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Iggy Pop o eterno Real Wild Child

RECOMENDAÇÃO #7

 

ARTISTA: Iggy Pop

ÁLBUM: Post Pop Depression

Data de lançamento: 18 de Março de 2016

 

 

Já há muito tempo que não fazia nenhuma recomendação musical. Se bem que o estado em que a indústria musical se encontra não permite fazer grandes sugestões. Mas este trabalho não pode passar em claro. Iggy Pop lançou há poucas semanas o seu décimo sétimo álbum cujo título é “Post Pop Depression”.

 

Não vou dizer que é uma obra de arte, ou que Iggy Pop reinventou o rock com este seu último trabalho. Mas também não me parece que alguém estivesse à espera disso. O que posso afirmar é que se trata de um trabalho bastante sólido do artista, que contou com a produção de Josh Homme (Queens Of The Stone Age). Quase na casa dos 70, Iggy Pop aparece de novo em cena com um álbum de originais, composto por 9 temas de excelente qualidade e prova que continua um “Real Wild Child”.

 

Não, isto não se ouve nas rádios.

 

Aqui fica o single de apresentação do álbum, Gardenia.

 

 

Umas valentes bofetadas levavas tu…

O “ainda” ministro da cultura João Soares volta a protagonizar uma lamentável cena de degradação pessoal e política. A primeira forma de degradação pouco me importa, já a segunda causa-me alguma indignação. Não suporto quando vejo um indivíduo hospedado num alto cargo público a aproveitar-se disso para expurgar as suas frustrações.

 

As últimas afirmações de João Soares não são surpreendentes, pela pessoa que ele é e sempre foi, no entanto, chego a ficar encolerizado quando constato que alguém, seja quem for, usa um alto cargo da nação para travar tricas pessoais, ridicularizando a figura pública que representa e, mais grave ainda, o próprio Estado Português.

 

Nem me vou dar ao trabalho de me pronunciar quanto à forma e aos meios com que se tem dirigido aos que o têm criticado. Apenas gostaria de salientar que João Soares, além de não ter capacidade política para desempenhar as funções de que foi incumbido, não passa de um indivíduo mal-educado, cuja maturidade encalhou algures na adolescência.

 

Depois dos sucessivos episódios de indecência, não creio que reste a António Costa outra opção que não seja a sua destituição do cargo, já que não será de esperar que o próprio se demita. António Costa tem que actuar e já. E deveria pensar muito bem antes de escolher alguém para tão importantes funções, coisa que objectivamente não fez quando optou por convidar João Soares para a pasta da Cultura.

 

João Soares ficará na história como um indivíduo mimado que nunca levou uns tabefes para aprender a comportar-se. Bem falta lhe fez e ainda hoje a sua personalidade reclama desse défice.

A farsa continua

Passos Coelho e seus fiéis correligionários estão reunidos durante este fim-de-semana, na nave de Espinho, onde decorre o Congresso do PPD/PSD.

 

O mote da campanha de candidatura de Passos Coelho à liderança do seu partido foi “Social Democracia Sempre”, contudo, o que se pode ler (em letras garrafais) na parede de fundo da nave é “Compromisso Reformista”. Quer-me parecer que Passos Coelho conseguiu finalmente perceber que a social-democracia não é a sua praia.

 

Passos Coelho aparece neste congresso com uma nova semântica. Nota-se que também já conseguiu perceber que tão cedo não haverá eleições, coisa que ele não deseja nem nunca desejou. Todos sabemos que Passos Coelho quer “que se lixem as eleições”.

 

O que se pode dizer da “nova” estratégia de Passos e seus fiéis? Bem, apenas se pode inferir que a farsa continua. Passos continua agrilhoado à técnica do disfarce que ele tão bem domina. Vejamos, referiu-se ao actual governo e à maioria parlamentar que o sustenta com brandura, chegando mesmo a pronunciar-se em tom elogioso. E ainda aproveitou para atirar abraços fraternos e beijinhos muito docinhos a "Rebelo de Sousa". Disse que não vai instrumentalizar o Presidente da República, enquanto o fazia despudoradamente, chegando mesmo a alvitrar o que devem ser as funções presidenciais, como se isso não estivesse plasmado na Constituição. Ah pois! Às vezes eu esqueço-me que Passos Coelho desconhece a CRP. Disse que o Presidente da República deve desempenhar o seu cargo assumindo “identidade política”, para logo a seguir meter os pés pelas mãos e acrescentar que aquilo que acabara de dizer “não se prende com a figura de Rebelo de Sousa enquanto Presidente” mas sim “à ideia que temos do que é o Presidente da República enquanto instituição”. Ou seja, Marcelo enquanto Presidente da República não deve assumir identidade política, mas o Presidente da República enquanto instituição sim. Que finura de pensamento!

 

Só quem estiver muito distraído é que não percebe que Passos Coelho está a fazer o habitual número de circo, em que ele costuma vestir a mais que esburacada farpela de ironia saloia. Portanto, mais um congresso, mais do mesmo, dissimulação quanto baste, sarcasmo barato acompanhado de umas valentes doses de labreguice.

 

Resta-me, por último, salientar só mais um ponto que me parece ser digno de destaque e que, no fundo, corrobora tudo o que acabei de escrever. Passos Coelho lançou um repto aos seus adversários políticos, desafiando-os a aceitar rever a Lei Eleitoral. Ou seja, Passos Coelho desafia a nova maioria parlamentar (com pouco mais de 4 meses) a fazer aquilo que ele e a sua maioria não foram capazes, não quiseram e não se interessaram em fazer ao longo de uma inteira legislatura (4 anos). Toda a gente sabe que partidos como o BE e o PCP não estão interessados numa revisão da Lei Eleitoral, que seria penalizadora para a representatividade dos partidos mais pequenos. Portanto, lançar este desafio é uma tremenda idiotice, só aceitável no contexto de um congresso laranja. Será que é a única coisa de que se lembrou para tentar fissurar a actual maioria parlamentar? É muito pouco para o líder de um partido que se afirma como o maior de Portugal.

 

Passos Coelho não consegue ser diferente disto, foram muitos anos de jotice e muitas universidades de verão. Está-lhe no sangue. E, por isso, a farsa continua.

 

P.S. Falta fazer referência à pérola que Passos Coelho nos concedeu... Passos disse: "O Estado não deve negociar com privados". Bem podia ter acrescentado que "os privados é que devem fazer negócios à sombra do Estado", ou que "o Estado deve submeter-se sempre à vontade de privados e nunca negociar", ou ainda, que "com os privados, o Estado só deve negociar contrapartidas em forma de tacho para os amigos", tal como aconteceu na EDP (por exemplo) onde Passos Coelho e Maria Luís negociaram excelentes contrapartidas para Eduardo Catroga e António Albuquerque (marido da ex-ministra, cuja integridade é inquestionável).

Ó Maria Luís, se dúvidas houvesse...

A propósito de ter aceitado o cargo de administradora não executiva na empresa Arrow Global, que lucra muito com a dívida portuguesa, Maria Luís Albuquerque disse:

 

“Para mim a ética não é uma questão de tempo. Se em algum momento eu tivesse algum acto, enquanto governante, dado a esta empresa algum tipo de tratamento privilegiado ou algum tipo de benefício, não iria trabalhar para esta empresa nem agora, nem daqui a três anos, nem daqui a cinco, nem daqui a seis. Para mim a ética não é uma questão de tempo. Muitas das pessoas que falaram, falaram com ignorância, populismo e má-fé”.

 

Recorde-se que Maria Luís Albuquerque foi a anterior ministra das finanças (até há bem pouco tempo) e que continua a ser deputada na Assembleia da República, acumulando essa função com a de administradora de uma empresa que lucra muito dinheiro com a desgraça da nação que ela supostamente também defende. Tudo muito ético, portanto.

 

Costuma-se dizer que mais depressa se apanha um aldrabão do que um coxo. Escalpelizemos, então, as muito recentes e peculiares afirmações de Maria Luís. Ela começa por dizer que “a ética não é uma questão de tempo” e que “se algum dia tivesse dado tratamento privilegiado ou algum tipo de benefício à empresa Arrow Global…”; Vejamos, de facto, a ética é algo atemporal, pelo menos a ética daqueles que a prezam. Já em relação a ter dado tratamento privilegiado à empresa Arrow (algo que a mim não oferece qualquer dúvida), enquanto ministra das finanças, não é isso que os seus adversários políticos têm dito. O que disseram foi que, depois de ter ocupado o cargo de ministra das finanças, Maria Luís está na posse de informação privilegiada que pode render muito à empresa que agora a contratou, algo que pode ser altamente lesivo para o Estado português – e isso é, no mínimo, falta de ética.

 

Mas o mais curioso foi o facto de ter dito que “Se em algum momento eu tivesse algum acto, enquanto governante, dado a esta empresa algum tipo de tratamento privilegiado ou algum tipo de benefício, não iria trabalhar para esta empresa nem agora, nem daqui a três anos, nem daqui a cinco, nem daqui a seis.”. Esta é a frase que demonstra bem a idoneidade de Maria Luís Albuquerque. Para ela, a ética não é uma questão de tempo, a não ser que já tenha passado seis anos, já que não foi capaz de dizer que jamais seria capaz de trabalhar para uma empresa como a Arrow Global. Segundo ela, não seria capaz de tal aberração, no máximo, nos seis anos subsequentes à sua saída do Ministério das Finanças. Outra ilação (e esta é a melhor) que se pode retirar desta afirmação é o facto de Maria Luís dizer que se tivesse beneficiado esta empresa enquanto ministra, agora não aceitaria trabalhar para ela. Mas isto faz algum sentido? Partindo dessa suposição, que ela própria formulou, a falta de ética (eu diria mesmo, o crime) não estaria, nem começaria, só no momento em que aceitou o rendoso tacho que lhe foi oferecido na Arrow Global, mas principalmente, no facto de, enquanto ministra, ter beneficiado uma empresa privada e prejudicado o Estado.

 

Isto é o mesmo que alguém dizer: “Se um dia eu me divorciar da minha mulher, por tê-la traído com outra, jamais aceitarei envolver-me com “a outra” a partir da data da separação”. Isto é lógico? Claro que não.

 

Depreende-se, portanto, que a consciência de Maria Luís só lhe pesaria depois de quebrar o vínculo com a parte lesada, talvez seja essa a razão que a leva a manter-se vinculada ao Estado português, via deputada à Assembleia da República. Assim continua tudo bem.

 

Isto é revelador de uma desesperada necessidade de querer parecer o que não se é. Este tipo de raciocínio, baseado em premissas inquinadas, normalmente denuncia a perfídia de quem o exerce.

 

O que para já faz todo o sentido afirmar é que, afinal, para Maria Luís Albuquerque, a ética tem prazo de validade e é um prazo bem inferior a seis anos.

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