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Se os médicos cumprissem horários…

por contrário, em 08.02.17

A Ordem dos Médicos (OM) nunca esteve tão activa como nos últimos meses. O anterior bastonário, cuja acção passou despercebida durante quase a totalidade do mandato, apareceu nos últimos meses bastante revigorado e a fazer uma série de reivindicações, muitas delas sem qualquer fundamento. Por seu turno, o novo bastonário, que ainda agora foi empossado, parece querer dar continuidade à recente postura do seu antecessor e começou com as mangas arregaçadas, querendo mostrar serviço desde o dia um.

 

Estranho que a OM não tenha tido uma postura tão interventiva noutros tempos e, mais singular ainda, é o facto de regatearem tanto num período em que o Ministro da Saúde até tem feito alguns avanços no “estado de saúde” do SNS, apesar de muito ainda haver por fazer na reforma do sector.

 

Agora é notícia que o novo bastonário defende o alargamento do período das consultas. O bastonário alega que os médicos estão a ser pressionados para atender os doentes em tempo reduzido que, muitas vezes não é suficiente para um atendimento condigno aos utentes.

 

Quem acede ao atendimento médico do SNS sabe perfeitamente que os médicos, na maioria das vezes, atendem os utentes com alguma ligeireza, desconsiderando muitas das informações e/ou dúvidas que os utentes possuem. São consultas em contra-relógio em que, muitas vezes o médico nem olha para o utente, passando os escassos minutos de consulta atribuídos a cada utente a fazer perguntas com os olhos focados no ecrã do computador, enquanto escrevem (com dois arrastados dedos) alguns apontamentos e eventuais prescrições de fármacos.

 

Mas aquilo que continua a ser ignorado e que ninguém reivindica (e faço aqui um apelo à Ordem dos Médicos) é o facto de os médicos não usarem o mesmo relógio que utilizam para cronometrar os tempos de consulta, para controlar e cumprir o seu próprio horário de trabalho. Se todos os médicos cumprissem à risca o seu horário de trabalho, mesmo estando pressionados para encurtar o tempo das consultas, a situação não estaria no ponto em que está. É que apesar das exigências para encurtar tempos, as consultas são muitas vezes despachadas em tempo recorde porque os médicos não cumprem o seu horário de trabalho. Trata-se de uma “doença” com largos anos. Quem é que nunca foi atendido muito para além do horário marcado? Ou melhor, quantas vezes já foi atendido à hora marcada? Quantas vezes a primeira consulta do dia começa com um atraso de 30 minutos, uma hora ou mais? Quantas vezes deu por si numa sala de espera repleta de utentes, com as consultas já atrasadas e vê os médicos nas salas de pausa a tomar tranquilamente o seu cafezinho? Não, isto não é utopia. É o que se passa diariamente no SNS em Portugal há consecutivos anos.

 

Se é para falar de tempos, vamos fazê-lo com seriedade e abrangência total. A Ordem dos Médicos tem alguma coisa a dizer sobre isto?

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