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Trumpolinices

por contrário, em 31.05.16

Resisti o mais que pude para não falar sobre as eleições nos EUA. Sinceramente, aquilo que se passa nos EUA não me interessa muito, ainda que isso possa ter impacto no resto do mundo. Contudo, a minha vida nunca dependeu nem dependerá da escolha que os norte-americanos façam para a presidência.

 

Nos últimos meses, só se ouve falar na corrida às presidenciais norte-americanas e é algo que tende a intensificar-se com o aproximar das eleições finais. O que mais tenho constatado é uma inexplicável perplexidade que a maioria das pessoas demonstra, quando confrontadas com a possibilidade do candidato republicano Donald Trump poder tornar-se no próximo presidente dos EUA.

 

Todos os dias se lê e se ouve:

 

“Trump é lunático…”;

“Trump é idiota…”;

“Trump é xenófobo…”;

“Trump é uma ameaça…”;

“Os EUA não estão preparados para Donald Trump…”;

“O mundo está preocupado com a possibilidade de Trump ser eleito…”.

 

Eu não conheço bem os EUA, reconheço, mas sei o suficiente para afirmar que Donald Trump é o candidato que melhor espelha as características do seu povo.

 

Sinceramente, não sei de onde vem tanto espanto.

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Uma vez mais, o grande vencedor das eleições foi o candidato invisível, que se chama abstenção. Mais de 51% dos eleitores não votaram.

 

Se repararmos na “classificação” final, facilmente constatamos que tem mais votos quem tem mais tempo de antena na comunicação social. Como tenho sempre vindo a referir, é a comunicação social que elege os candidatos que, por sua vez, controlam esses mesmos órgãos, directa ou indirectamente. Olhando para a lista de 10 candidatos identificamos, logo à partida, duas metades: os candidatos das máquinas partidárias (que controlam a comunicação social) que ficaram nos primeiros 5 lugares e os chamados “underdogs” que ocuparam a segunda metade da tabela.

 

Olhando para a primeira metade. Quem ficou em primeiro e destacado lugar? Marcelo Rebelo de Sousa, pois claro. E porquê? Porque, apesar de se dizer por aí que fez uma campanha sóbria, contida nos gastos, com pouco marketing, etc., a verdade é que a campanha de Marcelo começou há muitos anos atrás, tendo tempo de antena que chegasse e sobrasse em todas as televisões e em horário nobre. Marcelo era, de longe, o candidato com maior notoriedade e, só por esse motivo é que venceu. Em segundo aparece Sampaio da Nóvoa que até há alguns meses era um total desconhecido da maioria dos portugueses. Então como se explica que apareça em segundo lugar? Fácil. A máquina partidária socialista ainda tem muito peso e, além disso, deve ter sido a candidatura que mais investiu em comunicação e marketing nos últimos meses, daí ter conseguido ficar em segundo lugar. Logo a seguir vem a Marisa Matias que, a seguir a Marcelo, era a candidata com mais notoriedade e que só não ficou à frente de Sampaio da Nóvoa pelas razões que acabei de referir. Em quarto lugar temos a Maria de Belém que, noutros tempos, apresentaria outro nível de notoriedade, mas que agora não tem esse reconhecimento público que a poderia levar a outro resultado, além disso, foi completamente ostracizada pelo seu partido. O seu quarto lugar não é surpreendente, a percentagem de votos sim. Em quinto temos Edgar Silva, um completo desconhecido dos portugueses que o Partido Comunista decidiu lançar para o campo de batalha. Sendo desconhecido e comunista, é lógico que não teria grande destaque na comunicação social. Portanto, o quinto lugar não surpreende e, tal como acontece com Maria de Belém, o que surpreende é a percentagem baixa de votos amealhados.

 

Olhando agora para a segunda metade: os “underdogs”. Então, quem haveria de vencer a segunda metade da tabela? Claro que só poderia ser o candidato Vitorino Silva (Tino de Rans), de longe o candidato mais conhecido dos eleitores. E depois temos uma ordem perfeita daquilo que é uma votação de acordo com o tempo que uma cara aparece nos canais de televisão e outros meios de comunicação social, mas sobretudo nas televisões. Paulo de Morais (o segundo "underdog"), que ficou um pouco conhecido com as suas denúncias contra a corrupção, depois vem Henrique Neto que, sendo pouco conhecido, foi deputado muitos anos e que dificilmente ficaria atrás de Jorge Sequeira e Cândido Ferreira. Até entre estes dois últimos se consegue ver a importância do aparecer ou não aparecer nas TVs. Como é sabido, Cândido Ferreira recusou participar na maioria dos debates e convenhamos, foi o candidato com menor tempo de antena.

 

Portanto, não haja dúvida que é o “tempo de antena” que elege um candidato. É normal que assim seja, desde que os candidatos consigam vencer pela sua qualidade dentro desse tempo de antena e não pela quantidade de tempo que lhes é dada, ou seja, o que não é normal é que uns tenham mais tempo que outros.

 

Em suma, vencerá sempre o candidato mais martelado na comunicação social.

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Já sabe em quem votar? Vote com tino…

por contrário, em 22.01.16

Pois é… As eleições presidenciais são já no próximo Domingo, hoje termina a campanha eleitoral e você, já sabe em quem vai votar?

 

Eu vou tentar dar uma ajudinha. Depois dos últimos 10 anos de total degradação do mais alto cargo político da República Portuguesa, qualquer português estaria em condições de ser melhor presidente do que Cavaco Silva (Paulo Portas incluído). Cavaco Silva tem esse grande mérito (aliás, o único) de tornar presidenciável qualquer cidadão português. Depois dele, não há razões para que um cidadão tema fazer uma má escolha. Depois de 10 anos de Cavaco não há más escolhas.

 

Portanto, estas eleições são as mais fáceis de sempre. São aquelas que menores dores de cabeça e indecisão causam ao eleitor. Não obstante, há um candidato que se aproxima (e muito) da mesma visão que Cavaco Silva teve e tem do país. Esse candidato chama-se Marcelo Rebelo de Sousa. Cavaco e Marcelo são as duas faces da mesma moeda. São uma espécie de Palhaço Triste e Palhaço Alegre, os príncipes da tragédia e da comédia, mas as suas essências confundem-se.

 

Posto isto, caros concidadãos, não há razão para ter dúvidas. Vá votar sem sentimentos de culpa, mas vote com tino

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Em 2012, Passos proferiu a célebre frase: "Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal". Disse-o ainda na fase inicial do seu reinado e, mesmo tendo milhões de pessoas por todo o país a clamar por eleições antecipadas, Passos nunca quis sequer ouvir falar no assunto.

 

Em 2014, bem como no início deste ano, voltou-se a exigir eleições antecipadas e bastaria que Cavaco Silva, padrinho e mentor do governo de Passos e Portas, quisesse e nada do que estamos agora a assistir aconteceria. Se as eleições tivessem sido no primeiro semestre deste ano e o cenário fosse o mesmo, Cavaco já poderia dissolver o Parlamento, coisa que agora tanto deseja mas não pode fazer. É a ironia do destino. Cavaco não quis antecipar as eleições porque ficou à espera que as sondagens favorecessem o seu governo. Agora aguenta!

 

Mas o mais cómico de toda esta situação é ver a que ponto pode chegar o desespero de PSD e CDS, tendo atingido agora o seu ponto culminante (vejamos o que se seguirá) pela voz de Passos Coelho. O homem já não quer que se lixem as eleições, agora deseja-as como nunca antes. Até está disposto a alterar a Constituição para que isso possa ser possível, ainda pelas mãos de Cavaco. Eu até me ponho a pensar de qual cabecinha terá saído esta ideia. Da de Passos? Portas? Cavaco? Isto é que é querer o poder a qualquer custo

 

Verdade seja dita, esta gente sempre se esteve nas tintas para a Constituição, mas é muito estranho que durante os últimos quatro anos nunca tenham tentado mudar a Constituição, nos mesmos moldes em que pretendem fazê-lo agora.

 

Mas ainda se impõe fazer a seguinte pergunta: E se o resultado de eventuais novas eleições fosse o mesmo? O que diriam aqueles que agora, em desespero de causa, tanto as pedem. Provavelmente voltariam a exigir novas eleições, até que o resultado lhes servisse. 

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Cavaco está à espera de quê?

por contrário, em 19.10.15

Cavaco disse, ainda durante o período de campanha eleitoral (altura em que deveria estar calado), que sabia “exactamente o que faria no dia a seguir às eleições”. Já passaram duas semanas e o que fez Cavaco em relação ao assunto? NADA.

 

O que na altura todos perceberam foi o que Cavaco não faria no dia seguinte às eleições, ou seja, que não marcaria presença nas comemorações da República.

 

Um PR diligente teria ido às comemorações na manhã do dia 5 de Outubro e, durante a tarde, teria recebido todos os partidos em Belém. Por esta altura, já deveríamos ter a Assembleia da República em plenas funções e um governo empossado. Mas Cavaco insiste em não ter um pingo de dignidade, nem mesmo na hora da partida.

 

À revelia do que vem disposto na Constituição da República Portuguesa, Cavaco apressou-se a receber Passos Coelho, incumbindo-o de estabelecer as diligências necessárias com vista à formação do novo governo, como se já tivesse decidido que Passos Coelho seria o primeiro-ministro. Ora, se já havia decidido isso, por que razão ainda não o indigitou como tal? Está à espera de quê?

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Democracia = a maioria decide

por contrário, em 14.10.15

Anda tudo num frenesim por causa da formação do próximo governo. A começar nos políticos, passando pelos comentadores e jornalistas isentos, terminando na mais humilde opinião vinda de um qualquer boteco de esquina.

 

Vamos lá tentar um ponto final na questão. Há alguém no país que saiba o que passa pela cabeça de um eleitor, além do sentido de voto que expressou no respectivo boletim? Por exemplo, quem pode afirmar que um eleitor que tenha votado no PS, não tinha em mente uma coligação com os partidos de Esquerda? Ou com a Direita? Ou até mesmo, que não pretendia que o PS se coligasse após as eleições? Quem pode aferir com exactidão este tipo de vontades que não se podem expressar nos boletins de voto? Ninguém. 

 

Mas, pelos vistos, o que não falta por aí são "Mayas" e "Professores Chibangas", gente dotada desse poder especial que é interpretar aquilo que está para além de uma cruz num boletim de voto.

 

Para colocar um ponto final na questão há que salientar apenas um "pequeno" pormenor, que dá pelo nome de Constituição. O partido que forma um governo em Portugal (país democrático) não tem que ser aquele que recolhe mais votos nas eleições. Aliás, não há nenhuma eleição que legitime directamente um primeiro-ministro ou um governo. Isso não compete aos eleitores decidir. Essa incumbência diz respeito apenas à Assembleia da República que depois de constituida irá apoiar, ou não, a formação do novo governo. É importante que as pessoas entendam, de uma vez por todas, que quando vão votar numas eleições legislativas estão a escolher os deputados que vão representar a sua "escolha" na Assembleia da República. As pessoas não escolhem primeiros-ministros, nem ministros, nem secretários-de-estado, etc. Os eleitores escolhem os deputados que vão legislar na AR, aliás, o órgão com poder legislativo por excelência, daí o nome legislativas. 

 

Portanto, são as forças que foram eleitas para o novo período legislativo que têm agora a obrigação de encontrar uma solução estável de governação. Naturalmente que tem mais força que colher mais apoios na Assembleia da República. Como toda a gente viu, excepto à Direita, a coligação PSD/CDS não conseguiu obter maioria absoluta nas eleições, tal como nenhuma outra força política. Então, quem deve formar governo? Simples. Deve formar governo a(s) força(s) política(s) que apresentem melhores condições de governabilidade. E tem melhores condições de governar quem tem maioria de apoios no parlamento. Simples.

 

É assim que dita a Constituição e é assim que funciona uma Democracia, ou seja, a maioria decide. Goste-se ou não. Aliás, não se compreende que a Direita esteja tanto em pulgas por estes dias, o seu último governo foi uma coligação parlamentar pós-eleitoral. Qual é o espanto? Como não tenho tempo para fazer um desenho aos senhores da Direita, vou colocar apenas um cenário, para ver se entendem:

 

Imagine-se que haviam 11 partidos a concorrer nas eleições legislativas, 10 desses partidos conseguiam 9% dos mandatos cada um. E depois, havia um partido que conseguia 10% de mandatos na Assembleia da República. Portanto, teríamos o cenário de um partido "vencedor" com 10% dos votos, mas com uma oposição de 90% no parlamento. Segundo os iluminados da Direita, o partido "vencedor" (com apenas 10%) deve formar governo, porque venceu. Ah e se os outros partidos que representam 90% se juntarem para formar uma alternativa de governo? A Direita diz: "Não podem". "Não é tradição". "Não podem querer vencer na secretaria". "Governa quem vence".

 

Enfim, parece que há por aí muita gente que ainda não percebeu como funciona a Democracia (goste-se ou não), principalmente à Direita.

 

 

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Alguém viu a Direita por aí?

por contrário, em 13.10.15

Por onde andam Passos e Portas? Em que ninho se enfiaram agora os cucos-políticos Marco António Costa e Nuno Melo? A estratégia parece ser a de continuar a fingir-se de mortos.

 

Quem tem falado e escrito muito sobre a actual situação política são os comentadores, esses soldados de infantaria que a Direita tem enfileirado em tudo que é canal de televisão, rádios, jornais, etc.

 

Dizem eles: “ah… não é tradição em Portugal que os partidos que não vençam as eleições possam formar governo…”, ou então, “vejam o que acontece na Alemanha, com um acordo ao centro…”. Curiosamente não usam o exemplo da Dinamarca ou da Finlândia, dois países super evoluídos que são bons exemplos para tudo, menos neste assunto. Um dia destes, a CDU ou o BE ganham mesmo as eleições (imaginemos com maioria), e vamos ter que levar com o argumento da Direita, dizendo que não podem formar governo porque não é tradição ter estes partidos no poder. Para esta gente, em Portugal vale a tradição e não a Constituição.

 

Há também aqueles que dizem que, este cenário de um partido vencer as eleições com minoria parlamentar e depois formar governo não é novo. Dito assim, parece verdade. Mas é inédito uma coligação de Direita ter vencido as eleições, tendo agora contra si uma maioria parlamentar de Esquerda. E isso faz toda a diferença.

 

Depois vêm com lérias do tipo: “BE, PCP e PS deveriam ter dito antes das eleições que se poderiam coligar…”. Exacto. Em 2011 PSD e CDS candidataram-se coligados, ou pelo menos, assumiram que o fariam depois das eleições?

 

Outros afirmam que “uma solução PS+BE+CDU é querer ganhar as eleições na secretaria…”. Não, não é na secretaria é no Parlamento (Assembleia da República) – casa da Democracia, onde os deputados eleitos estão devidamente mandatados para agir em conformidade. Em 2011 os eleitores que votaram no PSD e no CDS devem ter escrito no verso do boletim de voto que, ao votar nestes partidos, estavam a assinar por baixo qualquer coligação pós-eleitoral que as forças parlamentares destes dois partidos entendessem fazer, tal como o devem ter feito em nas eleições de 2002. Quem tem memória (quem não tem que procure, pois vai encontrar) lembra-se que a campanha em 2002 aqueceu bastante, principalmente entre PSD (Durão Barroso) e o CDS (Portas), chegando mesmo ao nível dos insultos mútuos, mas na Segunda-feira seguinte lá estavam eles a dar as mãos… Pois é! É mesmo assim. Nada de ilegítimo foi feito. Fizeram o que a Constituição lhes permitiu fazer.

 

Depois há aquele chavão que é o mais repetido, ou seja, “governa quem vence as eleições…”. Mas em que condições?

 

Dizem que não é possível o BE e a CDU abdicarem daquilo que disseram na campanha, sobretudo das críticas ao PS e perguntam: “Como podem agora entender-se?”. Dizem que se se vier a formar uma coligação tripartidária à Esquerda, será apenas para chegar ao poder, estando os partidos a abdicar das suas convicções.

 

Ai sim?

 

Então e o que disseram PSD e CDS do PS na campanha? Mais, tendo António Costa dito que jamais aprovaria um OE da coligação, como podem agora entender-se? Então, o que mais ouvimos dizer durante a campanha por parte dos elementos da coligação não foi que “António Costa e o PS estavam próximos da extrema-esquerda e até do Syriza?”. Como podem agora achar que um entendimento à Direita é mais fácil? Vejam bem! Agora, a Direita está até disposta a fazer acordos com apoiantes do Syriza.

 

A direitalha sabe muito bem que para atingir entendimentos nas negociações (à Direita), o que está sempre (e apenas) em causa é a distribuição de tachos e, nesse caso, parece que é mais fácil o PS entender-se com a coligação do que com os partidos à sua esquerda. Para a direitalha, o PR deve reconduzir o governo de Passos e Portas e depois cada partido deve assumir a sua responsabilidade na Assembleia da República. E para eles (deireitalha), a responsabilidade do PS é abdicar das suas ideias e do seu programa para facilitar a vida à coligação. Uma vez que não venceu as eleições, agora o PS tem o dever de se penitenciar com fortes chibatadas nas costas (do Costa) e, acima de tudo, deve apoiar o governo da coligação minoritária, dizem eles.

 

A direitalha acha que é o PR que decide quem deve formar governo, mas isso só porque o PR é Cavaco. A verdade é que forma governo quem apresentar a solução que dê maiores garantias de governabilidade. A pergunta é: Quem oferece maior garantia de governabilidade e de cumprir a Legislatura? Uma coligação de Direita em minoria que não consegue granjear apoios no Parlamento, ou uma maioria de Esquerda com todas as condições para governar?

 

E, já agora, na campanha de 2011 o que dizia o PSD do CDS?

 

O PSD dizia que o CDS era um partido de "pau-de-cabeleira", as hostes laranjas apelidavam Portas de "garnisé" e "aprendiz de Sócrates". Se bem que essa do “aprendiz de Sócrates” assentava melhor em Passos Coelho.

 

Em 2011, Passos dizia que se algum dia fosse necessário formar uma maioria com PSD+PS+CDS "isso seria uma salada russa que não daria resultado". Já Portas dizia que o problema do governo maioritário estaria em saber "quem poderia apresentar ao PR uma solução governativa com apoio maioritário no parlamento".

 

Entendimentos e estabilidade? Que tipo de entendimentos fizeram PSD e CDS em 2011 para poder governar em maioria? Quem abdicou do quê? Ambos afirmavam que tinham programas diferentes e ambos abdicaram de qualquer pingo de dignidade que lhes pudesse ainda restar e baixaram as calças para a troika.

 

E já se esqueceram que o líder do CDS, em 2013, demitiu-se das suas funções, deixando de apoiar o governo e chegando mesmo a chamar Passos Coelho de “irresponsável”? Chamam a isso estabilidade governativa? Tal como a estabilidade governativa do governo PSD/CDS de 2002, cujo primeiro-ministro Durão Barroso abandonou…

 

Não faço ideia sobre aquilo que o PS vai fazer. Sinceramente, acho que nem o próprio PS sabe o que deve fazer. Mas o que é realmente lamentável é ver aqueles que no Domingo à noite festejaram de forma entusiástica a vitória nas eleições, escondidinhos por aí num charco qualquer à espera que a chuva passe. Não me admirava nada que, entretanto, emergissem montados num qualquer submarino esquecido e atirarassem as culpas de tudo isto para cima do Sócrates.

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Cavaco, o atrasado...

por contrário, em 01.10.15

Cavaco Silva é aquele tipo de pessoa que está sempre atrasado no tempo, mesmo achando que é o primeiro a emitir opiniões sobre qualquer coisa, em particular, assuntos de interesse maior. Se bem se lembram, foi Cavaco Silva quem descobriu o Algarve, foi ele o primeiro a mergulhar nas águas algarvias, depois dele todos os outros, mas só depois.

 

Cavaco Silva nunca se engana e raramente tem dúvidas, segundo ele próprio. Pudera, errar em prognósticos no final do jogo seria uma obra demasiado irrealizável, até mesmo para ele - esse grande fenómeno da política portuguesa.

 

Só me lembro de uma situação em que Cavaco não se atrasou. Foi quando resolveu despachar as acções da SLN/BPN antes que a coisa descambasse... Aí ele foi, de facto, muito ladino.

 

Muito recentemente, Cavaco veio dizer a propósito das Legislativas do próximo Domingo, que já sabe muito bem aquilo que vai fazer na próxima Segunda-feira, dia seguinte às eleições. Para já, deixou cair apenas a ponta do véu dizendo que não estará presente nas cerimónias do 5 de Outubro. Sim, porque isso da Implantação da República é coisa para quem não tem mais nada que fazer e não para um Presidente da "República". Ainda por cima, nem sequer é feriado... 

 

Por acaso até concordo com esta atitude de Cavaco Silva. Como não o reconheço como Presidente da República Portuguesa, acho muito bem que não apareça nas comemorações, a sua presença seria fastidiosa.

 

Agora, se Cavaco já sabe o que tem para fazer no dia imediatamente a seguir às Legislativas, para quê realizar as eleições? Tanto dinheirinho gasto para nada. Cavaco já sabe o que vai fazer. Se tivesse sido tão rápido a anunciar esse facto como foi a vender às acções do BPN, teria poupado uns milhões ao Estado com a realização desnecessária destas eleições.

 

Realmente, Cavaco é mesmo um atrasado...

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O eleitor português é assim tão estúpido?

por contrário, em 01.10.15

Domingo à noite saberemos a resposta. É que a julgar pela maioria das sondagens e, considerando que são bem feitas, ou os eleitores portugueses são muito estúpidos ou alguém anda por aí a aldrabar à ganância.

 

Em praticamente todas as sondagens constatamos que a maioria dos inquiridos considera que:

 

- O país está bem pior que em 2011;

- Passos e Portas são os piores líderes políticos;

- Costa inspira mais confiança e é mais competente que Passos;

- Que preferem Costa a Passos, para primeiro-ministro;

- Que a principal característica de Passos Coelho é ser "mentiroso".

 

E, no entanto, a maioria dos mesmos inquiridos dizem que votariam na coligação PàF...

 

Poderíamos admitir que os inquiridos não são suficientemente representativos dos "reais" eleitores portugueses, mas isso levantaria outras questões, tais como: Tantas sondagens feitas por diferentes entidades e os resultados são praticamente os mesmos, então são representativos, ou não? Será que só inquirem eleitores estúpidos? Ou será que as sondagens nunca se realizaram? É que nunca telefonaram para minha casa e não conheço ninguém que tenha recebido uma chamada para este fim. E eu ainda conheço muita gente...

 

Das duas uma: Ou temos prestadios idiotas do lado das perguntas, ou perfeitos imbecis do lado das respostas. Domingo saberemos.

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Sondagens, comentários, ao serviço de quem?

por contrário, em 27.09.15

 

 

                                           Retirado de www.rtp.pt

 

 

Mas alguém acredita nisto?

 

É sabido que a RTP anda com as audiências em baixo, mas daí a ter o descaramento de apresentar uma falsidade destas é obra. Se fosse uma sondagem apenas falsa, à semelhança de todas as outras, teria pouco impacto, era apenas mais uma, assim, a RTP deu-se ao desplante de apresentar uma sondagem com resultados não apenas falsos, mas cómicos. Afinal, todos já se aperceberam que é a comédia da política que traz boas audiências, a TVI que o diga.

 

Alguém na posse de todas as faculdades mentais acredita que 43% do eleitorado tenciona votar na coligação PàF? Anedótico…

 

Já no canal laranja, Marques Mendes continua a sua senda de comentários tendenciosos. Desta vez, disse que o défice deste ano pode não ficar nos 2,7%, mas que não ficará acima de 2,9%, tem a certeza diz ele. Disse isto com a mesma falta de vergonha com que afirmou, em nome da coligação PàF, que se o Novo Banco for vendido por um valor abaixo do montante injectado pelo Fundo de Resolução (o Estado meteu cerca de 80% do capital - 4,9 mil milhões de euros), os bolsos dos contribuintes não serão afectados, serão os bancos a suportar as perdas. Portanto, os bancos é que vão pagar aquilo que o Estado poderá perder. Haja lata e um tremendo acobertamento jornalístico para permitir que se digam tantas aldrabices em directo e no horário nobre. Aproveitou ainda para corroborar as declarações do seu amigalhaço Passos Coelho, que ainda esta semana afirmou que o Estado português está a lucrar juros com o dinheiro que pôs no Fundo de Resolução do NB. A “latosa” deste indivíduo é, deveras, imperiosamente desproporcional ao seu tamanho.

 

Mais uma semana até às eleições. Muitas mais mentiras nos tentarão impingir, à força, através do chamado “quarto poder”, que é cada vez mais o primeiro poder. Agora até a RTP embarca nesta onda de opressão. A ideia da Imprensa como “cão de guarda” da sociedade está obsoleta. Os cães de guarda são agora cachorrinhos amestrados. Senta! Quieto! Late!

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