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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

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Schäuble ainda vai perceber como a Alemanha perdeu a guerra

Toda a gente sabe que quem manda na Europa, pelo menos na Zona Euro, é a Alemanha. E também todos sabemos que a Europa do Euro vive um prolongado e arrastado período de retoma. Vivemos numa crise que parece não ter fim, apesar de alguns pequenos sinais positivos. Os níveis de investimento são irrisórios, o desemprego de longo prazo continua acima do normal e a famigerada procura externa tarda em chegar.

 

O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble disse, no início desta semana, que “não existe austeridade na Europa”, algo que, mesmo não sendo verdade o deixa profundamente triste. Nós por cá, já estamos habituados às palermices que Schäuble vai dizendo e já não ligamos. Toda a gente se recorda o que Schäuble tem dito sobre Portugal; “que o país estava no bom caminho até às últimas eleições”, “que Portugal tem que lhe dar ouvidos”, “que Portugal tem que deixar de perturbar os mercados”, etc.

 

Esta semana, Schäuble também disse que “ou a Grécia adopta as reformas necessárias ou sai do Euro”, porque é ele que manda. Entende-se por “reformas necessárias” tudo que não seja austeridade, porque o senhor Schäuble não aprecia esse tipo de rigidez.

 

A Europa está em evidente colapso, pelo menos no que respeita às políticas orçamental e monetária e este fanático continua a não perceber o que se passa à sua volta, usando e abusando daquele insuportável tom hitleriano, desta feita, para ameaçar novamente o povo grego. Cada vez se torna mais óbvio que este Euro não interessa a ninguém a não ser aos alemães, que são os que mais lucraram e lucram com a criação da moeda. O Reino Unido, que nunca esteve inteiramente dentro, prepara-se para ficar completamente fora. O que se passa em Itália e França (sobretudo Itália) faz-nos antever que mais países poderão seguir o caminho escolhido pelos britânicos. Se a Itália sai do Euro, não tenho dúvidas que países como Portugal, Espanha e Grécia saem também, logo de seguida.

 

Esta situação insustentável só se resolverá com uma profunda revisão do Tratado Orçamental e da Política Monetária, caso contrário, o destino será o fim do Euro.

 

Portanto, parece-me óbvio que o castelo de cartas que a Alemanha montou e comanda está sob ameaça de desmoronamento. Contudo, a própria Alemanha continua a comportar-se como se fosse única dona e senhora do espaço europeu, e como se não precisasse de mais ninguém, espalhando o seu nazifascismo pomposamente personificado por Wolfgang Schäuble.

 

Parece que o senhor Schäuble e a senhora Merkel já não se lembram como a Alemanha perdeu a guerra. Mas há uma guerra em curso que estão a perder e, uma vez mais, sem dar conta disso. A história vai-se repetir?

 

Pedido de esclarecimento ao PCP (em nome do povo, pá)

Decorreu este fim-de-semana, em Almada, o XX Congresso do PCP. O mote foi “Democracia e Socialismo” – PCP com os trabalhadores e o povo (o povo, pá). Certo. Há que reconhecer que, não apenas o discurso, mas sobretudo as acções do PCP sempre circundaram estas ideias. O Partido Comunista Português sempre nos habituou aos pregões pelos direitos dos trabalhadores, pela defesa dos mais desprotegidos e a incansável luta pela melhoria das condições de vida de todos os portugueses, sustentando todo o seu discurso em dois pilares essenciais: a Liberdade e a Democracia.

 

Portanto, temos um PCP que não abdica de lutar com todas as suas forças pela defesa de valores como a Igualdade, a Justiça Social, a Liberdade e a Democracia.

 

Mas, em pleno século XXI, no seu XX Congresso, o PCP permite que altos representantes do MPLA (partido que detém o poder executivo em Angola, vai para quatro décadas) discursem na sua “reunião familiar”. Recordemos apenas alguns factos que caracterizam a Angola de hoje:

 

- 70% do povo (o povo, pá) vive com cerca de dois dólares por dia;

- Existe apenas 1 médico para cada 15 mil pessoas;

- Há falta de medicamentos (para o povo, pá);

- Faltam escolas; muitas escolas são improvisadas e sem as mínimas condições (falta de água, casas-de-banho, etc.);

- Acessibilidades terceiro-mundistas;

- O preço do cabaz básico de produtos é demasiado elevado para a maioria das pessoas (do povo, pá);

- É uma “democracia” com 37 anos de Eduardo dos Santos no poder;

- Graves problemas nas condições de habitabilidade; grande parte da população (do povo, pá) vive em bairros de lata;

- É um dos países com o maior índice de mortalidade infantil (senão mesmo o maior).

 

Há décadas que ouço o PCP vociferar contra tudo isto. No entanto, estenderam a passadeira vermelha a uma representante do MPLA, que discursou durante cerca de 5 minutos neste XX Congresso do PCP, onde lhe foi permitido negar todas estas evidências, apresentar uma série de balelas, fazer de Angola o país das maravilhas e ainda atacar todos os que ousam questionar a actuação do governo angolano. No final da sua intervenção, o PCP aplaudiu de pé, esquecendo, pelo menos por instantes, as miseráveis condições em que vive a maioria dos angolanos (o povo, pá).

 

Caros “camaradas” do PCP, há algo de muito errado aqui. Desejam esclarecer ou é para deixar passar, como se não tivesse acontecido?

 

Primeiro de Dezembro

Hoje é feriado nacional, celebra-se o Primeiro de Dezembro, a Restauração da Independência. Muitos dirão: “Olha que novidade!”, mas a verdade é que isto deveria ser notícia de primeira página, afinal, desde 2012 que não celebrávamos este importante feriado.

 

Sei que são muitos os que hoje foram obrigados a ficar em casa contrariados, porque as suas empresas fecharam as portas. Sei também o quanto lhes custa ficar sem produzir cheta numa quinta-feira, mas não duvido que alguns deles vão aproveitar para fazer ponte. Sim, porque estes bravos da produtividade são autênticos mouros de trabalho e quando embalam ninguém os pára, logo, se são obrigados a parar à quinta-feira, então, até segunda.

 

Hoje, os deputados do PSD e do CDS vão estar ao serviço, em sinal de protesto com a reposição deste feriado e de coerência com as posições anteriormente assumidas. Que tocante!

 

 

Deputados “vou ali e já volto”

A propósito do falecimento de Fidel Castro foram apresentados, na passada terça-feira, dois votos de pesar, um apresentado pelo PCP e outro pelo PS. Ambos foram aprovados, mas não por unanimidade. Até aqui tudo bem. Independentemente da minha posição sobre este assunto (votaria favoravelmente) considero que todos os deputados devem ser livres de manifestar as suas intenções como bem entenderem. A Assembleia da República é a casa da Democracia e os deputados não podem ter os seus direitos e deveres amputados. Devem votar de acordo com a sua consciência e no pleno exercício das suas funções.

 

A bancada do PSD, que anda perdida, resolveu ter mais um dos seus achaques e comportou-se com a já habitual disfuncionalidade. Segundo consta, havia indicação da direcção da bancada parlamentar para que todos os deputados do PSD se abstivessem de votar ambos os documentos, contudo, alguns optaram por votar contra, estando agora sujeitos a processos disciplinares por terem violado a disciplina de voto. Disciplina de voto em “votos de pesar”? A disciplina de voto já é algo muito questionável, mas em matérias como votos de pesar é simplesmente ridícula.

 

Mas, ainda mais absurdo foi o facto de vários deputados do PSD, entre os quais as excelentíssimas senhoras donas Maria Luís Albuquerque e Paula Teixeira da Cruz, terem fugido do hemiciclo no momento da votação (segundo corre na comunicação social). Estes deputados não foram capazes de assumir as suas posições. Não foram competentes para exercer o seu direito e dever de votar que, neste caso concreto, está-se mesmo a ver que seria duplamente contra, ou seja, contra a aprovação dos votos de pesar e contra a orientação da direcção da bancada parlamentar. Parece-me óbvio que aquilo que os levou a fugir às suas responsabilidades foi a segunda, o não querer contrariar as ordens do partido. O que torna a situação ainda mais patética. Se queriam votar contra, porque não o fizeram? Não são livres de exercer o seu direito de voto?

 

Como gosto muito de animais e até acho os ratos uns bichinhos simpáticos, costumo apelidar este tipo de deputados de “vou ali e já volto”.

 

Mas a pérola, a ironia de todo este desnecessário imbróglio está na declaração de voto apresentada por alguns deputados do PSD. Reparem, esses deputados justificaram o seu sentido de voto com o facto de não quererem “branquear um ditador”, que não podiam “esquecer as violações da liberdade…” e ainda “a perseguição aos opositores”. Irónico não é? Afinal, parece que na bancada do PSD há quem goste de ditar comportamentos, há quem não aceite a liberdade de voto e, pior ainda, também há perseguição aos opositores dos ditames, já que os infractores poderão vir a ser alvo de processos disciplinares.

 

Ó xôs deputados!

Ó xôs deputados!

 

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