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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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So long, Mr. Golden Voice

Três semanas após o lançamento do seu último álbum de originais “You Want It Darker”, Leonard Cohen deixa-nos e parte para o merecido descanso eterno. Eu ainda mantinha a esperança que não nos deixasse já, mas ele avisou-nos que estaria para breve, naquele seu jeito muito peculiar de descomplicar as coisas mais complexas e indefinidas, como a morte.

 

Muito poderia escrever sobre Leonard Cohen, mas hoje secaram-se-me as palavras… Resta-me a certeza que o Grande Leonard Cohen encontra-se agora, e para sempre, na penthouse da Tower of Song.

 

E assim termino, com uns versos de Tower of Song…

 

Now I bid you farewell, I don’t know when I’ll be back

They’re moving us tomorrow to that tower down the track

But you’ll be hearing from me baby, long after I’m gone

I’ll be speaking to you sweetly from my window in the Tower of Song

 

 

Pink Floyd só para fãs com poder de compra

RECOMENDAÇÃO #9

 

ARTISTA: Pink Floyd

ÁLBUM: The Early Years 1965-1972

Data de lançamento: 11 de Novembro de 2016

 

Ora aqui está uma excelente ideia para prenda de Natal (se alguma alma generosa me quiser oferecer...). Os Pink Floyd lançam esta Sexta-feira uma caixa com 27 discos (mais de 11 horas de áudio, mais de 14 horas de audiovisual, 20 canções não editadas, mais de 7 horas de actuações ao vivo nunca antes editadas e muito mais). Uma verdadeira preciosidade para qualquer fã dos Pink Floyd.

 

O período 1965-1972 compreende os primeiros anos da banda, onde Syd Barrett assumiu um papel preponderante, tendo sido o principal compositor. The Early Years 1965-1972 contém faixas inéditas, sessões gravadas para a BBC, remixes, versões alternativas e actuações ao vivo.

 

Esta caixa de raridades é especialmente imperdível para os fãs da era Barrett. Nela se poderá encontrar os inéditos Vegetable Man, In The Beechwoods (também presente na edição duplo CD Cre/ation) e Scream Thy Last Scream (ambos de 1967), canções compostas por Syd Barrett nunca antes editadas, apenas escutadas em alguns concertos da banda.

 

The Early Years 1965-1972 é também uma oportunidade para todos quantos desconhecem ou não conhecem muito bem os primórdios dos Pink Floyd e os alicerces que estão na base do sucesso da banda. Este é o período que compreende as primeiras gravações da banda e antecede o lançamento do álbum The Dark Side Of The Moon, talvez o mais importante álbum dos Pink Floyd (o que mais vendeu) e, sem dúvida, um dos mais influentes álbuns da história da música.

 

Só há um problema: o preço da BoxSet, que anda na ordem das centenas de euros. Algumas lojas em Portugal estão a fazer a pré-venda a cerca de 500 euros. Contudo, é possível adquiri-la online por um preço inferior. Ainda assim, muito dinheiro.

 

Há sempre a opção do duplo CD (The Early Years 1965-1972 Cre/ation) que é bem mais económica (cerca de 20 euros). Mas para os verdadeiros fãs de Pink Floyd e de Syd Barrett, este duplo CD saberá a pouco… Esta edição não contém a tão desejada “Vegetable Man”, entre outras criações de Syd Barrett que só se encontram na BoxSet.

 

Seja como for, um lançamento discográfico desta dimensão merece ser destacado.

Calma! Trump não é o diabo...

Depois de conhecidos os resultados das eleições nos EUA, em que o vencedor foi Donald Trump, aquele país e o resto do mundo entrou numa onda de choque e pesar. A realidade é que Trump venceu e será o próximo Presidente dos EUA. A maioria das pessoas deu por certo que Trump vai pôr em prática tudo aquilo que andou a dizer durante os longos meses de campanha, que nos EUA são um verdadeiro reality show. E todos deveriam saber que ele é bom nesse papel.

 

Mas se nos reality shows qualquer um pode fingir ser quem quiser, na vida real não é bem assim. Sobretudo quando nos referimos ao papel que tem de desempenhar o Presidente dos EUA – o cargo mais importante do mundo, dizem.

 

A cadeira da presidência nos EUA deve ser o lugar mais castrador do mundo. Por muito boas ou más ideias que tenha um candidato eleito, assim que se sentar naquela cadeira vai perceber que a história não é como se pinta.

 

Tenham calma! Trump não vai construir nenhum muro, não vai detonar bombas nucleares, mandar dizimar minorias étnicas ou mandar prender Hillary Clinton. Nada disso. Ao contrário de tudo o que se possa dizer, enquanto Presidente dos EUA, Trump não vai implementar nenhuma das medidas sonantes e absurdas que andou a apregoar durante a campanha.

 

Trump Presidente actuará tal e qual os seus antecessores, como um pau-mandado. Calma! Trump não é o diabo... E se for vai dançar consoante a música. Ali até o diabo é engrupido.

Algumas considerações sobre a Direita

Não é a primeira vez que escrevo sobre os partidos portugueses de Direita e estou convencido que não será a última. É que a Direita é uma coisa tão divertida quanto… Sei lá, como hei-de dizê-lo sem ser deselegante… Eufemisticamente é uma coisa... estúpida. A Direita no poder defende e faz coisas que a Direita na oposição é capaz de negar e contrariar. É esta hilariante dicotomia que me faz, não raras vezes, escrever sobre o assunto. E é tão divertido.

 

Passo a apresentar algumas considerações sobre a dualidade comportamental dos partidos da Direita:

 

- A Direita no poder abomina os sindicatos; a Direita da oposição quer vê-los nas ruas, mais activos que nunca.

 

- A Direita no poder quer a privatização da CGD; a Direita na oposição quer uma CGD 100% pública e com administradores que não tenham os vícios da banca privada.

 

- A Direita na oposição não aceita que o administrador da CGD tenha um salário de 30 mil euros; a mesma Direita no poder tratou de garantir equivalente salário a um seu ex-secretário de estado que se transformou em vendedor de bancos.

 

- A Direita na oposição diz que a CGD está “sem rei nem roque”; a Direita do poder deixou cair o banco do “rei” (da banca) e o banco dos “roque”.

 

- A Direita no poder gostaria que o Tribunal Constitucional deixasse o governo trabalhar como bem entende, deixando de parte as suas funções de fazer cumprir a Lei; a Direita na oposição espera que o TC se pronuncie sobre determinadas medidas do actual governo (nomeadamente sobre a situação dos administradores da CGD).

 

- A Direita no poder ignora a existência do Bloco de Esquerda e acusa-os de jamais conseguirem chegar ao poder; a Direita na oposição fica triste pelo BE “estar à venda por um naco de poder”.

 

- A Direita do poder considera como “inúteis” os partidos mais à esquerda; a Direita da oposição considera-os “idiotas úteis”.

 

- A Direita no poder espreme os pensionistas e a “classe-média”; a Direita na oposição brada pelo aumento das pensões e exige verdadeiras medidas de Esquerda para todos. E, simultaneamente diz que a Segurança Social está quase falida.

 

- A Direita no poder encetou um brutal aumento de impostos; a Direita da oposição não admite nenhuma alteração à carga fiscal e acusa a Esquerda de… aumentar os impostos.

 

- A Direita no poder preparava um corte de 600 milhões de euros na Segurança Social; a Direita da oposição quer um Estado-social mais caridoso e ao mesmo tempo afirma que está em pré-falência.

 

- A Direita no poder defende acerrimamente o ministro (n.º 2 do governo) que não se licenciou; a Direita na oposição exige a demissão de um ministro, cujo chefe de gabinete do secretário de estado não se licenciou.

 

- A Direita no poder só acabaria com a sobretaxa de IRS em 2019 (promessa); a Direita na oposição critica o actual governo por só acabar com a sobretaxa em 2017.

 

- A Direita na oposição exige que o governo resolva diligentemente os problemas que a Direita no poder criou e/ou não foi capaz de resolver.

 

- A Direita no poder desgoverna e age como se estivesse na oposição; a Direita na oposição é uma piada.

 

Em conclusão, a actual Direita (na oposição) continua a afirmar que venceu as eleições do ano passado, continua a insinuar que o actual governo é ilegítimo e continua a falar de José Sócrates. É a mesma Direita que, antes de o actual governo tomar posse afirmou que o “programa eleitoral” do Partido Socialista era muito semelhante ao seu, razão pela qual não deveria ter feito um acordo de incidência parlamentar à Esquerda, mas sim com ela própria. A actual Direita (na oposição) também afirma que quem manda no governo é o BE e o PCP, ao mesmo tempo que reitera que o Orçamento do Estado é um documento repleto de austeridade e sujeito às vontades da União Europeia (tal como eram os seus), e ainda assim votam contra. Confuso?

 

Não. É a Direita no seu melhor.

Passos Coelho e o Salário Mínimo Nacional

Passos Coelho disse que “o aumento do salário mínimo deve estar relacionado com a evolução da produtividade”. Disse ainda que era esta a posição do seu partido quando estava no governo e, portanto, é a mesma agora que está na oposição. Disse ainda que “se a actualização do salário mínimo não reflectir o aumento da produtividade, as empresas perdem competitividade e acabam por gerar menos rendimento e menos emprego do que aquele que gerariam se fossem mais competitivas…”.

 

Toda a gente sabe qual é (e sempre foi) a posição da Direita em relação ao salário mínimo nacional (SMN). Os neoliberais nunca foram, sequer, a favor da existência do salário mínimo quanto mais aumentá-lo (ainda que o tenham feito esporadicamente, sabe Deus com que intenção). Para os neoliberais, o salário mínimo deveria ser aquele que o patrão está disposto a pagar.

 

Vejamos. Passos diz que o aumento do SMN deve estar relacionado com a evolução da produtividade. Trocando isto por miúdos, o que ele quer dizer é que só se deve aumentar o SMN se quem o recebe passar a “produzir mais”. Como se o problema da falta de produtividade se devesse ao baixo desempenho dos trabalhadores. Neste tipo de raciocínio salta logo à vista que, para Passos e sua Direita, as empresas só não produzem mais e não são mais competitivas devido à baixa produtividade da classe trabalhadora. E o que nos apresentam como solução? Não aumentar o SMN. Os neoliberais, que sempre se regeram pela escola neoclássica e pela aversão à intervenção do Estado na economia, nunca admitiram que a falta de produtividade se possa dever a outros factores, tais como, a incompetência dos gestores, a concorrência cada vez mais global, problemas estruturais da economia, a insuficiência de políticas de protecção dos trabalhadores, etc.

 

Não. Para eles a culpa é dos trabalhadores, principalmente daqueles que menos ganham, pelo que consideram aumentar o seu salário, apenas e só, se estes aumentarem a produtividade. Ou seja, esta gente delega naqueles que menos ganham a responsabilidade pelos níveis de produtividade e competitividade, mas só quando ambos são baixos. Repare-se que esta gente não é capaz de pensar na questão de forma inversa, ou seja, na possibilidade de a evolução da produtividade estar relacionada com o aumento do SMN. Quero com isto dizer que, quem é aumentado sentir-se-á motivado a produzir mais, naturalmente. É também importante não esquecer que o aumento do SMN conduz ao crescimento económico, já que a população que o aufere apresenta uma enorme probabilidade de o gastar, promovendo o aumento do consumo e da circulação do dinheiro. Promovendo também a competitividade e a criação de mais emprego. Mas não quero com isto dizer que a questão se esgota por aí.

 

Já Passos Coelho e a Direita que o acompanha pensam no SMN como uma chaga para economia, para a produtividade e competitividade das empresas. Para eles o ideal seria pagar ainda menos do que o actual SMN, ou até mesmo nem pagar nada, em nome da competitividade das empresas.

 

E, já agora, se para Passos Coelho a questão do aumento SMN se prende apenas com a produtividade, eu gostaria de lhe perguntar como pretende solucionar o problema. Como pretende medir a produtividade? A economia de um país apresenta níveis de produtividade diferentes entre sectores. E dentro do mesmo sector, temos agentes económicos com diferentes performances de produtividade e competitividade. Pretenderá Passos Coelho que os mais produtivos suportem o aumento salarial dos que menos produzem? Querem ver que Passos Coelho passou a defender a distribuição equitativa da riqueza?

 

Concluindo, parece razoável afirmar que o aumento do SMN não garante o aumento de produtividade, da mesma forma que a sua estagnação ou até mesmo uma redução ou extinção jamais garantirá competitividade e acréscimo de produtividade, como defende a Direita. O aumento do SMN é uma importante medida de combate à pobreza, e uma importante política de justiça social e protecção dos trabalhadores. É apenas isso.

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