Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

“Não tenho enteados”, só dois ou três

Isto de comentar as escolhas do seleccionador vale o que vale. Até porque não se pode questionar ou contrariar as decisões de algumas pessoas. Ainda assim, não resisto em fazer um pequeno apontamento sobre os eleitos do seleccionador nacional para o Mundial de futebol.

 

Fernando Santos disse que, para ele, "os jogadores são todos como seus filhos" e que "não há enteados". Mas será assim como ele diz? A realidade das suas escolhas mostra-nos que há alguma distinção nos “seleccionáveis”. Há muito tempo que Fernando Santos já vinha a “mandar recados”, dizendo que não havia lugares garantidos, apenas um, o de Ronaldo, afirmação absolutamente ridícula, mas deixemos isso agora de lado. Mas também já se antevia que, afinal, havia lugares garantidos, sim. E não era apenas o de Ronaldo.

 

Se por um lado se compreende bem que jogadores como Patrício, Quaresma, Moutinho ou Bernardo Silva tivessem os lugares garantidos, por outro lado não se compreende a presença de alguns, apesar de também eles terem lugar assegurado há muito tempo. Refiro-me ao Adrien Silva e ao João Mário, mais concretamente. Nem sequer vou questionar a presença do William Carvalho que, na minha opinião nem sequer é jogador de futebol, mas isso pode ser rebatido com o argumento de que é um grande jogador e que tem, há vários anos, inúmeros gigantes europeus atrás dele, mas que nunca concretizaram. Enfim, deixemos isso de lado e voltemos ao Adrien e ao João Mário. Trata-se de dois jogadores que tiveram épocas bastante apagadas, Adrien só começou a jogar em Janeiro, como se sabe, e jogou apenas meia-dúzia de jogos completos. Muito pouco para merecer a presença na fase final do Mundial. João Mário também não teve uma época feliz e a sua presença é questionável.

 

Se atentarmos nas justificações dadas por Fernando Santos em relação às ausências de Éder ou Nani, verificamos que as mesmas assentam que nem uma luva para jogadores como Adrien ou João Mário. Mas o Fernando Santos é que sabe. Ele é que é o seleccionador. Agora, não nos queira tomar por parvos, quando diz que só há filhos e não há enteados. A presença de Adrien e João Mário, sobretudo a de Adrien demonstra bem a existência de filhos e enteados.

 

Do Sporting não se aproveita nem os jogadores

Já sabíamos que o Presidente do Sporting é um indivíduo quezilento, para não chamar outra coisa e que, desde que chegou à presidência do clube, mostrou bem ao que vinha. Também sabíamos que Marta Soares, o Presidente da Mesa da Assembleia, é uma pessoa pouco ponderada, que desliza rapidamente para a confrontação e o incendiarismo, logo ele que também é Presidente da Liga dos Bombeiros.

 

Jorge Jesus, o responsável máximo pela equipa técnica, também não é o tipo de pessoa que costume pôr água na fervura, antes pelo contrário.

 

Já em relação aos adeptos, o Sporting também tem algumas peculiaridades a salientar. A saber, o facto de ser o único clube em Portugal, em que as claques se envolvem em pancadaria, uma contra outra subentenda-se.

 

Ontem, um grupo de "adeptos" do Sporting (com as caras tapadas) invadiu a sessão de treinos em Alcochete, com o objectivo de agredir os jogadores. Acho que é o momento certo para que os clubes repensem a forma como contribuem para a existência deste tipo de gente, a quem chamam de Grupos Organizados de Adeptos. Não haja dúvida que são bem organizados. Esta gentalha gravita à volta dos clubes, com o especial patrocínio dos dirigentes dos clubes, pelo que não estou nada surpreendido com o que aconteceu. 

 

Mas o que eu gostaria de salientar é a postura dos jogadores do Sporting, principalmente após este incidente. Segundo consta, alguns jogadores pretendem rescindir com o clube alegando justa causa. Tenho sérias dúvidas acerca da exequibilidade desse tipo de rescisão, mas admitamos que sim. O que me parece é que alguns jogadores até agradecem o incidente ocorrido, mesmo tendo levado umas chapadas, só para engendrar uma desculpa para zarpar a sete pés de Alvalade. Não me parece uma atitude digna de quem, supostamente, tem orgulho em vestir a camisola do Sporting.

 

Pois é, parece-me que no Sporting o único que se aproveita é mesmo o Paulinho.

Tony Carreira e Deus

tony_livro.jpg

Já não é novidade para ninguém que aqui no Contrário somos todos grandes fãs do Tony Carreira, daí que falemos dele com alguma frequência.

 

Agora, fazemo-lo na sequência da apresentação da sua autobiografia “O Homem Que Sou”, assim com maiúsculas e tudo, porque com este “Homem” é sempre tudo em Grande. Este livro autobiográfico celebra os seus 30 anos de carreira que, na verdade, e quem ler o livro perceberá porquê, celebra mais os 3 meses de carreira do Tony e os 29 anos e 9 meses da carreira dos outros. Mas, aceitemos a falácia, ou não fôssemos nós os maiores fãs do Tony.

 

Na sessão de apresentação, ontem, Tony fez questão de desabafar o que lhe vai na alma dizendo o seguinte: “Deus perdeu mais tempo comigo, sou um privilegiado”. E é a pura verdade, doa a quem doer. Deus perdeu mesmo mais tempo a “fazer o Tony”.

 

Toda a gente sabe que Deus nos faz à sua imagem e semelhança. E que utiliza uma forma ou molde para o efeito, destruindo-o de seguida, para se assegurar que não haverá imitações. Deus não aprecia plagiar, como sabem.

 

Mas, no caso do Tony foi diferente. Quando Deus teve que fazer o Tony, não tinha nenhum molde disponível, só que o Tony estava com muita pressa para ser concebido. Então, Deus foi ao aterro dos moldes, pegou num amontoado de cacos e colou-os com muito cuidado, para fazer o molde do Tony. Um caco pertencia ao molde que servira para fazer o Rudy Pérez, outro era do molde do Jean-Jacques Goldman, outro dos elementos da banda Tremeloes e outro dos Pimpinela, os restantes ainda não se sabe a quem pertenciam. É algo que está no segredo dos deuses.

 

Tony é mesmo um privilegiado.

Casting da Catarina Furtado para a Eurovisão

Muita gente andou por aí a dizer que a Catarina Furtado não tem competência para apresentar um Festival como o da Eurovisão. Sinceramente, não percebi porquê. Disseram também que o inglês dela é muito fraco. Não pode ser! Consta que ela até estudou em Inglaterra…

 

E houve até quem dissesse que a Catarina “só faz o que faz” devido às cunhas do seu papá. Ora, ora. A Catarina é uma “moura de trabalho”. Tudo o que conseguiu na vida foi com muito, muito esforço. Ou, como diz aquele grande empreendedor português, “a bater punho”.

 

E é por isso que o Contrário se sente na obrigação de avançar com as imagens do casting da Catarina Furtado para ser apresentadora da Eurovisão. Sim, porque ela não foi lá parar por mero acaso, cunha ou facilitismo.

 

Ora vejam.

 

 

Israel agradece aos EUA e à Eurovisão

O Estado de Israel comemora agora os 70 anos da sua existência. Entre os marcos históricos destas sete décadas de sobressaltos pode-se destacar a Guerra dos 6 dias e a limpeza étnica do povo palestiniano.

 

Israel tem mesmo muito a festejar por estes dias, nomeadamente o grande apoio que recebe do mundo ocidental. Benjamin Netanyahu, Primeiro-ministro de Israel, tem-se desfeito em agradecimentos ao seu grande e histórico aliado, os EUA, pelo apoio constante ao longo das últimas décadas. Tem agora, também, um novo e importante motivo de agradecimento, ou seja, a deslocação da embaixada norte-americana para Jerusalém.

 

A Europa, que é uma espécie de “Maria vai com as outras”, não quis deixar de manifestar o apoio a Israel, mas como não sabia como o fazer, aproveitou o Festival da Eurovisão que, como se viu, voltou a reger-se pelos standards políticos que sempre o caracterizou, após um curtíssimo interregno.

O “ponto irritante” que é o Estado de Direito

O Tribunal da Relação de Lisboa decidiu enviar para Angola o processo judicial relativo às acusações que o Ministério Público português imputou a Manuel Vicente, o ex-vice-presidente de Angola. Recorde-se que Manuel Vicente foi acusado dos crimes de corrupção activa, branqueamento de capitais e falsificação de documento.

 

Com esta decisão, o caso passa para a esfera jurídica angolana, algo que o poder político desse país tanto reclamava. O Presidente de Angola, João Lourenço, até já fez questão de manifestar o seu enorme regozijo para com esta decisão da justiça portuguesa, dizendo que já falou com Marcelo Rebelo de Sousa e que ambos estão felizes e contentes com este desfecho.

 

Na verdade, Marcelo não perdeu tempo em dizer que “com esta decisão do tribunal, desaparece o “irritante””, ou seja, a pedra no sapato das relações entre os dois países. Também António Costa se manifestou muito satisfeito com esta decisão do tribunal.

 

Bem, isto é tudo muito estranho, no mínimo. Primeiro, não se compreende que Presidente da República e Primeiro-Ministro venham ao terreno lançar foguetes e bichas-de-rabear sobre uma decisão judicial. Pior que isso é o facto de estarem satisfeitos com uma decisão que não é mais do que a demissão do Estado de Direito Português. É a Justiça a submeter-se à Política. Pior ainda, é a Justiça portuguesa a aninhar-se perante a pressão política de outro estado.

 

Pouco importa o tratamento que a justiça angolana vai conferir às referidas acusações que, como bem sabemos, serão para arquivar rapidamente. O que é verdadeiramente escandaloso e perturbante é que esta decisão judicial constitui uma das maiores vergonhas para a Justiça portuguesa. E a postura dos políticos é ainda mais desonrosa para com a nação.

 

É uma infâmia que o Presidente da República e o chefe do Governo considerem que o Estado de Direito (o português) seja uma coisa… “irritante”.

 

Ricardo Araújo Pereira vs. Arons de Carvalho

Ricardo Araújo Pereira escreveu uma crónica na Visão intitulada “Arons de Carvalho pronuncia-se sobre assuntos”, que podem ler a partir daqui.

 

Em suma, Ricardo Araújo Pereira menciona uma série de coisas que ele não acha reprovável, estabelecendo um paralelismo a partir de uma afirmação de Arons de Carvalho, que disse o seguinte: “Não acho reprovável uma pessoa viver com dinheiro emprestado de outra.”.

 

O texto está engraçado, não tivesse ele a chancela de Ricardo Araújo Pereira, mas receio que o Ricardo tenha interpretado mal os sujeitos subjacentes nessa afirmação de Arons de Carvalho.

 

O Ricardo acha que ele estava a referir-se a José Sócrates. Bom, devo reconhecer que não ouvi nem li em que contexto Arons de Carvalho terá proferido tão sábia asseveração, mas quando tomei conhecimento da mesma, pensei logo no empréstimo de Orlando Figueira (o ex-procurador acusado de corrupção) ao seu grande amigo e super-juiz Carlos Alexandre (aquele que não tem amigos ricos e que vive apenas do seu trabalho).

 

Mas, se calhar é o Ricardo que está certo, pelo que apresento as minhas desculpas pela subtileza da minha interpretação.

Estou bem tramado! Quem me ajuda?

Lembrei-me agora, só agora (juro), que enquanto José Sócrates foi primeiro-ministro cruzei-me com eles duas vezes. Volto a jurar que foram só duas vezes. Reconheço que deveria ter feito o possível e o impossível para que não tivesse acontecido, pelo menos a segunda vez, mas asseguro-vos que a reincidência foi pura coincidência.

 

Da primeira vez nem sequer falei com ele, Sócrates passou a poucos metros de mim e eu mal olhei para ele. Garanto que estou a dizer a verdade! Não olhei. Mas, como não olhei, não posso garantir que ele não tenha olhado para mim. É possível que alguma câmara tenha captado o momento e eu receio que Sócrates tenha, de facto, olhado para mim. A confirmar-se esta minha suspeita, receio vir a ter sérios problemas com a justiça, porque está provado que quando Sócrates olha para alguém é porque quer alguma coisa.

 

Já da segunda vez, cruzámo-nos na rua, ele disse “Bom dia!” e eu, que sou uma pessoa educada retorqui “Bom dia!”. Notem que não foram uns meros e secos “Bons dias”, foram uns “Bons dias” animados, com ponto de exclamação e tudo, algo que poderá vir a ser interpretado pelo senhor procurador e pelo senhor juiz como sinal de intimidade. E também já está provado que quem é ou foi próximo de Sócrates não é boa gente. É corrupto, pervertido e imoral.

 

Portanto, eu receio estar bem tramado, pois há aqui matéria de facto que pode vir a ser escalpelizada pela justiça ou por entidades acima da justiça, como o Correio da Manhã.

 

Antes que o meu bom nome seja atirado para a lama, quero deixar bem vincado que nunca tive qualquer tipo de relação com José Sócrates. Mais, desde que ficou evidente que ele foi um dos cérebros do BPN, que eu nunca mais tive dúvidas do escroque que ele é. Esperem lá! Acho que já me estou a confundir… Até já estou a trocar os ex-primeiros-ministros…

 

É melhor ficar por aqui…

 

A greve “Duracell” dos médicos

Os médicos cumprem hoje o terceiro e último dia consecutivo da greve desta semana. Os médicos andam em reivindicações há muito tempo e se há classe profissional que tem razões para fazer greve é a classe médica, não haja dúvidas.

 

Os médicos alegam que estão a fazer greve em defesa dos utentes e do Serviço Nacional de Saúde. Ora bem, se é para defender os interesses dos utentes, quem deveria manifestar-se era os utentes. Por falar em manifestações, alguma vez alguém neste país viu médicos na rua a gritar palavras de ordem? Ah! Pois é… Esquecia-me que os médicos são uma classe profissional superior e que não apreciam enveredar pelas manifestações de rua. Qualquer outra classe profissional manifesta-se em grupo, nas ruas ou à porta do local de trabalho, até mesmo os enfermeiros o fazem, mas os médicos não. Os médicos são especiais. Preferem enviar dois ou três representantes da classe para a frente das câmaras de televisão, enquanto aproveitam para amenizar o burnout numa bela esplanada de praia.

 

Já aqui tenho referido que as greves dos médicos são, normalmente, mais do que um dia e quase sempre encostadas aos fins-de-semana ou feriados. Desta vez optaram por uma semana em que não há feriados e por deixar apenas um dia entre “fim-de-semana – greve – fim-de-semana”. Esperem lá! Com duas mini pontes dá para ficar a semana toda na mândria…

 

Voltando à inexorável defesa do superior interesse dos utentes, os médicos reivindicam que os cidadãos não podem ficar 1 ano à espera de um exame ou 2 anos à espera de uma consulta. Pois, com estes 3 dias de greve, milhares de utentes viram as suas consultas e/ou exames adiados por vários meses. Esta é a melhor defesa que os médicos fazem dos utentes do SNS.

 

O direito à greve é isso mesmo, um direito. Mas a classe médica é das últimas classes profissionais deste país com razões para reivindicar melhores condições. À frente deles, com muito mais razões de queixa, praticamente todos os trabalhadores. Sim, porque o que está em causa nesta greve é a redução do número de utentes por médico, com a consequente redução da carga de trabalho, bem como o aumento salarial. É apenas isso que os médicos pretendem reivindicar. O resto são só balelas para endrominar a opinião pública.

 

Querem melhorar o SNS e o atendimento aos utentes? Comecem por cumprir horários, reduzir drasticamente as pausas para café e tabaco e, já agora, sejam mais simpáticos e menos emproados. Se tiverem competência para tal, já será um grande contributo e verão que não dói nada.

 

Agora, deixar de atender os doentes não. Isso é tudo menos defendê-los.

 

A minha dúvida é se o veto tem afecto

O Presidente da República vetou a lei que o Parlamento havia aprovado há cerca de um mês, sobre a autodeterminação de género. O veto presidencial é um direito que assiste ao Sr. Presidente da República mas, neste caso concreto, receia-se que se trate apenas de cumprir um uma etapa que visa emperrar uma lei que o Parlamento voltará a aprovar, com toda a certeza.

 

O Presidente considera que deve existir um relatório médico, para que os cidadãos com idades compreendidas entre os 16 e os 18 anos possam proceder à mudança da menção do sexo e da alteração do nome no Registo Civil. Recorde-se que a nova lei aprovada no Parlamento a 13 de Abril deste ano passaria a possibilitar que tal procedimento passasse a ser possível apenas sem a necessidade de um relatório médico, mas com a anuência dos representantes legais.

 

Ora, porquê vetar esta lei? Só se for para vincar a posição pessoal do Presidente sobre esta matéria, já que a lei voltará ao Parlamento para ser aprovada em definitivo.

 

Marcelo também não convence quando tenta justificar a necessidade de um relatório médico. Marcelo talvez não tenha percebido que o que está em causa é o direito à autodeterminação, que constitui um Direito Humano fundamental. E eu até tenho ouvido dizer por aí que Marcelo é um especialista em Direitos.

 

Marcelo deveria saber que quando está em causa a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos é ao Legislador que cabe fornecer os meios necessários para que tal aconteça. Não se trata de um problema de aferição clínica. Marcelo entenderá que compete aos médicos entrar na cabeça e no corpo dos cidadãos e depois decidirem o que é melhor para eles próprios, porque eles, os cidadãos, estão longe de saberem quem são.

 

Portanto, voltamos à velha questão da necessidade de haver um relatório médico, porque os médicos – esses grandes especialistas em Direitos Humanos – é que percebem da coisa. Já para não falar na perversidade que a eventual inclusão deste requisito pode causar, se pensarmos que os ricos terão sempre a possibilidade de “comprar” o parecer favorável de um relatório médico, quando o procedimento se afigure mais complicado ou demorado. Os mais desafortunados poderão sempre ir para as filas do SNS e esperar 2 anos por uma consulta de avaliação, entretanto já terão 18 anos e o problema resolvido.

 

Se eu não tivesse a certeza que Marcelo é um político de Esquerda, até diria que vetou esta lei só para injectar mais cinco réis de oxigénio no balão da Direita.