Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Escola de Quadros do CDS: a frase

por contrário, em 26.11.17

Decorreu este fim-de-semana mais uma “Escola de Quados” do CDS, que passou completamente despercebida, exceptuando a intervenção do líder ex-líder do partido. Paulo Portas, que deverá ter pedido permissão ao Sr. Mota, foi à escola do CDS dar uma aula aos “jotinhas” centristas, moderados e quase santificados.

 

À semelhança das anteriores, esta “escola de quadros” não produziu nada de útil, mas serviu para reforçar a verdadeira essência deste partido e, em particular, de Paulo Portas – o dono do CDS.

 

Desta “escola de quadros” fica a seguinte frase proferida por Paulo Portas: “Os moderados têm de ser mais eles próprios no debate político e ser ofensivos e não ficar à espera que os populistas ocupem o espaço da mentira”.

 

A saber, “os moderados” a que Paulo Portas se refere são o CDS e o PSD, já “os populistas” são os partidos de esquerda.

 

Portanto, depreende-se que o “espaço da mentira” já tem dono e que deve ser defendido acerrimamente e de forma ofensiva, porque esse espaço é o garante da existência dos “moderados” e deve ser ocupado apenas por eles. Era só o que faltava vir agora essa “esquerdalha” ocupar o “espaço da mentira”, que sempre teve ilustres protagonistas.

 

Os “jotinhas” aplaudiram, agradeceram e partiram para a intifada, na desfesa de um espaço que lhes pertence.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Cristas já ganhou. E Passos?

por contrário, em 02.02.17

As eleições autárquicas deste ano ainda estão longe, a maioria dos candidatos ainda nem sequer se perfilou e, no entanto, já existe um candidato vencedor, neste caso concreto, uma vencedora – Assunção Cristas.

 

É verdade, Cristas ainda não foi a votos e já venceu. É óbvio que não será eleita Presidente da Câmara de Lisboa, mas também não é (nem nunca foi) esse o seu propósito. Desde que assumiu a liderança do CDS, Cristas tem um único objectivo - roubar eleitorado ao PSD – a única forma de fazer crescer o CDS. Não acredito que Passos Coelho tenha sido tão ingénuo ao ponto de não perceber as suas intenções, contudo, Cristas soube apostar (e bem) na antecipação, apresentando-se como candidata à Câmara de Lisboa, coisa que provavelmente Passos Coelho não esperava, mas devia, já que quatro anos de coligação foi tempo suficiente para que conhecesse como ninguém o seu parceiro. A partir desse momento, a Passos e ao seu PSD só restava duas hipóteses: apoiar a candidatura de Cristas ou avançar com um candidato próprio.

 

E é aqui que surge o grande dilema ao PSD que, simultaneamente constitui o momento da vitória de Cristas e do CDS. O problema do PSD é não ter um candidato forte a Lisboa (nem ao Porto…). Ao não apoiar Cristas, o PSD arrisca-se a ficar atrás do CDS e isso basta-lhes (ao CDS) para cantar vitória.

 

Note-se que o CDS tem conseguido manter uma estratégia política, apesar de ainda não ter ultrapassado o facto de não ser governo, coisa que o PSD ainda não foi capaz de fazer. O PSD não só não soube ultrapassar o trauma, como não foi nem é capaz de delinear uma estratégia política para o seu partido. Desde muito cedo que o CDS soube o que fazer em relação às duas principais candidaturas autárquicas (Lisboa e Porto) e tem-se apresentado no Parlamento com maior astúcia que o PSD, veja-se o exemplo da questão da TSU. Já o PSD é trapalhada atrás de trapalhada e candidatos de peso ao Porto e Lisboa nem vê-los.

 

No caso da candidatura ao Porto, o CDS já venceu (o PSD) ao apoiar a recandidatura de Rui Moreira, já o PSD só poderá contar com uma pesada derrota com o candidato apresentado. Em Lisboa, o PSD ainda nem sequer tem candidato. À falta de melhor, será que Passos Coelho vai ter coragem de avançar? Não me parece, Passos tem medo de medir forças com Cristas e o PSD vai acabar por apresentar um candidato qualquer. É por isso que Cristas já ganhou.

 

A estratégia de Paulo Portas para exterminar o PSD não está nada má, pois não? Ou será que alguém acredita que o estratagema é obra das cabecinhas de Cristas, Melo, Mota Soares e companhia? Executantes, meus caros. Estes são meros executantes.

 

Paulo Portas continua a comer as papas na cabeça de Passos Coelho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Por que foi Portas para a Mota-Engil?

por contrário, em 07.06.16

É a pergunta do dia!

 

Por que razão Paulo Portas vai assumir a função de "consultor" na Mota-Engil?

 

Esta é fácil, Portas tornou-se "consultor" do grupo Mota-Engil para poder receber e passar factura (pelo menos isso) pelos serviços que prestou ao Sr. Mota, enquanto governante.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esta é a pergunta do dia. Paulo Portas sempre deixou o cargo de deputado, tendo efectuado hoje a sua última intervenção na Assembleia da República. Mas, será que vai mesmo bater com a porta? Ou ainda vai exigir ser vice-presidente da Assembleia da República?

 

O abandono é irrevogável?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Portas não bate a porta

por contrário, em 27.05.16

Paulo Portas é um dos deputados mais faltosos da Assembleia da República. Já faltou dezasseis vezes. Só neste mês de Maio já faltou a mais de metade das sessões plenárias. Pior que o número de faltas são os assuntos aos quais cobardemente virou as costas, sem bater de vez com a porta, é que o salário de deputado (que alguns dizem que é pequeno) ainda dá um jeitão. Portas não compareceu à discussão de temas como o Orçamento do Estado, a procriação medicamente assistida e a maternidade de substituição.

 

E de quem é a culpa dessa impune bardinice dos deputados? Ainda hoje se pôde constatar que apenas cerca de metade dos deputados marcaram presença na Assembleia da República. E não tenho dúvidas que todos os que faltaram hoje, para passar um fim-de-semana de 4 dias no Algarve, não terão nenhum problema em ver aceite as suas justificações. A culpa é da própria Assembleia da República que, no Estatuto dos Deputados prevê que estes possam faltar até três vezes de forma injustificada, sendo que atingido esse limite poderá haver lugar a perda de mandato. Contudo, os deputados nunca dão faltas injustificadas. Não, eles não querem perder a rendosa diária, muito menos pôr em causa a continuidade do mandato. Podem faltar à fartazana, desde que justifiquem. E podem engenhar qualquer coisa como justificação. A Assembleia da República, que é deles, aceita tudo. No caso de Portas, parece que o mesmo tem alegado “trabalho político” para justificar o seu elevado absentismo. Alguém conhece algum trabalho político de Paulo Portas nos últimos meses?

 

Em Dezembro de 2015, Portas havia dito que abandonaria o cargo de deputado, por considerar que isso poderia ofuscar a liderança de Assunção Cristas. Contudo, já todos sabemos que aquilo que Portas diz não é para ser levado a sério. Ora, estamos no final de Maio e o "líder" do CDS ainda não renunciou ao cargo para o qual foi eleito. Entretanto, Portas já veio dizer que “está por dias” a sua saída da Assembleia da República. Deve estar à espera do final do mês, só para facilitar as contas aos processadores de salários da AR. Ou então, estará a completar alguma contagem de dias para uma futura reforma de agradável e adequado valor. Portas vai sair, disso não há dúvidas. Mas, primeiro, necessita de asseverar com a TVI o seu lugar de comentador. Portas será o próximo bitaiteiro da referida estação televisiva. Portas quer começar, desde já, a traçar “os caminhos de Marcelo”, estando convicto que isso o levará a alcançar o mesmo objectivo, ou seja, a Presidência da República, daqui a dez anos.

 

Portas é assim. Tem muita dificuldade em bater com a porta, especialmente se dessa porta saem cobres para o seu bolso. Encenou a saída da liderança do seu partido que, como todos sabemos, continua a liderar. Disse que abandonaria a Assembleia da República e, apesar de na prática já o ter feito, já que pouco intervém e poucas vezes lá vai, a verdade é que, oficialmente segue sendo deputado, com o único objectivo de ser pago por algo que, na verdade, se recusa exercer com a devida probidade. Portas seguirá agora para a TVI onde, provavelmente irá receber muito mais do que recebe enquanto deputado. Dir-me-ão que Portas até está a ser honesto, já que poderia acumular as duas funções. Mas eu digo que não. Não, por uma simples razão. A forma como Portas vai exercer o seu trabalhinho de comentador será completamente incompatível com a função de deputado que, no momento, o próprio já se recusa a exercer de forma honrada.

 

Estejam atentos e não percam as próximas sessões de malabarismo. Qual Cirque du Soleil qual quê…

Autoria e outros dados (tags, etc)

Cristas: “a safe pair of hands”

por contrário, em 13.03.16

Está a decorrer este fim-de-semana o Congresso do CDS, no Pavilhão Multiusos de Gondomar. Ouvi dizer que este congresso serviria para eleger o novo líder do partido, ou melhor, a putativa nova líder. Mas a verdade é que este congresso tem servido apenas para consagrar Paulo Portas. E como ele gosta disso.

 

Este congresso mais parece uma sucessão de testemunho dinástica, à moda norte-coreana ou angolana. Talvez por isso, Portas não tenha deixado de falar em Angola, país cujo modelo de governação ele muito preza.

 

Os trabalhos ainda não tinham começado e Nuno Magalhães já pedia ao eleitorado de centro-direita para votarem no CDS, mas diz que isso não quer dizer que deseja “desviar” votos do PSD. Disse mesmo que gostaria de ver o CDS e PSD a crescer. Que me explique como é que isso é possível, dentro do eleitorado de centro-direita.

 

Portas, por seu turno, disse claramente que quer “roubar” votos ao PSD e assim poder vir a fazer parte de uma nova “geringonça”, uma que seja mais à sua maneira.

 

Portas revelou também uma faceta que eu desconhecia, é adivinho. Ele sabe que muitos dos eleitores que, em condições normais escolheriam votar no CDS, a poucos dias das eleições mudam a sua intenção de voto porque têm medo que o PS vença ao PSD. Então, segundo Portas, é importante que as pessoas confiem no seu instinto e votem na sua primeira escolha, que é o CDS pois claro. Ficamos a saber que o PSD tem vencido algumas eleições porque são uma segunda escolha. E, se calhar, é por isso que o PSD tem convidado o CDS para fazer parte dos governos que tem liderado. E o CDS aceita, não pela sede de poder, mas porque sabe que os votos que deram a vitória ao PSD lhe pertencem e, portanto, é justo que façam parte desses governos.

 

Mas faz algum sentido este raciocínio de Portas? Note-se bem, o CDS nunca conseguirá chegar ao poder sozinho, assim como nunca será o partido mais votado numa eleição. Nunca PSD e CDS juntos formaram governo sem que tivessem uma maioria parlamentar. Qual a diferença de um governo PSD/CDS em que o PSD é o partido mais votado (vencendo o PS) e com a soma dos votos do CDS atinge a maioria parlamentar, e um governo PSD/CDS em que o PSD não é o partido mais votado (perdendo para o PS, por exemplo), mas que com a soma dos votos do CDS pode formar governo?

 

Só se vislumbra duas diferenças. A primeira é que o CDS poderá aumentar o poder dentro de uma eventual coligação com o PSD, poderá chantagear ainda mais o seu parceiro de governo e poderá abocanhar mais gamelas de poder. A segunda é que o CDS sonha poder ser o contrapeso de uma futura solução governativa, para ambos os lados. Ou seja, o sonho de Portas é que o CDS possa ser sempre “a soma de votos que fará falta, seja ao PSD seja ao PS”, para formar governo. Assim garantirá sempre uma posição de poder. É por esta linha de actuação política, entre muitos outros maus exemplos, que eu não vejo nenhuma razão na existência deste partido que, mais dia, menos dia, será definitivamente condenado a reduzir-se à insignificância. Isto é que é ter sede de poder, só pelo poder. Se um dia o BE ou PCP estivessem em condições de formar governo com a soma dos votos do CDS, estes oferecer-se-iam imediatamente para tal solução.

 

Portas, em pleno dia da "suposta" saída de cena, corta definitivamente os emporcalhados laços que uniam CDS a PSD, elegendo estes últimos como os seus principais adeversários políticos a partir de agora. Repare-se que Portas até já foi ao encontro do PS, quando sugeriu a saída do governador do Banco de Portugal. Tal como referi, já se está a pôr a jeito do PS. Isto não me surpreende. É apenas o habitual contorcionismo político de Portas.

 

Portas voltou a criticar a forma como António Costa chegou a primeiro-ministro, alegando que a partir daquele momento tudo mudou e que pode chegar ao pote do poder qualquer partido, até mesmo o CDS. Portas não sabia que isso era possível? Portas não concorda com a forma como se constituiu o actual governo, mas está mais empenhado do que nunca em usufruir de uma situação semelhante. Um artista este Portas!

 

Paulo Portas ainda não conseguiu ultrapassar a derrota. Está tão revoltado com a solução governativa encontrada, apenas porque tal coisa nunca lhe havia passado pela sua cabecinha maquiavélica e, sobretudo, porque não faz parte dela.

 

Já Nuno Melo diz que está 100% com Cristas e espera que Paulo Portas fique por perto. Eu estou em condições de sossegar a mente perturbada de Nuno Melo e garanto-lhe, desde já, que Portas não vai a lado nenhum. Ele vai estar sempre por perto, já que Cristas será “um par de mãos seguras” que assegurará que o CDS continuará a ser o partido de Paulo Portas, dele, só dele e de todos quantos queiram servi-lo. 

 

Antes de terminar, uma última consideração sobre o facto de o CDS ser o único partido político em Portugal que usa e abusa de Jesus Cristo e seus ensinamentos para obtenção de proveitos eleitorais. Uma vergonha! Um verdadeiro cristão jamais usaria o nome de Jesus Cristo e a sua doutrina para obter votos.

 

Este CDS não é uma geringonça, é uma tremenda de uma caranguejola.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quem tem Cristas canta de galo

por contrário, em 27.02.16

Assunção Cristas apresentou ontem a sua moção de candidatura à presidência do CDS-PP. Não sei porquê mas cheira-me que ela vai ser eleita...

 

Entretanto, parece que uma das propostas da "candidata-única" é deixar cair as letras "PP" da sigla do partido, que toda a gente sabe que significam "Paulo Portas", para dar um arzinho de renovação.

 

A verdade é que a candidata Cristas é a única a concorrer à liderança do seu partido, porque Paulo Portas assim determinou e ai de quem lhe ousasse fazer frente. Pois é... Quem tem Cristas canta de galo. É ou não é Paulinho?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nuno Melo não é candidato. Que pena!

por contrário, em 14.01.16

Eu estava a torcer tanto para que fosse Nuno Melo o sucessor de Paulo Portas. Com Nuno Melo, o CDS estaria definitivamente condenado ao desaparecimento. Mas Paulo Portas continua a demonstrar quem é que manda e continuará a mandar no “seu” partido. Ao contrário do que afirmou Nuno Melo na declaração que fez ao início da tarde, o CDS continua a ser o partido de um homem só – Paulo Portas – e foi ele quem escolheu Cristas para ocupar o “seu” lugar. Portas que, segundo consta é um “burro autenticamente”, não é estúpido. Sabe muito bem que Assunção Cristas é a melhor candidata, é aquela que conseguirá dar continuidade ao “portismo” e manter as tropas enfileiradas, é quem está em melhores condições de obedecer às ordens de Portas e que mais facilmente conseguirá cativar a simpatia do eleitorado.

 

Acerca das justificações de Nuno Melo para não se candidatar agora, importa salientar o seguinte:

 

- Nuno Melo disse que “cumpriu todos os mandatos para que foi eleito…” e que agora é “eurodeputado…” e pretende cumprir o mandato. Todos sabemos que Nuno Melo adora cumprir mandatos. Assim como também sabemos que nunca teve, não tem, nem nunca terá outra forma de “ganhar a vida”, que não seja à custa dos contribuintes. Cumpre religiosamente os seus mandatos, com especial prazer nas consultas que faz ao saldo da conta bancária no final de cada mês.

 

- Fez questão de recalcar que é eurodeputado e que, por essa razão, não terá disponibilidade para estar sempre presente na vida política nacional, onde o líder do CDS tem como principal missão confrontar o Primeiro-ministro e seu governo. Pois não parece que assim seja. Nuno Melo passa mais tempo em Portugal do que em Bruxelas, dedica todo o seu tempo a falar da política nacional, do PS, de Sócrates e agora, de toda a esquerda. E não se lhe reconhece nenhuma medida ou pensamento político que tenha implementado a partir de Bruxelas.

 

- Disse ainda que “os deputados eleitos nas listas do CDS são mandatos ao serviço do partido”. É bom ouvir Nuno Melo assumir que os deputados do CDS não estão ao serviço das pessoas que neles votaram, mas sim ao serviço do partido. Não é que eu já não soubesse, mas é sempre bom ter estas declarações feitas pelos próprios.

 

- Por último, importa ainda salientar que para Nuno Melo, “a Assembleia da República é o centro da vida política nacional…”. Eu sempre considerei isso um facto consumado, mas desconhecia que Nuno Melo pensasse dessa forma.

 

Pois é… Nuno Melo queria muito avançar para a liderança, queria cantar de galo, mas ainda lhe falta a crista.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Portas, o "Messias"

por contrário, em 29.12.15

Por que razão decidiu anunciar, neste momento, a sua saída? É certo que os ratos costumam abandonar o navio quando este se está a afundar, mas segundo vozes do próprio CDS, “Paulo Portas é um dos melhores políticos da Europa”, então, agora mais do que nunca é que Portas se deveria empenhar na liderança do seu partido. Dentro de portas todos o amam, é o melhor, um verdadeiro líder e, quando a casa está a arder, o ídolo vai-se embora?

 

Portas decide abandonar neste momento, porque depois da atitude vergonhosa da sua bancada parlamentar (orquestrada por ele mesmo) na passada semana, aquando do voto contra o Orçamento Rectificativo (por causa do Banif), não lhe restava alternativa. Não porque ele esteja preocupado com valores como a dignidade, mas porque só assim consegue deixar acesa a chama que o trará à ribalta num futuro próximo. Como poderia continuar a submergir (e “submergir” é o verbo de Portas) em pleno Parlamento, sempre que as coisas apertassem?

 

Na sua declaração, Portas afirmou que se estivesse no governo também deixaria a liderança do partido, mas não deixaria o lugar no governo. Ora, estando na oposição, opta por deixar de liderar o partido e deixar também o lugar de deputado na Assembleia da República. A isto chama-se fugir como um rato, ou então, é apenas a dualidade de critérios habitual em Portas.

 

Mas, porquê agora? Porque não esperou pelo período pós-presidenciais? Só pode ser para causar maior impacto, perturbar o ambiente de pré-campanha e tentar, como sempre, fomentar a relevância pessoal. Portas está sempre a actuar em nome próprio. Portas não quer saber do partido que, aliás, há muito deixou de ser o CDS para se tornar no seu próprio partido – o PP de Paulo Portas.

 

Portas aproveita ainda este momento – campanha eleitoral para as presidenciais – para tentar perturbar os acontecimentos, quer chamar a si a atenção política e, bem no fundo, ele quer também dar uma facadinha em Marcelo Rebelo de Sousa, porque Portas não esquece.

 

Há quem ache que o CDS está agora condenado à irrelevância, mas a verdade é que o CDS já não tem qualquer relevância há muito tempo. Portas concentrou em si toda a importância que um partido (ainda que pequeno) deveria ter. Portas direccionou o “seu” partido sempre numa trajectória de consecução de ambições pessoais. Agora deixa-o entregue aos ganapos que o serviram desde o início, na esperança de que o partido se aguente até ao momento em que decida reaparecer em cena novamente. E isso pode ser muito antes do que se pensa, tudo vai depender da intensidade do cheiro da carniça.

 

Fala-se de Melos, Cristas, Soares, Almeidas ou Correias para a sucessão, e reparem que “sucessão” é o substantivo certo. São as marionetas de Paulo Portas. E, para mim, o partido que há muito era uma espécie de “sociedade unipessoal”, apesar de ter vários imitadores baratos do seu comandante (“comandante” é mesmo o substantivo correcto) está condenado à sua congénita insignificância. Veremos se o CDS se vai tornar, novamente, no “partido do táxi” ou no “partido do tuk-tuk”. Se o sucessor for o Mota Soares, é provável que se torne no “partido da lambreta”.

 

A verdade é que Portas vai sair de cena. O "caso Banif" foi a primeira bomba deixada pelo anterior governo a rebentar e Portas sabe que muitas outras irão estourar em breve. Esta "manobra" foi apenas o concretizar de mais uma "saída limpa", à Portas. Talvez Coelho lhe siga os passos em breve.

 

Mas Portas – o "Messias" – disse-lhes: “Não tenham medo”.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Mas afinal, o que significa BFF?

por contrário, em 04.12.15

Ontem, quando ouvi Paulo Portas a usar a sigla BFF no Parlamento, passou-me pela cabeça que este iria fazer ali uma espécie de mea-culpa, e que iria desatar a esclarecer o enorme rol de trapalhadas em que o seu passado político está assente. Assim de repente, mal ouvi a boca de Portas soletrar a sigla BFF, só me ocorreram coisas do tipo:

 

Bataglia, Ferreira e Finórios

ou,

Bofunfa Fornecida em Fatias

ou,

BES, Financiamentos e Ferrostaal

ou,

Branquamento, Fotocópias e Ficheiros

ou,

Barafunda, Feiras e Feirinhas

ou até mesmo,

Bichonas Frescas e Fofas

 

Mas, afinal não, Portas quis referir-se à expressão "Best Friends Forever" que, no caso concreto, alude à suposta relação de grande e duradoura amizade entre os partidos PS, BE e PCP. Então, logo percebi que Paulo Portas continua a ser o mesmo de sempre, agora mais evidente do que nunca, pois como já aqui referi, a verdadeira essência de um direitola vê-se quando ele está na oposição e não no poder.

 

Realmente, não se me ocorre ninguém melhor do que Paulo Portas para falar sobre "relações de amizade", nomeadamente aquelas que ele julga como definitivas. Portas é, talvez, a pessoa ideal para falar sobre amizades em política. Basta recordar a constância afectiva que Paulo Portas sempre teve em relação a Cavaco, em relação a Durão Barroso, em relação a Marcelo Rebelo de Sousa, em relação a Manuel Monteiro, em relação a Passos Coelho (e aqui o melhor ainda está para vir, ou então já que o Portas gosta tanto de estrangeirismos, TBIYTC, que significa "The Best Is Yet To Come") e até mesmo na relação emotiva e irrevogável que ele mantém com a sua própria pessoa.

 

Paulo Portas continua o mesmo de sempre. Um "burro autenticamente", como dizia o outro.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Posts mais comentados


Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D