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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

A indecência tem limites?

A pergunta tem a ver com a mais recente e polémica declaração de Passos Coelho. Refiro-me à possibilidade (para mim, uma certeza) de novo aumento de impostos.

 

Há duas/três semanas o governo garantiu que não haveriam novos aumentos de impostos. Uma semana depois anuncia aumento do IVA para 2015, justificando que o IVA não era um imposto. Ontem, Passos Coelho com a pouca-vergonha que o caracteriza, declarou que poderão haver novos aumentos de impostos, caso o Tribunal Constitucional não dê o seguimento desejado às medidas em apreciação. É impressionante o alcance da indecência deste primeiro-ministro.

 

Este governo consegue bater todos os recordes no que ao aumento de impostos diz respeito. São tão bons a cumprir esta árdua tarefa, que tenho a certeza que conseguirão aumentar o IVA, pelo menos mais uma vez, ainda antes do anterior aumento entrar em vigor. E o IRS que eles afirmam tanto querer baixar, certamente também aumentará, já o IRC é bem provável que baixe. A ver vamos!

 

O vazio de consciência e moral desta gente é tal que os níveis de indecência política poderão ultrapassar todos os limites.

 

E nós, vamos permitir?

Carta ao FMI

Pois é! O meu drone teve acesso a uma pequena parte da carta que o governo português enviou ao FMI. Infelizmente só foi possível recolher imagens da parte final da carta mas, mesmo assim, penso que é bastante esclarecedor.

 

Ora vejam:

 

 

Por todas as razões anteriormente apresentadas, gostaríamos de exibir perante V.as Ex.as a nossa inteira disponibilidade para continuar a servir-vos com elevada proficiência, suplicando-vos que recebam com o máximo carinho as nossas humildes preces.

 

Por conseguinte, enviamos-vos em anexo os documentos abaixo designados para vossa suprema apreciação.

 

Agradecendo antecipadamente toda a atenção que possam dispensar a este assunto (especialmente a partir de Outubro do próximo ano), apresentamos os nossos melhores cumprimentos.

 

Os vossos devotos servis,

 

Pedro Passos Coelho, o Primeiro-ministro

Paulo Portas, o Vice-Primeiro-ministro

Maria Luís Albuquerque, a ministra de Estado e das Finaças

 

 

Anexos:

 

Curriculum_Vitae_Passos_Coelho (Confirmar informações anteriores a 2011 com o meu padrinho Ângelo Correia)

Curriculum_Vitae_Paulo_Portas

Curriculum_Vitae_ Maria_Albuquerque

Cavaco é tão mesquinho!

Ontem acusei (muito levemente) Cavaco Silva, de este ter o hábito de se manter calado nas alturas em que mais deveria intervir. Contudo, Cavaco não consegue resistir a cada nova oportunidade que lhe possibilite pôr a cabeça fora da toca e armar-se aos cucos.

 

Cavaco apareceu ontem, numa rede social, a desafiar todos quantos profetizavam que Portugal não escaparia a um segundo resgate "a vir falar agora"... Enfim, é mesmo um mesquinho este Cavaco, um facho da discórdia... Que eu não o considere a maior figura do Estado português e que não sinta qualquer respeito e consideração pela figura é uma coisa, agora, que ele próprio não tenha consciência do lugar onde foi parar (com o apoio de 20% de portugueses) é algo muito mais grave.

 

Cavaco, que sempre fala em contenção nas palavras para não assutar os mercados que ele tanto venera, não perdeu a oportunidade para voltar a trazer à discussão o tão assustador segundo resgate, desafiando muitos a falar novamente no assunto, porque parece que isso lhe dá prazer.

 

Cavaco faz-me lembrar aqueles putos ranhosos que todos conhecemos dos tempos de escola, aqueles que só "arrebitavam cabêlo" quando estavam na presença de um irmão mais velho ou quando já estavam debaixo das asas do papá e da mamã. Aqueles que quando se encontravam dentro do carro ou autocarro abriam a janela e diziam: “Fala agora, fala!”

 

Cavaco é assim! Um ranhocas que se sente protegido por poderes sobrenaturais (e tem razões para acreditar nisso, lá isso tem), que acoberta o seu viciado governo, que se prostra perante a troika, mas que não tem peia no que toca a provocar os que deles discordam.

 

Esperemos que aqueles que agora são desafiados a falar sobre segundo resgate, não tenham motivos para fazê-lo em breve. Apesar de que eu não vejo grande diferença entre um segundo resgate e um primeiro resgate ad aeternum.

Quem sai limpo?

Passos Coelho convocou nova reunião do conselho de ministros, ao Domingo, para anunciar ao país aquilo que o país já estava farto de saber, isto é, não haverá programa cautelar (o que quer que isso seja) e que a saída será limpa.

 

Passos Coelho escolheu bem a altura para fazer a declaração, pois não há melhor momento para se fazer campanha eleitoral do que nos noticiários de Domingo à noite.

 

Mas vamos ao que interessa. E o que interessa é saber quem sai limpo no meio de tudo isto?

 

O país não é de certeza. Após três longos anos de massacre (que é para continuar), há mais desemprego, salários mais baixos, a dívida aumentou (vejam bem), maior carga fiscal, pior saúde, pior educação, pior justiça social, a emigração atingiu os níveis da década de 60, etc.

 

O governo, esse não podia sair mais sujo. Falhou em todas as frentes, nomeadamente naquela que mais interessava ao país – a reforma do Estado. Falhou também noutro objectivo primordial que é o de baixar a dívida. Mas que raio! Então fomos intervencionados por causa da dívida e, depois de três anos a destruir a vida das pessoas, a dívida é cada vez maior? O governo mentiu desde o início e agiu sempre de forma contrária ao que dizia ser possível fazer e ao programa eleitoral que apresentou. Já agora, não esqueçamos quem forçou a entrada da troika em Portugal, defendendo na altura que era a melhor solução para o país. O governo, pela voz do seu representante máximo, vangloria-se por estes resultados e ainda afirma que após cuidada reflexão decidiram optar pela saída limpa... haverá alguém que acredite que foi o governo que tomou esta decisão?

 

Quem também sai muito sujo é a própria troika, tal e qual como entrou, tal e qual como é. Todos conseguem perceber que interessa à troika e às instituições que a constitui que a saída seja limpa. Primeiro porque, não sair desta forma seria o mesmo que admitir o fracasso das suas políticas, segundo, porque as eleições europeias estão aí ao virar da esquina e é preciso manter as posições de poder. A troika entrou em Portugal pela mão dos partidos da direita e agora tenta retribuir o favor.

 

O Presidente da República... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...

 

A oposição faz o que pode... lamento que o PS, enquanto maior partido da oposição continue a aplaudir a saída limpa, só porque a defendeu há muito tempo atrás, quando o cenário apontava para que isso não acontecesse. O PS sabe muito bem que não há saída limpa e, por conseguinte, está apenas a manter aparências.

 

Portanto, parece-me evidente que ninguém sai limpo desta trapaça. Eu diria mesmo que ninguém sai e ponto final. Porque essa é que é a grande verdade: ninguém sai de lugar nenhum! O governo continuará a brilhar no seu papel de coveiro do país, a troika continuará a supervisionar as nossas contas e a usurpar as nossas carteiras, Cavaco Silva continuará em Belém com as moscas a pousar-lhe e o povo português continuará a pagar as favas.

En(comendas) de Belém

Não, não são pastéis! Chamam-se comendas e são uma espécie de títulos honoríficos que, sua ex.a o Presidente da República concede a uma certa casta de indivíduos, por ele seleccionados.

 

Este tipo de honras especiais atribuídas a determinados cidadãos faria mais sentido se vivêssemos numa monarquia, não me parece uma prática adequada numa República, a menos que seja das bananas. Numa República vive-se em comunidade e privilegia-se a paridade, pelo que nunca acreditei em quadros de honra, ordens de mérito e outras fantasias. Mas isso sou eu!

 

Saliente-se que este não é o primeiro Presidente da República a atribuir condecorações por serviços prestados ao país, isto é prática corrente da figura do Chefe de Estado. Contudo, não tenho memória de algumas condecorações terem acontecido nos termos em que decorreram as últimas, levadas a cabo por Cavaco Silva na passada quarta-feira.

 

Cavaco Silva decidiu condecorar seis personalidades que se destacaram na internacionalização da economia portuguesa, cinco das quais são seus correligionários. Neste caso concreto, não tenho dúvidas que a única pessoa que aparentemente não tem ligações ao seu partido, só foi chamada ao Palácio de Belém nesta fornada para servir de efeito dissuasor. Ah e tal, não foi só “gente minha” que eu condecorei (dirá Cavaco e sua lacaiada)... estão a ver a ideia?

 

As personalidades condecoradas foram: Faria de Oliveira, Pedro Trigo de Morais de Albuquerque Reis (não são “des” a mais?!), Alexandre Relvas, António Mexia, Filipe de Botton e Lídia Sequeira. Exceptuando a senhora, é tudo malta PPD/PSD, tudo gente dos ex-governos de Cavaco Silva e das suas campanhas eleitorais ou de outros governos laranjas, portanto, tudo bons rapazes.

 

Podem ter feito muito pela internacionalização da economia portuguesa, mas terão sido os únicos, ou melhor, terão sido os que mais fizeram nesta matéria? Tenho muitas dúvidas... já em relação ao critério e às intenções de Cavaco, isso já me parece bastante mais óbvio.

 

E até parece que já estou a ver a próxima fornada de condecorações: Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Duarte Lima, Rendeiro, Miguel Relvas, Catroga... tudo bons rapazes!

Governo = Imposto(r)

Afinal o texto que escrevi anteriormente, referindo-me à última reunião do conselho de ministros, não deve estar muito longe da realidade. Pelo menos, garanto que é mais verdadeiro que qualquer coisa que os membros do actual governo possam dizer.

 

Há cerca de 15 dias, o ministro da presidência disse: "Não haverá aumento de impostos para 2015 e não haverá esforço sobre salários ou sobre pensões". Na mesma altura, a ministra das finanças reiterou as afirmações de Marques Guedes acrescentando que não haveriam sacrifícios adicionais.

 

Duas semanas depois, o governo anuncia... aumento de impostos e taxas!

 

Nada que a maioria dos portugueses não estivesse à espera. E é aqui que reside o principal problema da nossa sociedade, no facto de quase toda a gente saber que este governo é uma quadrilha de catraios mentirosos e que dele só se pode esperar o pior. Por ter consciência disso, o povo vive resignado e entregue aos algozes da Troika.

 

Saberá este governo fazer outra coisa que não seja mentir e aumentar impostos? Não encontro melhores sinónimos para este governo do que as palavras imposto e impostor.

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