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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Santana Lopes impedido de distribuir afectos

Santana Lopes deslocou-se a Monchique, movido por um profundo sentimento de compaixão para com a população local, contudo, foi impedido pelas autoridades de se dirigir ao centro da Vila, onde pretendia “abraçar” o povo, na pessoa do Presidente da Câmara.

 

O Contrário já conseguiu apurar junto de uma especial fonte, as razões pelas quais Santana Lopes foi impedido. Segundo essa fonte, a distribuição de afectos em situação de catástrofe é apenas permitida a Marcelo Rebelo de Sousa. Além disso, as autoridades terão confirmado que Santana Lopes estava na posse de material altamente inflamável, pelo que não poderia, mesmo, ser-lhe permitida a aproximação à Vila.

 

Consta que Santana Lopes levava com ele várias resmas de fichas de inscrição de militantes, para a formação do seu novo partido. As autoridades terão dito que se tratava de uma situação de risco e que a decisão de impedir a chegada de Santana à Vila foi tomada em benefício do próprio, já que poderia sair bastante chamuscado dessa situação.

Quanto é que está o incêndio?

O espectáculo mediático dos incêndios está de volta. Com a onda de calor que assolou o país nos últimos dias vieram também os incêndios, algo que já ninguém duvidava que iria acontecer.

 

O incêndio de Monchique foi o que concentrou mais meios e o que mais tem chamado a atenção. Foi uma espécie de jogo grande do fim-de-semana. Sim, porque a forma espectacular como a comunicação social e as autoridades lidam com os incêndios tem tudo a ver com um espectáculo desportivo, um grande jogo de futebol.

 

A comunicação social, ainda antes de os incêndios começarem, já está a fazer a antevisão do espectáculo, começando por anunciar que se aproximam dias com excelentes condições para a prática da modalidade. E logo que apareçam as primeiras labaredas, lá vão eles com aquela sôfrega que os caracteriza, em busca da desgraça.

 

De seguida, é aquilo a que já todos estamos habituados, muitos directos televisivos, blocos noticiários que não falam de outra coisa, passando as mesmas imagens em fastidiosos ciclos contínuos. Os repetitivos relatos que dão conta do número de frentes activas, das viaturas envolvidas, dos meios aéreos, do número de efectivos humanos, do sentido da deslocação do vento, os hectares ardidos e as casas engolidas, tudo repetido até à exaustão, deixando no ar a ideia de que o golo está iminente, que pode acontecer a qualquer momento. E todos sabemos o que é um golo neste espectáculo mórbido.

 

Não menos execrável é a postura das autoridades em pleno “teatro” das operações. Alguns elementos das autoridades policiais desfazem-se em disponibilidade e simpatia para com qualquer indivíduo que a eles se dirija com um microfone na mão. Quanto aos responsáveis da Protecção Civil, bem, marcar conferências de imprensa para as 13h00 diz quase tudo.

 

Por que razão a Protecção Civil faz conferências de imprensa, sempre que há um incêndio? A emissão de um comunicado escrito seria mais do que suficiente. Além disso, a comunicação social já está cansada de saber aquilo que têm para dizer e já o repetiu incessantemente. No entanto, monta-se o circo e junta-se a fome à vontade de comer.

 

É, de facto, abominável a forma como a comunicação social e as autoridades lidam com este assunto. Não há nada que satisfaça mais um incendiário do que ver o seu “trabalho” ser o centro de todas as atenções. O espectáculo mediático montado em torno dos incêndios é o melhor reconhecimento que os criminosos que os praticam poderiam ter. Dar-lhes esse prazer é fazer parte do problema.

 

Eu deixei de acompanhar as notícias sobre o grande incêndio do fim-de-semana, mas cheira-me que Monchique perdeu.