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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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A propaganda tácita de Portas

A Comissão Nacional de Eleições decidiu, hoje, que Paulo Portas não fez propaganda eleitoral no dia das eleições presidenciais, quando disse que "achava que se houvesse boa participação, as eleições poderiam ficar resolvidas à primeira volta e que aquilo que se pode resolver à primeira não deveria ficar para uma segunda, porque nunca se sabe como termina".

 

É óbvio que Portas fez apelo ao voto, no caso concreto, em Marcelo Rebelo de Sousa, o único que poderia vencer as eleições numa primeira volta. Negar esta evidência é estúpido. O mais grave das declarações de Portas vem mesmo na parte final, quando diz que "uma segunda volta nunca se sabe como termina". Portas apelou implicitamente ao voto em Marcelo, alertando para a possibilidade (muito grande) deste não ter hipóteses de vencer numa segunda volta.

 

A CNE teve a mesma interpretação no dia das eleições, já que proibiu que as declarações de Portas continuassem a ser transmitidas nos órgãos de comunicação social. Depois de terem sido acusados de parcialidade nas decisões, aquando do comportamento que tiveram perante as declarações de António Costa nas Legislativas, mudaram de opinião. Então, hoje, quase pela calada, decidiram que Portas não violou a Lei Eleitoral.

 

Chama-se a isto limpar o rabo com a mão, mas sem papel.

Argumentário de Direita por todo o lado… Eles andem aí...

Primeiramente gostaria de demonstrar o meu espanto pelo facto das gentes de Direita ainda não terem ultrapassado o facto de António Costa ser Primeiro-ministro. São, ainda (e sempre os mesmos), muitos os que insistem em revelar que não são capazes de ultrapassar o facto de Passos e Portas já não estarem no poder.

 

Mas… directo ao que mais me interessa agora, o argumentário da Direita sobre o Orçamento do Estado para 2016 e a forma como o actual governo geriu o processo de negociação com a Europa. Pela primeira vez em 5 anos temos um governo capaz de exercer alguma negociação com a Europa, o documento (OE 2016) obteve luz verde, não é inconstitucional, não corta no rendimento das pessoas e é críticas por todo o lado.

 

Dizem que é um Orçamento do Estado cheio de austeridade de Esquerda. Pois quer-me parecer que essa gente tem muita dificuldade em lidar com a austeridade da Esquerda, preferiam a de Direita. Essa é que era boa. O último governo não fez outra coisa senão aumentar a carga fiscal (e foram tantos os aumentos ao longo de 4 penosos anos, aumentos colossais) e meter a mão nos bolsos dos portugueses para lhes sacar parte substancial dos seus rendimentos. Essa austeridade é que era boa!

 

Alguns chegam a afirmar, no mesmo parágrafo, que este Orçamento do Estado está repleto de austeridade (de Esquerda), mas também é eleitoralista. Deviam felicitar António Costa por conseguir tal proeza. Dizem também que há outro caminho para o país, que não se deve retirar milhões (em impostos) à economia, às famílias e às empresas. Estarão eles a falar dos OE do anterior governo? Estarão eles, agora, preocupados com as famílias?

 

A verdade é que o OE2016 é muito mais amigo da economia, das famílias e das empresas do que qualquer OE dos últimos anos. Se me perguntarem se eu acho que vai ser um bom ano para Portugal e para os portugueses, eu respondo que vai depender muito da execução orçamental, contudo, posso desde já afirmar que não é um Orçamento que me agrade, mas que é indubitavelmente melhor do que os últimos quatro, lá isso é. Ah! E não é inconstitucional…

 

Negar estas evidências é próprio da Direita. Mistificar é um dos principais atributos da Direita. Eu já me habituei a isso, eles é que ainda não se cansaram.

Como seria o Orçamento do Estado, se fosse a direita a governar?

O Orçamento do Estado recebeu luz verde em Bruxelas. Houve negociação, diálogo e a coisa chegou rapidamente a bom porto. Não era de esperar outro desfecho nesta Sexta-feira. Nem a Comissão Europeia nem o Governo Português tinham interesse em criar um conflito nesta negociação.

 

Contudo, convém alertar que este foi o primeiro Orçamento apresentado por este governo (de esquerda), orçamento que ainda não entrou na fase de execução, pelo que será de esperar que da Europa venham mais "ameaços" no futuro. 

 

No que à política interna diz respeito, deve-se salientar que, afinal, o "orçamento de ficção" que a direita falava, que a telenovela que estava a começar e que nos reservaria desagradáveis surpresas, acabou por culminar num documento credível. Saliente-se ainda o facto de, pela primeira vez em cinco anos, temos um Orçamento do Estado que não tem que recorrer às privatizações e habituais delapidarias de património e, acima de tudo, ao corte no rendimento das pessoas.

 

Vejamos alguns dos destaques deste Orçamento do Estado:

 

Não há privatizações

Compreende-se que desagrade à direita...

 

Não há subtracção ao rendimento das pessoas

O OE pode não ser o ideal (e não é certamente), mas é notável a intenção de não sobrecarregar mais a vida das pessoas com cortes no rendimento, como fez o anterior governo em todos os 4 Orçamentos apresentados.

 

Aumento do ISV (imposto sobre veículos)

Que alguém me explique por que razão não é uma boa medida...

 

Taxas moderadoras 25% mais baixas e maior abrangência na isenção

Pois... é mais uma das medidas que não cabe no conceito de social-democracia da direita...

 

IVA restauração a 13%

É verdade que representa uma perda de receita para o Estado, contudo, é algo que já deveria ter acontecido em anos anteriores. O sector da restauração sofreu bastante com o aumento da taxa de IVA. Muitos estabelecimentos fecharam, muitas pessoas foram para o desemprego...

 

Aumento dos apoios aos mais carenciados

Social-Democracia Sempre! É o lema de Passos Coelho...

 

Aumento do imposto de selo no crédito ao consumo

Qual o espanto?!

 

Aumento do imposto sobre o tabaco

Quem prejudica deliberadamente o seu estado de saúde (e, muitas vezes, o de terceiros) deve pagar...

 

Cerveja e bebidas espirituosas (+ 3%)

Nada de anormal...

 

Portanto, temos um Orçamento do Estado que tem luz verde em Bruxelas, que certamente não será considerado inconstitucional e que representa, ainda que tenuemente, um passo importante na correcção dos males que foram feitos em anos anteriores. É um documento mais justo e mais equilibrado. Mas está longe de ser o ideal.

 

Imaginem se fosse a direita a governar...

José Veiga: a Justiça é mesmo lenta!

Há muitos anos que o Sr. Joaquim de Cavez dizia para se investigar o Veiga, a Justiça não lhe deu ouvidos e deu no que deu.

 

Aprendam senhores altos magistrados. A sabedoria popular é algo que, não raras vezes, para além de assertiva costuma escapar aos que confinam o seu raciocínio em função de meia dúzia de alfarrábios que leram à meia-luz. 

 

Grande Joaquim de Cavez! Um visionário!

 

 

 

 

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