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O PCP e o BE são… o mundo!

por contrário, em 03.11.17

Os últimos tempos têm demonstrado que o PCP e o BE são “o mundo”. E quem o afirma é a direita parlamentar portuguesa (PSD/CDS), sendo que a novidade foi veiculada aos quatro ventos, por intermédio da sempre expedita comunicação social e alguns soldadinhos disciplinados que nela têm lugar cativo.

 

A muito tradicional direita parlamentar sempre se pautou pela retórica de condenação ao exílio dos partidos de esquerda, em especial o PCP e o BE. A direita teve sempre o hábito de marginalizar os partidos de esquerda com menor representatividade parlamentar. Sempre se dirigiram a esses dois partidos com sobranceria, excluindo-os sempre daquilo que são as principais decisões políticas para o país.

 

Também já todos ouvimos a direita dizer que o actual governo socialista não pode contar com os restantes partidos de esquerda, que está isolado, com a mesma rapidez com que afirmam que o PS está refém desses mesmos partidos para poder governar. Confuso?

 

Aquando dos polémicos episódios de Pedrógão, Tancos, tragédia de 15 de Outubro e outra vez Tancos, a direita e seus afiliados vieram para a praça gritar: “O que seria se tudo isto acontecesse durante a governação da direita de Passos Coelho?”. Pergunta essa que os próprios se apressavam a responder que “se estivesse a direita de Passos Coelho no poder caía-lhe o mundo em cima”, “se fosse com Passos Coelho, o PCP e o BE não estariam tão calados e caíam-lhe em cima”. Portanto, a esquerda (PCP e BE), vista pela direita como insignificante é, quando interessa, o mundo para a mesma direita.

 

É um facto incrível que PSD e CDS consigam ser ainda mais incompetentes na oposição do que quando estão no poder, caso contrário não estariam tão desesperados em ver o PCP e o BE fazer oposição ao governo. Faziam-no sozinhos. Mas para isso era preciso competência. Em boa verdade, PSD e CDS gostariam de ter o PCP e o BE do seu lado, numa geringonça de oposição. Para a direita, o PCP e o BE são mesmo o mundo.

 

Quanto à aparentemente inquietante pergunta formulada pela direita, eu responderia o seguinte: “Se fosse a direita de Passos Coelho que estivesse no poder, não teria acontecido nada”. Simples.

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A moção é legítima mas imoral

por contrário, em 24.10.17

Esta tarde será discutida e votada na Assembleia da República a moção de censura apresentada pelo CDS. Muito se tem falado nesta moção de censura, que já estava chumbada mesmo antes de nascer.

 

Defender esta moção de censura argumentado que a mesma é legítima, trata-se de pura estupidez, de retórica política de quinta categoria. Obviamente que esta moção de censura é legítima, se houvesse algum impedimento legal, ela não estaria sequer em discussão. Simplesmente não existia.

 

Se queremos opinar sobre a moção de censura, teremos de o fazer sob o ponto de vista da observância da moral de quem a apresenta e da sua probidade política. Feito este pequeno exercício de honestidade, rapidamente se conclui que esta moção de censura é desavergonhadamente imoral.

 

Uma moção de censura deve ser apresentada quando se considera que um governo cometeu falhas tão graves, que não merce continuar no exercício das suas funções. E quem a apresenta deve, pelo menos, ter como base de sustentação um conjunto de medidas e propostas que tenham sido apresentadas, por si, no devido tempo e contrárias àquilo que foi a actuação desse governo.

 

Ou seja, para que o CDS tivesse algum resquício de moralidade para apresentar esta moção, tendo por base a calamidade dos incêndios, teria que ter apresentado no devido tempo medidas contrárias às que foram tomadas (ou não) pelo actual governo. Olhando para os últimos anos verifica-se que, entre 2011 e 2015, o CDS esteve no governo, Assunção Cristas era Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território e não tomou nenhuma medida que ajudasse a mitigar a problemática dos incêndios e do ordenamento das florestas, muito pelo contrário. Mesmo durante estes dois anos de governação do PS, o CDS não apresentou uma única medida e nem sequer foi capaz de alertar para o que podia estar errado. Com que moral vem agora pedir a demissão do governo?

 

A moção do CDS é legítima, mas transpira imoralidade por todos os poros.

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Rescaldo das Autárquicas

por contrário, em 03.10.17

Todos testemunhámos a algazarra que foi a campanha para as Autárquicas. E, por esta altura, já quase todos se terão apercebido dos principais resultados das eleições de Domingo. Basicamente, sabe-se que o PS teve o maior resultado de sempre em Autárquicas (mais presidentes de câmara e mais presidentes de junta), o PSD teve o pior resultado de sempre, a CDU perdeu algum do seu considerável poder autárquico, o BE teve um resultado moderado e o CDS teve uma “mais que previsível” subida.

 

Vamos lá aos principais destaques destas eleições autárquicas:

 

- Nas duas maiores cidades (Lisboa e Porto) parece que venceram as segundas listas mais votadas. Em Lisboa, Assunção Cristas festejou como se tivesse ganho, cerca de 20% dos votos bastaram-lhe para se assumir como a grande vencedora da noite, logo ela que se fartou de afirmar que o objectivo era vencer a Câmara em Lisboa. No Porto, Manuel Pizarro mostrou-se mais eufórico que nunca. Bradou aos ouvidos de quem ainda fez o favor de o ouvir “que o PS foi o partido que mais subiu a votação em relação a 2013”. Há sempre um lado positivo em tudo, não é verdade? Esqueceu-se, ou tentou fazer os outros esquecerem-se que, em 2013, Rui Moreira não teve maioria absoluta (precisando do PS para governar) e agora teve. A grande subida de Manuel Pizarro pouco ou nada lhe valerá, mas ele lá estava todo sorridente, tentando dissipar qualquer dúvida que possa cair sobre a sua liderança na maior distrital do PS.

 

- Isaltino Morais está de regresso à presidência da Câmara de Oeiras. E isso é crime? É sinal de que a maioria dos eleitores de Oeiras é estúpida? Ou é apenas uma das peculiaridades do sistema democrático?

 

- Já o major Valentim Loureiro não teve a mesma sorte em Gondomar. Quedou-se pelos 20% de votos, a mesma percentagem que deu uma vitória estrondosa a Cristas em Lisboa. Diga-se que Valentim não conseguiu nem metade dos votos do candidato do PS, Marco Martins, que venceu com maioria absoluta. Os eleitores de Gondomar são mais inteligentes que os de Oeiras? Pode até ser, mas creio que a principal razão da derrota do major foi o facto de Marco Martins ser um recandidato de valor, que dificilmente perderia a presidência da Câmara.

 

- Narciso Miranda (outro dinossauro) também não teve muita sorte em Matosinhos. Se bem que, ter que escolher entre o socialista “independente” Narciso Miranda e a socialista “oficial” Teresa Salgueiro venha o Passos Coelho e escolha.

 

- Gaia também merece destaque. O recandidato à Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues conseguiu uma brutal subida de votação face às eleições de 2013, em termos percentuais, só a subida é mais do que a votação de Cristas em Lisboa (e eu a dar-lhe). Note-se ainda que, no concelho de Gaia todas as freguesias são agora socialistas, algo que muita gente não acreditaria que pudesse ser possível, depois de 4 intermináveis mandatos de Menezes (entre 1997 e 2013).

 

Uma breve referência ainda para Castanheira de Pêra, onde a cantora Ágata era candidata pelo CDS, em segundo lugar na lista à Câmara. Ágata estava convicta de que conseguiria replicar a influência que a sua presença causa à cidade de Chaves, onde reside. E não é que Ágata e o CDS estavam certos em relação ao seu poder de influência. As gentes de Castanheira de Pêra não lhe ficaram indiferentes e presentearam-na com 90 vigorosos votos.

 

Falta ainda falar em Loures, onde o PSD não conseguiu ir além do 3.º lugar com cerca de 21,5% dos votos. No entanto, André Ventura pediu ao PSD para pôr os olhos em Loures. Realmente, se fosse em Lisboa dava para ficar à frente de Assunção Cristas. Mas… muita atenção à freguesia da Lousa, pode estar ali o tubo de ensaio…

 

Para terminar, resta-me apenas salientar o facto de muitos órgãos de comunicação social não terem dado muita importância aos resultados eleitorais de 1 de Outubro, parecendo até um pouco confundidos com a falta de autenticidade e ilegalidade do referendo na Catalunha. Até deram a impressão que estas eleições autárquicas não foram a valer. Alguns jornalistas optaram por estar de folga nesta Segunda-feira (onde tanto poderia ser dito/escrito), sendo que outros preferiram destacar o insípido clássico de Alvalade.

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Ágata Cristas

por contrário, em 19.08.17

Poderia ser um pseudónimo de uma escritora de histórias de embalar, mas não. Trata-se de um magnífico emparelhamento entre a música pimba e a política bimba. Realmente, ninguém, mas ninguém mesmo seria capaz de formar uma dupla tão perfeita, quer para a música quer para a política. Ora imaginem lá, se a Conceição Assunção Cristas fosse cantora, com quem acham que ela se pareceria? E se a Ágata fosse política? Pois… Uma é a versão da outra numa diferente “profissão”. Mas, ao que parece, ambas pretendem jogar do mesmo lado e em dupla, desta feita, no campo da política. Mas, como é previsível que ambas saiam derrotadas na noite eleitoral de Outubro sugiro, desde já, que não desanimem e tentem vingar, como dupla, noutra área mais adequada, porque esta dupla tem tudo para dar certo. Como a música pimba já não enche carteiras não é alternativa, logo, sugiro que ambas se dediquem a outra coisa, por exemplo, que tenham uma roulotte de farturas e churros e que viajem por este Portugal fora. Ou então, que montem uma barraquinha na feira, ou que invistam num espaço na lota. A dona Cristas até já foi ministra das pescas, não foi? Não estou a brincar. Acho que elas têm o perfil indicado para tudo isto. E é tão bom ver as pessoas certas nos lugares certos.

 

Agora, na política, minhas caras? Não, esqueçam isso. Definitivamente, a política não é o vosso forte. O passado já expôs as mais que evidentes inaptidões da líder do CDS para o métier. E o presente já demonstrou que a Ágata não reúne condições para, sequer ser candidata, em segundo lugar na lista, à Câmara Municipal de Castanheira de Pêra.

 

Perguntaram à Ágata o que fará se for eleita, ao que ela respondeu: “isso depois vê-se, não sei bem do que se trata, não percebo nada de política… quando chegar lá vejo”. Também lhe perguntaram o porquê de ser candidata em Castanheira de Pêra. Porque nasceu lá? Não. Porque vive lá? Não. Porque trabalha lá? Não. Porque um dia foi à Praia das Rocas e achou piada? Sim.

 

A mim também já me tinha passado pela cabeça candidatar-me a Mayor de Nova Iorque, é que estive lá e gostei muito do Central Park. E eu a pensar que era uma ideia estúpida…

 

A Ágata também afirmou que, por ser uma figura pública, pode trazer muitas coisas boas para Castanheira de Pêra isto porque, disse ela, desde que foi morar para Chaves a cidade passou a ser mais falada, mais conhecida. “Essa é que é a verdade”, disse Ágata no apogeu de toda a sua humildade. E não é que é mesmo verdade? Ou por acaso, já alguém tinha ouvido falar em Chaves antes de Ágata (doravante, a.A.)? Alguém fazia ideia que Chaves ficava em Trás-os-Montes a.A.? Alguém sabia que Chaves tinha um Castelo a.A.? Na verdade tem mais que um… Alguém já tinha provado um pastel de Chaves a.A.? Algum de vocês, por acaso, alguma vez tinha passado na Ponte de Trajano a.A.? E o Forte? Conhecem ou já ouviram falar? E aquele clube de futebol que se chama Desportivo qualquer coisa, agora não se me ocorre o nome…Ah, já sei! Desportivo de Chaves. Porra, se não fosse a Ágata nem desta eu me lembrava.

 

Chaves é uma cidade com séculos de história, mas só depois de Ágata é que o país (quiçá o mundo) soube disso. Essa é que é a verdade, não é Ágata?

 

É por isso que eu não tenho dúvidas que Ágata e Cristas fazem uma dupla imbatível. Alguns de vocês podem ainda não estar a ver, mas eu garanto-vos que elas são almas gémeas.

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CDS exige fim da austeridade na chuva

por contrário, em 01.05.17

O CDS requereu a presença do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas no Parlamento com urgência. Em causa está o facto de termos tido um Inverno pouco chuvoso e nem o mês de Abril, que costuma ser de águas mil, ter sido amigo da agricultura.

 

Para o CDS, basta de austeridade na chuva. O ministro Capoulas Santos terá que justificar no Parlamento a razão pela qual tem chovido tão pouco, já que o CDS não aceita que este Governo continue a cortar em coisas tão essenciais como a chuvinha. O CDS vai também exigir ao ministro que apresente as actas das reuniões que tem mantido com o São Pedro à porta fechada.

 

O CDS está, ainda, muito preocupado com o baixo caudal da água nas barragens. São uns queridos. Que preocupados que eles estão com os lucros da EDP, sempre avultadíssimos. Por falar nisso, dentro de poucos dias o Mexia vai apresentar os resultados da empresa, mas o CDS já está preocupado com os lucros futuros da empresa, ou então sou eu que estou a fazer confusão e eles apenas pretendem assegurar que não haverá aumento nas tarifas de energia devido à baixa de produção de energia hidroeléctrica. Eles estão preocupados com o povo e eu é que não quero ver.

 

Já agora, quando as condições meteorológicas são favoráveis, tal como têm sido para a produção de energia eólica e fotovoltaica, o CDS também exige que se baixe as tarifas de electricidade? E que se crie um taxa especial sobres os lucros da EDP, para fazer face a períodos menos produtivos?

 

Uma vez mais, o CDS servir-se-á da lavoura para tentar chegar onde realmente gosta de estar. E não me estranharia nada que, entretanto, Assunção Cristas fosse convidada pelo senhor Mexia para um qualquer lugarzito de consultadoria na EDP.

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Ei malta do PSD e CDS!

por contrário, em 16.02.17

Tenho um aviso importante a fazer à malta do PSD e do CDS. É informação quente, quentinha! Esqueçam os SMS (mensagens escritas) trocados entre Mário Centeno e António Domingues, aí não vão encontrar nada. Já agora, quem é que ainda se dá ao cuidado de guardar as mensagens escritas por tanto tempo? Se de facto as guardaram é porque não há nada que os comprometa. Mas isso é outra história.

 

Eu sempre achei que os assuntos sérios se discutiam pessoalmente e as decisões ficavam firmadas em documentos próprios, mas estas modernices tecnológicas vieram alterar todas as regras. Qualquer dia o Conselho de Ministros ou o Conselho de Estado fazem-se por chat no facebook.

 

Mas vamos ao que realmente interessa, o PSD e o CDS têm muita razão em continuar desconfiados sobre se o Ministro das Finanças mentiu ou não, porque o país não pode andar para a frente com esta dúvida por esclarecer. Eu até já nem ando a dormir bem por causa disso. Reparem, o crescimento económico de Portugal atingiu quase os 2% no último trimestre de 2016, contribuindo para um crescimento do PIB de 1,4%, acima daquilo que o Governo e a Comissão Europeia previram. Imaginem se Mário Centeno não tivesse andado a trocar SMS com o senhor António Domingues. O país teria crescido uns 30%, pelo menos.

 

Portanto, a economia portuguesa cresceu acima da média europeia, mas o que importa é saber se Centeno mentiu ou não, mesmo que essa eventual mentirinha não atinja a dimensão das mentiras de Maria Luís Albuquerque, aquando da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os contratos swap

 

Por isso, malta do PSD e CDS se querem entalar definitivamente o Mário Centeno, eu tenho a solução, ou melhor, a NASA tem a solução. Sim, a NASA! Eu sei, de fonte segura, que a NASA captou, através de imagens de satélite (100% nítidas), mensagens de fumo que Mário Centeno trocou com António Domingues. Aí sim, pode-se constatar todas as mentiras. Numa das imagens de satélite até dá para ver o nariz do Centeno a crescer. Esqueçam os SMS. Foi através de mensagens de fumo que Mário Centeno mentiu descaradamente.

 

Centeno não é nenhum ingénuo. O homem sabe fazê-las. Vá… Vão pedir essas imagens à NASA e entalem o homem de uma vez, que eu já estou a ficar farto disto.

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Cristas já ganhou. E Passos?

por contrário, em 02.02.17

As eleições autárquicas deste ano ainda estão longe, a maioria dos candidatos ainda nem sequer se perfilou e, no entanto, já existe um candidato vencedor, neste caso concreto, uma vencedora – Assunção Cristas.

 

É verdade, Cristas ainda não foi a votos e já venceu. É óbvio que não será eleita Presidente da Câmara de Lisboa, mas também não é (nem nunca foi) esse o seu propósito. Desde que assumiu a liderança do CDS, Cristas tem um único objectivo - roubar eleitorado ao PSD – a única forma de fazer crescer o CDS. Não acredito que Passos Coelho tenha sido tão ingénuo ao ponto de não perceber as suas intenções, contudo, Cristas soube apostar (e bem) na antecipação, apresentando-se como candidata à Câmara de Lisboa, coisa que provavelmente Passos Coelho não esperava, mas devia, já que quatro anos de coligação foi tempo suficiente para que conhecesse como ninguém o seu parceiro. A partir desse momento, a Passos e ao seu PSD só restava duas hipóteses: apoiar a candidatura de Cristas ou avançar com um candidato próprio.

 

E é aqui que surge o grande dilema ao PSD que, simultaneamente constitui o momento da vitória de Cristas e do CDS. O problema do PSD é não ter um candidato forte a Lisboa (nem ao Porto…). Ao não apoiar Cristas, o PSD arrisca-se a ficar atrás do CDS e isso basta-lhes (ao CDS) para cantar vitória.

 

Note-se que o CDS tem conseguido manter uma estratégia política, apesar de ainda não ter ultrapassado o facto de não ser governo, coisa que o PSD ainda não foi capaz de fazer. O PSD não só não soube ultrapassar o trauma, como não foi nem é capaz de delinear uma estratégia política para o seu partido. Desde muito cedo que o CDS soube o que fazer em relação às duas principais candidaturas autárquicas (Lisboa e Porto) e tem-se apresentado no Parlamento com maior astúcia que o PSD, veja-se o exemplo da questão da TSU. Já o PSD é trapalhada atrás de trapalhada e candidatos de peso ao Porto e Lisboa nem vê-los.

 

No caso da candidatura ao Porto, o CDS já venceu (o PSD) ao apoiar a recandidatura de Rui Moreira, já o PSD só poderá contar com uma pesada derrota com o candidato apresentado. Em Lisboa, o PSD ainda nem sequer tem candidato. À falta de melhor, será que Passos Coelho vai ter coragem de avançar? Não me parece, Passos tem medo de medir forças com Cristas e o PSD vai acabar por apresentar um candidato qualquer. É por isso que Cristas já ganhou.

 

A estratégia de Paulo Portas para exterminar o PSD não está nada má, pois não? Ou será que alguém acredita que o estratagema é obra das cabecinhas de Cristas, Melo, Mota Soares e companhia? Executantes, meus caros. Estes são meros executantes.

 

Paulo Portas continua a comer as papas na cabeça de Passos Coelho.

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Algumas considerações sobre a Direita

por contrário, em 08.11.16

Não é a primeira vez que escrevo sobre os partidos portugueses de Direita e estou convencido que não será a última. É que a Direita é uma coisa tão divertida quanto… Sei lá, como hei-de dizê-lo sem ser deselegante… Eufemisticamente é uma coisa... estúpida. A Direita no poder defende e faz coisas que a Direita na oposição é capaz de negar e contrariar. É esta hilariante dicotomia que me faz, não raras vezes, escrever sobre o assunto. E é tão divertido.

 

Passo a apresentar algumas considerações sobre a dualidade comportamental dos partidos da Direita:

 

- A Direita no poder abomina os sindicatos; a Direita da oposição quer vê-los nas ruas, mais activos que nunca.

 

- A Direita no poder quer a privatização da CGD; a Direita na oposição quer uma CGD 100% pública e com administradores que não tenham os vícios da banca privada.

 

- A Direita na oposição não aceita que o administrador da CGD tenha um salário de 30 mil euros; a mesma Direita no poder tratou de garantir equivalente salário a um seu ex-secretário de estado que se transformou em vendedor de bancos.

 

- A Direita na oposição diz que a CGD está “sem rei nem roque”; a Direita do poder deixou cair o banco do “rei” (da banca) e o banco dos “roque”.

 

- A Direita no poder gostaria que o Tribunal Constitucional deixasse o governo trabalhar como bem entende, deixando de parte as suas funções de fazer cumprir a Lei; a Direita na oposição espera que o TC se pronuncie sobre determinadas medidas do actual governo (nomeadamente sobre a situação dos administradores da CGD).

 

- A Direita no poder ignora a existência do Bloco de Esquerda e acusa-os de jamais conseguirem chegar ao poder; a Direita na oposição fica triste pelo BE “estar à venda por um naco de poder”.

 

- A Direita do poder considera como “inúteis” os partidos mais à esquerda; a Direita da oposição considera-os “idiotas úteis”.

 

- A Direita no poder espreme os pensionistas e a “classe-média”; a Direita na oposição brada pelo aumento das pensões e exige verdadeiras medidas de Esquerda para todos. E, simultaneamente diz que a Segurança Social está quase falida.

 

- A Direita no poder encetou um brutal aumento de impostos; a Direita da oposição não admite nenhuma alteração à carga fiscal e acusa a Esquerda de… aumentar os impostos.

 

- A Direita no poder preparava um corte de 600 milhões de euros na Segurança Social; a Direita da oposição quer um Estado-social mais caridoso e ao mesmo tempo afirma que está em pré-falência.

 

- A Direita no poder defende acerrimamente o ministro (n.º 2 do governo) que não se licenciou; a Direita na oposição exige a demissão de um ministro, cujo chefe de gabinete do secretário de estado não se licenciou.

 

- A Direita no poder só acabaria com a sobretaxa de IRS em 2019 (promessa); a Direita na oposição critica o actual governo por só acabar com a sobretaxa em 2017.

 

- A Direita na oposição exige que o governo resolva diligentemente os problemas que a Direita no poder criou e/ou não foi capaz de resolver.

 

- A Direita no poder desgoverna e age como se estivesse na oposição; a Direita na oposição é uma piada.

 

Em conclusão, a actual Direita (na oposição) continua a afirmar que venceu as eleições do ano passado, continua a insinuar que o actual governo é ilegítimo e continua a falar de José Sócrates. É a mesma Direita que, antes de o actual governo tomar posse afirmou que o “programa eleitoral” do Partido Socialista era muito semelhante ao seu, razão pela qual não deveria ter feito um acordo de incidência parlamentar à Esquerda, mas sim com ela própria. A actual Direita (na oposição) também afirma que quem manda no governo é o BE e o PCP, ao mesmo tempo que reitera que o Orçamento do Estado é um documento repleto de austeridade e sujeito às vontades da União Europeia (tal como eram os seus), e ainda assim votam contra. Confuso?

 

Não. É a Direita no seu melhor.

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Sinto-me havananado

por contrário, em 26.10.16

O Presidente da República está de visita oficial a Cuba, hoje e amanhã. Como é habitual nas visitas de Estado, o Presidente convidou os grupos parlamentares a juntarem-se à comitiva, por meio de um representante de cada partido com assento parlamentar. Ao que parece todos os partidos responderam com anuência ao convite de Marcelo Rebelo de Sousa, excepto o Bloco de Esquerda que justificou a sua ausência com o facto de ser prática habitual do partido limitar a sua presença em visitas de Estado, acrescentando que o BE apenas costuma incorporar as visitas a países com fortes comunidades portuguesas.

 

Como é hábito (e não estou a dizer que é um mau hábito), desataram a chover críticas. Eu até estaria totalmente de acordo se as mesmas fossem endereçadas a outros partidos e não ao Bloco de Esquerda que, pelo menos, demonstra alguma coerência.

 

Muito mais estranho que a ausência do BE é a presença dos partidos PSD e CDS nesta comitiva. Isso é que é um facto político extremamente relevante e não menos questionável. É incrível constatar o alcance da decência (ou falta dela) de PSD e CDS, ao aceitarem tomar parte numa visita de Estado a um país, do qual só sabem dizer mal. Um país comandado por ditadores sanguinários, não é o que eles tanto dizem? Cá para mim, estes dois andam a in[cuba]r alguma…

 

O CDS far-se-á representar pelo deputado Hélder Amaral, um especialista nestas manobras. Sim, Hélder Amaral, o mesmo que esteve (e com muito gosto) no congresso do MPLA em Luanda, onde assumiu que o seu partido está agora mais próximo do partido liderado por José Eduardo dos Santos. Na altura, Ribeiro e Castro chegou mesmo a ironizar, que “um dia, o congresso do CDS contaria com a presença do Partido Comunista de Cuba…”. Ora, vendo bem as coisas, não me admira nada que Hélder Amaral aproveite a ocasião para deixar o respectivo convite na secretária de Raúl Castro. Talvez até Paulo Portas dê um saltinho até Havana, já que agora é o representante do senhor Mota no outro lado do Atlântico. Quem sabe…

 

Em representação do PSD estará Luís Montenegro, outro que não suporta Cuba, nem a China... “Esses comunistas dum raio!”, dirão eles num dia de boa disposição. A Direita em Portugal é mesmo uma coisa patética. Eles encheram aviões (enquanto governantes) para ir à China mendigar pelo capital comunista, apesar de dizerem repelir esse país. Eles estão excitadíssimos com esta viagem a Cuba, mesmo tendo dito cobras e lagartos deste outro país. É fenomenal, não é?

 

Note-se ainda que, ultimamente temos assistido a uma preocupação destes dois partidos para com os sindicatos, vejam bem! PSD e CDS, partidos que nunca reconheceram “honestamente” o direito à greve e que sempre abominaram a existência de sindicatos estão, agora, muito preocupados com o facto de estes não terem (ainda) realizado greves e/ou manifestações. Apesar de isso não ser verdade (alguns sindicatos já o fizeram), o que é realmente espantoso é a preocupação que estes dois partidos revelam para com aqueles que sempre fizeram questão de marginalizar. E olhem que não era a fingir, pois via-se bem a cólera nos seus olhos enquanto se espumavam com discursos de ódio para com todos os comunistas deste mundo.

 

Esta Direita camaleónica deixa qualquer um havananado!

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Abstenções ruidosas

por contrário, em 14.04.16

Há abstenções que são mesmo muito ruidosas. A abstenção não é novidade para os portugueses, desde o eleitor comum que, não raras vezes, abdica do seu direito de voto até aos mais elevados políticos que, também muitas vezes exercem esse “direito” de se abster de votar determinadas matérias.

 

Abster é isso mesmo, é recusar exercer o direito de voto. É não querer votar a favor nem contra. É alhear-se da responsabilidade de que um indivíduo está incumbido. No que respeita aos eleitores que se abstêm, não tenho muito a dizer, apenas que não têm o direito de reclamar das políticas implementadas pelos cidadãos eleitos em sua representação, sobre os quais eles próprios se recusaram escolher. Já ao nível da Assembleia da República, considero uma tremenda irresponsabilidade que um deputado se esconda na abstenção de votar determinadas matérias. A Assembleia da República é a Casa da Democracia, por excelência, é o maior órgão legislativo e o que tem maior competência política.

 

Custa-me constatar, infelizmente com bastante frequência, que muitos deputados se abstêm de votar um vasto rol de matérias importantes, sendo que na maioria dos casos o fazem em rebanho, isto é, por bancada partidária.

 

Esta quarta-feira, a subcomissão de Ética votou um documento que defende que não há incompatibilidade entres as funções parlamentares de Maria Luís Albuquerque e o cargo de directora não executiva na empresa Arrow Global. Devemos ainda relembrar que tudo isto acontece poucos meses depois da ex-ministra ter deixado a pasta das Finanças. Portanto, o parecer dos deputados é que não há incompatibilidade, pelo menos para uma parte dos deputados chamados a pronunciar-se sobre o assunto. O parecer da subcomissão teve os votos favoráveis do PPD/PSD e do CDS, os votos contra do BE e do PCP e o PS, bem, o PS absteve-se. O PS não acha certo nem errado. Para o PS a ética goza de neutralidade e a promiscuidade não carece de condenação ou aprovação. Em política, esta atitude de ficar mudo e quedo no seu canto revela, quase sempre, um ruído ensurdecedor ou, como diz o povão, que o rabo está por aí trilhado em alguma esquina.

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