração.

 

Ficou claro que Passos Coelho não quer “qualquer um” em Portugal. Já no passado, não muito distante, Passos (Primeiro-ministro de então) incentivava os desempregados a emigrarem, porque Portugal não é para “qualquer um”. O mesmo Passo Coelho, Primeiro-ministro, acolhia de braços abertos e estendia uma passadeira vermelha a cidadãos estrangeiros que manifestassem interesse em residir em Portugal. A diferença é que não podia ser “um cidadão qualquer”. Teria que ter, pelo menos, 500 mil Euros para investir numa bela moradia em Cascais, ou algo do género. Não interessava se era chinês ou brasileiro, porque Passos Coelho e o seu PSD nunca tiveram tiques de xenofobia. Também não interessava se eram cidadãos estrangeiros foragidos à Justiça do seu país e com mandado internacional de detenção, desde que tivessem 500 mil fresquinhos para investir, claro.

 

Portanto, a coerência e rectidão de Passos Coelho mantêm-se incólumes. E isto foi só a “Festa do Pontal”, que em breve deverá mudar de nome, talvez para “Sacrifício do Pontal”, porque o PSD não é um partido de festas. Esperem só pela Universidade de Verão e pela campanha das autárquicas. Vai ser lindo!

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