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Relatório minoritário ou bomba atómica?

por contrário, em 26.09.17

No passado Sábado, o jornal Expresso publicou uma notícia que dava conta da existência de um relatório sobre Tancos que era “arrasador para o ministro e para os militares”. Contudo, pouco depois da publicação da “notícia”, o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) informou que o Centro de Informações e Segurança Militar (CISMIL) não produziu qualquer relatório sobre o assunto.

 

Na sequência do desmentido, o jornal Expresso voltou à carga reiterando que o relatório existe e é verdadeiro. Ontem, no Jornal da Noite da SIC, Pedro Santos Guerreiro (director do Expresso) voltou a afirmar que o relatório existe e é verdadeiro. Reparem que ele até tinha um exemplar em cima da mesa. Era um daqueles classificadores de plástico com o importante pormenor de ter a capa transparente, para que pudéssemos verificar que, logo na primeira página, estava escrito “Relatório Tancos”. Só pode ser verdadeiro.

 

Pedro Santos Guerreiro disse ainda que “o relatório foi feito entre 6 e 22 de Julho” e fez questão de sublinhar que “foi feito a seguir ao desaparecimento do armamento em Tancos”, não fosse alguém pensar que o relatório havia sido feito antes do desaparecimento. Disse também que “o relatório tem 63 páginas” e, apesar de não ter sido suficientemente minucioso (sabemos que o tempo em televisão é precioso) deu para perceber que o relatório terá sido escrito no tipo de letra Arial, tamanho 12, espaçamento 1,5 e alinhamento à esquerda. Esta do alinhamento à esquerda é que não tenho bem a certeza…

 

Mas, o senhor Pedro Santos Guerreiro esqueceu-se de esclarecer um pequeníssimo detalhe: Quem fez o relatório? Quem assinou o relatório? Não tem que revelar as fontes para responder a estas questões.

 

A jornalista Clara de Sousa ainda colocou a pergunta, mas o senhor director do Expresso fez orelhas moucas e prosseguiu com a matéria estudada. Ora, insistindo em não revelar qual a entidade que produziu e assinou o dito relatório, o jornal Expresso assume toda a responsabilidade na execução e divulgação do mesmo. O que significará dizer que o relatório é um embuste, bem como o jornal que o publica. Será assim que desejam ser considerados?

 

Pedro Santos Guerreiro disse ainda que, já na próxima edição do jornal (próxima Sexta-feira, à boca das urnas) serão publicadas mais informações sobre o assunto. Crê-se, no entanto, que a partir da próxima Segunda-feira o assunto passe a figurar apenas nas notas de rodapé.

 

Só para terminar, será que só eu é que ouvi o Pedro Santos Guerreiro dizer que “há armamento nuclear a circular não se sabe onde”. Armamento nuclear? Portugal tem (ou tinha) armamento nuclear, senhor director do Expresso?

 

Este relatório minoritário do jornal Expresso promete ser uma autêntica bomba atómica... à portuguesa.

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1 comentário

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De Manuel Costa a 26.09.2017 às 17:57

A altura em que o "relatório é revelado" também foi interessante.
A nova directora do SIS tomou posse hoje e já exonerou mais de 200 pessoas, porque tem vínculos directos a escritórios de advogados ou a partidos políticos.
E foi interessante saber que um relatório sobre armas roubadas, consegue ter 15 páginas de críticas ao ministro da defesa e 3 ao chefe de estado maior do exército... portanto, tirando as páginas iniciais e separadores, restam menos de 30 páginas para o que o SIS investigou sobre o desaparecimento das armas.
Estranho é que Luís Montenegro, Pedro Passos Coelho e Cecília Meireles falaram de vários pontos do relatório, 4 dias antes de ter sido revelado no jornal. Devem ser uma meras coincidências... só pode.

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