Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Ciganices

por contrário, em 17.06.17

O eurodeputado do PS, Manuel dos Santos, apelidou a deputada socialista, Luísa Salgueiro, de cigana. Nas redes sociais, o eurodeputado escreveu: “Luísa Salgueiro, dita a cigana e não é só pelo aspecto, paga os favores que recebe com votos alinhados com os centralistas”.

 

Convém esclarecer que Manuel dos Santos é militante do Partido Socialista, pertencente à distrital do Porto, bem como Luísa Salgueiro, que será a candidata do PS à Câmara Municipal de Matosinhos. Importa ainda referir que Manuel dos Santos pertence à ala “segurista” do partido. Obviamente que estas declarações de Manuel dos Santos são motivadas por quezílias antigas, mas também surgem no seguimento do comportamento de alguns deputados socialistas, que agora se mostram contra a ideia da candidatura da cidade de Lisboa para receber a Agência Europeia do Medicamento, isto depois de terem votado no Parlamento essa mesma candidatura.

 

Confuso? Pois, não é para menos. A verdade é que em Maio deste ano, o Parlamento português votou, por unanimidade, uma proposta que veiculava a cidade de Lisboa como candidata a receber a Agência Europeia do Medicamento. Depois de Rui Moreira, Presidente da Câmara do Porto, ter-se insurgido contra a candidatura de Lisboa, muitos outros autarcas seguiram a sua indignação. E como estamos em ano de eleições autárquicas, foram muitos os deputados a voltar atrás nas suas intenções. Portanto, em Maio votaram a favor da candidatura de Lisboa e agora, porque lhes dá jeito, mostram-se vincadamente contra. É óbvio que isto não passa de uma ciganice.

 

Voltemos às afirmações do eurodeputado Manuel dos Santos. Ele chamou Luísa Salgueiro de “cigana” sendo que “não é só pelo aspecto”. Vejamos, apelidar alguém de cigano/a, mesmo que seja só pelo aspecto, não me parece que seja algo insultuoso ou, pelo menos, não é caso para tamanha discussão. Tratar-se-ia apenas de deselegância. Neste caso concreto, Luísa Salgueiro até aparenta ser de etnia cigana. Por outro lado, se considerarmos a afirmação fora do âmbito das aparências (aspecto físico), constatamos que o eurodeputado apenas recorreu a uma adjectivação comumente utilizada no dia-a-dia dos portugueses. Quem nunca ouviu a expressão “és cigano” ou “que ciganice”, quando se pretende evidenciar algum comportamento menos honesto? Não vamos agora dizer que o uso destas expressões são ofensivas à etnia cigana (como se eles se ofendessem com tão pouco), muito menos que são xenófobas ou racistas. Há ainda que considerar a hipótese de Luísa Salgueiro ter a alcunha de "cigana" atribuída pelos seus pares do partido... Não sei... Foi algo que se me ocorreu assim de repente. 

 

António Costa, líder do PS, já veio defender a expulsão de Manuel dos Santos do partido. Por causa destas afirmações? Ele diz que sim, mas é óbvio que não. Como referi atrás, as quezílias são antigas. Costa parece querer aproveitar o momento para “chutar” um incómodo “segurista” para canto. Com esta atitude, António Costa só vem dar razão ao eurodeputado quando afirma que "Luísa Salgueiro é uma protegida de Costa e Pizarro". 

 

O que está aqui em causa são tricas partidárias, que existem em todos os partidos, mas mais nuns do que noutros. Não se pode, portanto, retirar alguma razão ao eurodeputado Manuel dos Santos por aquilo que escreveu, porque é verdade. Não porque Luísa Salgueiro seja cigana, sabemos que não é, mas porque terá sido "ciganita" na referida votação. Toda a gente sabe que os deputados na Assembleia da República são uns arrebanhados (a maioria). Comportam-se como autênticos carneirinhos nas votações plenárias e, na maioria das vezes, nem sequer sabem o que estão a votar. Isso é notório. Manuel dos Santos também por lá passou, Seguro também, Costa também, enfim, todos. E todos eles foram, aqui e ali, uns bonitos carneirinhos. Ou seja, uns ciganitos da política portuguesa.

 

Enfim, ciganices da carneirada, é o que é.

 

P.S. Espero que os verdadeiros carneiros não se ofendam.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Banqueiros competentes e dióspiros azuis

por contrário, em 25.10.16

Muito se tem falado no salário do presidente da Caixa Geral de Depósitos e restante equipa de executivos. A questão centra-se, sobretudo, no valor das remunerações, mas há também quem tenha trazido para a discussão a questão da competência. Bem, articular as palavras banqueiros e competência na mesma frase é um exercício arriscado. Para mim, encontrar um banqueiro competente em Portugal é como tentar encontrar dióspiros azuis.

 

António Costa convidou, em Maio deste ano, António Domingues (ex-vice-presidente do BPI) para ser o próximo presidente do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos. Há poucos dias, o governo anunciou que António Domingues vai auferir um salário anual de 423 mil euros (mais prémios, até 50% do salário).

 

Naturalmente que este anúncio causou incómodo na maioria das pessoas. Considerando a situação em que o país se encontra há vários anos e o árduo caminho que ainda está pela frente, considerando todos os sacrifícios que são exigidos aos portugueses e acima de tudo, o nível de rendimentos da esmagadora maioria dos cidadãos, não é fácil de compreender e aceitar que um “gestor público” vá auferir tamanho rendimento no exercício de funções públicas. Alguns, entre os quais o próprio primeiro-ministro, dizem que a Caixa deve estar nas mãos de pessoas competentes e que a competência tem um preço. Foi ainda mais longe, quando afirmou que o salário do presidente da Caixa deve estar alinhado com os que se praticam no mercado da banca. Acha mesmo senhor primeiro-ministro? Isso não só é estúpido como também é imoral. Pagar um montante elevado ao presidente da CGD não só não garante sucesso na gestão, como também não implica um acréscimo de responsabilidade por eventuais maus resultados que venham a acontecer. E, já agora, senhor primeiro-ministro, não lhe parece que baixar o tecto salarial dos gestores públicos (sem excepções) cabe perfeitamente na ideia que está na base do "sentido de serviço público"?

 

Mas a pergunta que me está a saltar da boca é: Como se mede a competência de um banqueiro? E, já agora, desde quando é que existe esse medidor? É que, considerando, o historial da banca portuguesa, não se vislumbra nenhum caso de competência. Dizem que António Domingues fez um bom trabalho no BPI. Será mesmo verdade? Ricardo Salgado também foi considerado, durante muitos anos, o melhor e mais competente banqueiro do país. E quem diz Ricardo Salgado também pode dizer Jardim Gonçalves, Oliveira e Costa, João Rendeiro, etc., cuja principal competência era a de “liquidar bancos”. Durante tantos anos nunca houve um aferidor de competência, especialmente na banca. Parece que este governo conseguiu desenvolver essa tão desejada ferramenta. E desenvolveu-a com tanta precisão que até permite, de antemão, garantir a distribuição de prémios pelo novo presidente da Caixa e sua equipa (onde parece que consta um tal de Emídio Pinheiro, presidente do Banco de Fomento Angola?!) que, ao que parece nem sequer estarão indexados a incontestáveis resultados. Quando digo resultados incontestáveis, refiro-me a resultados que não se baseiem em cortes com o pessoal, sustentados em políticas cegas de despedimentos como é habitual. Se é para isso vou lá eu e faço-o por menos de metade.

 

Importa ainda salientar duas situações. A primeira tem a ver com o facto do senhor António Domingues ter exigido como condição para ir para a presidência da CGD, auferir a mesma remuneração que auferia no BPI. Creio que isto já é bastante demonstrativo daquilo ao que vai o competente banqueiro, que não é capaz de destrinçar a diferença entre administrar um banco público e um banco privado. Há quem diga que ninguém muda de emprego para ganhar menos… Por acaso até nem é verdade. Existem vários exemplos de pessoas que saíram do sector privado para o público e para ganhar menos, algo que, apesar de não garantir competência nem conferir candura, pelo menos, é um sinal de compreensão sobre o que significa serviço público. Quem não quer, não vai, ponto final. Agora quando vêm logo com exigências salariais, fica claro que se tratam de pessoas sem o mínimo sentido de serviço público e, logo à partida, deveriam ser excluídos independentemente das suas competências. A segunda situação tem a ver com o facto de este senhor passar a acumular o principesco salário da CGD com a choruda reforma (desconheço o valor, mas é muito garanto-vos) que vai receber pelo tempo que trabalhou no BPI. Ora, parece que, afinal, António Domingues não vai receber apenas o que recebia enquanto vice-presidente do BPI (que já é bastante), vai receber muito mais do que isso no final de cada mês.

 

O que mais me preocupa no meio de toda esta polémica é o facto de os políticos não serem capazes de aprender com os erros do passado. A alteração ao estatuto de gestor público da CGD, que deixa de obrigar que os administradores da Caixa declarem os seus rendimentos às entidades fiscalizadoras só vem demonstrar que os políticos continuam enredados na teia dos poderosos da banca. E, sobretudo, aquilo que tem sido e, pelos vistos, querem que continue a ser a Caixa Geral de Depósitos – um antro de influências partidárias, onde o chamado “centrão” sempre se entendeu e coexistiu em perfeita harmonia.

 

Querer encontrar um banqueiro competente entre os actuais e anteriores banqueiros portugueses é como querer encontrar um dióspiro azul, esse maravilhoso fruto dos deuses. Alguns, por vezes, começam a apresentar uma cor em tons de azul, sobretudo quando estão bolorentos, permitindo adivinhar o que lhes está por dentro. Enfim, é a fruta da época.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Proposta de Lei 370/2016 aprovada no último Conselho de Ministros e que tem em vista a elaboração do Orçamento do Estado para 2017 já foi apresentada. Desta proposta “saltam à vista” algumas medidas, tidas como as mais sonantes e que muito têm sido discutidas pelos diferentes partidos políticos com assento parlamentar, bem como na comunicação social e população em geral.

 

Das várias propostas, as mais famosas são as seguintes:

 

Adicional ao Imposto Municipal sobre Imóveis (conhecido como o imposto sobre o mobiliário)

Comecemos pelo Adicional ao IMI. Segundo o que é proposto pelo Governo, todos os imóveis de valor matricial superior a 600 mil euros terão que pagar um adicional de imposto, no valor de 0,3% que incide sobre o montante que excede o limite de 600 mil euros. O Governo diz que com esta medida pretende financiar a Segurança Social, nomeadamente para fazer face ao aumento das pensões e que espera arrecadar 170 milhões de euros por ano. Tenho sérias dúvidas que o Estado consiga atingir tal valor, nos termos apresentados.

 

Ainda neste ponto, aquilo que vem disposto na proposta de lei é que o adicional ao imposto municipal sobre imóveis incide sobre a soma dos valores patrimoniais tributários dos prédios urbanos situados em território português de que o sujeito passivo seja titular e que são excluídos do adicional ao imposto municipal sobre imóveis os prédios urbanos classificados na espécie “industriais”, bem como os prédios urbanos licenciados para a actividade turística, estes últimos desde que devidamente declarado e comprovado o seu destino. Contudo, alguns órgãos de comunicação social têm informado que todos os prédios destinados ao comércio, escritórios e serviços serão abrangidos por esta medida, ficando de fora os prédios rústicos, os imóveis afectos à indústria e as unidades hoteleiras. Como se pode constatar há uma grande diferença entre o que está escrito na proposta e o que tem sido veiculado por alguma comunicação social. Esperemos para ter a certeza. O que é facto é que o Governo havia garantido que todos os imóveis produtivos ficariam de fora desta medida.

 

Aumento das pensões

Há umas semanas havia sido anunciado que estava a ser negociado um aumento de 10 euros para as pensões mais baixas (até 600 euros). Pois o que a proposta demonstra é que haverá em 2017 um aumento de 10 euros para todas as reformas até 628 euros, mas só em Agosto. O Governo fez saber que já em Janeiro todas as pensões serão aumentadas, mas apenas de acordo com a inflação, o que é praticamente nada. Os 10 euros anunciados só chegarão ao bolso dos mais necessitados em Agosto de 2017.

 

Abolição da sobretaxa de IRS

Todos se lembram que a promessa do actual governo passava por extinguir a sobretaxa de IRS já em Janeiro próximo. No entanto, a extinção acontecerá de forma faseada, ao longo do ano de 2017. Ou seja, a taxa termina em Março para quem aufere até 20.261 euros anuais, termina em Junho para quem aufere entre 20.261 e 40.522 euros, em Setembro para quem aufere entre 40.522 e 80.640 euros e, finalmente, em Dezembro todos os outros (que não devem ser muitos).

 

Tarifa Social da Água

A Proposta de Lei refere que o Governo fica autorizado a criar um regime que vise a atribuição de tarifas sociais nos serviços de água. Contudo, a atribuição deste “desconto” será da competência dos municípios que não são obrigados a aplicar esta tarifa. Ou seja, os municípios só aderem a esta medida se quiserem, o que significa que não muda nada, uma vez que já existem municípios a aplicar a Tarifa Social na Água. Portanto, trata-se de uma medida muito bonita de se anunciar, mas que na prática pouco ou nada valerá, pois não tenho dúvidas que a maioria dos municípios não vai implementar esta medida. Portanto, o Governo fica autorizado a criar um regime nesta matéria para quê, concretamente? Se continuará a ser da competência dos municípios a sua aplicabilidade. Uma medida nestes termos, só vem corroborar a discricionariedade e desigualdade vigentes.

 

Manuais escolares gratuitos para os alunos do 1.º ao 4.º ano

Esta é uma daquelas medidas que me leva a pensar que a Esquerda, quando cede a fanatismos, aproxima-se perigosamente da Direita. Manuais escolares gratuitos para todos, do 1.º ao 4.º ano, sendo que têm como objectivo estender esta medida a todos os anos do ensino obrigatório nos próximos anos. Portanto, não importa o rendimento do agregado familiar, mesmo que seja de dezenas de milhares de euros. Manuais escolares de borla para todos. O Estado é farto! Esta medida torna-se ainda mais estúpida pelo simples facto de muitos municípios já a terem implementado.

 

Metade do subsídio de Natal (em Novembro) e restante em duodécimos

Porquê? Uns defendiam que deveria continuar a ser pago em duodécimos, outros preferiam que se efectuasse num só pagamento. Ou seja, uns preferiam receber a duodécima parte numa base mensal, já que na prática é a mesma coisa em termos anuais, contudo preferiam receber um bocadinho a mais mensalmente. Outros (os “chapa ganha chapa batida”) preferiam receber tudo de uma só vez, lá para a altura do Natal, para garantir que nessa época ainda tinham uns trocos para gastar. Enfim, preferências à parte, o Governo revela que não tem uma posição definida nesta matéria e, assim, procura agradar a gregos e troianos. A mim, parece-me mais uma pequena trapalhada desnecessária.

 

Em jeito de conclusão, importa referir que estas propostas não são o documento final do Orçamento do Estado para 2017, esse só ficará definitivamente formalizado após discussão e votação final na Assembleia da República, lá para o final de Novembro. Não obstante, e porque considero que há alguma seriedade na apresentação destas propostas, não resisto em considerar que estas propostas representam nada mais do que um bom manifesto de campanha para as eleições autárquicas do próximo ano.

 

Orçamentos com medidas calendarizadas a pensar em eleições? Não obrigado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O PPD/PSD informou que vai requerer o acesso ao contrato estabelecido entre o governo e Diogo Lacerda Machado que, supostamente está a representar os interesses do Estado Português em casos como o da TAP, entre outros.

 

O PPD/PSD desconfia que Diogo Lacerda Machado esteja a trabalhar sem vínculo contratual e exige a António Costa que este apresente o contrato de prestação de serviços. Já todos conhecemos bem as preocupações que o PPD/PSD tem com os trabalhadores precários, pelo que não resisto em perguntar-lhes se o contrato pode ser um daqueles “à Sérgio Monteiro”.

Autoria e outros dados (tags, etc)

António Costa perdeu oportunidade de ouro

por contrário, em 13.02.16

Na mesma semana em que a Galp anunciou um lucro líquido de 639 milhões de euros, o governo de António Costa decide aplicar (através de uma Portaria "feita à pressão") um novo imposto sobre os combustíveis que, indirectamente irá incidir num aumento do preço aos consumidores.

 

Sabendo que as refinarias e grandes distribuidoras como a Galp, a BP e a Repsol têm obtido crescentes e enormes lucros, não seria mais justo e mais lógico aumentar a tributação do lucro dessas empresas? Não estaria a Estado a fazer o que lhe compete, ou seja, equilibrar a balança? Já que a acentuada queda no preço do petróleo não se tem reflectido de forma equitativa no preço dos combustíveis aos consumidores.

 

Qualquer pessoa de bem, com o mínimo sentido de justiça social, decidiria tributar os lucros dessas grandes empresas. António Costa não o fez e perdeu uma oportunidade de ouro, já que a opinião pública estaria do seu lado, principalmente depois dos valores de ganhos líquidos apresentados pela Galp.

 

Mais decisões como esta e, provavelmente, o governo de António Costa não resistirá. Agora, o que eu estranho é o silêncio da Direita em relação a esta matéria. Não propriamente em relação ao aumento do imposto sobre os combustíveis, mas na possibilidade de substituir essa medida pela tributação adicional dos lucros das grandes petrolíferas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Primeiramente gostaria de demonstrar o meu espanto pelo facto das gentes de Direita ainda não terem ultrapassado o facto de António Costa ser Primeiro-ministro. São, ainda (e sempre os mesmos), muitos os que insistem em revelar que não são capazes de ultrapassar o facto de Passos e Portas já não estarem no poder.

 

Mas… directo ao que mais me interessa agora, o argumentário da Direita sobre o Orçamento do Estado para 2016 e a forma como o actual governo geriu o processo de negociação com a Europa. Pela primeira vez em 5 anos temos um governo capaz de exercer alguma negociação com a Europa, o documento (OE 2016) obteve luz verde, não é inconstitucional, não corta no rendimento das pessoas e é críticas por todo o lado.

 

Dizem que é um Orçamento do Estado cheio de austeridade de Esquerda. Pois quer-me parecer que essa gente tem muita dificuldade em lidar com a austeridade da Esquerda, preferiam a de Direita. Essa é que era boa. O último governo não fez outra coisa senão aumentar a carga fiscal (e foram tantos os aumentos ao longo de 4 penosos anos, aumentos colossais) e meter a mão nos bolsos dos portugueses para lhes sacar parte substancial dos seus rendimentos. Essa austeridade é que era boa!

 

Alguns chegam a afirmar, no mesmo parágrafo, que este Orçamento do Estado está repleto de austeridade (de Esquerda), mas também é eleitoralista. Deviam felicitar António Costa por conseguir tal proeza. Dizem também que há outro caminho para o país, que não se deve retirar milhões (em impostos) à economia, às famílias e às empresas. Estarão eles a falar dos OE do anterior governo? Estarão eles, agora, preocupados com as famílias?

 

A verdade é que o OE2016 é muito mais amigo da economia, das famílias e das empresas do que qualquer OE dos últimos anos. Se me perguntarem se eu acho que vai ser um bom ano para Portugal e para os portugueses, eu respondo que vai depender muito da execução orçamental, contudo, posso desde já afirmar que não é um Orçamento que me agrade, mas que é indubitavelmente melhor do que os últimos quatro, lá isso é. Ah! E não é inconstitucional…

 

Negar estas evidências é próprio da Direita. Mistificar é um dos principais atributos da Direita. Eu já me habituei a isso, eles é que ainda não se cansaram.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Portas de 2009 vs Portas de 2015

por contrário, em 08.10.15

No passado Domingo à noite, Passos e Portas fizeram uma declaração ao país, após a confirmação dos resultados eleitorais. Concentremo-nos nas declarações de Portas que, no final das contas, foram as mais marcantes. Mas, vamos ainda fazer melhor. Vamos comparar as declarações deste Domingo com aquelas que Portas fez na noite das eleições de 2009, quando Sócrates venceu com minoria.

 

Em 2009, Portas começou por dizer que “o povo tirou a maioria a José Sócrates”; Agora, Portas disse que “a coligação venceu as eleições, venceu com clareza e significativa distância em relação ao segundo classificado”. Ora a distância de que fala agora é de 6% a favor da coligação. Em 2009, mesmo tendo perdido a maioria absoluta, o PS ficou à frente do segundo classificado mais de 7%.

O Portas das eleições de 2009 disse que “O PS desceu de 45% para 36%”; Mas o Portas de 2015 não quis dizer que a coligação desceu de 50% para 38%... é fazer as contas.

O Portas de 2009 disse com aquele entusiasmo que o caracteriza que “O PS perdeu mais de meio milhão de votos (de 2005 para 2009)”; Já o Portas de 2015 não fez nenhuma referência aos mais de 700 mil votos que a coligação perdeu de 2011 a 2015.

O Portas de 2009 concluía que “o país recusou a arrogância e a prepotência de uma maioria absoluta transformada em poder absoluto”; mas o Portas de agora está convicto que “os portugueses disseram com total clareza que querem a coligação a governar nos próximos quatro anos”.

O Paulo Portas de 2009 exultava de alegria dizendo que ”o CDS passou a disputar outro campeonato por ter atingido 10% e ter ficado à frente do BE e da CDU”. Agora o partido de Portas ficou atrás do BE e com a CDU à perna, mas Portas, considerou oportuno afirmar que o CDS "continua a ser a 3.ª maior força política no Parlamento"… é fazer as contas.

 

Desde o primeiro segundo, após a saída dos resultados eleitorais de 2009, a oposição, em especial Passos e Portas encetaram de imediato uma campanha para derrubar o governo minoritário de Sócrates (acobertados pelo Cavaco e grande parte da comunicação social), mas agora Portas acha que "os portugueses disseram com total clareza que querem a coligação a governar nos próximos quatro anos".

 

No passado Domingo, Portas também disse que “o radicalismo de Esquerda não dá frutos”. Mas a verdade é que o BE mais que duplicou a sua representação parlamentar e assume-se agora como a terceira força política. A CDU também reforçou a votação, ainda que de forma muito mais contida.

 

E no final das suas declarações de Domingo, Portas agradeceu a Passos a campanha que fizeram em conjunto, que lhes permitiu este resultado. Então, o resultado não deveria estar relacionado com a boa (ou má) governação dos últimos quatro anos? Parece que o que conta é a campanha…

 

E agora? Agora aqueles que durante toda a campanha eleitoral andaram a colar o PS à Esquerda mais radical são os mesmos que estendem a passadeira ao PS e suplicam por entendimentos. O Portas de 2015 diz “a grande maioria parlamentar continua a ser ocupada pelos partidos do arco da governação", já não está interessado em colar o PS à extrema-esquerda, agora que precisa da sua anuência para se manter no poder e continuar a satisfazer os seus clientes.

 

Palavras para quê? É o irrevogável Portas, pois claro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Vale a pena mentir?

por contrário, em 19.09.15

Oh! Se vale. Valeu muito em 2011 e, para alguns, continua a valer. A julgar pelo eco feito nos órgãos de comunicação social, Passos Coelho "venceu" o segundo debate com António Costa, transmitido nas rádios Antena 1, TSF e Renascença. E não é que sai logo uma sondagem a beneficiar a coligação? É pá... que coisa tão bem montada...

 

Eu gostaria que me explicassem como é que um candidato a primeiro-ministro que, por sinal, ainda é o actual primeiro-ministro, não tendo uma única ideia para apresentar ao país para os próximos quatro anos, que centra a discussão de um debate político nas ideias da oposição e, acima de tudo, que mente compulsivamente pode vencer um debate. Alguém que me explique se faz favor. Talvez António Costa não tenha estado tão bem como esteve no primeiro debate, mas isso não significa que Passos tenha vencido. Ou será que perder por menor diferença significa ganhar?

 

Mas, a questão central não deveria ser quem venceu ou perdeu o debate, porque os debates não deveriam encerrar em si mesmos um espaço para vitórias ou derrotas, mas sim para esclarecer os eleitores e ajudá-los a decidir o seu sentido de voto.

 

Para mim, o que mais uma vez ficou evidente nesse debate foi o facto de Passos Coelho não ter uma única ideia para o país, continuar a refugiar-se na confrontação das ideias do Partido Socialista (A vocação do PSD para ser oposição) e mentir obsessivamente. É impressionante a forma como este indivíduo é capaz de mentir ao país, como se estivesse a dar lições de moral. É incrível como António Costa não foi capaz de o desmentir categoricamente. E é ainda mais impressionante ver a comunicação social deixar passar tudo isto em claro. A senhora da Renascença, do alto da sua inquestionável isenção política, tentou apertar Costa até ao limite incorporando na perfeição o espírito de contestar as ideias da oposição, mas deixou passar em claro todas as mentiras de Passos Coelho. Eu nem quero imaginar como se comportariam os senhores jornalistas, caso fosse José Sócrates a enfiar as patranhas que Passos Coelho enfia nos ingénuos todos os dias.

 

Aqui ficam, para a posteridade, algumas das descaradas mentiras que Passos enfiou no debate e que passaram pelos pingos das chuva:

 

- Passos disse que conhece muitas famílias que pagam menos impostos em Portugal. Só se for os amigos dele, tal como apontou Costa, que devem fugir às responsabilidades para com o Estado, tal como ele o fez.

- Passos diz que foi o seu governo que implementou os 12 anos de escolaridade obrigatória. Temos pena, mas isso foi feito por José Sócrates. Eu percebo que Passos tenha a tendência de se confundir com o seu ídolo, isso é normal em indivíduos que padecem de psicopatologias.

- Passos afirmou que aplicou o recurso ao complemento solidário para idosos. Pois! Não foi não. Mais uma vez, foi Sócrates que implementou esta medida. Eu percebo que Passos gostaria de ter tido essa ideia, principalmente agora em tempo de eleições, mas não foi.

- Passos disse que 2/3 dos estagiários assinaram contrato de emprego no final do estágio. Mentira! Nem um 1/3 conseguiu essa proeza.

- Passos disse que o seu governo sempre cumpriu as metas do défice. Bem, não sei se me rio ou se choro... Passos não conseguiu cumprir as metas do défice uma única vez. Essa é que é a verdade.

- Passos disse que os portugueses têm agora maiores benefícios no acesso à educação e à habitação. Talvez sejam "os tais seus amigos que pagam menos impostos" que, no caso da educação, vão passar a beneficiar (no sector privado) de mais 140 milhões de euros sacados ao povo e oferecidos pelo amigo Passos. Ninguém interna este senhor?

 

Mas Passos Coelho não é mentiroso apenas nos debates. É mentiroso também nas entrevistas, é mentiroso nos comícios, é mentiroso na Assembleia da República, é mentiroso nas declarações à Segurança Social, é mentiroso nas ruas... é mentiroso! Certamente também se lembram daquela cena perante uma senhora na rua, dizendo-lhe que ela não tinha perdido rendimentos e que ganhava agora o mesmo que há quatro anos. Enfim, ele está mesmo convencido de que se continuar a falar com aquela cara de "Becas da Rua Sésamo" e com aquela colocação de voz, que vai continuar a persuadir o povinho.

 

É um facto que António Costa deveria ter sido capaz de desmentir tudo na hora, e não foi. Mas é inaceitável que esta comunicação social continue a comportar-se de forma tão tendenciosa e comprometida com este governo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Este" PS não merece

por contrário, em 15.09.15

"Este" PS não merce a confiança dos eleitores de Esquerda. Já há algum tempo que o Partido Socialista não tem conseguido distinguir-se de forma vincada dos partidos de Direita, ainda que seja sempre preferível um PS "adireitado" que qualquer PSD e/ou CDS.

 

Este PS têm-se afastado da matriz socialista, que está na sua génese, algo que está a descaracterizar o partido e a afugentar o seu eleitorado. O socialismo democrático sempre foi a pedra basilar do espectro político do Partido Socialista. Mas este PS prefere falar mais em social-democracia do que socialismo democrático, mas não no sentido socialista e igualitário que Marx e Engels defendiam. 

 

Ontem, no debate com Catarina Martins, António Costa fez questão de se auto-proclamar social-democrata, sendo que não se estaria a referir à social-democracia de Marx, com certeza. Seja como for, um socialista em campanha não se apresenta como social-democrata ao eleitorado português, sob pena de ser confundido com quem milita no PSD (Partido Social Democrata). Apesar de considerar que são os laranjas que usam uma terminologia ideológica propositadamente errada, começando logo pelo nome que escolheram para o partido (anteriormente, Partido Popular Democrático), é sabido em Portugal que os "sociais-democratas" são os laranjas, repito, ainda que de forma deliberadamente deturpada.

 

Portanto, Costa não só não tem sido capaz de afastar o PS do PSD, como ainda faz questão de usar termos que os confundem. Mas Costa ainda foi mais longe, chegando a afirmar que não percebe a forma de actuar dos "esquerdistas". Ou seja, se ainda houvesse dúvidas, Costa fez questão de deixar bem claro que "este" PS não é "esquerdista". Por isto, se considera fazer parte do eleitorado de Esquerda já sabe em quem não votar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Há por aí muito quem diga que António Costa é um protegido dos meios de comunicação social. Mas este período de pré-campanha eleitoral, para não recuar mais atrás, tem evidenciado precisamente o contrário. Não há nenhum "candidato" às próximas Legislativas que tenha sido tão encostado às cordas pelos média, como tem sido António Costa. Seria suposto que a comunicação social estivesse mais focada no "candidato" que representa o governo dos últimos quatro anos, tal como fizeram em 2010 e 2011, mas não. A comunicação social tem embarcado no esquisito tique dos partidos da Direita (PSD-CDS), que é comportarem-se como opositores à oposição e, muitas vezes, fingirem-se de mortos.

 

Não considero que a comunicação social deva tomar parte de nenhum dos lados, mas aquilo que têm feito nos últimos tempos é verdadeiramente extraordinário. Nunca um governo em Portugal foi tão incompetente, mentiroso e à margem da Lei (felizmente, existe o TC) e, no entanto, nunca a comunicação social apoiou tanto um governo como este. Ele é comentadores alaranjados por todo lado a encher ecrãs de televisão, páginas de jornais, portais de informação e até mesmo "destacados" blogues.

 

Repare-se no comportamento dos média em relação ao debate de ontem. Antes do debate, não falavam de outra coisa. E porquê? Porque quase todos apostavam numa vitória esmagadora de Passos Coelho sobre António Costa. Mas o tiro saiu-lhes pela culatra, Costa venceu Passos de uma forma tão esclarecedora que até alguns distintos PSDs o tiveram que admitir. E como se comportam os média depois do debate? Desvalorizam a importância dos debates para o resultado eleitoral, fazem alguns títulos com a melhor prestação de Costa no debate, mas sem grande ênfase, alguns até fazem títulos ligeiramente favoráveis a Costa, mas quando se vai ler a notícia, nota-se que estão vincadamente do lado de Passos Coelho.

 

Enfim, isto faz-me lembrar o comportamento que têm em relação aos jogos do Benfica. Nos dias que antecedem os jogos, não se fala noutra coisa. É conferências de imprensa em directo, é visitas dos jornalistas ao balneário, é um tal promover e enaltecer a "nação benfiquista". Mas, se o jogo correr mal ao Benfica e este perder, no final quase ninguém quer falar sobre o assunto e tenta-se camuflar o descalabro.

 

Até o Sapo se tem comportado de forma muito estranha ultimamente. No que aos blogues diz respeito (e nem me vou prolongar, agora, sobre os blogues que deixaram de aparecer nas pesquisas), então nem se fala. Os destaques do Sapo têm sido muito poupados em matéria de política e, nas poucas vezes que o têm feito, são na maioria das vezes aos mesmos de sempre, aos que costumam embarcar nos tiques de fazer oposição à oposição.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor




Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D