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Durão “Sebastião” não voltará

por contrário, em 07.05.16

Numa entrevista dada recentemente à SIC e Expresso, Durão Barroso disse que não voltará à vida política activa. Reconheceu que os 30 anos de carreira política aconteceram “por acaso” e, ao que parece, não está arrependido de nada.

 

Começou no MRPP mas depressa percebeu que por aí não chegaria a lado nenhum, então, rapidamente se metamorfoseou e tornou-se num nepote de Cavaco Silva. Foi deputado, sub-secretário de estado, ministro, primeiro-ministro e culminou na presidência da Comissão Europeia. E é aqui que todos concordamos com Durão Barroso, não haja dúvidas que tudo isto foi um engano.

 

Um dos seus maiores erros políticos foi cometido enquanto primeiro-ministro, tendo sido o principal responsável pela organização da Cimeira das Lajes, onde se decidiu a invasão do Iraque. Todos sabemos que este momento foi um dos maiores erros da história. Não havia motivo nenhum para invadir o Iraque e nunca foram encontradas armas de destruição maciça. E o que tem Durão Barroso a dizer sobre esse assunto? Apenas que Jorge Sampaio (à época, o Presidente da República) foi informado de tudo e concordou. Todos sabemos que Durão Barroso apenas organizou o encontro e serviu os cafés, mas não podemos ignorar o enorme erro que foi colocar Portugal no centro desta vergonha.

 

Outro erro grave. Deixou o cargo de primeiro-ministro de Portugal para se tornar Presidente da Comissão Europeia. Que justificação tem para dar? O belga Rompuy também trocou o lugar de primeiro-ministro belga para ser Presidente do Conselho Europeu.

 

Ficámos também a saber que é “grande admirador” de Passos Coelho. Diz mesmo que o seu único erro enquanto primeiro-ministro foi não saber explicar aos portugueses as razões das medidas de austeridade que implementou. Como se os portugueses fossem estúpidos e não tivessem percebido as verdadeiras intenções dessas medidas e do governo de Passos e Portas. Alguém que ache que esse foi o único defeito de Passos Coelho, só pode estar a gozar com os portugueses.

 

Durão Barroso diz que não se arrepende de nada, mas reconhece que cometeu vários erros, no entanto, como não foi o único a cometê-los está tudo bem. Não há razões para arrependimentos.

 

Mas, para Durão Barroso a política é coisa do passado. São várias as reformas que já garantiu e agora é altura de ir amealhar mais algum. Pretende continuar na vida académica, leccionando em várias Universidades (Princeton, Católica e em Genebra). Eu pergunto-me: o que terá este indivíduo para ensinar a alguém?

 

Disse ainda que não fecha as portas ao sector privado, tendo-se posto a jeito (à boa maneira laranja) para ocupar um qualquer cargo não executivo (mas altamente rentável) numa qualquer instituição privada. E, está claro, que serão muitas as interessadas nos seus servicinhos.

 

Por tudo o que fez ao longo de 30 anos de vida política activa e, principalmente pelos lugares que ocupou, não haja dúvidas que Durão Barroso tem cadastro suficiente para agora seguir uma faustosa vida para lá dos palcos políticos. O privado vai acolhê-lo carinhosamente e vai recompensá-lo por tudo o que fez em seu proveito.

 

Durão “Sebastião” não voltará à vida política activa. Portugal agradece e lamenta profundamente que alguma vez tenha aparecido.

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Abstenções ruidosas

por contrário, em 14.04.16

Há abstenções que são mesmo muito ruidosas. A abstenção não é novidade para os portugueses, desde o eleitor comum que, não raras vezes, abdica do seu direito de voto até aos mais elevados políticos que, também muitas vezes exercem esse “direito” de se abster de votar determinadas matérias.

 

Abster é isso mesmo, é recusar exercer o direito de voto. É não querer votar a favor nem contra. É alhear-se da responsabilidade de que um indivíduo está incumbido. No que respeita aos eleitores que se abstêm, não tenho muito a dizer, apenas que não têm o direito de reclamar das políticas implementadas pelos cidadãos eleitos em sua representação, sobre os quais eles próprios se recusaram escolher. Já ao nível da Assembleia da República, considero uma tremenda irresponsabilidade que um deputado se esconda na abstenção de votar determinadas matérias. A Assembleia da República é a Casa da Democracia, por excelência, é o maior órgão legislativo e o que tem maior competência política.

 

Custa-me constatar, infelizmente com bastante frequência, que muitos deputados se abstêm de votar um vasto rol de matérias importantes, sendo que na maioria dos casos o fazem em rebanho, isto é, por bancada partidária.

 

Esta quarta-feira, a subcomissão de Ética votou um documento que defende que não há incompatibilidade entres as funções parlamentares de Maria Luís Albuquerque e o cargo de directora não executiva na empresa Arrow Global. Devemos ainda relembrar que tudo isto acontece poucos meses depois da ex-ministra ter deixado a pasta das Finanças. Portanto, o parecer dos deputados é que não há incompatibilidade, pelo menos para uma parte dos deputados chamados a pronunciar-se sobre o assunto. O parecer da subcomissão teve os votos favoráveis do PPD/PSD e do CDS, os votos contra do BE e do PCP e o PS, bem, o PS absteve-se. O PS não acha certo nem errado. Para o PS a ética goza de neutralidade e a promiscuidade não carece de condenação ou aprovação. Em política, esta atitude de ficar mudo e quedo no seu canto revela, quase sempre, um ruído ensurdecedor ou, como diz o povão, que o rabo está por aí trilhado em alguma esquina.

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Oposição hiperactiva

por contrário, em 14.04.16

Os últimos dias têm revelado um frenesim por parte dos partidos da oposição.

 

O PPD/PSD desafiou o governo a avançar com nova reforma na Segurança Social; a implementar medidas que visam a melhoria da qualificação dos portugueses (educação e formação); pediu esclarecimentos ao Ministro da Defesa por causa da demissão do CEME (Chefe do Estado Maior e do Exército); o PPD/PSD quer saber se o “banco mau” enunciado por António Costa vai onerar os contribuintes; quer o Ministro da Educação e o Secretário de Estado do Desporto a dar explicações sobre a demissão deste último; e, finalmente, apresentam medidas que visam a valorização do território…

 

O CDS também vive um momento de soltura política e também quer o Ministro da Educação no Parlamento para dar explicações sobre a demissão do Secretário de Estado; também quer que o “amigo” de António Costa vá ao Parlamento explicar-se; propõem um pacote de medidas para prover a natalidade e a família (sendo que não especificou qual o conceito de família a usar). Gosto particularmente da proposta de alargamento aos avós do direito de gozo da licença parental. Também achei piada à proposta que prevê estender o horário de funcionamento de creches e estabelecimentos pré-escolares para o período nocturno e fim-de-semana. Mas estas são apenas duas das muitas propostas que o CDS pretende apresentar, agora que se encontram na oposição. E a acrescentar a tudo isto, ainda propõe a criação de uma comissão parlamentar para avaliar a implementação de todas os projectos enunciados e ainda um “portal online” onde esteja toda a informação sobre estas políticas.

 

Depois de quatro anos em que nada fizeram para reformar o sistema de Segurança Social, onde bateram todos os recordes no que respeita à oneração dos contribuintes como forma de tapar os enormes buracos da alta finança, depois de terem sobrecarregado as famílias portuguesas com um aumento colossal de impostos e cortes no rendimento, depois de terem derruído as esperanças dos jovens e das jovens famílias, levando muitos destes a emigrarem e, sobretudo, depois de aparentemente terem ultrapassado a fase do azedume pós constituição do actual governo, querem, agora que estão na oposição, propor que os outros façam aquilo que nunca se interessaram em fazer, sendo que algumas das propostas são um absurdo.

 

A oposição está agora na fase de hiperactividade que, apesar de ser preferível à do marasmo, não deixa de evidenciar um certo estado patológico.

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Ó Maria Luís, se dúvidas houvesse...

por contrário, em 01.04.16

A propósito de ter aceitado o cargo de administradora não executiva na empresa Arrow Global, que lucra muito com a dívida portuguesa, Maria Luís Albuquerque disse:

 

“Para mim a ética não é uma questão de tempo. Se em algum momento eu tivesse algum acto, enquanto governante, dado a esta empresa algum tipo de tratamento privilegiado ou algum tipo de benefício, não iria trabalhar para esta empresa nem agora, nem daqui a três anos, nem daqui a cinco, nem daqui a seis. Para mim a ética não é uma questão de tempo. Muitas das pessoas que falaram, falaram com ignorância, populismo e má-fé”.

 

Recorde-se que Maria Luís Albuquerque foi a anterior ministra das finanças (até há bem pouco tempo) e que continua a ser deputada na Assembleia da República, acumulando essa função com a de administradora de uma empresa que lucra muito dinheiro com a desgraça da nação que ela supostamente também defende. Tudo muito ético, portanto.

 

Costuma-se dizer que mais depressa se apanha um aldrabão do que um coxo. Escalpelizemos, então, as muito recentes e peculiares afirmações de Maria Luís. Ela começa por dizer que “a ética não é uma questão de tempo” e que “se algum dia tivesse dado tratamento privilegiado ou algum tipo de benefício à empresa Arrow Global…”; Vejamos, de facto, a ética é algo atemporal, pelo menos a ética daqueles que a prezam. Já em relação a ter dado tratamento privilegiado à empresa Arrow (algo que a mim não oferece qualquer dúvida), enquanto ministra das finanças, não é isso que os seus adversários políticos têm dito. O que disseram foi que, depois de ter ocupado o cargo de ministra das finanças, Maria Luís está na posse de informação privilegiada que pode render muito à empresa que agora a contratou, algo que pode ser altamente lesivo para o Estado português – e isso é, no mínimo, falta de ética.

 

Mas o mais curioso foi o facto de ter dito que “Se em algum momento eu tivesse algum acto, enquanto governante, dado a esta empresa algum tipo de tratamento privilegiado ou algum tipo de benefício, não iria trabalhar para esta empresa nem agora, nem daqui a três anos, nem daqui a cinco, nem daqui a seis.”. Esta é a frase que demonstra bem a idoneidade de Maria Luís Albuquerque. Para ela, a ética não é uma questão de tempo, a não ser que já tenha passado seis anos, já que não foi capaz de dizer que jamais seria capaz de trabalhar para uma empresa como a Arrow Global. Segundo ela, não seria capaz de tal aberração, no máximo, nos seis anos subsequentes à sua saída do Ministério das Finanças. Outra ilação (e esta é a melhor) que se pode retirar desta afirmação é o facto de Maria Luís dizer que se tivesse beneficiado esta empresa enquanto ministra, agora não aceitaria trabalhar para ela. Mas isto faz algum sentido? Partindo dessa suposição, que ela própria formulou, a falta de ética (eu diria mesmo, o crime) não estaria, nem começaria, só no momento em que aceitou o rendoso tacho que lhe foi oferecido na Arrow Global, mas principalmente, no facto de, enquanto ministra, ter beneficiado uma empresa privada e prejudicado o Estado.

 

Isto é o mesmo que alguém dizer: “Se um dia eu me divorciar da minha mulher, por tê-la traído com outra, jamais aceitarei envolver-me com “a outra” a partir da data da separação”. Isto é lógico? Claro que não.

 

Depreende-se, portanto, que a consciência de Maria Luís só lhe pesaria depois de quebrar o vínculo com a parte lesada, talvez seja essa a razão que a leva a manter-se vinculada ao Estado português, via deputada à Assembleia da República. Assim continua tudo bem.

 

Isto é revelador de uma desesperada necessidade de querer parecer o que não se é. Este tipo de raciocínio, baseado em premissas inquinadas, normalmente denuncia a perfídia de quem o exerce.

 

O que para já faz todo o sentido afirmar é que, afinal, para Maria Luís Albuquerque, a ética tem prazo de validade e é um prazo bem inferior a seis anos.

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Primeiramente gostaria de demonstrar o meu espanto pelo facto das gentes de Direita ainda não terem ultrapassado o facto de António Costa ser Primeiro-ministro. São, ainda (e sempre os mesmos), muitos os que insistem em revelar que não são capazes de ultrapassar o facto de Passos e Portas já não estarem no poder.

 

Mas… directo ao que mais me interessa agora, o argumentário da Direita sobre o Orçamento do Estado para 2016 e a forma como o actual governo geriu o processo de negociação com a Europa. Pela primeira vez em 5 anos temos um governo capaz de exercer alguma negociação com a Europa, o documento (OE 2016) obteve luz verde, não é inconstitucional, não corta no rendimento das pessoas e é críticas por todo o lado.

 

Dizem que é um Orçamento do Estado cheio de austeridade de Esquerda. Pois quer-me parecer que essa gente tem muita dificuldade em lidar com a austeridade da Esquerda, preferiam a de Direita. Essa é que era boa. O último governo não fez outra coisa senão aumentar a carga fiscal (e foram tantos os aumentos ao longo de 4 penosos anos, aumentos colossais) e meter a mão nos bolsos dos portugueses para lhes sacar parte substancial dos seus rendimentos. Essa austeridade é que era boa!

 

Alguns chegam a afirmar, no mesmo parágrafo, que este Orçamento do Estado está repleto de austeridade (de Esquerda), mas também é eleitoralista. Deviam felicitar António Costa por conseguir tal proeza. Dizem também que há outro caminho para o país, que não se deve retirar milhões (em impostos) à economia, às famílias e às empresas. Estarão eles a falar dos OE do anterior governo? Estarão eles, agora, preocupados com as famílias?

 

A verdade é que o OE2016 é muito mais amigo da economia, das famílias e das empresas do que qualquer OE dos últimos anos. Se me perguntarem se eu acho que vai ser um bom ano para Portugal e para os portugueses, eu respondo que vai depender muito da execução orçamental, contudo, posso desde já afirmar que não é um Orçamento que me agrade, mas que é indubitavelmente melhor do que os últimos quatro, lá isso é. Ah! E não é inconstitucional…

 

Negar estas evidências é próprio da Direita. Mistificar é um dos principais atributos da Direita. Eu já me habituei a isso, eles é que ainda não se cansaram.

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Passos Coelho e a "social-democracia"

por contrário, em 31.01.16

Passos Coelho vai apresentar a sua recandidatura à liderança do PSD, durante a próxima semana. Antes que seja tarde, antes que apareça um peixe maior, Passos Coelho quer desde já apresentar-se como o principal candidato à liderança do seu partido, se é que vai aparecer mais algum... Já sabemos que os partidos da direita apresentam esta peculiaridade de se unir em torno de um só candidato. É a democracia que tanto presam.

 

Entretanto já se sabe qual o mote da nova campanha de Passos Coelho, nada mais nada menos que um efusivo "Social Democracia Sempre!". Ora bem, o partido que Passos lidera chama-se PSD (Partido Social Democrata) que, já por aqui referi, não entendo o porquê de classificar um partido desta natureza, um partido de direita, como "Social-Democrata". É bem certo que, por vezes, os lobos têm de vestir a pele do cordeiro para poder imiscuir-se entre eles e apanha-los desprevenidos, mas há limite para tudo.

 

Em política, a estratégia do engodo resulta quase sempre. A última a que pudemos assistir foi a de Marcelo Rebelo de Sousa (outro "social-democrata"), que quase me fazia acreditar que tem uma tatuagem do Che Guevara no seu braço esquerdo. Passos Coelho não aprecia o estilo de Marcelo mas, perante tais evidências, já tratou de lhe seguir as pisadas. 

 

O PSD é tudo menos um partido "social-democrata" e Passos Coelho, bem como a maioria dos seus comparsas (ou deverei chamar "camaradas"?) são tudo menos defensores da social-democracia. Toda a gente deveria saber que a social-democracia é uma ideologia política de esquerda e que o seu grande inspirador foi Karl Marx, esse "demónio" que assombra os "direitolas" até aos dias de hoje. Escusam de vir com as teorias de uma ou mais interpretações de social-democracia, isso é pura manipulação de conceitos.

 

O PSD de Passos Coelho defende uma "Social Democracia Sempre!". Qualquer dia, substituem a seta que simboliza o partido pelas farfalhudas barbas de Karl Marx, querem ver?!

 

Resumindo, a estratégia de Passos será a mesma de Marcelo que, na verdade, foi sempre a estratégia do PSD, ou seja, confundir as pessoas sendo uma coisa mas parecendo outra, desde logo, a começar pela alteração que produziram no nome do seu partido. Por agora, a receita parece garantir bons resultados, e a receita é "ser-se de direita, falar como se fosse de esquerda e, assim, garantir o centro".

 

Aliás, a técnica do disfarce acompanha os partidos de direita da política portuguesa desde a sua génese. Logo, mas mesmo logo após o 25 de Abril, muitos se apressaram a tentar parecer o contrário daquilo que tinham sido até então: fascistas. Trataram logo de criar partidos autodenominados como democratas, mais tarde, passaram a defender acerrimamente a social-democracia e, quiçá um dia destes, se apresentem como os grandes defensores do socialismo, nem que para isso tenham que passar pelo estágio de comunismo. Que notável metamorfose a destes marmanjos! Só não consigo compreender como são tantos os que continuam a embarcar.

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Calma, o NIB continua lá...

por contrário, em 31.01.16

Tenho visto tantas notícias sobre o "fim do NIB", tantos comentários e tanta confusão à volta de um assunto tão simples, que sinto-me na obrigação de escrever algo.

 

A União Europeia determinou (há dois anos) a uniformização do uso do IBAN (International Bank Account Number) quer para as transferência internacionais, quer para as nacionais, onde até agora (pelo menos em Portugal) ainda vigorava o NIB (Número de Identificação Bancária).

 

Então o que muda a partir de amanhã? O IBAN passa a ser o único código usado nas transferências bancárias, sejam elas nacionais ou internacionais. Mas o que realmente importa esclarecer é que o código IBAN em Portugal é igual ao código NIB precedido pelo código do país, no caso português, o código é o PT50. Até agora usava-se o código NIB que é composto por 21 algarismos. A partir de amanhã usa-se o mesmo código, com os mesmos 21 algarismos precedidos de PT50.

 

Vejamos o seguinte exemplo:

 

NIB: 1234 1234 01234567890 12

IBAN: PT50 1234 1234 01234567890 12

 

É apenas isto. Não há razão para tanta discussão. Além disso, tanto quanto se sabe, os bancos não podem cobrar nenhuma taxa por esta alteração. Portanto, é só colocar o PT50 no início, o resto é tudo igual, isto é, PT50 + NIB.

 

O NIB continua lá...

 

 

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Já se anda por aí a dizer à boca cheia que Portugal poderá ser alvo de um novo resgate. Parece que o OE apresentado nas instituições europeias não é suficientemente credível (por ser de um governo de esquerda e por defender os interesses das pessoas). Então, parece que funciona assim: um governo de um Estado-membro apresenta um Orçamento na União Europeia que, por sua vez, decide torcer o nariz para que, logo de seguida, as agências de rating resolvam classificar esse Estado-membro como “lixo” e, por esta razão, o Banco Central Europeu deixe de aceitar os títulos de dívida pública portuguesa o que, consequentemente deixa os bancos portugueses sem financiamento.

 

O BCE verga-se, assim, perante aquilo que as instituições de rating decidem. Parece que são quatro as agências de rating diante das quais o BCE adora compadecer-se. Neste momento, das quatro agências “amigas” do BCE apenas uma ainda não classificou Portugal como lixo, mas também ela (a DBRS) já ameaçou que está quase, quase a atirar Portugal para o caixote do lixo. Portanto, é assim que funciona: uma bola de neve; se os governos dos Estados-membro da União Europeia se vergarem àquilo que os “donos” da Europa quiserem, tudo bem. Caso contrário, os “donos” torcem o nariz e fazem-no em voz muito alta, para que a notícia chegue depressa às amigas agências de rating, para que estas atirem os governos desses países para o lixo e, de seguida, o BCE se recuse a financiar o(s) país(es) em questão.

 

Mas que absurdo é este? Se há regras dentro da UE a cumprir, por que razão ficam os Estados-membro dependentes daquilo que dizem as agências de rating? Por que não é a própria UE, nomeadamente o BCE a tomar essas decisões, independentemente daquilo que as referidas agências ditem? Agências de rating que nem sequer são europeias… Que raio de União Económica e Monetária é esta? Não me venham com conversas de economistas da treta, dizendo que é assim que funcionam os mercados, porque os mercados que eu conheci e estudei nas minhas aulas de Economia não sofriam desta contaminação.

 

A verdade é uma só: o sonho europeu está corrompido pelas viciadas leis dos “tais” mercados capitalistas. E isso só acontece porque a Europa está despojada de verdadeiros líderes, de verdadeiros europeus. Temos um conjunto de instituições fictícias, lideradas por gente vendida que brinca com a vida de milhões de europeus ao sabor daquilo que algumas mocinhas “iluminadas” do MIT decidem.

 

E se repararem, só os governos de esquerda são perseguidos pelos mercados capitalistas. Os governos de direita, que governam para o capital e não para as pessoas, que destroem o que é público em benefício de alguns privados, que embarcam nas teorias sórdidas dos actuais mercados de capitais, puramente especulativos, esses não são perseguidos, são apenas subjugados.

 

Estou farto desta Europa, ou melhor, estou farto destas pessoas que têm liderado as instituições europeias nas últimas décadas. Mas estou ainda mais farto dos partidos da direita portuguesa (PSD e CDS) que, juntamente com alguma comunicação social estão a instigar o medo nos portugueses, ao invés de os unir em torno daquilo que deve ser o verdadeiro "interesse nacional", com que a direita costuma encher tanto a boca. 

 

A direita (PSD/CDS) parece que não ficou satisfeita com o mal que fez nos últimos quatro anos e deseja perpetuar as malfeitorias. A verdade é que parte do mal pode ser revertido, e é isso que este governo está a tentar fazer.

 

Aparecer agora, no momento em que Portugal negoceia a aprovação do OE e melhores condições de vida para os portugueses, com discursos alarmistas sobre aquilo que as agências de rating podem ou não dizer de Portugal revela uma tremenda falta de carácter, mas principalmente, total falta de patriotismo e amor-próprio.

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Cavaco Silva vetou a lei aprovada por larga maioria parlamentar, referente à adopção por parte de casais do mesmo sexo, bem como a lei que revogava as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez (IVG).

 

Comecemos por admitir que se trata de temas fracturantes da sociedade portuguesa, mas não são os únicos, muitos outros assuntos dividem o país e não se pode estar sempre a referendar um determinado assunto quando este suscita dúvidas. É à Assembleia da República que compete legislar, é para isso que os deputados servem, quer se goste quer não.

 

Mas foquemo-nos na decisão do veto presidencial. Por que razão Cavaco decide vetar duas leis que obtiveram largo consenso na Assembleia da República, sendo que o veto presidencial nada mudará. Apenas impedirá que a lei entre em vigor imediatamente. Ou seja, a decisão sobre estes dois temas voltará à Assembleia da República e voltará a ser oficializada, desta feita, sem que o Presidente da República possa fazer o que quer que seja para impedir que entre em vigor. Então, por que razão decidiu Cavaco vetar? Ele, que já em 2007 havia promulgado o diploma que despenalizava a interrupção voluntária da gravidez, mesmo tendo demonstrado muitas reservas em relação ao assunto. Mais, também em 2010 promulgou a lei que aprovava o casamento entre pessoas do mesmo sexo, justificando-se que “não via efeitos práticos em vetar a lei” já que “as forças políticas que aprovaram o diploma na Assembleia da República voltariam a votar da mesma forma”, mesmo não concordando com o seu teor. Então, por que carga de água vetou agora? Só há uma justificação, por pura mesquinhez. Cavaco Silva é o cúmulo da imbecilidade política, mesmo estando de saída (e pela porta pequena), não perde estas últimas oportunidades para vincar uma vez mais a sua essência. Veta por vingança política, veta porque nunca teve nenhum respeito pelo que os outros pensam e veta porque nunca deixou de ser um bacoco retrógrado na cadeira do poder. Cavaco confunde a sua opinião pessoal com o exercício das funções presidenciais.

 

Cavaco Silva nem por ele próprio tem respeito, já que ao proceder desta forma, apenas demonstra a pouca ou nenhuma dignidade que tem no desempenho das suas funções. E, brevemente, será obrigado a promulgar o que agora vetou.

 

Outra questão muito importante é o “timing” do anúncio do veto presidencial. Por que razão só comunicou a sua decisão hoje, dia imediatamente seguinte às eleições presidenciais? Será que se o tivesse feito antes traria desconforto e perda de votos para algum candidato?

 

Por último, resta-me referir que ainda ontem Cavaco dizia que tinha feito tudo, tudo, tudo… mas ainda faltava este pequeno grão de areia na engrenagem, este pequeno resquício de lodo. Será assim que Cavaco será recordado, um pequeno resquício de matéria lodosa.

 

P.S. Cavaco ainda terá a oportunidade de enviar o Orçamento de Estado para fiscalização preventiva, mas também isso será irrelevante. A ver vamos…

 

 

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Uma vez mais, o grande vencedor das eleições foi o candidato invisível, que se chama abstenção. Mais de 51% dos eleitores não votaram.

 

Se repararmos na “classificação” final, facilmente constatamos que tem mais votos quem tem mais tempo de antena na comunicação social. Como tenho sempre vindo a referir, é a comunicação social que elege os candidatos que, por sua vez, controlam esses mesmos órgãos, directa ou indirectamente. Olhando para a lista de 10 candidatos identificamos, logo à partida, duas metades: os candidatos das máquinas partidárias (que controlam a comunicação social) que ficaram nos primeiros 5 lugares e os chamados “underdogs” que ocuparam a segunda metade da tabela.

 

Olhando para a primeira metade. Quem ficou em primeiro e destacado lugar? Marcelo Rebelo de Sousa, pois claro. E porquê? Porque, apesar de se dizer por aí que fez uma campanha sóbria, contida nos gastos, com pouco marketing, etc., a verdade é que a campanha de Marcelo começou há muitos anos atrás, tendo tempo de antena que chegasse e sobrasse em todas as televisões e em horário nobre. Marcelo era, de longe, o candidato com maior notoriedade e, só por esse motivo é que venceu. Em segundo aparece Sampaio da Nóvoa que até há alguns meses era um total desconhecido da maioria dos portugueses. Então como se explica que apareça em segundo lugar? Fácil. A máquina partidária socialista ainda tem muito peso e, além disso, deve ter sido a candidatura que mais investiu em comunicação e marketing nos últimos meses, daí ter conseguido ficar em segundo lugar. Logo a seguir vem a Marisa Matias que, a seguir a Marcelo, era a candidata com mais notoriedade e que só não ficou à frente de Sampaio da Nóvoa pelas razões que acabei de referir. Em quarto lugar temos a Maria de Belém que, noutros tempos, apresentaria outro nível de notoriedade, mas que agora não tem esse reconhecimento público que a poderia levar a outro resultado, além disso, foi completamente ostracizada pelo seu partido. O seu quarto lugar não é surpreendente, a percentagem de votos sim. Em quinto temos Edgar Silva, um completo desconhecido dos portugueses que o Partido Comunista decidiu lançar para o campo de batalha. Sendo desconhecido e comunista, é lógico que não teria grande destaque na comunicação social. Portanto, o quinto lugar não surpreende e, tal como acontece com Maria de Belém, o que surpreende é a percentagem baixa de votos amealhados.

 

Olhando agora para a segunda metade: os “underdogs”. Então, quem haveria de vencer a segunda metade da tabela? Claro que só poderia ser o candidato Vitorino Silva (Tino de Rans), de longe o candidato mais conhecido dos eleitores. E depois temos uma ordem perfeita daquilo que é uma votação de acordo com o tempo que uma cara aparece nos canais de televisão e outros meios de comunicação social, mas sobretudo nas televisões. Paulo de Morais (o segundo "underdog"), que ficou um pouco conhecido com as suas denúncias contra a corrupção, depois vem Henrique Neto que, sendo pouco conhecido, foi deputado muitos anos e que dificilmente ficaria atrás de Jorge Sequeira e Cândido Ferreira. Até entre estes dois últimos se consegue ver a importância do aparecer ou não aparecer nas TVs. Como é sabido, Cândido Ferreira recusou participar na maioria dos debates e convenhamos, foi o candidato com menor tempo de antena.

 

Portanto, não haja dúvida que é o “tempo de antena” que elege um candidato. É normal que assim seja, desde que os candidatos consigam vencer pela sua qualidade dentro desse tempo de antena e não pela quantidade de tempo que lhes é dada, ou seja, o que não é normal é que uns tenham mais tempo que outros.

 

Em suma, vencerá sempre o candidato mais martelado na comunicação social.

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