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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Ainda bem que Passos Coelho salvou o SNS

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai de mal a pior. Toda a gente que recorre ao serviço público de saúde já há muito percebeu que este não responde com eficácia. São as filas de espera para consultas de especialidade, as filas de espera para cirurgia, as muitas horas de espera nos serviços de urgência, a redução das comparticipações do Estado, o aumento das taxas moderadoras, a falta de profissionais médicos e apoio médico, a falta de medicamentos, a falta de realização de exames, etc.

 

Passos Coelho, ao que parece ou quis fazer parecer, apercebeu-se de uma pequena parte deste infindável rol de problemas apenas há poucos dias. Terá sido um dos milagres de Natal. Passos terá acompanhado um familiar seu a um hospital público e ter-se-á surpreendido (ou não) com a incapacidade de resposta do serviço.

 

O que se pode esperar de um SNS que está a ser assassinado pelos próprios tuteladores do serviço? O que se pode esperar de um ministro da saúde que dá pulinhos de alegria com o crescimento do serviço privado na saúde? O que se pode esperar de um primeiro ministro e ministro da saúde que passam mais tempo em inaugurações de instituições/hospitais privados, do que a verificar a qualidade do serviço público, que deveriam defender com unhas e dentes?

 

Como é possível que determinados grupos privados, na área da saúde, continuem a abrir inúmeras unidades hospitalares, recorrendo a avultosos apoios do Estado, quer na construção das instalações quer no decorrer da sua actividade?

 

Como é possível estes governantes cortarem abruptamente nos apoios ao SNS, aumentando cada vez mais o apoio aos agentes privados? Eu não tenho nada contra os privados, muito pelo contrário, mas quero vê-los proliferar com os seus próprios meios.

 

O SNS caminha desenfreadamente para o seu fim, empurrado por governantes irresponsáveis, imbuídos de uma missão muito clara - privatizar a saúde em Portugal

 

Ainda bem que Passos Coelho salvou o SNS (palavras do próprio), imaginem se assim não tivesse sido...

Fantasias de Natal de Passos Coelho

Na sua ÚLTIMA mensagem de Natal, Passos Coelho disse que "os portugueses não terão acumulação de núvens negras", que "o poder de compra dos portugueses aumentará em 2015", que Portugal apresentou um "crescimento superior à média da União Europeia" que, como toda a gente sabe é igual a zero. Disse também que "Portugal está no bom caminho" e que a "execução orçamental do seu governo tem sido um sucesso".

 

Passos Coelho não fugiu nem um bocadinho à sua natureza. Mentiu, jogou com as palavras e com os factos e, apesar de se estar a lixar para as eleições, aproveitou a quadra natalícia para fazer aquilo que foi, é e será sempre a sua profissão: soldado de campanhas eleitorais.

 

Já muita gente manifestou a sua indignação para com as palavras ocas de Passos Coelho que, pela última vez teve a possibilidade de se dirigir aos portugueses na mensagem de Natal, enquanto Primeiro-Ministro. Graças a Deus!

 

Mas, será que alguém esperava que Passos Coelho abrisse a boca para dizer alguma verdade? Para apresentar alguma solução? Para dizer algo que não fosse um insulto à inteligência dos portugueses? Passos Coelho tem mentido desde o início. Ainda há quem se incomode com as suas mentiras meia-tijela?

Um presidente, um governo, uma maioria

A situação política nacional que vigora há mais de três anos em Portugal concretiza o sonho de Sá Carneiro, que era ter um presidente colaborante, um governo por si liderado e uma maioria anuente. Não tenho a certeza se seria este cenário, o actual, que o fundador do PSD tinha em mente, mas a realidade teima em fazer justiça à sua célebre afirmação.

 

Esta terça-feira tivemos mais um brilhante exemplo disso mesmo, onde aquele a que vulgarmente chamam de Presidente da República, promulgou o diploma que viabiliza a privatização da TAP. Cavaco Silva, o seu PSD e o CDS sempre foram acérrimos defensores das privatizações, da delapidação do que é público e da total desintegração do Estado, pelo que a notícia não surpreende.

 

Eu diria que o diabólico tridente Cavaco-Passos-Portas está apenas a cumprir o sonho de um homem que, ironia das ironias, faleceu num acidente de avião e até dá nome a um aeroporto. Premonição? Karma?

Justiça fecha as "portas" aos submarinos

O caso dos submarinos foi arquivado, sem que houvesse julgamento, acusações e prisões preventivas

 

Para quem não se recorda dos pormenores deste caso, sugiro que leiam o seguinte artigo da Visão, publicado a 18 de Dezembro:

 

Caso dos submarinos: uma polémica na maioridade

 

Mas faço questão de aqui destacar alguns dos principais e intrigantes momentos, que desencadearam a investigação. Ora, relembremo-nos...

 

6 de Novembro de 2003Por sugestão do ministro da Defesa, Paulo Portas, o Governo decide adjudicar o contrato aos alemães. No relatório técnico que acompanha essa resolução lê-se, quanto às contrapartidas, que a proposta alemã tem classificação de "fraco" enquanto a francesa tem de "médio".

12 de Novembro de 2003 - O consórcio francês recorre ao Supremo Tribunal Administrativo para anular a decisão do Governo de Durão Barroso.

21 de Abril de 2004 - Portas assina o contrato de compra dos submarinos aos alemães.

Final de Dezembro de 2004 - Numa conta bancária do CDS, partido de Paulo Portas, dá entrada um milhão de euros em notas, depositadas durante vários dias.

Março de 2005 - No âmbito das investigações do caso Portucale, Abel Pinheiro e Paulo Portas são escutados a falar sobre "acordos" com o "Luís das Amoreiras", que, segundo a imprensa, será Luís Horta e Costa, presidente da ESCOM.

Julho de 2006 - Nas investigações do processo Portucale aparecem ligações ao negócio dos submarinos e surgem suspeitas de corrupção. O procurador Rosário Teixeira abre um processo autónomo só para os submarinos.

17 de Março de 2011 - DCIAP pede informações sobre Paulo Portas ao Ministério Público de Munique que acusa dois ex-quadros da Ferrostaal de pagamento de mais de 62 milhões de euros em "luvas" para garantir encomendas de submarinos por Portugal e pela Grécia.

16 de Dezembro de 2011 - Em Munique, dois ex-gestores da Ferrostaal admitem ter distribuído subornos, em Portugal e na Grécia, para obterem as encomendas. Os ex-executivos da Ferrostaal são condenados a dois anos de prisão com pena suspensa e a pesadas multas. A Ferrostaal teve de pagar uma multa de 140 milhões de euros.

7 de Novembro de 2013 - Numa reunião do Conselho Superior da família Espírito Santo, Ricardo Salgado confessa: os cinco clãs da família receberam, em 2004, cinco dos 30 milhões de euros pagos pelo consórcio alemão à ESCOM. Quinze milhões foram para os gestores daquela empresa: Bataglia, Ferreira Neto e Luís Horta e Costa. Mas Salgado fala ainda de uma sexta pessoa: "Os tipos [da ESCOM] garantem que há uma parte que teve de ser entregue a alguém em determinado dia".

24 de Abril de 2014 - Pela primeira vez, em oito anos de investigação, Paulo Portas é ouvido enquanto testemunha, no Caso dos Submarinos.

Para que conste, o juiz deste processo chama-se Carlos Alexandre e o procurador chama-se Rosário Teixeira. Que engraçado! Os mesmos que meteram o Sócrates na cadeia, por muito menos. Mais engraçado ainda, o facto de CDS e PSD estarem constantemente a tentar relacionar o caso BES com o caso Sócrates, quando o próprio Ricardo Salgado reconheceu (em 2013) os favorecimentos ao seu banco e familiares, bem como de outras pessoas, sendo que a "sexta pessoa" recebeu uma determinada quantia em determinado dia. Eu suponho que a quantia foi de, pelo menos, 1 milhão de euros. Deixo para vós a presunção do nome dessa pessoa.

 

Qualquer pessoa terá vontade de perguntar ao juiz e ao procurador:

 

- Porque razão Paulo Portas nunca foi detido para investigações? Foi ouvido como "testemunha" e apenas em 2014, onde já se marinava o arquivamento do caso.

- Como é possível que o senhor procurador e o senhor juiz, profissionais zelosos e cheios de rectidão, não tenham levado até às últimas consequências a investigação sobre os depósitos "em notas", no valor de 1 milhão de euros, numa conta do CDS?

- Como é possível ignorar-se escutas tão comprometedoras?

- Como é possível ter-se comprovado que houve corrupção, sendo que na Alemanha foram condenados os corruptores, mas em Portugal não existem corruptos?

 

P.S. Optei por colocar algumas frases a vermelho em alusão à quadra que atravessamos...

A habitual hipocrisia de Cavaco Silva

Ontem, Cavaco Silva recebeu 3 funcionários da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim no Palácio de Belém, para enaltecer o facto de terem devolvido mais de 4 mil euros a uma instituição bancária. De facto, quem devolve dinheiro a bancos deveria ter direito a uma estátua numa praça  e uma boa comenda, ou então não...

 

Recordemos que há não muito tempo atrás, estes 3 trabalhadores do município da Póvoa de Varzim, que trabalham na separação de lixo num ecocentro, encontraram um envelope contendo mais de 4 mil euros que haviam sido depositados numa dependência bancária e mais uns cheques que, por engano foram parar ao caixote do lixo e, posteriormente, às mãos dos 3 funcionários do ecocentro.

 

O gesto de devolver o dinheiro é muito bonito, ainda que, estejamos a falar de dinheiro de um banco e não de uma pessoa. Uma vez depositado, teria que ser o banco a responsabilizar-se pelo desaparecimento deste dinheiro. E, sabendo nós que os bancos raramente se responsabilizam pelo desaparecimento do dinheiro que lá vai parar, ninguém poderia criticar estes senhores, caso não tivessem devolvido o dinheiro. Mas isso está na consciência de cada um. A atitude é deveras nobre.

 

O que realmente não me surpreende é a atitude de Cavaco Silva, que resolveu receber estes senhores no Palácio de Belém para "elogiar" a nobreza do gesto. Cavaco referiu que "o gesto merecia ser enaltecido e conhecido por todos os portugueses". Disse ainda que era "muito dinheiro", "quase 10 meses de salário de cada um deles". Ora, para Cavaco Silva, mensurar dinheiro é algo muito subjectivo. Cavaco acha que 4 mil euros é "muito dinheiro", contudo, segundo o próprio, as suas reformas que chegam a atingir (mensalmente) 3 vezes mais que este montante é dinheiro que não chega sequer para pagar as suas despesas (palavras dele próprio). 

 

Cavaco disse que os portugueses deveriam tomar conhecimento deste gesto bonito. Porquê? Para o tomarem com exemplo? Será que Cavaco Silva vai interiorizar este exemplo e devolver a volumosa quantidade de dinheiro do BPN/SLN que lhe foi parar às mãos?

 

E, já agora, aproveitou para condecorar estes senhores? Ou será que as condecorações são só para aqueles que sabem fazer desaparecer dinheiro, como Zeinal Bava?

 

Eu, ao contrário da justiça portuguesa, tenho sempre muitas perguntas para fazer a Cavaco Silva e aqui fica só mais uma:

 

Será que estes senhores terão que nascer duas vezes para serem tão honestos como Cavaco Silva?

Os bons negócios públicos incomodam este governo

A posição do actual governo face à compra das transmissões dos jogos da Liga dos Campeões, levada a cabo pelo actual Conselho de Administração da RTP, é mais uma prova evidente da forma como os governos de Direita lidam com a coisa pública.

 

Convém recordar que o actual Conselho de Administração da RTP foi escolhido por este governo. Ainda se lembram de Miguel Relvas? Pois... foi pela mão desse senhor. Mas, parece que o ministro Poiares Maduro é doutra opinião e já se viu que não vai descansar até fazer cair a actual direcção. Maduro desde logo demonstrou a sua visão sobre a RTP e o serviço público, ou seja, da mesma forma como este governo, no seu todo, entende o serviço público em qualquer área. Para este governo, serviço público é colocar os dinheiros públicos na mão de privados, é pagar salários a pessoas que trabalham para privados, é vender empresas públicas a amigos, etc.

 

Importa ainda lembrar que em Setembro deste ano, este governo e Poiares Maduro criaram o CGI - Conselho Geral Independente da RTP. E do que se trata? Trata-se de mais um braço armado do governo, para dizer o que a RTP deve ou não fazer. Portanto, desde essa altura que o Conselho de Administração da RTP deixou de ter condições para gerir a empresa. E porque razão quer este governo mandar no Conselho de Administração da RTP? Será para poder acabar com a RTP2? Ou até mesmo com a própria RTP? Será para poder efectuar mais um despedimento colectivo? Ou será apenas uma vingançazinha do ministro Pires de Lima?

 

Não me parece que isto faça muito sentido, a não ser a questão dos despedimentos que, nalguns casos se justificaria. Toda a gente sabe que a RTP é um sorvedouro salarial e muita gentinha que lá "faz que trabalha" deveria desaparecer.

 

Mas a questão que vem agora ao lume não é essa, mas sim o facto da RTP querer transmitir os jogos da Liga dos Campeões. Trata-se de uma simples opção de gestão. É isso que está a irritar este governo. E porquê?

 

Vejamos, a RTP até tem vindo a apresentar resultados positivos e, segundo garante o Presidente do Conselho de Administração, o negócio irá gerar receitas para a empresa, na ordem dos 800 mil euros ao ano. Portanto, é um negócio que dará lucro. E isso já constitui motivo suficiente para desagradar este governo, que não lida nada bem com empresas públicas e/ou negócios públicos que dêem lucro. E nunca é demais salientar que as empresas públicas não têm como finalidade o lucro, sendo certo que também não devem dar prejuízo.

 

Mais, ninguém deve esquecer que a RTP concorre directamente com os canais privados SIC e TVI (ATENÇÃO: privados mas com muitos favores e euros públicos) e, tem que apresentar uma tabela programativa competitiva. Toda a gente já percebeu que, quer se goste ou não, os jogos da Liga dos Campeões geram muita audiência.

 

Portanto, é incompreensível que o governo esteja tão preocupado e contra esta decisão do Conselho de Administração da RTP. Houve uma decisão que não só não trará prejuízo à estação pública, como trará lucro, uma decisão que aumentará as audiências da estação e isso incomóda muito o governo de Passos e Portas. Porque será?

 

Se calhar é porque a RTP conseguiu fechar um negócio que muito interessava aos dois concorrentes privados, tão amigos deste governo

 

Concluindo, este governo está muito chateado porque não conseguiu impedir que um bom negócio não fosse parar às mãos dos seus amigalhaços privados. Esta é mais uma prova que põe a nu as verdadeiras intenções destes vulgachos que ocupam os lugares governativos, que não é mais do que agir em prol dos interesses privados dos seus amigos.

A falta de credibilidade de Marques Mendes

O político Marques Mendes nunca me mereceu qualquer consideração. Matraquilho de Cavaco Silva, sempre demonstrou uma especial predestinação para o servilismo. Como comentador, Marques Mendes continua fiel a si mesmo, apaixonado pelos jogos políticos e sempre com dois pesos e duas medidas, a aplicar consoante o caso que lhe é dado a comentar. Pena que o jornalismo português seja tão raso e que, raramente use a confrontação das afirmações e dos factos, como se as pessoas que escutam ou lêem notícias/comentários fossem estúpidas e sem memória.

 

Marques Mendes, como exemplar soldado da Direita, sempre defendeu o capitalismo e os senhores da banca. Mas, à semelhança do que acontece com a actual Direita, nomeadamente os partidos da maioria (PSD/CDS), Marques Mendes enche a boca toda para dizer mal de Ricardo Salgado e do BES. Façam umas pequenas pesquisas às declarações que este senhor fez no passado, em relação a Ricardo Salgado e ao BES e vão chover contradições. De facto, é muito estranho ver as gentes da Direita atacar tão vorazmente um banqueiro! Algo de muito errado se passa.

 

Pior ainda. Não sei se já repararam que estes autómatos da Direita não perdem uma oportunidade de tentar colar o caso BES ao caso José Sócrates, eu percebo a ideia deles que, aliás, é a mesma de sempre: joguinhos políticos, que o senhor Marques Mendes diz não gostar. Como pode não gostar de algo que faz com tanta mestria?

 

No seu habitual espaço de comentário na SIC, este Sábado, Marques Mendes diz não compreender e estranhar a razão pela qual Ricardo Salgado afirma que "não se lembra" de determinados factos, que "desconhecia" o que se estava a passar de errado e que "nada tinha a ver com a queda do banco". E, mais uma vez tentou colar Ricardo Salgado a Sócrates. Mas... porque não tentou estabelecer um paralelo com um dos seus entes queridos? E são tantos! Poderia ter elaborado um paralelismo com as declarações de Cavaco Silva, aquando do caso de compra e venda de acções da SLN/BPN. A comparação faria muito mais sentido, pois trata-se de outro escândalo na banca. Cavaco também não se lembrava de nada e chegou mesmo a "empurrar" a culpa para as costas da coitada da mulher. Enfim, ridículo!

 

Sobre o caso das acções de Cavaco Silva, Marques Mendes limitou-se a agir de acordo com a sua condição de autómato e defendeu o seu padrinho, dizendo que se tratou de algo perfeitamente normal e que Cavaco ainda perdeu dinheiro, já que poderia ter ganho ainda mais. Marques Mendes veste a pele do defensor da verdade e da justiça, clamando aos céus que se apurem os culpados no caso BES e que se saiba onde está o dinheiro que desapareceu. Mas, parece não se importar muito em querer saber onde foi parar o dinheiro do BPN e em apurar os culpados. Talvez ele saiba onde foi parar... talvez ao bolso de alguns investidores em acções que nem sequer estavam cotadas em Bolsa... talvez na construção de urbanizações de luxo no Algarve... talvez em avolumadas contas em paraísos fiscais... Mas isso agora não interessa a Marques Mendes.

 

Ainda sobre o paralelismo, poderia ter recorrido a um caso mais recente. Porque não comparou a falta de memória de Ricardo Salgado com a postura de Passos Coelho no caso Tecnoforma? Passos Coelho também não se lembrava de nada. E o que disse Marques Mendes na altura? Disse que Passos Coelho foi "um bocadinho vítima".

 

É assim que se constrói a credibilidade de um político e comentador. Com dualidade de critérios e total falta de credibilidade no discurso. Contudo, tudo isto feito com voz firme, na horário mais nobre das televisões e patrocinado por um jornalismo rasteiro, eleva qualquer um aos píncaros da moralidade.

 

Marques Mendes é, em sua medida, um homem íntegro.

 

 

Banco de Portugal e o desemprego

Há muito tempo que me pergunto: "Mas para que raio serve o Banco de Portugal?".

 

Não será certamente para regular o sistema bancário, porque se assim fosse os escândalos ocorridos nalgumas das principais entidades bancárias deste país não teriam acontecido ou, pelo menos, não teriam atingido as proporções que se verificaram e, acima de tudo, teria havido consequências pesadas para os prevaricadores.

 

A única utilidade que reconheço a esta instituição é a sua capacidade de gerar bons tachos, servir de trampolim para outros tachos e para conferir voluptuosas reformas, o Cavaco que o diga. Já agora, outra pergunta que se me ocorre: Porque razão o nome de Cavaco Silva está em tudo o que cheira mal neste país?

 

Bem, adiante. O Banco de Portugal acaba de anunciar que os seus peritos conseguiram descobrir o que está por detrás do aumento anómalo de emprego na economia portuguesa. Vejam só! Não é que os técnicos do BdP, altamente especializados em estudos econométricos, chegaram à conclusão que a causa do aumento de emprego deve-se à criação de estágios apoiados pelo Estado! Brilhante! Eu não esperava tanto daquelas virtuosas cabeças.

 

A partir de agora, vou passar a depositar toda minha confiança e esperança nos técnicos do Banco de Portugal. E até já estou a fazer figas para que daqui a um ano, mais coisa menos coisa, possam concluir que a queda do desemprego também se deve aos cursos de formação levados a cabo pelo IEFP, que apagam milhares de pessoas desta tão trágica estatística.

 

E se Deus Nosso Senhor quiser, talvez daqui a uns 5 anos, o Banco de Portugal esteja em condições de aferir que, a grande maioria dos estágios pagos pelo Estado em instituições privadas, bem como os ilusórios  cursos de formação, criados também pelo Estado (via IEFP), não serviram rigorosamente para nada. Apenas para jogar com os números do desemprego. 

 

 

Os cornos da banca

O historial da banca portuguesa tem demonstrado que, sempre que há um problema grave numa instituição bancária, o maior responsável por essa mesma instituição nunca sabe de nada, até ao momento em que a tenda vai abaixo.

 

Foi assim com o BPP de João Rendeiro, com o BPN/SLN de Oliveira e Costa, Dias Loureiro e Cavaco Silva, o BCP de Jardim Gonçalves e é agora com o BES de Ricardo Salgado. Há sempre um traço comum nestes casos, nunca ninguém sabe de nada até ao momento em que a trapaça deixa de funcionar. As sumidades da gestão bancária em Portugal são sempre os últimos a saber. São aquilo a que eu chamo de "cornos da banca". Coitados! Não têm culpa de serem cornudos, pois nada fizeram para que tal lhes acontecesse. São pessoas honestas, humildes e que têm apenas um defeito, que é o de confiarem em gente que os acaba por trair. 

 

Esta gente é merecedora de compaixão e não de comissões parlamentares de inquérito e julgamentos. Se até a justiça os deixa em paz com a pesada e custosa cornadura que os monta, porque razão havemos nós de os querer crucificar?

 

 

Uma pergunta para António Costa

No congresso nacional do Partido Socialista, que decorreu no passado fim-de-semana, António costa deixou no ar a possibilidade de uma coligação à Esquerda, caso não consiga obter uma maioria absoluta nas Legislativas do próximo ano. Foram muitos os que se apressaram a dizer que o PS de António Costa está a “virar à Esquerda”, o que não deixa de ter a sua piada.

 

Eu, que já levo alguns anos de observação atenta a estes passarões da política portuguesa, fiquei logo de pé atrás, face ao discurso de Costa. Toda a gente sabe que a maioria dos partidos à esquerda do PS não está interessada numa coligação com os socialistas, a menos que os dirigentes do Partido Socialista se mostrem verdadeiramente empenhados num entendimento com as verdadeiras políticas de Esquerda. E isso não se faz apenas com discursos.

 

Já esta semana, vimos António Costa quase de mãos dadas com Paulo Portas e, Basílio Horta que foi um dos fundadores do CDS e que nele militou durante muitos anos, já se apressou a sugerir que uma coligação com o CDS-PP seria muito proveitoso para o PS e para o país. Recorde-se que Basílio Horta já foi deputado eleito pelo Partido Socialista e é o actual Presidente da Câmara de Sintra, também pelo Partido Socialista.

 

Também é sabido que, uma considerável parte de militantes “ilustres” do Partido Socialista apoia uma coligação com o PSD, caso vençam as eleições sem maioria. E até nem é nada difícil de antever o cenário. Vejamos, o PS vence as próximas eleições sem maioria, o PSD é o segundo partido mais votado, Passos Coelho demite-se, Rui Rio assume a liderança e está montado o mal-afamado Bloco Central.

 

Ora, há uma pergunta que se impõe fazer a António Costa:

 

O PS considera a possibilidade de se coligar com o PSD, o CDS-PP ou ambos, caso não obtenha maioria absoluta nas próximas Legislativas?

 

Eu, tal como muitos milhares de portugueses, só poderemos considerar a possibilidade de votar no PS se a resposta a esta pergunta for dada sem rodeios ou discursos retóricos e evasivos.

 

Espero que António Costa tenha a coragem de assumir uma posição firme sobre este assunto, em tempo útil. É que o silêncio do PS em relação a estes cenários começa a tornar-se ruidoso e o tique-taque do relógio não pára.