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O PCP e o BE são… o mundo!

por contrário, em 03.11.17

Os últimos tempos têm demonstrado que o PCP e o BE são “o mundo”. E quem o afirma é a direita parlamentar portuguesa (PSD/CDS), sendo que a novidade foi veiculada aos quatro ventos, por intermédio da sempre expedita comunicação social e alguns soldadinhos disciplinados que nela têm lugar cativo.

 

A muito tradicional direita parlamentar sempre se pautou pela retórica de condenação ao exílio dos partidos de esquerda, em especial o PCP e o BE. A direita teve sempre o hábito de marginalizar os partidos de esquerda com menor representatividade parlamentar. Sempre se dirigiram a esses dois partidos com sobranceria, excluindo-os sempre daquilo que são as principais decisões políticas para o país.

 

Também já todos ouvimos a direita dizer que o actual governo socialista não pode contar com os restantes partidos de esquerda, que está isolado, com a mesma rapidez com que afirmam que o PS está refém desses mesmos partidos para poder governar. Confuso?

 

Aquando dos polémicos episódios de Pedrógão, Tancos, tragédia de 15 de Outubro e outra vez Tancos, a direita e seus afiliados vieram para a praça gritar: “O que seria se tudo isto acontecesse durante a governação da direita de Passos Coelho?”. Pergunta essa que os próprios se apressavam a responder que “se estivesse a direita de Passos Coelho no poder caía-lhe o mundo em cima”, “se fosse com Passos Coelho, o PCP e o BE não estariam tão calados e caíam-lhe em cima”. Portanto, a esquerda (PCP e BE), vista pela direita como insignificante é, quando interessa, o mundo para a mesma direita.

 

É um facto incrível que PSD e CDS consigam ser ainda mais incompetentes na oposição do que quando estão no poder, caso contrário não estariam tão desesperados em ver o PCP e o BE fazer oposição ao governo. Faziam-no sozinhos. Mas para isso era preciso competência. Em boa verdade, PSD e CDS gostariam de ter o PCP e o BE do seu lado, numa geringonça de oposição. Para a direita, o PCP e o BE são mesmo o mundo.

 

Quanto à aparentemente inquietante pergunta formulada pela direita, eu responderia o seguinte: “Se fosse a direita de Passos Coelho que estivesse no poder, não teria acontecido nada”. Simples.

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Este PSD é o mesmo de sempre

por contrário, em 07.10.17

São muitos os que andaram e adam por aí a dizer que “este PSD” – o de Passos Coelho – não é igual ao PSD de outros tempos. Pois eu sempre achei que este PSD não passa de uma canção do Tony Carreira, ou seja, o mesmo de sempre.

 

Há poucos dias, Pacheco Pereira escreveu que o PSD “foi fundado de uma forma sui generis, que resultou da combinação de três tradições políticas: o liberalismo político, o personalismo de origem cristã e a social-democracia”. Eu concordo com Pacheco Pereira quanto à parte do sui generis, já no que respeita às tradições políticas a coisa muda de figura. O PSD é, de facto, um partido muito peculiar. Um partido que se fundou sob a denominação de Partido Popular Democrático (PPD) e com o primordial objectivo de acolher os aprendizes e descendentes do Estado Novo. Mais tarde alterou a designação para Partido Social Democrata, com o intuito de parecer um partido democrata e com preocupações sociais. Passaram então a usar chavões como “solidariedade social” e “justiça social”, conseguindo vender (a muitos) a ideia de que se preocupavam com os mais desfavorecidos.

 

Pacheco Pereira tem meia razão noutra coisa, quando diz que o PSD incorpora a tradição do liberalismo político. Liberalismo sim, mas não é político é económico e elevado ao expoente máximo. O PSD é e sempre foi um partido de direita. Não embarquem na ideia do centro-direita ou nas oscilações à esquerda, como aludiu Pacheco Pereira. Isso não passa de habitual e dissimulada treteira do PSD. Note-se que Pacheco Pereira ainda foi mais longe dizendo que “o PSD nunca foi anti-socialista”. Não tardará muito e estarão a dizer que, afinal não são laranjas, são toranjas. Vermelhinhos por dentro, quase comunistas. Na verdade, eles estão só a um passinho de o fazer, já que também dizem que defendem a social-democracia.

 

Não vão em cantigas. O PSD de Passos Coelho não é diferente do PSD de Cavaco (do qual Pacheco Pereira fez parte) e também não será diferente do PSD que, em breve, terá um novo líder. Será apenas mais um a figurar no rol de personagens que este fingido partido já partejou.

 

Por último, e porque está na moda elogiar Passos Coelho (agora que está de saída), importa salientar que, mesmo sem querer, Passos Coelho, no meio de toda a exibição “redícula” que foi o seu reinado, foi o líder que mais conseguiu expor a verdadeira natureza do PSD. Passos Coelho fez um enorme favor aos portugueses distraídos, levantando o véu laranja para que todos pudessem enxergar um pouco do que lá vai dentro.

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Rescaldo das Autárquicas

por contrário, em 03.10.17

Todos testemunhámos a algazarra que foi a campanha para as Autárquicas. E, por esta altura, já quase todos se terão apercebido dos principais resultados das eleições de Domingo. Basicamente, sabe-se que o PS teve o maior resultado de sempre em Autárquicas (mais presidentes de câmara e mais presidentes de junta), o PSD teve o pior resultado de sempre, a CDU perdeu algum do seu considerável poder autárquico, o BE teve um resultado moderado e o CDS teve uma “mais que previsível” subida.

 

Vamos lá aos principais destaques destas eleições autárquicas:

 

- Nas duas maiores cidades (Lisboa e Porto) parece que venceram as segundas listas mais votadas. Em Lisboa, Assunção Cristas festejou como se tivesse ganho, cerca de 20% dos votos bastaram-lhe para se assumir como a grande vencedora da noite, logo ela que se fartou de afirmar que o objectivo era vencer a Câmara em Lisboa. No Porto, Manuel Pizarro mostrou-se mais eufórico que nunca. Bradou aos ouvidos de quem ainda fez o favor de o ouvir “que o PS foi o partido que mais subiu a votação em relação a 2013”. Há sempre um lado positivo em tudo, não é verdade? Esqueceu-se, ou tentou fazer os outros esquecerem-se que, em 2013, Rui Moreira não teve maioria absoluta (precisando do PS para governar) e agora teve. A grande subida de Manuel Pizarro pouco ou nada lhe valerá, mas ele lá estava todo sorridente, tentando dissipar qualquer dúvida que possa cair sobre a sua liderança na maior distrital do PS.

 

- Isaltino Morais está de regresso à presidência da Câmara de Oeiras. E isso é crime? É sinal de que a maioria dos eleitores de Oeiras é estúpida? Ou é apenas uma das peculiaridades do sistema democrático?

 

- Já o major Valentim Loureiro não teve a mesma sorte em Gondomar. Quedou-se pelos 20% de votos, a mesma percentagem que deu uma vitória estrondosa a Cristas em Lisboa. Diga-se que Valentim não conseguiu nem metade dos votos do candidato do PS, Marco Martins, que venceu com maioria absoluta. Os eleitores de Gondomar são mais inteligentes que os de Oeiras? Pode até ser, mas creio que a principal razão da derrota do major foi o facto de Marco Martins ser um recandidato de valor, que dificilmente perderia a presidência da Câmara.

 

- Narciso Miranda (outro dinossauro) também não teve muita sorte em Matosinhos. Se bem que, ter que escolher entre o socialista “independente” Narciso Miranda e a socialista “oficial” Teresa Salgueiro venha o Passos Coelho e escolha.

 

- Gaia também merece destaque. O recandidato à Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues conseguiu uma brutal subida de votação face às eleições de 2013, em termos percentuais, só a subida é mais do que a votação de Cristas em Lisboa (e eu a dar-lhe). Note-se ainda que, no concelho de Gaia todas as freguesias são agora socialistas, algo que muita gente não acreditaria que pudesse ser possível, depois de 4 intermináveis mandatos de Menezes (entre 1997 e 2013).

 

Uma breve referência ainda para Castanheira de Pêra, onde a cantora Ágata era candidata pelo CDS, em segundo lugar na lista à Câmara. Ágata estava convicta de que conseguiria replicar a influência que a sua presença causa à cidade de Chaves, onde reside. E não é que Ágata e o CDS estavam certos em relação ao seu poder de influência. As gentes de Castanheira de Pêra não lhe ficaram indiferentes e presentearam-na com 90 vigorosos votos.

 

Falta ainda falar em Loures, onde o PSD não conseguiu ir além do 3.º lugar com cerca de 21,5% dos votos. No entanto, André Ventura pediu ao PSD para pôr os olhos em Loures. Realmente, se fosse em Lisboa dava para ficar à frente de Assunção Cristas. Mas… muita atenção à freguesia da Lousa, pode estar ali o tubo de ensaio…

 

Para terminar, resta-me apenas salientar o facto de muitos órgãos de comunicação social não terem dado muita importância aos resultados eleitorais de 1 de Outubro, parecendo até um pouco confundidos com a falta de autenticidade e ilegalidade do referendo na Catalunha. Até deram a impressão que estas eleições autárquicas não foram a valer. Alguns jornalistas optaram por estar de folga nesta Segunda-feira (onde tanto poderia ser dito/escrito), sendo que outros preferiram destacar o insípido clássico de Alvalade.

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Maria Almadense Cascalense de Braga

por contrário, em 23.09.17

Maria Luís Albuquerque é natural de Braga, reside em Cascais e é candidata à Presidência da Assembleia Municipal de Almada. Quando tomei conhecimento destes factos lembrei-me logo do Zé Brasileiro Português de Braga. Maria Luís Albuquerque ainda se arroga conhecer melhor os problemas de Almada do que as pessoas que lá vivem. E para ajudar ainda mais à festa, a sua principal promessa é baixar os impostos no concelho. Parece que é a sua especialidade... Vá, não se riam que o assunto é sério.

 

Maria Almadense Cascalense de Braga

Swaps na sacola e a baía aos pés

Vendeste o que pudeste, compraste quem és

Tua pedantice é um fenómeno das marés

Maria Almadense Cascalense de Braga

Não largas as calças do aluno preferido

Que te mantém à tona, é mesmo um querido

Na "Riviera Portuguesa" e outras avenidas

Comeis caviar, não há noites perdidas

Com a algibeira cheia de massa salarial

Paga pelo povo ou pela Arrow Global?

De Cascais a Almada é um salto de pardal

Maria que te divides em quantas puderes

Que conheces Almada melhor que os eleitores

Mas o povo até do Cristo-Rei enxerga o mar profundo

Maria Almadense Cascalense de Braga

Cascalense do mundo

(Em breve vai ao fundo)

 

(Inspirado no "Zé Brasileiro Português de Braga" de António Sala e Vasco de Lima Couto)

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Passos não quer qualquer um em Portugal

por contrário, em 17.08.17

No passado Domingo, deu-se no Algarve a “Festa do Pontal” do PSD. Esta “festa” marca o reinício da actividade política do PSD, ou se preferirem, a chamada “rentrée política”. Mas, note-se que, aqui, o termo “festa” não assume o carácter de festividade, alegria ou comemoração. Nada disso. No PSD, “festa” significa trabalho árduo, sacrifício e abnegação.

 

Indo directo ao que mais interessa, lá mais para o final do seu discurso, bem depois de ter criticado o aumento das pensões mais baixas, Passos Coelho mostrou-se muito preocupado com a segurança do país, tendo deixado no ar o seguinte: “O que é que vai acontecer ao país seguro que temos sido, se esta nova forma de ver a possibilidade de qualquer um residir em Portugal se mantiver?”. Acrescentou que “é por isso que o PSD é um partido que não cede à facilidade…”. Passos Coelho referia-se assim, de forma transviada, à alteração produzida na Lei da Imigração.

 

Ficou claro que Passos Coelho não quer “qualquer um” em Portugal. Já no passado, não muito distante, Passos (Primeiro-ministro de então) incentivava os desempregados a emigrarem, porque Portugal não é para “qualquer um”. O mesmo Passo Coelho, Primeiro-ministro, acolhia de braços abertos e estendia uma passadeira vermelha a cidadãos estrangeiros que manifestassem interesse em residir em Portugal. A diferença é que não podia ser “um cidadão qualquer”. Teria que ter, pelo menos, 500 mil Euros para investir numa bela moradia em Cascais, ou algo do género. Não interessava se era chinês ou brasileiro, porque Passos Coelho e o seu PSD nunca tiveram tiques de xenofobia. Também não interessava se eram cidadãos estrangeiros foragidos à Justiça do seu país e com mandado internacional de detenção, desde que tivessem 500 mil fresquinhos para investir, claro.

 

Portanto, a coerência e rectidão de Passos Coelho mantêm-se incólumes. E isto foi só a “Festa do Pontal”, que em breve deverá mudar de nome, talvez para “Sacrifício do Pontal”, porque o PSD não é um partido de festas. Esperem só pela Universidade de Verão e pela campanha das autárquicas. Vai ser lindo!

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BPN: então e o Dias Loureiro?

por contrário, em 24.05.17

Está marcada para hoje a leitura do acórdão do processo principal do BPN. Pelo que temos assistido em situações análogas não é de esperar grandes surpresas, até porque essas ficaram de fora do processo.

 

Uma das grandes surpresas a que me refiro foi o facto de Dias Loureiro não ter sido acusado de nada. Daí que a grande pergunta que quase toda a gente faz é: Por que razão Dias Loureiro não foi acusado?

 

São conhecidas pelo menos 147.500 razões que, por sua vez, perfilharam mais 209.400 razões. O facto de Dias Loureiro ter sido secretário-geral do PSD enquanto outra razão era Presidente do mesmo, também deve ter contribuído. Dias Loureiro também foi ministro no governo dessa bela razão. Dias Loureiro foi ainda um dos arquitectos da campanha eleitoral para as Presidenciais da maior razão e, pouco depois, tornou-se Conselheiro de Estado enquanto a razão tentava presidir à nação.

 

Há ainda, pelo menos, uma aldeia repleta de luxuosos lotes de razões, que fica lá para os lados da Coelha e que eventualmente safaram Dias Loureiro da acusação.

 

E por último, não nos podemos esquecer das inúmeras contas offshores espalhadas um pouco por todo o mundo, que encavacariam muitos bons nomes, mas para isso era preciso que fosse produzida acusação a Dias Loureiro e que ele cuspisse tudo. Algo que não aconteceu.

 

Em Portugal é assim. Há dias bons e há dias loureiros. Cheira-me que hoje é mais um dia loureiro para a justiça portuguesa.

 

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O discurso de Teresa Leal (ao) Coelho

por contrário, em 26.04.17

Teresa Leal Coelho oficializou o início da sua campanha eleitoral ontem, na Assembleia da República, enquanto discursava sobre o 25 de Abril. Numa data em que é habitual escutar-se os nunca demasiados discursos sobre a Liberdade, a Democracia e o anti-Fascismo (mesmo que alguns dos autores desses discursos sejam lobos com pele de cordeiro), eis que a candidata do PSD à Câmara Municipal de Lisboa decidiu mostrar a verdadeira pele e divagar num discurso anti-Marxista. Portanto, no dia em se comemora o fim da ditadura em Portugal, Teresa Leal Coelho resolve fantasiar sobre o Marxismo que, como toda a gente bem informada saberá, era a doutrina filosófica, política e económica acerrimamente defendida por Salazar e Marcelo Caetano.

 

O passado também tem demonstrado que a melhor forma de se chegar ao poder na Câmara de Lisboa é fazendo discursos sectários e que radicalizam com o eleitorado de Esquerda, logo, Teresa Leal Coelho está no bom caminho.

 

Pois, não resta nenhuma dúvida em relação à décima sétima escolha de Passos Coelho para a corrida à Câmara de Lisboa. É a melhor escolha. É aquela que melhor espelha a capacidade intelectual, política e estratégica do PSD.

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Ei malta do PSD e CDS!

por contrário, em 16.02.17

Tenho um aviso importante a fazer à malta do PSD e do CDS. É informação quente, quentinha! Esqueçam os SMS (mensagens escritas) trocados entre Mário Centeno e António Domingues, aí não vão encontrar nada. Já agora, quem é que ainda se dá ao cuidado de guardar as mensagens escritas por tanto tempo? Se de facto as guardaram é porque não há nada que os comprometa. Mas isso é outra história.

 

Eu sempre achei que os assuntos sérios se discutiam pessoalmente e as decisões ficavam firmadas em documentos próprios, mas estas modernices tecnológicas vieram alterar todas as regras. Qualquer dia o Conselho de Ministros ou o Conselho de Estado fazem-se por chat no facebook.

 

Mas vamos ao que realmente interessa, o PSD e o CDS têm muita razão em continuar desconfiados sobre se o Ministro das Finanças mentiu ou não, porque o país não pode andar para a frente com esta dúvida por esclarecer. Eu até já nem ando a dormir bem por causa disso. Reparem, o crescimento económico de Portugal atingiu quase os 2% no último trimestre de 2016, contribuindo para um crescimento do PIB de 1,4%, acima daquilo que o Governo e a Comissão Europeia previram. Imaginem se Mário Centeno não tivesse andado a trocar SMS com o senhor António Domingues. O país teria crescido uns 30%, pelo menos.

 

Portanto, a economia portuguesa cresceu acima da média europeia, mas o que importa é saber se Centeno mentiu ou não, mesmo que essa eventual mentirinha não atinja a dimensão das mentiras de Maria Luís Albuquerque, aquando da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os contratos swap

 

Por isso, malta do PSD e CDS se querem entalar definitivamente o Mário Centeno, eu tenho a solução, ou melhor, a NASA tem a solução. Sim, a NASA! Eu sei, de fonte segura, que a NASA captou, através de imagens de satélite (100% nítidas), mensagens de fumo que Mário Centeno trocou com António Domingues. Aí sim, pode-se constatar todas as mentiras. Numa das imagens de satélite até dá para ver o nariz do Centeno a crescer. Esqueçam os SMS. Foi através de mensagens de fumo que Mário Centeno mentiu descaradamente.

 

Centeno não é nenhum ingénuo. O homem sabe fazê-las. Vá… Vão pedir essas imagens à NASA e entalem o homem de uma vez, que eu já estou a ficar farto disto.

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Cristas já ganhou. E Passos?

por contrário, em 02.02.17

As eleições autárquicas deste ano ainda estão longe, a maioria dos candidatos ainda nem sequer se perfilou e, no entanto, já existe um candidato vencedor, neste caso concreto, uma vencedora – Assunção Cristas.

 

É verdade, Cristas ainda não foi a votos e já venceu. É óbvio que não será eleita Presidente da Câmara de Lisboa, mas também não é (nem nunca foi) esse o seu propósito. Desde que assumiu a liderança do CDS, Cristas tem um único objectivo - roubar eleitorado ao PSD – a única forma de fazer crescer o CDS. Não acredito que Passos Coelho tenha sido tão ingénuo ao ponto de não perceber as suas intenções, contudo, Cristas soube apostar (e bem) na antecipação, apresentando-se como candidata à Câmara de Lisboa, coisa que provavelmente Passos Coelho não esperava, mas devia, já que quatro anos de coligação foi tempo suficiente para que conhecesse como ninguém o seu parceiro. A partir desse momento, a Passos e ao seu PSD só restava duas hipóteses: apoiar a candidatura de Cristas ou avançar com um candidato próprio.

 

E é aqui que surge o grande dilema ao PSD que, simultaneamente constitui o momento da vitória de Cristas e do CDS. O problema do PSD é não ter um candidato forte a Lisboa (nem ao Porto…). Ao não apoiar Cristas, o PSD arrisca-se a ficar atrás do CDS e isso basta-lhes (ao CDS) para cantar vitória.

 

Note-se que o CDS tem conseguido manter uma estratégia política, apesar de ainda não ter ultrapassado o facto de não ser governo, coisa que o PSD ainda não foi capaz de fazer. O PSD não só não soube ultrapassar o trauma, como não foi nem é capaz de delinear uma estratégia política para o seu partido. Desde muito cedo que o CDS soube o que fazer em relação às duas principais candidaturas autárquicas (Lisboa e Porto) e tem-se apresentado no Parlamento com maior astúcia que o PSD, veja-se o exemplo da questão da TSU. Já o PSD é trapalhada atrás de trapalhada e candidatos de peso ao Porto e Lisboa nem vê-los.

 

No caso da candidatura ao Porto, o CDS já venceu (o PSD) ao apoiar a recandidatura de Rui Moreira, já o PSD só poderá contar com uma pesada derrota com o candidato apresentado. Em Lisboa, o PSD ainda nem sequer tem candidato. À falta de melhor, será que Passos Coelho vai ter coragem de avançar? Não me parece, Passos tem medo de medir forças com Cristas e o PSD vai acabar por apresentar um candidato qualquer. É por isso que Cristas já ganhou.

 

A estratégia de Paulo Portas para exterminar o PSD não está nada má, pois não? Ou será que alguém acredita que o estratagema é obra das cabecinhas de Cristas, Melo, Mota Soares e companhia? Executantes, meus caros. Estes são meros executantes.

 

Paulo Portas continua a comer as papas na cabeça de Passos Coelho.

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Este PSD é de partir a “Caixa” a rir

por contrário, em 13.12.16

O PSD, maior partido da oposição, tem usado a Caixa Geral de Depósitos como predilecto e único assunto com o qual pretende fazer oposição ao actual governo.

 

O partido de Passos Coelho esteve no poder durante quatro anos, com maioria absoluta, e em relação aos problemas da CGD limitou-se a empurrar com a barriga e a varrer para debaixo do tapete. Agora, encontram-se inexplicavelmente agarrados à Caixa, tão agarrados que acabaram por parti-la e, a cada dia que passa,  a CGD é uma verdadeira Caixa de Pandora para o PSD.

 

Na semana passada, o Tribunal de Contas alertava para a deficiente gestão da CGD no período 2013-2015. Esta semana, ficámos também a saber (aquilo que já se suspeitava), pela Inspecção-Geral de Finanças que o governo de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque escondeu durante seis meses o aumento das imparidades no banco público. O assunto ficou escondido na gaveta até 15 dias antes das eleições legislativas, altura em que o anterior governo decidiu "despachar" os pareceres da IGF.

 

Cúmulo dos cúmulos, o mesmo PSD exige saber em comissão parlamentar de inquérito (que já solicitou com carácter de urgência) a razão pela qual António Domingues abandonou a administração da CGD. Não poderia ser mais patética a realização dessa comissão parlamentar de inquérito. Se imaginação faltar a António Domingues, poderá sempre apontar as baterias para a má gestão e negligente controlo que o anterior governo teve com a CGD. Que raio de legitimidade tem o PSD para questionar seja o que for sobre a Caixa Geral de Depósitos?

 

Querem crucificar Mário Centeno à força toda, mas parece que vão ter que cravar os pregos com a testa e com o bico virado para cima.

 

Cada vez que o PSD abre a Caixa (de Pandora) cai-lhe em cima uma nova desgraça. E não aprendem.

 

Já só dá para rir…

 

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