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Não, claro que não. 

 

Não sou ateu, não sou funcionário público e só vou trabalhar no dia 12 de Maio se me apetecer, pelo que a minha posição neste assunto não tem qualquer rabo-de-palha. Não se trata de manifestar inveja pela tolerância concedida aos funcionários públicos, nem tampouco de criticar a laicidade do Estado. Trata-se apenas de questionar a lógica das coisas. Mas, por que carga de água deverá ser concedida tolerância de ponto à Função Pública no dia 12 de Maio?

 

Vem cá o Papa. E depois? Costuma-se dizer "por mim, até pode vir o Papa", e neste caso vem mesmo, mas isso constitui motivo para que os funcionários públicos não tenham que trabalhar nesse dia? Poderia enveredar pela questão da desigualdade de direitos entre sector público e privado, mas isso seria desvirtuar a questão exacerbando, como é hábito no nosso país, a guerra entre público e privado. E também não é disso que se trata aqui. Repito, trata-se apenas de questionar a lógica das coisas. Então, e se o dia 13 de Maio deste ano não fosse ao fim-de-semana? Seria concedida tolerância de ponto nos dias 12 e 13? E se o Papa estivesse por cá 3 ou 4 dias, ou até uma semana? O país parava para ver o Papa?

 

Mais, o Papa chega a Portugal na sexta-feira (dia 12 de Maio) a meio da tarde. Note-se que o Papa nem 24 horas passará em Portugal e as cerimónias religiosas só começam à noite, em Fátima. Por que razão se concede a tolerância de ponto? Estará o governo a pensar que os funcionários públicos vão receber o Papa ao aeroporto? O governo sabe muito bem que a esmagadora maioria dos funcionários públicos vai apenas gozar um dia extra de férias e mais um saboroso fim-de-semana prolongado. Se estiver bom tempo até irão à praia, querem lá saber do Papa... E todos os outros portugueses que não gozarão férias nesse dia ficarão "privados" do acesso aos serviços públicos, logo, haverá uma considerável paralisação dos serviços em geral, quer no público quer no privado. E há razão atendível para que tal aconteça?

 

São perguntas a mais, não são? É a condição do cristão.

 

O único facto político neste assunto é ver CDS e PSD de acordo com esta tolerância de ponto. Aqueles que até há bem pouco tempo diziam que o país não se podia dar ao luxo de parar um dia que fosse (e até sacaram 4 feriados ao povo, que estavam instituídos, que constituíam direitos) por causa da produtividade, são os que agora apoiam fervorosamente esta pausazinha para fim-de-semana prolongado. A fé tem destas coisas.

 

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