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Vou tentar não falar no RAP

por contrário, em 17.12.16

O RAP lançou um livro novo. Pronto. Começo bem. Não queria falar e já falei, no RAP (Ricardo Araújo Pereira). Em abono da verdade, até porque eu nunca minto, é meu dever salientar que ainda não li o livro. Gostava muito de o ler mas não o encontro em lado nenhum. Se alguém souber para onde ele – o RAP – o lançou, agradeço que me informe.

 

Desde que o livro foi lançado que não se fala de outra coisa que não seja o RAP. Que fique claro que não lhe estou a chamar coisa, era o que faltava. E estou certo que se ele passasse os olhos neste texto não me interpretaria mal, nem iria pensar que é uma coisa, ele, o RAP. Chiça! Já disse cinco vezes o nome do rapaz. Ou será melhor escrever homem? Ou indivíduo do sexo masculino? Macho? Esta coisa da escolha das palavras certas é uma seca… Nunca se sabe quando alguém se vai sentir ofendido. Merda para a gramática! Se calhar também não é de bom-tom escrever a palavra “merda”, não vá alguém achar que estou a referir-me à sua pessoa.

 

Irra! A culpa desta desordem linguística é do RAP. O RAP criou um problema ao léxico português, muito pior que o último acordo ortográfico. A partir de agora não poderei dizer nem escrever nada sem pensar duas vezes, não vá estar a ferir as susceptibilidades de alguém. Defendo desde já um referendo ao RAP. Ele não tinha nada que desenterrar aquele tesourinho sobre “o coxo, o marreco e o mariconço”. Esse tesourinho já tem mais de 10 anos, mas só agora causou incómodo. Porquê? Porque há 10 anos ninguém sabia quem era o RAP e agora todos o conhecem. Note-se que ele até já foi ao “Alta Definição”, o que significa que se trata de alguém realmente importante. É uma verdadeira estrela o rapaz. Ou o homem. Ou o indivíduo do sexo masculino. O macho, talvez.

 

Adiante. As redes sociais incendiaram-se, foram resmas de blogueiros e comentadores a escrever sobre o assunto (mas qual assunto?), e aos mariconços saltou-se-lhes a tampa. Esperem lá… Eu não estou certo que os mariconços tenham tampa. E se têm não faço a mínima ideia em que sítio, por isso não venham para aqui conjecturar hipóteses. Curiosamente, ainda não se ouviu nenhum coxo, anão ou marreco a reclamar de eventuais achincalhamentos.

 

Algures por aí, alguém dizia que quando ouvia a palavra "maricas" achava que era para ele, vá se lá saber porquê. Talvez pela mesma razão que levou Cavaco a pensar que era para ele, quando se ouviu alguém na multidão a gritar: "Vai trabalhar malandro...".

 

RAP já desenvolveu um manancial de rábulas sobre quase todos os assuntos possíveis e imaginários. Umas melhores que outras, como é normal em profissionais de todas as áreas. Contudo, ninguém diria que um pequeno e inverosímil comentário sobre uma velhinha rábula, feito pelo próprio autor, conseguisse pôr a sociedade em polvorosa. Dos “direitolas” aos “esquerdalhos”, dos machos latinos aos mariconços, dos genuinamente broncos aos falsos intelectuais, ninguém quis ficar de fora da fogueira. O RAP agradece a todos, seguramente.

 

E eu que disse que ia tentar não falar no RAP, acabei por não fazer outra coisa. Bolas! (mas umas senhoras bolas, e não dessas bolinhas mariconças). Limitei-me a escrever um conjunto de frases desarticuladas, que não acrescentam nada ao assunto (mas qual assunto?!) e apenas contribuí para propagandear o novo livro do RAP (como se ele necessitasse da minha ajuda). O que é que eu hei-de fazer? O gajo é bom, pá! Não poderia ter conseguido melhor estratégia de vendas. Mas eu ando a comer gelados com a testa? O que tu queres sei eu

 

P.S. Esperem lá! Eu disse que o gajo era bom, mas em termos profissionais, que fique bem claro. Eu não sou nenhum mariconço.

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