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Democracia = a maioria decide

por contrário, em 14.10.15

Anda tudo num frenesim por causa da formação do próximo governo. A começar nos políticos, passando pelos comentadores e jornalistas isentos, terminando na mais humilde opinião vinda de um qualquer boteco de esquina.

 

Vamos lá tentar um ponto final na questão. Há alguém no país que saiba o que passa pela cabeça de um eleitor, além do sentido de voto que expressou no respectivo boletim? Por exemplo, quem pode afirmar que um eleitor que tenha votado no PS, não tinha em mente uma coligação com os partidos de Esquerda? Ou com a Direita? Ou até mesmo, que não pretendia que o PS se coligasse após as eleições? Quem pode aferir com exactidão este tipo de vontades que não se podem expressar nos boletins de voto? Ninguém. 

 

Mas, pelos vistos, o que não falta por aí são "Mayas" e "Professores Chibangas", gente dotada desse poder especial que é interpretar aquilo que está para além de uma cruz num boletim de voto.

 

Para colocar um ponto final na questão há que salientar apenas um "pequeno" pormenor, que dá pelo nome de Constituição. O partido que forma um governo em Portugal (país democrático) não tem que ser aquele que recolhe mais votos nas eleições. Aliás, não há nenhuma eleição que legitime directamente um primeiro-ministro ou um governo. Isso não compete aos eleitores decidir. Essa incumbência diz respeito apenas à Assembleia da República que depois de constituida irá apoiar, ou não, a formação do novo governo. É importante que as pessoas entendam, de uma vez por todas, que quando vão votar numas eleições legislativas estão a escolher os deputados que vão representar a sua "escolha" na Assembleia da República. As pessoas não escolhem primeiros-ministros, nem ministros, nem secretários-de-estado, etc. Os eleitores escolhem os deputados que vão legislar na AR, aliás, o órgão com poder legislativo por excelência, daí o nome legislativas. 

 

Portanto, são as forças que foram eleitas para o novo período legislativo que têm agora a obrigação de encontrar uma solução estável de governação. Naturalmente que tem mais força que colher mais apoios na Assembleia da República. Como toda a gente viu, excepto à Direita, a coligação PSD/CDS não conseguiu obter maioria absoluta nas eleições, tal como nenhuma outra força política. Então, quem deve formar governo? Simples. Deve formar governo a(s) força(s) política(s) que apresentem melhores condições de governabilidade. E tem melhores condições de governar quem tem maioria de apoios no parlamento. Simples.

 

É assim que dita a Constituição e é assim que funciona uma Democracia, ou seja, a maioria decide. Goste-se ou não. Aliás, não se compreende que a Direita esteja tanto em pulgas por estes dias, o seu último governo foi uma coligação parlamentar pós-eleitoral. Qual é o espanto? Como não tenho tempo para fazer um desenho aos senhores da Direita, vou colocar apenas um cenário, para ver se entendem:

 

Imagine-se que haviam 11 partidos a concorrer nas eleições legislativas, 10 desses partidos conseguiam 9% dos mandatos cada um. E depois, havia um partido que conseguia 10% de mandatos na Assembleia da República. Portanto, teríamos o cenário de um partido "vencedor" com 10% dos votos, mas com uma oposição de 90% no parlamento. Segundo os iluminados da Direita, o partido "vencedor" (com apenas 10%) deve formar governo, porque venceu. Ah e se os outros partidos que representam 90% se juntarem para formar uma alternativa de governo? A Direita diz: "Não podem". "Não é tradição". "Não podem querer vencer na secretaria". "Governa quem vence".

 

Enfim, parece que há por aí muita gente que ainda não percebeu como funciona a Democracia (goste-se ou não), principalmente à Direita.

 

 

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Alguém viu a Direita por aí?

por contrário, em 13.10.15

Por onde andam Passos e Portas? Em que ninho se enfiaram agora os cucos-políticos Marco António Costa e Nuno Melo? A estratégia parece ser a de continuar a fingir-se de mortos.

 

Quem tem falado e escrito muito sobre a actual situação política são os comentadores, esses soldados de infantaria que a Direita tem enfileirado em tudo que é canal de televisão, rádios, jornais, etc.

 

Dizem eles: “ah… não é tradição em Portugal que os partidos que não vençam as eleições possam formar governo…”, ou então, “vejam o que acontece na Alemanha, com um acordo ao centro…”. Curiosamente não usam o exemplo da Dinamarca ou da Finlândia, dois países super evoluídos que são bons exemplos para tudo, menos neste assunto. Um dia destes, a CDU ou o BE ganham mesmo as eleições (imaginemos com maioria), e vamos ter que levar com o argumento da Direita, dizendo que não podem formar governo porque não é tradição ter estes partidos no poder. Para esta gente, em Portugal vale a tradição e não a Constituição.

 

Há também aqueles que dizem que, este cenário de um partido vencer as eleições com minoria parlamentar e depois formar governo não é novo. Dito assim, parece verdade. Mas é inédito uma coligação de Direita ter vencido as eleições, tendo agora contra si uma maioria parlamentar de Esquerda. E isso faz toda a diferença.

 

Depois vêm com lérias do tipo: “BE, PCP e PS deveriam ter dito antes das eleições que se poderiam coligar…”. Exacto. Em 2011 PSD e CDS candidataram-se coligados, ou pelo menos, assumiram que o fariam depois das eleições?

 

Outros afirmam que “uma solução PS+BE+CDU é querer ganhar as eleições na secretaria…”. Não, não é na secretaria é no Parlamento (Assembleia da República) – casa da Democracia, onde os deputados eleitos estão devidamente mandatados para agir em conformidade. Em 2011 os eleitores que votaram no PSD e no CDS devem ter escrito no verso do boletim de voto que, ao votar nestes partidos, estavam a assinar por baixo qualquer coligação pós-eleitoral que as forças parlamentares destes dois partidos entendessem fazer, tal como o devem ter feito em nas eleições de 2002. Quem tem memória (quem não tem que procure, pois vai encontrar) lembra-se que a campanha em 2002 aqueceu bastante, principalmente entre PSD (Durão Barroso) e o CDS (Portas), chegando mesmo ao nível dos insultos mútuos, mas na Segunda-feira seguinte lá estavam eles a dar as mãos… Pois é! É mesmo assim. Nada de ilegítimo foi feito. Fizeram o que a Constituição lhes permitiu fazer.

 

Depois há aquele chavão que é o mais repetido, ou seja, “governa quem vence as eleições…”. Mas em que condições?

 

Dizem que não é possível o BE e a CDU abdicarem daquilo que disseram na campanha, sobretudo das críticas ao PS e perguntam: “Como podem agora entender-se?”. Dizem que se se vier a formar uma coligação tripartidária à Esquerda, será apenas para chegar ao poder, estando os partidos a abdicar das suas convicções.

 

Ai sim?

 

Então e o que disseram PSD e CDS do PS na campanha? Mais, tendo António Costa dito que jamais aprovaria um OE da coligação, como podem agora entender-se? Então, o que mais ouvimos dizer durante a campanha por parte dos elementos da coligação não foi que “António Costa e o PS estavam próximos da extrema-esquerda e até do Syriza?”. Como podem agora achar que um entendimento à Direita é mais fácil? Vejam bem! Agora, a Direita está até disposta a fazer acordos com apoiantes do Syriza.

 

A direitalha sabe muito bem que para atingir entendimentos nas negociações (à Direita), o que está sempre (e apenas) em causa é a distribuição de tachos e, nesse caso, parece que é mais fácil o PS entender-se com a coligação do que com os partidos à sua esquerda. Para a direitalha, o PR deve reconduzir o governo de Passos e Portas e depois cada partido deve assumir a sua responsabilidade na Assembleia da República. E para eles (deireitalha), a responsabilidade do PS é abdicar das suas ideias e do seu programa para facilitar a vida à coligação. Uma vez que não venceu as eleições, agora o PS tem o dever de se penitenciar com fortes chibatadas nas costas (do Costa) e, acima de tudo, deve apoiar o governo da coligação minoritária, dizem eles.

 

A direitalha acha que é o PR que decide quem deve formar governo, mas isso só porque o PR é Cavaco. A verdade é que forma governo quem apresentar a solução que dê maiores garantias de governabilidade. A pergunta é: Quem oferece maior garantia de governabilidade e de cumprir a Legislatura? Uma coligação de Direita em minoria que não consegue granjear apoios no Parlamento, ou uma maioria de Esquerda com todas as condições para governar?

 

E, já agora, na campanha de 2011 o que dizia o PSD do CDS?

 

O PSD dizia que o CDS era um partido de "pau-de-cabeleira", as hostes laranjas apelidavam Portas de "garnisé" e "aprendiz de Sócrates". Se bem que essa do “aprendiz de Sócrates” assentava melhor em Passos Coelho.

 

Em 2011, Passos dizia que se algum dia fosse necessário formar uma maioria com PSD+PS+CDS "isso seria uma salada russa que não daria resultado". Já Portas dizia que o problema do governo maioritário estaria em saber "quem poderia apresentar ao PR uma solução governativa com apoio maioritário no parlamento".

 

Entendimentos e estabilidade? Que tipo de entendimentos fizeram PSD e CDS em 2011 para poder governar em maioria? Quem abdicou do quê? Ambos afirmavam que tinham programas diferentes e ambos abdicaram de qualquer pingo de dignidade que lhes pudesse ainda restar e baixaram as calças para a troika.

 

E já se esqueceram que o líder do CDS, em 2013, demitiu-se das suas funções, deixando de apoiar o governo e chegando mesmo a chamar Passos Coelho de “irresponsável”? Chamam a isso estabilidade governativa? Tal como a estabilidade governativa do governo PSD/CDS de 2002, cujo primeiro-ministro Durão Barroso abandonou…

 

Não faço ideia sobre aquilo que o PS vai fazer. Sinceramente, acho que nem o próprio PS sabe o que deve fazer. Mas o que é realmente lamentável é ver aqueles que no Domingo à noite festejaram de forma entusiástica a vitória nas eleições, escondidinhos por aí num charco qualquer à espera que a chuva passe. Não me admirava nada que, entretanto, emergissem montados num qualquer submarino esquecido e atirarassem as culpas de tudo isto para cima do Sócrates.

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Portas de 2009 vs Portas de 2015

por contrário, em 08.10.15

No passado Domingo à noite, Passos e Portas fizeram uma declaração ao país, após a confirmação dos resultados eleitorais. Concentremo-nos nas declarações de Portas que, no final das contas, foram as mais marcantes. Mas, vamos ainda fazer melhor. Vamos comparar as declarações deste Domingo com aquelas que Portas fez na noite das eleições de 2009, quando Sócrates venceu com minoria.

 

Em 2009, Portas começou por dizer que “o povo tirou a maioria a José Sócrates”; Agora, Portas disse que “a coligação venceu as eleições, venceu com clareza e significativa distância em relação ao segundo classificado”. Ora a distância de que fala agora é de 6% a favor da coligação. Em 2009, mesmo tendo perdido a maioria absoluta, o PS ficou à frente do segundo classificado mais de 7%.

O Portas das eleições de 2009 disse que “O PS desceu de 45% para 36%”; Mas o Portas de 2015 não quis dizer que a coligação desceu de 50% para 38%... é fazer as contas.

O Portas de 2009 disse com aquele entusiasmo que o caracteriza que “O PS perdeu mais de meio milhão de votos (de 2005 para 2009)”; Já o Portas de 2015 não fez nenhuma referência aos mais de 700 mil votos que a coligação perdeu de 2011 a 2015.

O Portas de 2009 concluía que “o país recusou a arrogância e a prepotência de uma maioria absoluta transformada em poder absoluto”; mas o Portas de agora está convicto que “os portugueses disseram com total clareza que querem a coligação a governar nos próximos quatro anos”.

O Paulo Portas de 2009 exultava de alegria dizendo que ”o CDS passou a disputar outro campeonato por ter atingido 10% e ter ficado à frente do BE e da CDU”. Agora o partido de Portas ficou atrás do BE e com a CDU à perna, mas Portas, considerou oportuno afirmar que o CDS "continua a ser a 3.ª maior força política no Parlamento"… é fazer as contas.

 

Desde o primeiro segundo, após a saída dos resultados eleitorais de 2009, a oposição, em especial Passos e Portas encetaram de imediato uma campanha para derrubar o governo minoritário de Sócrates (acobertados pelo Cavaco e grande parte da comunicação social), mas agora Portas acha que "os portugueses disseram com total clareza que querem a coligação a governar nos próximos quatro anos".

 

No passado Domingo, Portas também disse que “o radicalismo de Esquerda não dá frutos”. Mas a verdade é que o BE mais que duplicou a sua representação parlamentar e assume-se agora como a terceira força política. A CDU também reforçou a votação, ainda que de forma muito mais contida.

 

E no final das suas declarações de Domingo, Portas agradeceu a Passos a campanha que fizeram em conjunto, que lhes permitiu este resultado. Então, o resultado não deveria estar relacionado com a boa (ou má) governação dos últimos quatro anos? Parece que o que conta é a campanha…

 

E agora? Agora aqueles que durante toda a campanha eleitoral andaram a colar o PS à Esquerda mais radical são os mesmos que estendem a passadeira ao PS e suplicam por entendimentos. O Portas de 2015 diz “a grande maioria parlamentar continua a ser ocupada pelos partidos do arco da governação", já não está interessado em colar o PS à extrema-esquerda, agora que precisa da sua anuência para se manter no poder e continuar a satisfazer os seus clientes.

 

Palavras para quê? É o irrevogável Portas, pois claro.

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E agora PS?

por contrário, em 06.10.15

Já muito se escreveu acerca das eleições do passado Domingo. Há opiniões para todos os gostos, o que é normal, porque os resultados eleitorais de Domingo permitem muitas interpretações. Eu optei por não escrever nada de cabeça quente aqui no Contrário, afinal, quem é que se daria ao trabalho de ler o meu blogue na noite eleitoral, ou até mesmo ontem?

 

Mas hoje apeteceu-me rabiscar qualquer coisa sobre o assunto. Não, não é por ter ficado à espera das declarações de Cavaco Silva, até porque, como se sabe, este Presidente da República não está dotado de nenhum poder que lhe permita tomar qualquer decisão que influencie a constituição do "novo" governo ou a dissolução da Assembleia da República. Portanto, o que quer que venha a acontecer terá que ser decidido no local certo - a Assembleia da República.

 

E como está a AR neste momento (ainda faltam 4 deputados por apurar)? A Assembleia da República tem 104 deputados da coligação PSD/CDS (sendo que 86 são do PSD), 85 deputados do PS, 19 de BE, 17 da CDU e 1 do PAN. Saliente-se o facto de um novo partido ter conseguido atingir a sua representatividade no Parlamento. Veja-se, há uma enorme derrota da Direita que perdeu 28 lugares na Assembleia (são mais de 700 mil votos!). Neste momento a Esquerda tem uma maioria parlamentar muito significativa, o que não significa que tenha melhores condições de governabilidade, a menos que consigam ultrapassar as barreiras que os divide há muito tempo.

 

Portanto, o grande desafio pós-eleitoral está nas mãos do PS. Tal como diz Jerónimo de Sousa, está nas mãos do PS querer ou não formar um governo de Esquerda. É totalmente verdade. Se o PS optasse por uma coligação pós-eleitoral ou algo semelhante com a CDU e o BE, ninguém poderia contestar nem impedir que isso acontecesse. Agora, o que vai fazer o PS? Ultrapassar barreiras que até agora pareciam inultrapassáveis e satisfazer a vontade da Esquerda, ou vai optar por se colar à Direita? Eu não tenho dúvidas que, no imediato, a postura do PS será a de não se encostar à Esquerda e "dar a mão" à coligação (em minoria), para deixar passar o Orçamento de Estado e outras situações pontuais. Mas atenção! Será essa a melhor atitude do PS? E, principalmente, será isso o melhor para o país? Foi isso que andaram a dizer aos portugueses?

 

António Costa disse que não aprovaria um OE da coligação. E agora, vai aprovar? Costa também disse que não apoiaria nenhuma medida que fosse contrária ao seu programa. Então, podemos esperar um governo de coligação PSD/CDS a governar com o programa do PS? Ou vamos, finalmente, ter um grande centrão a governar por tempo indeterminado?

 

Uma coisa é certa, este PS dificilmente se voltará a recompor, além das disputas e divisões internas (que continuam), terá agora que engolir sapos em nome do "interesse nacional" (esse velho argumento da Direita). Ao estabelecer acordos com a coligação, o PS estará a ultrapassar definitivamente a linha que separa a Esquerda da Direita. Quer isto dizer que muito dificilmente conseguirá capitalizar votos à Esquerda no futuro. E já deveria saber que apenas com os votos do eleitorado ao "Centro" e alguns que possa roubar à Direita, nunca será suficiente para ser governo. Já aqui havia dito isto e repito, este PS afasta-se drasticamente do seu eleitorado de Esquerda (algo que ficou bem patente nos resultados de Domingo), o único capaz de lhe conferir um resultado com maioria absoluta no futuro, algo que não mais acontecerá se o PS, depois de tudo o que se passou durante estes quatro anos e depois de tudo o que foi dito, decidir estender a mão à Direita.

 

Para terminar, que isto já vai longo, apenas uns considerandos básicos em relação aos resultados das Legislativas do passado Domingo:

 

- O CDS não é a terceira força política na AR, mas sim a quarta;

- A terceira força política é agora o BE;

- PS+BE totalizam o mesmo número de mandatos que PSD+CDS;

- Paira agora na nova AR um grande NÃO às políticas de austeridade.

 

 

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Cavaco, o atrasado...

por contrário, em 01.10.15

Cavaco Silva é aquele tipo de pessoa que está sempre atrasado no tempo, mesmo achando que é o primeiro a emitir opiniões sobre qualquer coisa, em particular, assuntos de interesse maior. Se bem se lembram, foi Cavaco Silva quem descobriu o Algarve, foi ele o primeiro a mergulhar nas águas algarvias, depois dele todos os outros, mas só depois.

 

Cavaco Silva nunca se engana e raramente tem dúvidas, segundo ele próprio. Pudera, errar em prognósticos no final do jogo seria uma obra demasiado irrealizável, até mesmo para ele - esse grande fenómeno da política portuguesa.

 

Só me lembro de uma situação em que Cavaco não se atrasou. Foi quando resolveu despachar as acções da SLN/BPN antes que a coisa descambasse... Aí ele foi, de facto, muito ladino.

 

Muito recentemente, Cavaco veio dizer a propósito das Legislativas do próximo Domingo, que já sabe muito bem aquilo que vai fazer na próxima Segunda-feira, dia seguinte às eleições. Para já, deixou cair apenas a ponta do véu dizendo que não estará presente nas cerimónias do 5 de Outubro. Sim, porque isso da Implantação da República é coisa para quem não tem mais nada que fazer e não para um Presidente da "República". Ainda por cima, nem sequer é feriado... 

 

Por acaso até concordo com esta atitude de Cavaco Silva. Como não o reconheço como Presidente da República Portuguesa, acho muito bem que não apareça nas comemorações, a sua presença seria fastidiosa.

 

Agora, se Cavaco já sabe o que tem para fazer no dia imediatamente a seguir às Legislativas, para quê realizar as eleições? Tanto dinheirinho gasto para nada. Cavaco já sabe o que vai fazer. Se tivesse sido tão rápido a anunciar esse facto como foi a vender às acções do BPN, teria poupado uns milhões ao Estado com a realização desnecessária destas eleições.

 

Realmente, Cavaco é mesmo um atrasado...

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O eleitor português é assim tão estúpido?

por contrário, em 01.10.15

Domingo à noite saberemos a resposta. É que a julgar pela maioria das sondagens e, considerando que são bem feitas, ou os eleitores portugueses são muito estúpidos ou alguém anda por aí a aldrabar à ganância.

 

Em praticamente todas as sondagens constatamos que a maioria dos inquiridos considera que:

 

- O país está bem pior que em 2011;

- Passos e Portas são os piores líderes políticos;

- Costa inspira mais confiança e é mais competente que Passos;

- Que preferem Costa a Passos, para primeiro-ministro;

- Que a principal característica de Passos Coelho é ser "mentiroso".

 

E, no entanto, a maioria dos mesmos inquiridos dizem que votariam na coligação PàF...

 

Poderíamos admitir que os inquiridos não são suficientemente representativos dos "reais" eleitores portugueses, mas isso levantaria outras questões, tais como: Tantas sondagens feitas por diferentes entidades e os resultados são praticamente os mesmos, então são representativos, ou não? Será que só inquirem eleitores estúpidos? Ou será que as sondagens nunca se realizaram? É que nunca telefonaram para minha casa e não conheço ninguém que tenha recebido uma chamada para este fim. E eu ainda conheço muita gente...

 

Das duas uma: Ou temos prestadios idiotas do lado das perguntas, ou perfeitos imbecis do lado das respostas. Domingo saberemos.

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Há por aí muito quem diga que António Costa é um protegido dos meios de comunicação social. Mas este período de pré-campanha eleitoral, para não recuar mais atrás, tem evidenciado precisamente o contrário. Não há nenhum "candidato" às próximas Legislativas que tenha sido tão encostado às cordas pelos média, como tem sido António Costa. Seria suposto que a comunicação social estivesse mais focada no "candidato" que representa o governo dos últimos quatro anos, tal como fizeram em 2010 e 2011, mas não. A comunicação social tem embarcado no esquisito tique dos partidos da Direita (PSD-CDS), que é comportarem-se como opositores à oposição e, muitas vezes, fingirem-se de mortos.

 

Não considero que a comunicação social deva tomar parte de nenhum dos lados, mas aquilo que têm feito nos últimos tempos é verdadeiramente extraordinário. Nunca um governo em Portugal foi tão incompetente, mentiroso e à margem da Lei (felizmente, existe o TC) e, no entanto, nunca a comunicação social apoiou tanto um governo como este. Ele é comentadores alaranjados por todo lado a encher ecrãs de televisão, páginas de jornais, portais de informação e até mesmo "destacados" blogues.

 

Repare-se no comportamento dos média em relação ao debate de ontem. Antes do debate, não falavam de outra coisa. E porquê? Porque quase todos apostavam numa vitória esmagadora de Passos Coelho sobre António Costa. Mas o tiro saiu-lhes pela culatra, Costa venceu Passos de uma forma tão esclarecedora que até alguns distintos PSDs o tiveram que admitir. E como se comportam os média depois do debate? Desvalorizam a importância dos debates para o resultado eleitoral, fazem alguns títulos com a melhor prestação de Costa no debate, mas sem grande ênfase, alguns até fazem títulos ligeiramente favoráveis a Costa, mas quando se vai ler a notícia, nota-se que estão vincadamente do lado de Passos Coelho.

 

Enfim, isto faz-me lembrar o comportamento que têm em relação aos jogos do Benfica. Nos dias que antecedem os jogos, não se fala noutra coisa. É conferências de imprensa em directo, é visitas dos jornalistas ao balneário, é um tal promover e enaltecer a "nação benfiquista". Mas, se o jogo correr mal ao Benfica e este perder, no final quase ninguém quer falar sobre o assunto e tenta-se camuflar o descalabro.

 

Até o Sapo se tem comportado de forma muito estranha ultimamente. No que aos blogues diz respeito (e nem me vou prolongar, agora, sobre os blogues que deixaram de aparecer nas pesquisas), então nem se fala. Os destaques do Sapo têm sido muito poupados em matéria de política e, nas poucas vezes que o têm feito, são na maioria das vezes aos mesmos de sempre, aos que costumam embarcar nos tiques de fazer oposição à oposição.

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José Sócrates foi hoje, "surpreendentemente" (só para alguns) libertado do estabelecimento prisional de Évora, estando agora detido em prisão domiciliária. Já em Junho deste ano, o juiz de instrução Carlos Alexandre havia decido que Sócrates poderia sair da prisão para ficar detido em casa, mas com pulseira electrónica, algo que sabia de antemão que seria recusado por José Sócrates.

 

O que mudou de Junho até agora? Ah pois! O super-juiz e o super-procurador fartaram-se de trabalhar durante os meses de Verão, labutaram que nem formigas para que José Sócrates pudesse finalmente regressar ao conforto do seu lar e sem estar agrilhoado. Ou será porque, tal como já aqui havia previsto (Há dúvidas?), o mês de Setembro seria muito fértil no que à "Operação Marquês" diz respeito?

 

Porquê agora senhores super-juiz e super-procurador? Porquê só agora? Porque estamos em cima da campanha eleitoral e das próximas eleições legislativas? 

 

São tantas as decisões destas duas anedotas da justiça portuguesa, que coincidem com uma calendarização que prejudica claramente o Partido Socialista, que só não vê quem não quer.

 

Ora, aproveito a oportunidade para perguntar a Paulo Rangel se acha que isto se poderia passar em Portugal, durante uma governação que não fosse do seu PSD (com ou sem CDS a contrapesar).

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A sempre séptica cabeça de Cavaco

por contrário, em 28.08.15

A boca de Cavaco Silva já não traquejava há algum tempo, algo que eu já estava a achar muito estranho, já que a sua cabeça séptica ainda se encontra em fase muito produtiva. Mas não foi preciso esperar muito para que Cavaco voltasse aos microfones do país, felizmente, os suportes que permitem o acesso à informação ainda não possibilitam sensações olfactivas a quem as acede.

 

Cavaco voltou a mandar uns bitaites sobre a campanha eleitoral, que na sua opinião está a correr muito bem. Pudera! Alguém sente algum ambiente de campanha ou pré-campanha? E é isso que Cavaco e o seu governo pretende, que não se faça muito alarido e que as coisas permaneçam muito sereninhas até às eleições. A ordem é para não mexer no vespeiro e a comunicação social (sempre isenta) tem cumprido à risca.

 

Ainda durante o seu discurso putrefactório, Cavaco não perdeu a oportunidade para voltar a espetar alfinetes à Grécia, em particular, ao Syrisa. Qualquer presidente de um Estado-membro, mesmo com um nível de dignidade rasante, jamais se atreveria a pronunciar-se sobre a actuação de um governo legitimamente eleito de outro Estado-membro, principalmente nos moldes com que o faz Cavaco Silva. Mas este senhor, que nunca conheceu o significado da palavra dignidade, não tem perdido uma única oportunidade para gozar com as escolhas livres feitas pelo povo grego, tentanto denegrir e inferiorizar as capacidades do Syrisa.

 

E porquê fazê-lo agora? Porque estamos a pouco mais de um mês das eleições legislativas em Portugal. Interessa muito a Cavaco e ao seu governo difamar e desclassificar o governo Syrisa e, automaticamente, colar os partidos portugueses da oposição (PS e partidos de esquerda) ao governo grego, tentanto passar a mensagem de que as alternativas à coligação não são confiáveis, tal como ele considera o Syrisa.

 

Só mesmo as mentes sépticas da Direita para criticar o governo Syrisa. Estes direitolas criticam o Syrisa pelo facto de terem prometido coisas que não puderam realizar, o que não é bem assim. Qualquer pessoa bem informada saberá que o Syrisa conseguiu rectificar em poucos meses, algumas coisas que os partidos da Direita andaram a destruir durante anos. Mas, admitamos que o governo liderado por Tsipras não conseguiu cumprir com o que prometeu e, nesse caso, partindo dos pressupostos doentios dos direitolas portugueses, que moral têm para criticar o Syrisa? Se, hipoteticamente, o Syrisa não cumpriu com o que prometeu, limitou-se apenas a fazer um pouquinho daquilo que o governo de coligação fez em Portugal - não cumprir com uma única promessa e baixar as calças para a troika.

 

Ainda assim, há duas grandes diferenças entre o governo Syrisa e o governo de coligação PSD/CDS. A primeira é que, não tendo podido cumprir com o que prometeu, Tsipras assumiu o fracasso (forçado pelas instituições europeias e troika) e demitiu-se das suas funções, devolvendo a palavra ao povo. Já a coligação PSD/CDS, tendo mentido de modo desavergonhado aos portugueses, não foi capaz de ter a mesma nobreza de carácter, mantendo-se agarrados ao poder com o apadrinhamento do fidalgo do Palácio de Belém. A segunda diferença é que, mesmo após o que se está a passar na Grécia, o Syrisa continua a liderar nas intenções de voto, já em Portugal a coligação não descola do segundo lugar.

 

A procissão da campanha eleitoral ainda vai no adro, mas Cavaco já lhe tomou as rédeas. E continuará a orquestrar a campanha do seu governo, tal com tem feito de forma exemplar nos últimos quatro anos. A menos que alguma cagarra lhe dê umas valentes bicadas na tola. Abençoada seja!

 

 

 

 

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Mais uma jogada à Portas

por contrário, em 05.08.15

Paulo Portas apareceu em cena para efectuar mais uma jogada das suas, daquelas que consegue iludir os mais incautos e os absolutamente crentes.

 

Em causa está a polémica sobre os debates televisivos, a decorrer durante a próxima campanha eleitoral. E no centro da polémica estava a participação do líder do CDS nos frente-a-frente. As televisões haviam proposto a realização de debates frente-a-frente entre os primeiros candidatos de cada partido/coligação, com assento parlamentar. É óbvio para toda a gente com dois dedos de testa que, estando o CDS a concorrer coligado com o PSD, naturalmente que o candidato a representar a coligação nos debates seria Passos Coelho, já que Paulo Portas aceitou convenientemente não se candidatar a primeiro-ministro nas próximas legislativas. Se assim não fosse, também Heloísa Apolónia teria direito a marcar presença nos frente-a-frente. Mais. Caso se considerasse que Paulo Portas tinha direito a marcar presença nos debates, ainda gostaria de ver o frente-a-frente entre ele o seu mais que tudo (a prazo) Passos Coelho. Sim, porque se é para debater entre líderes partidários, os dois teriam que se enfrentar. Patético!

 

Porque razão se tratou de uma jogada à Portas? Paulo Portas pode ser tudo, mas não é estúpido. Ele foi o primeiro a perceber que nunca faria sentido participar nos debates (e rejubilou com a ideia), já que é o número dois da coligação (ah... a sua vocação para ser n.º 2). Portas não perdeu a oportunidade para marcar os seguintes pontos:

 

  • Aparecer em cena;
  • Fazer a figurinha do injustiçado e do político que não tem medo de nada;
  • Provocar uma reacção negativa nos líderes do partido socialista (que cairam que nem patinhos na esparrela);
  • Enviar uma mensagem forte para dentro do seu partido mostrando que, aconteça o que acontecer, é preciso contar com o Paulinho para o futuro (também os seus seguidores cairam que nem patinhos).

 

Paulo Portas é o menos interessado em marcar presença em debates frente-a-frente. Se ele pudesse nem apareceria em acções de campanha, aliás, com toda a certeza que vai tentar passar despercebido entre os pingos da chuva. Portas sabe que é muito mais provável que o PS vença as eleições do que a coligação e, nesse caso, estará irrevogavelmente disponível para se encostar aos socialistas no poder. Caso vença a coligação, siga para bingo!

 

E, em último caso, se Paulo Portas não for tido nem achado na solução governativa para a próxima legislatura, terá sempre consigo os seus subservientes aduladores.

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