Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Este PSD é o mesmo de sempre

por contrário, em 07.10.17

São muitos os que andaram e adam por aí a dizer que “este PSD” – o de Passos Coelho – não é igual ao PSD de outros tempos. Pois eu sempre achei que este PSD não passa de uma canção do Tony Carreira, ou seja, o mesmo de sempre.

 

Há poucos dias, Pacheco Pereira escreveu que o PSD “foi fundado de uma forma sui generis, que resultou da combinação de três tradições políticas: o liberalismo político, o personalismo de origem cristã e a social-democracia”. Eu concordo com Pacheco Pereira quanto à parte do sui generis, já no que respeita às tradições políticas a coisa muda de figura. O PSD é, de facto, um partido muito peculiar. Um partido que se fundou sob a denominação de Partido Popular Democrático (PPD) e com o primordial objectivo de acolher os aprendizes e descendentes do Estado Novo. Mais tarde alterou a designação para Partido Social Democrata, com o intuito de parecer um partido democrata e com preocupações sociais. Passaram então a usar chavões como “solidariedade social” e “justiça social”, conseguindo vender (a muitos) a ideia de que se preocupavam com os mais desfavorecidos.

 

Pacheco Pereira tem meia razão noutra coisa, quando diz que o PSD incorpora a tradição do liberalismo político. Liberalismo sim, mas não é político é económico e elevado ao expoente máximo. O PSD é e sempre foi um partido de direita. Não embarquem na ideia do centro-direita ou nas oscilações à esquerda, como aludiu Pacheco Pereira. Isso não passa de habitual e dissimulada treteira do PSD. Note-se que Pacheco Pereira ainda foi mais longe dizendo que “o PSD nunca foi anti-socialista”. Não tardará muito e estarão a dizer que, afinal não são laranjas, são toranjas. Vermelhinhos por dentro, quase comunistas. Na verdade, eles estão só a um passinho de o fazer, já que também dizem que defendem a social-democracia.

 

Não vão em cantigas. O PSD de Passos Coelho não é diferente do PSD de Cavaco (do qual Pacheco Pereira fez parte) e também não será diferente do PSD que, em breve, terá um novo líder. Será apenas mais um a figurar no rol de personagens que este fingido partido já partejou.

 

Por último, e porque está na moda elogiar Passos Coelho (agora que está de saída), importa salientar que, mesmo sem querer, Passos Coelho, no meio de toda a exibição “redícula” que foi o seu reinado, foi o líder que mais conseguiu expor a verdadeira natureza do PSD. Passos Coelho fez um enorme favor aos portugueses distraídos, levantando o véu laranja para que todos pudessem enxergar um pouco do que lá vai dentro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Passos não quer qualquer um em Portugal

por contrário, em 17.08.17

No passado Domingo, deu-se no Algarve a “Festa do Pontal” do PSD. Esta “festa” marca o reinício da actividade política do PSD, ou se preferirem, a chamada “rentrée política”. Mas, note-se que, aqui, o termo “festa” não assume o carácter de festividade, alegria ou comemoração. Nada disso. No PSD, “festa” significa trabalho árduo, sacrifício e abnegação.

 

Indo directo ao que mais interessa, lá mais para o final do seu discurso, bem depois de ter criticado o aumento das pensões mais baixas, Passos Coelho mostrou-se muito preocupado com a segurança do país, tendo deixado no ar o seguinte: “O que é que vai acontecer ao país seguro que temos sido, se esta nova forma de ver a possibilidade de qualquer um residir em Portugal se mantiver?”. Acrescentou que “é por isso que o PSD é um partido que não cede à facilidade…”. Passos Coelho referia-se assim, de forma transviada, à alteração produzida na Lei da Imigração.

 

Ficou claro que Passos Coelho não quer “qualquer um” em Portugal. Já no passado, não muito distante, Passos (Primeiro-ministro de então) incentivava os desempregados a emigrarem, porque Portugal não é para “qualquer um”. O mesmo Passo Coelho, Primeiro-ministro, acolhia de braços abertos e estendia uma passadeira vermelha a cidadãos estrangeiros que manifestassem interesse em residir em Portugal. A diferença é que não podia ser “um cidadão qualquer”. Teria que ter, pelo menos, 500 mil Euros para investir numa bela moradia em Cascais, ou algo do género. Não interessava se era chinês ou brasileiro, porque Passos Coelho e o seu PSD nunca tiveram tiques de xenofobia. Também não interessava se eram cidadãos estrangeiros foragidos à Justiça do seu país e com mandado internacional de detenção, desde que tivessem 500 mil fresquinhos para investir, claro.

 

Portanto, a coerência e rectidão de Passos Coelho mantêm-se incólumes. E isto foi só a “Festa do Pontal”, que em breve deverá mudar de nome, talvez para “Sacrifício do Pontal”, porque o PSD não é um partido de festas. Esperem só pela Universidade de Verão e pela campanha das autárquicas. Vai ser lindo!

Autoria e outros dados (tags, etc)

TAPar o sol com a peneira

por contrário, em 12.06.17

Quando se pensava que Passos Coelho estava no fundo do buraco, eis que o próprio resolve demonstrar que é sempre possível afundar um pouco mais. O fundo pode ser sempre mais fundo, há sempre um ralinho que possibilita o escoamento da escória.

 

A maioria dos portugueses até já tinha esquecido a polémica privatização da TAP feita pelo Governo de Passos Coelho, para lá do tempo de descontos. O actual Governo reverteu essa privatização, sendo que Lacerda Machado (agora nomeado para o Conselho de Administração da transportadora aérea) representou o Estado Português nesse mesmo processo de reversão da entrega da empresa a privados.

 

Passos Coelho veio agora dizer que “é uma pouca vergonha” Lacerda Machado fazer parte do Conselho de Administração da TAP. Disse que “é uma vergonha para quem nomeia e para quem aceita”, alegando que há um gritante conflito de interesses. Ora, Passos Coelho não poderia recorrer a pior justificação para a sua afirmação. Onde está o conflito de interesses? Lacerda Machado representou o Estado Português no processo de reversão da privatização, e agora foi nomeado, pelo Estado, para o representar no Conselho de Administração da empresa. Onde está o conflito de interesses?

 

Passos Coelho consegue descortinar conflito de interesses na nomeação de Lacerda Machado, que se mantém no mesmo lado da barricada, quer antes quer no pós-negociação, mas não consegue enxergar, ou então tenta dissuadir o “tremendo” conflito de interesses na nomeação de Miguel Frasquilho para Presidente do Conselho de Administração. Esse, sim, apresenta um enormíssimo conflito de interesses porque, como se sabe, foi um fervoroso apoiante do Governo de Passos Coelho e das suas políticas, com especial enfoque na delapidação do património do Estado, onde se inclui a privatização da TAP. Acrescente-se que Frasquilho não será um mero vogal do Conselho de Administração, será o Presidente. Neste caso sim, faria todo o sentido as declarações de Passos Coelho. A nomeação de Miguel Frasquilho para a Presidência do Conselho de Administração da TAP é uma vergonha, para ele e para quem o nomeou. Algo que só vem demonstrar que os velhos e repugnantes hábitos entre PS e PSD não deixaram de existir. E ainda há quem pretenda criar um novo partido que se encaixe entre estes dois, como se houvesse algum espaço nesta concúbita relação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O que ainda resta a Passos Coelho?

por contrário, em 16.05.17

A economia portuguesa cresceu 2,8% no primeiro trimestre deste ano. Foi um crescimento económico recorde, o maior da década. Passos Coelho, o pressagiador do diabo, que há bem pouco tempo afirmava que o crescimento do país era medíocre quando comparado com o passado e, sobretudo, com aquele que o seu governo (PSD/CDS) deixou, veio reclamar para si e sua governação a taxa de crescimento agora divulgada.

 

Enquanto Passos esteve no governo, o país apresentou, em boa parte do tempo, taxas de crescimento negativas, excepto nos anos de 2014 (ainda assim abaixo de 1%) e 2015, ano de eleições e governação partilhada. Para Passos Coelho, que começou a governar em 2011, a taxa de crescimento de -4,03% em 2012 deveu-se às más políticas do anterior governo (o de José Sócrates), a de 2013 (-1,13%) também, mas a taxa de crescimento de 0,89% de 2014 já foi obra do seu governo, bem como a de 2015. O crescimento de 2016 já foi obra de António Costa e, para Passos, foi medíocre ou “redículo” como ele gosta de dizer. Mas eis que o primeiro trimestre de 2017 volta a apresentar um crescimento que é obra do seu governo e não do actual.

 

Portanto, tudo aquilo que acontecer de bom será obra sua e do seu governo, aquilo que correr mal ou menos bem será sempre da responsabilidade da Esquerda, independentemente da cronologia dos factos.

 

Conheço o suficiente dos políticos portugueses para saber que a esmagadora maioria gosta de manipular e dissimular, mas ainda não tinha visto nenhum com a latosa de Passos Coelho. O que será que ainda lhe resta? De cada vez que vem à tona, logo se agarra a uma bóia de betão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O discurso de Teresa Leal (ao) Coelho

por contrário, em 26.04.17

Teresa Leal Coelho oficializou o início da sua campanha eleitoral ontem, na Assembleia da República, enquanto discursava sobre o 25 de Abril. Numa data em que é habitual escutar-se os nunca demasiados discursos sobre a Liberdade, a Democracia e o anti-Fascismo (mesmo que alguns dos autores desses discursos sejam lobos com pele de cordeiro), eis que a candidata do PSD à Câmara Municipal de Lisboa decidiu mostrar a verdadeira pele e divagar num discurso anti-Marxista. Portanto, no dia em se comemora o fim da ditadura em Portugal, Teresa Leal Coelho resolve fantasiar sobre o Marxismo que, como toda a gente bem informada saberá, era a doutrina filosófica, política e económica acerrimamente defendida por Salazar e Marcelo Caetano.

 

O passado também tem demonstrado que a melhor forma de se chegar ao poder na Câmara de Lisboa é fazendo discursos sectários e que radicalizam com o eleitorado de Esquerda, logo, Teresa Leal Coelho está no bom caminho.

 

Pois, não resta nenhuma dúvida em relação à décima sétima escolha de Passos Coelho para a corrida à Câmara de Lisboa. É a melhor escolha. É aquela que melhor espelha a capacidade intelectual, política e estratégica do PSD.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Cristas já ganhou. E Passos?

por contrário, em 02.02.17

As eleições autárquicas deste ano ainda estão longe, a maioria dos candidatos ainda nem sequer se perfilou e, no entanto, já existe um candidato vencedor, neste caso concreto, uma vencedora – Assunção Cristas.

 

É verdade, Cristas ainda não foi a votos e já venceu. É óbvio que não será eleita Presidente da Câmara de Lisboa, mas também não é (nem nunca foi) esse o seu propósito. Desde que assumiu a liderança do CDS, Cristas tem um único objectivo - roubar eleitorado ao PSD – a única forma de fazer crescer o CDS. Não acredito que Passos Coelho tenha sido tão ingénuo ao ponto de não perceber as suas intenções, contudo, Cristas soube apostar (e bem) na antecipação, apresentando-se como candidata à Câmara de Lisboa, coisa que provavelmente Passos Coelho não esperava, mas devia, já que quatro anos de coligação foi tempo suficiente para que conhecesse como ninguém o seu parceiro. A partir desse momento, a Passos e ao seu PSD só restava duas hipóteses: apoiar a candidatura de Cristas ou avançar com um candidato próprio.

 

E é aqui que surge o grande dilema ao PSD que, simultaneamente constitui o momento da vitória de Cristas e do CDS. O problema do PSD é não ter um candidato forte a Lisboa (nem ao Porto…). Ao não apoiar Cristas, o PSD arrisca-se a ficar atrás do CDS e isso basta-lhes (ao CDS) para cantar vitória.

 

Note-se que o CDS tem conseguido manter uma estratégia política, apesar de ainda não ter ultrapassado o facto de não ser governo, coisa que o PSD ainda não foi capaz de fazer. O PSD não só não soube ultrapassar o trauma, como não foi nem é capaz de delinear uma estratégia política para o seu partido. Desde muito cedo que o CDS soube o que fazer em relação às duas principais candidaturas autárquicas (Lisboa e Porto) e tem-se apresentado no Parlamento com maior astúcia que o PSD, veja-se o exemplo da questão da TSU. Já o PSD é trapalhada atrás de trapalhada e candidatos de peso ao Porto e Lisboa nem vê-los.

 

No caso da candidatura ao Porto, o CDS já venceu (o PSD) ao apoiar a recandidatura de Rui Moreira, já o PSD só poderá contar com uma pesada derrota com o candidato apresentado. Em Lisboa, o PSD ainda nem sequer tem candidato. À falta de melhor, será que Passos Coelho vai ter coragem de avançar? Não me parece, Passos tem medo de medir forças com Cristas e o PSD vai acabar por apresentar um candidato qualquer. É por isso que Cristas já ganhou.

 

A estratégia de Paulo Portas para exterminar o PSD não está nada má, pois não? Ou será que alguém acredita que o estratagema é obra das cabecinhas de Cristas, Melo, Mota Soares e companhia? Executantes, meus caros. Estes são meros executantes.

 

Paulo Portas continua a comer as papas na cabeça de Passos Coelho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Almoço indigesto

por contrário, em 30.12.16

Marcelo Rebelo de Sousa convidou Passos Coelho para um almoço, esta Quinta-feira em Belém. A relação entre os dois há muito que se encontra aziumada, pelo que se supõe que este almoço tenha sido algo indigesto, pelo menos para um deles.

 

A Presidência não autorizou a captação de imagens desse almoço, pelo que não me resta outra opção que não seja conjecturar sobre esse momento.

 

Supõe-se que o almoço tenha decorrido no terraço do Palácio de Belém, onde o “cata-vento” tem melhores condições para funcionar e onde eventuais desagradáveis ventosidades podem tomar o rumo certo sem causar constrangimentos adicionais. Em ambiente fechado o ar poderia tornar-se irrespirável e como está um solinho bonito, não tenho dúvidas que a coisa deu-se mesmo no terraço.

 

Na entrada foi servido mexelhão gigante com rodelas de laranja do Algarve, fatiadas fininhas. Consta que foi necessário chamar a guarda de honra do palácio para decidir a quem coube o maior mexelhão. Como prato principal foi servido coelho frito (requentado), algo compreensível se considerarmos que o Presidente acabou de promulgar a lei que reduz as subvenções do Estado aos partidos e, como se viu há poucos dias, o Presidente é a favor do não desperdício de alimentos e do movimento “re-food” (aproveitar para alimentar). A sobremesa foi uma “obra” confeccionada pelo próprio Passos Coelho, ao abrigo do mesmo conceito de “aproveitar para alimentar”. Num gesto de cortesia e agradecimento para com o Presidente Marcelo, Passos levou um majestoso tronco de Natal que, como é sabido, costuma ter mais saída depois dos excessos natalícios.

 

Mesmo no final do almoço, num gesto de boa vontade para o futuro da relação entre ambos, o Presidente Marcelo encerrou o encontro com doze passas e um espumante nacional. A cada passa, um pequeno trago de espumante e uma resolução de Ano-Novo.

 

Passa 1

Marcelo: Que o novo ano traga muita saúde.

Passa 2

Passos: Que traga apenas saúde. “Muita” é um exagero Presidente, o país não tem condições para isso.

Passa 3

Marcelo: Que em 2017 haja mais emprego para os portugueses.

Passa 4

Passos: Sim, mais emprego para os portugueses, mas lá fora no estrangeiro como sempre defendi.

Passa 5

Marcelo: Que 2017 tenha menos défice.

Passa 6

Passos (engasgado): Ou não… - disse enquanto emborcava dois valentes tragos de espumante.

Passa 7

Marcelo: Que o novo ano traga mais crescimento económico.

Passa 8

Passos: Vou andando, Presidente…

Passa 9

Marcelo: Espera! Espera! Ainda falta… Que em 2017 o PSD tenha uma liderança mais forte.

Passa 10

Passos: Mas… Presidente… Eu tenciono liderar o PSD em 2017…

Passa 11

Marcelo: Uma passa e um brinde a isso!

Passa 12

Passos: Mas…

Marcelo (interrompe): Nem mas nem meio mas, ou começas a concordar comigo ou passas à história. Percebeste Passos? Passas à história… ehehehe… que rica passa esta hein?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Este PSD é de partir a “Caixa” a rir

por contrário, em 13.12.16

O PSD, maior partido da oposição, tem usado a Caixa Geral de Depósitos como predilecto e único assunto com o qual pretende fazer oposição ao actual governo.

 

O partido de Passos Coelho esteve no poder durante quatro anos, com maioria absoluta, e em relação aos problemas da CGD limitou-se a empurrar com a barriga e a varrer para debaixo do tapete. Agora, encontram-se inexplicavelmente agarrados à Caixa, tão agarrados que acabaram por parti-la e, a cada dia que passa,  a CGD é uma verdadeira Caixa de Pandora para o PSD.

 

Na semana passada, o Tribunal de Contas alertava para a deficiente gestão da CGD no período 2013-2015. Esta semana, ficámos também a saber (aquilo que já se suspeitava), pela Inspecção-Geral de Finanças que o governo de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque escondeu durante seis meses o aumento das imparidades no banco público. O assunto ficou escondido na gaveta até 15 dias antes das eleições legislativas, altura em que o anterior governo decidiu "despachar" os pareceres da IGF.

 

Cúmulo dos cúmulos, o mesmo PSD exige saber em comissão parlamentar de inquérito (que já solicitou com carácter de urgência) a razão pela qual António Domingues abandonou a administração da CGD. Não poderia ser mais patética a realização dessa comissão parlamentar de inquérito. Se imaginação faltar a António Domingues, poderá sempre apontar as baterias para a má gestão e negligente controlo que o anterior governo teve com a CGD. Que raio de legitimidade tem o PSD para questionar seja o que for sobre a Caixa Geral de Depósitos?

 

Querem crucificar Mário Centeno à força toda, mas parece que vão ter que cravar os pregos com a testa e com o bico virado para cima.

 

Cada vez que o PSD abre a Caixa (de Pandora) cai-lhe em cima uma nova desgraça. E não aprendem.

 

Já só dá para rir…

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ele a dar-lhe e a burra a fugir

por contrário, em 24.11.16

Passos Coelho voltou a falar sobre a proposta do Governo, relativamente ao aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN). Passos Coelho disse que “Quando o Governo vai à Concertação Social com a decisão já tomada, isso significa uma falsificação da Concertação Social”.

 

A Concertação Social é composta pelo Governo e Parceiros Sociais (patrões e sindicatos), e tem como objectivo promover o diálogo entre as partes, tendo em vista a celebração de acordos.

 

Ultimamente temos ouvido algumas individualidades falar em "acordo de longo prazo para o SMN", nomeadamente pela boca dos representantes das Confederações Patronais e pela Direita, desta feita, pelo previsível Passos Coelho. Porque será? São sempre os mesmos a quererem acordos de longo (eu diria, muito longuíssimo) prazo no que se refere ao aumento do SMN.

 

Primeiro, importa referir que a decisão de aumentar o SMN cabe ao Governo. Está na lei. Obviamente que será preferível que a decisão seja tomada depois de ouvir os parceiros sociais e é o que o Governo vai fazer. Contudo cabe ao Governo decidir sobre esta matéria. Ora, se já sabemos a qual é a proposta do Governo – aumentar o SMN para 557 euros em 2017, 580 euros em 2018 e, finalmente, os 600 euros em 2019, tal como está previsto no Programa de Governo – se já sabemos a posição das Confederações Sindicais (posição favorável) e se, somente algumas Confederações Patronais se mostraram contra estes valores, por que razão deverá o Governo decidir contrariamente àquilo que está no seu Programa? Deveria o Governo alterar o seu programa em função daquilo que os representantes dos patrões defendem?

 

Seguindo a linha ténue de raciocínio de Passos Coelho, o que é pior? Um Governo que, segundo ele, "falsifica a Concertação Social" (apenas porque pretende implementar uma medida em que acredita ser justa e que está no seu Programa), ou um Governo que é serviente aos patrões? Eu acho que sei a resposta...

 

Passos Coelho não consegue disfarçar o incómodo que sente em não ter qualquer poder de decisão nesta matéria. No início deste ano apresentou-se como candidato (único) às eleições internas do seu partido, sob o mote “Social-Democracia Sempre”, mas a verdade é que não resiste à tentação de demonstrar aqueles de quem está ao serviço e aquilo em que realmente acredita.

 

Portanto, a Concertação Social é composta por três partes (Governo, Confederações Patronais e Confederações Sindicais) sendo que apenas uma se mostra contra o aumento proposto pelo Governo. Por que razão deveria o Governo não avançar com a proposta de aumento?

 

E, para que não reste qualquer dúvida, é ao Governo que compete decidir sobre esta matéria, independentemente de o diálogo em sede de concertação social colher um apoio unânime, ou “apenas” maioritário.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O PSD não aprende

por contrário, em 17.11.16

O PSD venceu as Legislativas de Outubro de 2015, mas não percebeu que o resultado obtido não chegava para formar governo. Ainda assim, sob a protecção e patrocínio do Presidente da República de então, tudo fez para formar um governo que não tinha pernas para andar.

 

Logo de seguida, o PS formou governo com o apoio do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista e de Os Verdes. O PSD não se conformou (continua inconformado) e vaticinou que este governo (“a geringonça”, por eles apelidado) seria um fogacho, destinado ao fracasso. O PSD não percebeu nem aprendeu com o que estava a acontecer.

 

Na discussão do Orçamento do Estado para 2016, Passos Coelho disse que “o seu partido não faria qualquer proposta e que deixava essa responsabilidade aos partidos que suportam o governo”, esperançado que a coisa corresse mal. Ora, os partidos à Esquerda não se desentenderam e a coisa até nem correu mal. O PSD insistia em não aprender.

 

Ao longo deste ano foram vários os sinais de que o país estava a recuperar, lentamente, mas a recuperar e tornava-se cada vez mais evidente que “a geringonça”, afinal, até funcionava. E o que fez o PSD? O seu líder Passos Coelho prenunciou a vinda do diabo. Referia-se ao Orçamento do Estado para 2017. Passos Coelho e o seu PSD profetizavam o descalabro económico-financeiro do país e que o OE2017 seria um diabo ainda mais austero. Como já se percebeu, nada disso aconteceu e o PSD continuava sem aprender patavina.

 

O OE2017 foi aprovado na generalidade no Parlamento com os votos favoráveis do PS, BE, PCP e Os Verdes. O PSD e o CDS votaram contra. Uma vez mais o PSD fez questão de não apresentar qualquer proposta para o país. Ou seja, um ano depois, o PSD repete a cena e demonstra uma vez mais que nada aprendeu.

 

Entretanto, a agência de notação financeira DBRS manteve o rating a Portugal, a Comissão Europeia fez uma avaliação positiva do OE2017 apresentado pelo governo português, prevendo que Portugal poderá deixar o Procedimento por Défices Excessivos brevemente. Outra coisa que a CE anunciou foi que não fará nenhuma indicação para o congelamento dos Fundos Estruturais. Que chatice! O PSD não estava nada a contar com estas boas notícias. E só não contava com estas notícias porque ainda não aprendeu.

 

Acresce ainda a todo este cenário o facto de o INE ter divulgado que a economia portuguesa cresceu 0,8% no terceiro trimestre deste ano, face ao trimestre anterior e 1,6% face ao período homólogo do ano anterior. Um crescimento acima do previsto e um dos maiores da zona Euro.

 

E o que diz agora o PSD? O seu líder Passos Coelho fez saber que o PSD irá, agora, apresentar algumas propostas para o país, na discussão do Orçamento na especialidade. Passos Coelho até já fez questão de apresentar a nova estratégia do seu partido, anunciando que vai propor ao governo que parte da receita do IVA seja entregue às autarquias. Passos Coelho fala em descentralização. Uma descentralização de que não se lembrou nos quatro anos em que governou com maioria absoluta. Consta que o PSD vai apresentar mais algumas propostas, sendo que quase todas têm essa particularidade de transferir dinheiro e competências para os municípios. Portanto, está claro qual a estratégia de Passos Coelho e seu PSD – descentralizar o poder, concedendo maior capacidade de decisão aos municípios. Curioso apresentar agora estas propostas, não é?

 

Será porque as eleições autárquicas são já no próximo ano? Será pelo facto de o PSD já não ter mais nada no horizonte até essas eleições? Deve ser muito chato para quem diz que se está a lixar para as eleições.

 

A estratégia de Passos Coelho e do PSD é muito clara, passa por convencer o governo a atribuir mais poder às autarquias, que o PSD julga que vai conquistar e assim voltar a “mandar” um bocadinho no país.

 

As Autárquicas hão-de chegar e seremos, uma vez mais obrigados a constatar que, definitivamente, o PSD não aprende. 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor




Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D