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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Há dúvidas?

A anedótica "operação marquês", executada pelos não menos anedóticos senhores Carlos Alexandre e Rosário Teixeira (juiz e procurador) e orquestrada pelos senhores do poder, continua a produzir os seus efeitos.

 

Mas alguém duvida que este caso foi montado propositadamente para prejudicar o Partido Socialista, e assim favorecer aqueles que se encontram "impunemente" nas instituições do poder?

 

José Sócrates foi detido na mesma altura em que António Costa assumiu a liderança do partido. Coincidência? Claro que não. A partir de então, todas as notícias que vêm a público, muitas delas violando reiteradamente o segredo de justiça, aparecem sempre em alturas demasiado cirúrgicas. Sempre que o Partido Socialista se apresenta reforçado por alguma razão ou, tal como agora, se aparece à frente nas sondagens, há-de surgir logo um novo detido na operação marquês para desviar as atenções e tentar denegrir a imagem do partido. Coincidência?

 

Tem sido sempre assim. E assim será, pelo menos até às próximas eleições. E quanto mais quente estiver a campanha, mais nomes e casos aparecerão nesta "operação marquês", porque a campanha está planeada e em marcha.

 

Tenho aqui perguntado várias vezes, e volto a perguntar ao senhor juiz e senhor procurador se não têm novidades sobre o caso BPN.

Viva a Mariana!

Mariana Mortágua é deputada na Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, tem apenas 29 anos mas demonstra uma capacidade política muito acima da maioria dos deputados da República.

 

Mariana Mortágua não tem pápas na lingua. Mas isso não significa recorrer à habitual retórica de algibeira que a maioria dos políticos tanto gostam. Não. Mariana é uma deputada muito bem preparada, bem formada e informada e sustenta detalhadamente (com factos verdadeiros) toda a sua argumentação.

 

Mariana não tem medo de chamar os bois pelos nomes, qualquer que seja o boi. Hoje, no último debate parlamentar desta legislatura, Mariana Mortágua acusou o actual governo de ser uma fraude. E fê-lo com toda a razão. Este governo foi o mais mentiroso de toda a história da Democracia portuguesa. Um governo imbuído por um profundo sentimento de ma-fé.

 

Quem prometeu não subir impostos (directos ou encapotados)?

Quem prometeu não cortar salários e pensões?

Quem prometeu não estar preocupado com o lado da receita, mas sim cortar na despesa?

Quem aumentou a pobreza para níveis de há décadas?

Quem aumentou o desemprego (drasticamente)?

Quem aconselhou à emigração (o primeiro mito urbano)?

Quem cortou na saúde e na educação como ninguém ousou fazer?

Quem meteu mais de 3.000 milhões no Novo Banco?

Quem aumentou a dívida para um nível muito superior à de 2011?

Quem promoteu não alienar património do Estado?

Quem afirmou que Portugal não precisava de um governo socialista, para cortar na função pública?

Quem acusou o anterior governo de atacar os portugueses "à bruta", alegando que havia um défice que tinha que ser pago?

Quem promoteu tributar mais o capital financeiro?

Quem afirmou que é criminoso vender activos do Estado ao desbarato para arranjar dinheiro à pressa?

Quem prometeu não atacar a "classe média" em nome da dívida externa?

Quem afirmou que era um disparate acabar com o 13.º mês?

Quem promoteu jamais liberalizar os despedimentos em Portugal?

Quem prometeu não baixar as comparticipações nos medicamentos?

Quem disse que as palavras proferidas devem ser valorizadas, para que se possa acreditar nelas?

Quem prometeu não fazer o que outros fizeram: "dizer uma coisa e fazer outra"?

Quem afirmou que nunca diria ao país que "ingenuamente não conhecíamos a situação"?

O mentiroso compulsivo afirmou com toda a valor que atribui a cada palavra proferida que: "nós temos uma noção de como as coisas estão".

 

A Mariana Mortágua disse hoje que este governo é uma fraude. E disse muito bem. Eu acrescentaria que quem acredita neste governo é uma fraude ainda maior. É preciso ser-se completamente estúpido para sequer considerar a hipótese de dar continuidade a esta gentalha no poder.

 

Mariana Mortágua apareceu na política activa apenas em 2012, quando entrou para a Assembleia da República, mas já conseguiu afirmar-se como uma nova geração de políticos que ainda pode trazer alguma esperança ao país. É inteligente, determinada e mais competente que qualquer ministro que pertence ou pertenceu ao actual governo. Bem, não sei se a Mariana veria isto como um elogio, mas era essa a intenção.

 

Viva a Mariana!

 

 

 

 

 

 

Eles vêem-se gregos

No passado Domingo, o povo grego demonstrou por meio de referendo, que não está de acordo com o pacote de medidas que a troika lhes quer continuar a impôr. Não esqueçamos que a Grécia tem estado debaixo de forte austeridade e que é o país da Zona Euro que mais tem sofrido com as medidas da troika, que só têm dado maus resultados.

 

O senhor Junker (Presidente da Comissão Europeia) foi um dos que tentou, logo à primeira hora, colocar o povo grego contra o seu governo - o de Tsipras e Varoufakis. Aliás, esse sempre foi o objectivo dos capachos do FMI e troika que governam as instituições europeias e a maioria dos governos da Zona Euro (Portugal incluído, e com menções honrosas nessa matéria). Mas o povo grego soube no passado Domingo dar mais um passo em frente naquilo que é a Democracia, respondendo às dúvidas que o senhor Junker e os restantes capachos desta Europa tinham sobre a capacidade de se ser livre e dizer "NÃO" e "BASTA" quando tem que ser.

 

O problema destes senhores subordinados aos "mercados" é que vêem-se gregos para infligir as suas regras. Têm agora num Estado-membro, um governo clara e democraticamente apoiado pelo seu povo e que não está para dar continuidade a esta política cega que FMI e troika querem obrigar os povos a aceitar. Vêem-se gregos para tentar pôr água na fervura e impedir que outros Syrisas comecem a proliferar noutros países da União Europeia.

 

O "NÃO" venceu claramente. A mim não me surpreendeu. Mas surpreendeu muitos que, como o senhor Junker e restante tropa, estavam esperançados pela vitória do "SIM". E tanta campanha fizeram, mas o povo grego não foi em cantigas. Portanto, o "NÃO" venceu, mas, para os "senhores" da troika isso não muda nada. Estranho! Porque se o "SIM" tivesse ganho já tudo seria diferente, segundo eles. Pois está fácil de ver que nada seria diferente, apenas o facto de o governo de Tsipras, provavelmente, apresentar a demissão. Ora aí está! Era só isso que a gentalha do poder queria e quer - eliminar o Syrisa. Para poder colocar os mesmos carneirinhos por eles doutrinados, e assim perpetuar as suas loucas e pérfidas teorias mercantilistas. E que nojo me dá ver a senhora Lagarde entrar pelos faustosos salões das instituições europeias, como se fosse tudo dela, passando por cima da dignidade de tudo e todos, como um lobo que entra para rapinar as galinhas. Muito mais nojo me dá ver os pseudo-líderes europeus a fazerem-lhe vénias... Sabujos é o que são! Uns vendidos que corrompem a dignidade dos povos europeus. Mas, uma vez que o "NÃO" ganhou, não há demissões do outro lado? Não há um reconhecimento de que algo não está bem? Não há uma mudança de atitude? Bem, aquela reunião da senhora Merkel em Paris parece ter sido um pequeno passo nesse sentido, a ver vamos...

 

Os aduladores troikianos, entre os quais os incompetentes capachos que por aqui governam, dizem que o objectivo do referendo era reforçar ou fragilizar o Syrisa, contudo, recusam-se a admitir que o Syrisa saiu reforçado. Mas o objectivo era esse apenas nas suas cabecinhas conspurcadas, já que o objectivo foi dar à Europa e ao mundo mais uma brilhante lição de Democracia, mas esta gente que se outorga democrática, pouco ou nada sabe disso. Dizem também que a proposta que foi a referendo já não estava em cima da mesa. Ai não? Então qual é proposta em cima da mesa? E, principalmente, desde quando é que a Democracia deixa de estar em cima da mesa?

 

O governo Syrisa foi corajoso, deu uma lição de Democracia, não teve medo de perder e VENCEU sem mácula. Mas acima de tudo, o que aconteceu no passado Domingo foi a demonstração de um povo, que apesar de fustigado pelas dificuldades, não perdeu o orgulho de ser grego, de serem cidadãos europeus, cidadãos livres, sem medo e acérrimos defensores dos valores da Democracia. A Grécia saiu deste referendo mais forte e unida que nunca. É muito bonito ver um povo que está de rastos, mas que continua de pé e com a clarividência necessária para decidir sobre o seu futuro.

 

Mas os cucos-políticos, os meia-tijela e a direitalha vendida vão continuar por aí com a sua cobarde cruzada numa réstia de esperança em dar continuidade à política do medo, da opressão e da incerteza.

 

Certo é, para mim, que nos próximos dias os bancos gregos vão abrir, o dinheiro vai aparecer e o gorverno de Tsipras vai conseguir um acordo melhor do que aquele que estava em cima da mesa antes do referendo. Depois disso acontecer, veremos o que os cucos-políticos destas bandas têm para nos dizer.

 

 

Que ZOOROPA!

RECOMENDAÇÃO #2

 

ARTISTA: U2

ÁLBUM: Zooropa

Data de lançamento: 5 de Julho de 1993

 


Retirado de U2.com

 

Pois é! Já se passaram 22 exactos anos após a data de lançamento do álbum Zooropa, da banda irlandesa U2. Mas, a verdade é que o álbum continua mais actual que nunca, não apenas em termos de sonoridade, que à época pareceu demasiado futurista, mas também em termos de mensagem política e social.

 

Nunca a Europa pareceu tão viciada como agora. O tema de abertura tem o mesmo nome do álbum (Zooropa) e revela a preocupação de Bono e da sua banda, em alertar para a futilidade e hipocrisia instaladas na sociedade europeia. 22 anos depois e a Europa está mais perdida do que nunca.

 

As promessas irrealistas do sonho europeu, o controlo dos capitais sobre as pessoas, o consumismo, as grandes ideias políticas sustentadas num profundo vazio, a desordem e um total sentimento de incerteza. Tudo isto eram preocupações em 1993. E hoje? Hoje elas estão ainda mais exacerbadas.

 

A Europa não aprendeu nada nas últimas décadas, muito pelo contrário, foi acumulando erros atrás de erros. A Europa de hoje encontra-se completamente refém dos mercados sem rosto, abdicou dos princípios que fundamentaram a criação da sua União e, definitivamente desistiu da Democracia.

 

Hoje, o referendo que decorrerá na Grécia não é mais do que um BERRO aos ouvidos da Europa, alertando-a para a situação de desnorte em que se encontra. É também uma enorme lição do que é a Democracia. Esperemos que a Europa acorde.

 

Por todas as razões e mais algumas, hoje mais do que nunca, apetece-me ouvir este magnifico álbum dos U2, especialmente o tema homónimo ao álbum: ZOOROPA.

 

 

Aqui fica a letra e vídeo do tema Zooropa. Continua a fazer tanto sentido!

 

 

 

Zooropa... Vorsprung durch Technik
Zooropa... be all that you can be
Be a winner
Eat to get slimmer

Zooropa... a bluer kind of white
Zooropa... it could be yours tonight
We're mild and green
And squeaky clean

Zooropa... better by design
Zooropa... fly the friendly skies
Through appliance of science
We've got that ring of confidence...

And I have no compass
And I have no map
And I have no reasons
No reasons to get back

And I have no religion
And I don't know what's what
And I don't know the limit
The limit of what we've got

Zooropa... Don't worry baby, it'll be alright
Zooropa... You got the right shoes
Zooropa... To get you through the night
Zooropa... It's cold outside, but brightly lit
Zooropa... Skip the subway
Zooropa... Let's go to the overground
Get your head out of the mud baby
Put flowers in the mud baby
Overground

No particular place names
No particular song
I've been hiding
What am I hiding from?

Zooropa... Don't worry baby, it's gonna be alright
Zooropa... Uncertainty... can be a guiding light
Zooropa... I hear voices, ridiculous voices
Zooropa... In the slipstream
Zooropa... Let's go, let's go... overground
Zooropa... Take your head out of the mud baby

She's gonna dream up
The world she wants to live in
She's gonna dream out loud

Assim o PS está condenado

A poucos meses das eleições legislativas e o maior partido da oposição ainda não soube agarrar o touro pelos cornos. António Costa soube ser lesto em deitar a mão à liderança do partido, contudo, após esse acontecimento limitou-se a ver passar os aviões. Tem sido pouco acutilante, ainda não foi capaz de passar a mensagem aos eleitores e, de vez em quando, ainda mete os pés pelas mãos, como daquela vez que afirmou que o país estava melhor agora que em 2011.

 

Nestes últimos dias, perante a situação grega, o líder do Partido Socialista tem apostado num redondinho "NIM". Por um lado, critica as instituições europeias e a troika, por outro o governo Syrisa. António Costa quer que a troika aceite aliviar a austeridade para poder atacar o governo de Passos Coelho, mas ao mesmo tempo, quer que o Syrisa saia chamuscado deste imbróglio, para que possa não perder votos para a esquerda. Costa quer agradar a gregos e a troianos, mas eu sempre ouvi dizer que isso é impossível.

 

Mas aquilo que mais me espantou, foi ver caras do Partido Socialista na apresentação do livro de Miguel Relvas (o Relvas sabe escrever?). Isso é que é incompreensível. Na verdade, foram muitos os que marcaram presença na cerimónia que eu até fiquei embasbacado. Como é possível que Miguel Relvas ainda consiga arrastar tanta gente para mais uma das suas carambolices? 

 

Jorge Coelho e João Proença in da house? Ali, bem na fila da frente a assistir a mais um comício da coligação, patrocinado pelo retornado da Presidência da Comissão Europeia (Durão Barroso). Algo de muito estranho se passa com alguns pseudo-socialistas. Se eu fosse dirigente do Partido Socialista moveria um processo de expulsão a estes dois. António Costa deveria ser capaz de dizer ao Jorge Coelho que quem se meter com o Relvas leva. Isso é que era uma atitude de líder.

Afinal Cavaco tem dúvidas

Cavaco Silva enviou o diploma sobre enriquecimento ilícito, perdão, enriquecimento injustificado (é que quando se trata de enriquecimento a malta gosta de usar eufemismos), para o Tribunal Constitucional solicitando a fiscalização preventiva porque... tem dúvidas.

 

E quais são as dúvidas de Cavaco? Cavaco tem duas dúvidas essenciais, sobre duas normas que dizem o seguinte:

 

1) "Quem por si ou por interposta pessoa, singular ou colectiva, obtiver um acréscimo patrimonial ou fruir continuadamente de um património incompatível com os seus rendimentos e bens declarados ou que devam ser declarados é punido com pena de prisão até três anos".

 

2) "O titular de cargo político ou de alto cargo público que durante o período do exercício de funções públicas ou nos três anos seguintes à cessação dessas funções, por si ou por interposta pessoa, singular ou colectiva obtiver um acréscimo patrimonial ou fruir continuadamente de um património incompatível com os seus rendimentos e bens declarados ou a declarar, é punido com pena de prisão de um a cinco anos".

 

Eu também tenho sérias dúvidas, especialmente na segunda norma supracitada. Porque razão os titulares de cargos políticos ou públicos só poderão ser condenados durante o período em que exercem funções e/ou nos três anos seguintes à cessação de funções? Só três anos? Com a rapidez e isenção da nossa justiça, é sabido que nenhum político que enriqueça durante o exercício de funções será incomodado e, tenho sérias dúvidas que o seja nos três anos seguintes. Portanto, Marco António Costa, podes ficar descansado. Tu e todos os outros.

 

Mas eu entendo as dúvidas de Cavaco. Contudo, sugiro-lhe calma, da maneira que isto vai e se a lei for aprovada, o triénio 2016-2019 vai ser muito tranquilo.

 

 

Nuno Melo: o cuco-político

Nuno Melo é aquilo que se pode chamar de cuco-político. Trata-se de mais um passaroco que esvoaça pelos corredores da política. Não se lhe reconhece nenhuma actividade que não seja a de sobreviver à custa dos contribuintes, sempre empoleirado nos mais seguros e solarengos ramos de árvore e sempre à espreita dos ninhos dos outros para colocar os ovos.

 

À semelhança do animal cuco (uma ave) que só consegue cantar duas notas musicais, também Nuno Melo só abre o bico para cantarolar duas notas (neste caso, são “notas políticas”): a nota “P” e a nota “S”. Nuno Melo não é capaz de abrir a boca para falar de outra coisa que não seja o PS. Ora canta sobre José Sócrates, ora sobre António Costa, ora sobre José Sócrates, ora sobre Edite Estrela, ora sobre José Sócrates, ora sobre José Sócrates e também sobre José Sócrates. Portanto, sempre sobre o “PS”.

 

E já lá vão tantos anos de governação do seu partido em Portugal e da sua família política na União Europeia (o seu último ninho), e Nuno Melo continua entretido a cantarolar sobre o PS e as suas gentes. E tem tanto para dizer sobre os últimos quatro anos.

 

Recentemente, lembrou-se de criticar um tweet de Edite Estrela que dizia o seguinte: “Se o PS tivesse maioria absoluta não teria vindo a troika.”. Nuno Melo que tem sempre as baterias apontadas ao PS, não perdeu tempo em tecer considerações sobre a afirmação. Por ser intelectualmente desonesto ou então completamente estúpido, apressou-se a enquadrar a afirmação de Edite Estrela no cenário pós-eleitoral das Legislativas de 2011, o que desvirtua completamente a análise. Toda a gente percebeu que Edite Estrela se referiu ao cenário de uma maioria absoluta socialista, no período pós-2009. Mas Nuno Melo, que só sabe cantarolar duas notas e já não aguentava mais um dia sem falar do PS (e José Sócrates) desatou a cucar. E como o seu alvo preferido dentro do PS é José Sócrates, que mesmo estando preso continua a tirar-lhe o sono, voltou a trazer o seu nome à baila, sustentando o seu fraco raciocínio no habitual rol de mentiras, que surtiram efeito na campanha de 2011 e que por isso continuam a ser exploradas até à exaustão.

 

Afirmações como: “O memorando de entendimento entre o Estado português e a ‘troika’ foi subscrito a 17 de Maio de 2011, por José Sócrates”. Toda a gente bem informada sabe que o memorando de entendimento foi assinado pelo governo em funções (o de José Sócrates) e pelos partidos PSD e CDS (o partido de Nuno Melo). O indecente Nuno Melo também é perito a fazer viagens ao passado, mas com muita selectividade, pois há assuntos que não lhe interessa abordar, por exemplo, deve-se ter esquecido que há não muitos anos atrás o seu partido era contra a presença de Portugal na União Europeia e, vejam bem, chegaram mesmo a apresentar a hipótese de referendar o assunto. Nuno Melo, que agora vive das boas regalias que a UE lhe proporciona, pensa de maneira muito diferente e até critica (chegando mesmo a gozar, com aquela superioridade saloia que o caracteriza) o facto de os gregos quererem referendar o pacote de propostas da troika. Mas voltando à selectividade das suas viagens ao passado, Nuno Melo foi cirurgicamente a um discurso de José Sócrates de 2011 para transcrever o seguinte: “Sempre considerei uma ajuda externa um cenário de último recurso. Tudo tentei, mas julgo que chegámos ao momento em que não tomar essa decisão acarretaria riscos que o país não deve correr. Por isso o Governo dirigiu hoje mesmo à Comissão Europeia um pedido de ajuda financeira.”.

 

Pois é. Nuno Melo deveria ter enquadrado melhor estas afirmações, que surgiram na sequência do chumbo do PEC IV na Assembleia da República, em que o CDS de Nuno Melo não perdeu a oportunidade de se lançar ao poder, dizendo “NÃO” às propostas do governo de José Sócrates. Propostas essas que receberam o total apoio do BCE, da Comissão Europeia, do Conselho Europeu e até do governo da Sra. Merkel. Se bem se lembram, na altura a Sra. Merkel afirmou em pleno Bundestag, que a decisão do parlamento português em chumbar o PEC IV foi irresponsável. Mas isso são factos que a memória de Nuno Melo guarda nos recônditos e obscuros corredores da sua cabecinha oca. Na altura discordava completamente do que dizia a Sra. Merkel, mas agora lambe-lhe as botas.

 

Se há alguém que tem estado em negação, esse alguém é o cuco-político Nuno Melo. Mas a negação tem sido tão constante, que as pessoas já se habituaram e muitos até embarcam nelas. É como as mentiras do Passos Coelho.

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