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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

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O PCP continua a surpreender… Infelizmente, pela negativa

Depois da estúpida medida dos manuais escolares gratuitos para todos, agora é o apoio extraordinário para os desempregados de longa duração.

 

Não deve haver ninguém neste país que defenda a existência de um Estado social que proteja os mais desfavorecidos como eu defendo. No entanto, não consigo perceber por que razão se implementam medidas discriminatórias.

 

Veja-se, a proposta do PCP (aceite pelos socialistas) visa conceder um apoio extraordinário a todos os desempregados que já tenham recebido o subsídio social de desemprego (inicial ou subsequente), por um período adicional de seis meses (o valor deverá oscilar entre os €268,00 e os €335,00 mensais).

 

Então, por que razão ficam de fora os desempregados de longa duração que nunca receberam subsídio de desemprego nem subsídio social de desemprego?

 

Repare-se bem. Existem muitos desempregados, nomeadamente os que trabalharam a recibos verdes, que efectuaram muitos descontos para a Segurança Social, em muitos casos estamos a falar de descontos de montante muito superior a quem, por exemplo, trabalhou por conta de outrem e recebia o salário mínimo, e que nunca tiveram direito a qualquer apoio do Estado. Ou seja, não só não tiveram direito a subsídio de desemprego e subsídio social de desemprego quando ficaram sem trabalho, como também não terão direito a receber este apoio extraordinário.

 

Espanta-me que o PCP não se tenha lembrado daqueles que trabalharam a recibos verdes. Há não muito tempo eram os que mais reclamavam justiça para este tipo de trabalhadores, mas agora que têm algum poder de negociação como o Governo esqueceram-se. Lamentável.

 

Não esquecendo o contributo positivo que têm dado nesta fase inicial da governação socialista, o PCP tem surpreendido, pela negativa, com a apresentação de algumas medidas que não só acentuam as desigualdades, como são claramente discriminatórias.

O Papa Marcelo

Depois da euforia da maralha aquando da tomada de posse na passada Quarta-feira, o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido, hoje, com nova enchente popular na cidade do Porto.

 

Marcelo, onde quer que vá é recebido como se fosse o Papa. Eu acho que isso se deve ao efeito diabólico de dez anos de cavaquismo na Presidência. Qualquer um que se lhe seguisse arriscava-se a ser visto como um discípulo do Senhor. Veremos até quando durará este estado de graça.

 

Para já permaneço com a grande dúvida: é em Lisboa ou no Porto que existe mais telespectadores da Quinta das Celebridades, Casa dos Segredos e afins?

Manuais escolares gratuitos? Sim. Para todos? Não.

O Ministério da Educação anunciou que a partir do próximo ano lectivo, os manuais escolares do 1.º ano lectivo serão gratuitos para todos os alunos, repito, todos os alunos.

 

Esta medida custará ao Estado cerca de três milhões de euros, só para um ano lectivo. O governo pretende dar início a um modelo que venha a tornar gratuitos não só os manuais escolares, mas também todos os recursos didácticos e para todos os anos de escolaridade obrigatória, indo assim ao encontro do cumprimento da Constituição, que defende o princípio da gratuitidade do ensino.

 

Eu concordo que o ensino deva ser tendencialmente gratuito, principalmente durante os anos de escolaridade obrigatória. O que eu não consigo aceitar é que esta medida abranja todos os alunos que frequentam o ensino obrigatório. Todos os alunos? Mas que cegueira ideológica é esta? Faz algum sentido que os alunos, cujos encarregados de educação disponham de elevados rendimentos usufruam deste benefício? É claro que não. Eu sou o primeiro a defender os princípios da igualdade e da justiça social, mas fazer com que o Estado se responsabilize pelo custo educacional de um aluno carenciado na mesma medida que se responsabiliza pelo custo de um aluno abastado é a violação destes dois princípios no seu melhor.

 

Implementar esta medida de forma universal e indiscriminada é contribuir para acentuar as desigualdades e, acima de tudo, para um desnecessário acréscimo de custos ao Estado. Se o Estado Português fosse rico e andasse a nadar em dinheiro, tudo bem, mas infelizmente não é o caso. O Governo deveria empenhar-se em atenuar as desigualdades sociais, em equilibrar a balança, afinal, é esse o principal papel do Estado. Gratuitidade para todos é uma tremenda estupidez e revela alguma incompreensível falta de noção da realidade.

 

Exemplo ilustrativo:

 

Um casal com dois filhos a frequentar o ensino escolar obrigatório, que disponha de um rendimento mensal de €600,00 terá acesso a manuais escolares e restante material didáctico para ambos os filhos, gratuitamente.

 

Um casal com dois filhos a frequentar o ensino escolar obrigatório, que disponha de um rendimento mensal de €5.000,00 terá acesso a manuais escolares e restante material didáctico para ambos os filhos, gratuitamente.

 

Senhores governantes conseguem vislumbrar as diferenças?

A propósito do Dia da Mulher

Hoje celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Nunca percebi a razão pela qual é necessário atribuir uma data para se celebrar o papel da mulher na sociedade. Os homens também fizeram revoluções, também entraram em lutas políticas e sociais, e ninguém se lembrou de criar o Dia do homem. Nem fazia sentido, tal como não faz sentido nenhum assinalar no calendário o Dia da Mulher.

 

Esta é mais uma estupidez feminista que, ao invés de dignificar as mulheres, rebaixa o seu papel na sociedade. Se eu fosse mulher sentir-me-ia humilhada.

 

Instituir esta data é uma boçalidade feminista e, ao mesmo tempo, não podia ser mais machista. Ele há coisas…

O que não se diz da Maria Luís

Muito se tem dito sobre a contratação de Maria Luís Albuquerque por parte da empresa Arrow Global, mas muito poucos ou ninguém é capaz de dizer aquilo que deve ser dito.

 

Manuela Ferreira Leite classificou o caso como “ausência total de bom senso” por parte de Maria Luís Albuquerque.

 

José Gomes Ferreira, sempre muito visceral neste tipo de situações, limitou-se a dizer que “há incompatibilidade de funções”, mas logo se apressou a acrescentar que não está em causa o carácter da pessoa.

 

Passos Coelho disse… quer dizer… primeiro não disse nada, necessitou de dormir umas horas sobre o assunto para depois actuar como sempre, de forma insolente e desavergonhada, tal como fez em Setembro quando o país ficou a saber que Maria Luís Albuquerque (ex-ministra das finanças) havia dado ordens para que se ocultasse os prejuízos no BPN. Passos Coelho, que aprendeu nos livros desta senhora e que também padece da ausência de vertebras, disse que Maria Luís está de parabéns pela brilhante contratação. Disse ainda as habituais coisas de pacóvio deslumbrado, tais como, “isto não é para qualquer pessoa”, que "a Arrow é uma empresa de grande prestígio em Londres”, “que ela (Maria Luís) se pode sentir orgulhosa por ver o seu valor reconhecido por uma empresa importante”.

 

Passos Coelho disse também que “não há nenhum impedimento legal”. Pois não. Não há porque PSD e CDS chumbaram a proposta de lei que visava impedir estas situações.

 

Mas o que mais me espanta é aquilo que não se diz sobre Maria Luís Albuquerque. Da parte dos partidos de Esquerda, nomeadamente do Bloco e do Partido Comunista chovem críticas mas, a meu ver, contidas de mais. Já da parte do Partido Socialista pouco se ouve. António Costa remete para a subcomissão de ética do Parlamento que vai “discutir” o assunto, aliás, a pedido da própria Maria Luís Albuquerque. E “discutir” é a palavra certa, já que desta subcomissão não vai sair nada. Absolutamente nada de substancial. Apenas o veredicto de que a ex-ministra não está a agir à margem da lei, por essa razão é que ela própria se apressou a pedir a esta subcomissão que se pronunciasse.

 

Eu não quero saber se é ilegal ou não, muito menos se o Parlamento vai considerar como ético ou não. O que eu sei é que uma pessoa que há poucos meses era Ministra das Finanças, a principal responsável pela gestão da dívida portuguesa, vai agora encabeçar a administração de uma empresa que lucrou e continua a lucrar com a especulação dessa dívida. A agravar tudo isto acresce o facto da ex-ministra ser deputada em exercício de funções. Como pode a mesma pessoa estar ao serviço do Estado Português na Assembleia da República, onde em princípio está a defender o “interesse nacional” e estar também ao serviço de uma empresa privada que obtém lucros com a desgraça das contas do país?

 

Por que razão Maria Luís Albuquerque atrasou a resolução do caso Banif (enquanto ministra das finanças), fazendo com que a empresa na qual vai agora servir-se encaixasse milhões de euros?

 

O que é preciso dizer bem alto é que, para além da falta de ética, moral, bom senso e da incompatibilidade de funções, Maria Luís Albuquerque não passa de um pau-mandado ao serviço de grupos privados que sugam os Estados por via dos mercados de capitais altamente especulativos e, acima de tudo, gravemente viciados como se pode ver. Estas empresas colocam os seus paus-mandados nos governos, para tomarem decisões a seu favor e em troca disso prometem-lhe uns cargos não executivos, onde os invertebrados serão muito bem recompensados pelo proveitoso servilismo evidenciado.

 

Isto não é apenas falta de carácter e bom senso é, acima de tudo, uma tremenda filha da putice que alguém está a fazer ao seu país, estando o povo a pagar pelos brilhantes serviços prestados aos especuladores financeiros. A referida senhora vai agora servir de forma oficial aqueles que tem vindo a servir por obséquio e, ainda assim, pretende e, ao que tudo indica vai mesmo continuar a sugar o Estado Português, quer por via endógena quer a partir do exterior.

 

Trata-se de uma pessoa rasteira, sacana, canalha e desleal.

 

Gentalha deste calibre não deveria sequer ser digna de ocupar uma cela numa qualquer cadeia portuguesa, deveria sim ser deportada para o Brasil, numa barcaça de papelão.

Vai haver bastonada?

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros disse, no passado Sábado, que a eutanásia já se pratica no Serviço Nacional de Saúde. Pode não ter dito com todas as letras, mas fê-lo implicitamente quando afirmou:

 

"...houve médicos que sugeriram administrar insulina àqueles doentes, para lhes provocar um coma insulínico...".

"...eu não estou a chocar ninguém porque quem nos está a ouvir e que trabalha no SNS sabe que estas coisas acontecem...".

"...eu não estou a dizer que as pessoas o fazem...": esta é a frase a que agora a bastonária se atém para tentar desdizer aquilo que efectivamente disse. Naturalmente que depois das polémicas declarações, os advogados da Ordem dos Enfermeiros estiveram a escalpelizar as afirmações da senhora bastonária para tentar encontrar algo que pudesse "desculpabilizá-la".

"...sabemos que isto existe e existe por baixo do pano...".

 

Contudo, logo a seguir a estas afirmações, a senhora bastonária da Ordem dos Enfermeiros respondeu o seguinte, quando lhe perguntaram "Está a dizer que a eutanásia já é praticada nos hospitais?":

 

"...sim, mas não fui só eu que disse isso publicamente...". Pronto. Não há como desdizer isto. Aqui a senhora bastonária disse-o explicitamente. Ponto.

 

Eu acredito naquilo que a senhora bastonária disse. Eu acredito que existem médicos que, isoladamente ou em equipa tomam este tipo de decisões, com ou sem consulta dos familiares e/ou dos próprios doentes. A Ordem dos Médicos que, como sempre, está lá para defender toda e qualquer prática médica, as competentes e as incompetentes, as cuidadosas e as negligentes, as legais e as ilegais, bem como os administradores hospitalares sabem muito bem o que se passa. No entanto, creio que depois de tais afirmações, as de Sábado e as de Segunda-feira, não resta outra saída à senhora bastonária da Ordem dos Enfermeiros que não seja a sua demissão.

 

Não obstante, a bastonária acabou por prestar um bom serviço ao país, ao levantar o pano debaixo do qual estas coisas se fazem. 

 

E assim está declarada a guerra entre enfermeiros e médicos. Se o ambiente entre estas duas classes já não era o melhor, então, a partir de agora as coisas tendem a piorar. E, uma vez mais, quem sai a perder são os doentes. Quem sabe se nalguns casos não perdem mesmo a vida. Era só à bastonada!

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