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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Não havia necessidade, senhor primeiro-ministro

Depois de ter sido acusado de não marcar presença “in loco” no incêndio de Monchique, António Costa não resistiu em demonstrar (através do Twitter) que, apesar de se encontrar de férias, está a acompanhar o assunto ao segundo.

 

António Costa publicou uma mensagem na rede Twitter, certamente à espera que a comunicação social fizesse eco da mesma, já que a maioria dos portugueses não usa a referida rede social, portanto, até o meio utilizado foi errado, para demonstrar que está a acompanhar a situação dos incêndios. E, como uma imagem vale mais que mil palavras, o primeiro-ministro publicou 3 imagens, onde se pode ver claramente que ele se encontra a trabalhar arduamente.

 

As fotos demonstram inequivocamente que António Costa está mesmo empenhado em resolver a situação, pois dá para ver que não larga o telemóvel, que se mantém atento ao que vai sendo noticiado na Internet e, sobretudo, que se mantém ligado à TVI, pelo que ninguém duvidará que está a fazer o impossível.

 

Mais, como se pôde verificar, Costa não estava de calções, camisola caveada, nem chinelinho de dedo, pelo que só poderia estar a trabalhar.

 

Vamos lá ver as coisas como elas são. O senhor primeiro-ministro encontra-se de férias. Há algum problema nisso? Claro que não. Apesar de se encontrar de férias, deve manter-se atento aos problemas do país? Claro que sim. E, certamente, ninguém duvidou que o estivesse a fazer, pelo que não havia necessidade de ter tomado a opção de publicar aquelas imagens, via Twitter. A necessidade de o fazer é que levanta algumas dúvidas.

 

Não havia necessidade, senhor primeiro-ministro.

Santana Lopes impedido de distribuir afectos

Santana Lopes deslocou-se a Monchique, movido por um profundo sentimento de compaixão para com a população local, contudo, foi impedido pelas autoridades de se dirigir ao centro da Vila, onde pretendia “abraçar” o povo, na pessoa do Presidente da Câmara.

 

O Contrário já conseguiu apurar junto de uma especial fonte, as razões pelas quais Santana Lopes foi impedido. Segundo essa fonte, a distribuição de afectos em situação de catástrofe é apenas permitida a Marcelo Rebelo de Sousa. Além disso, as autoridades terão confirmado que Santana Lopes estava na posse de material altamente inflamável, pelo que não poderia, mesmo, ser-lhe permitida a aproximação à Vila.

 

Consta que Santana Lopes levava com ele várias resmas de fichas de inscrição de militantes, para a formação do seu novo partido. As autoridades terão dito que se tratava de uma situação de risco e que a decisão de impedir a chegada de Santana à Vila foi tomada em benefício do próprio, já que poderia sair bastante chamuscado dessa situação.

Quanto é que está o incêndio?

O espectáculo mediático dos incêndios está de volta. Com a onda de calor que assolou o país nos últimos dias vieram também os incêndios, algo que já ninguém duvidava que iria acontecer.

 

O incêndio de Monchique foi o que concentrou mais meios e o que mais tem chamado a atenção. Foi uma espécie de jogo grande do fim-de-semana. Sim, porque a forma espectacular como a comunicação social e as autoridades lidam com os incêndios tem tudo a ver com um espectáculo desportivo, um grande jogo de futebol.

 

A comunicação social, ainda antes de os incêndios começarem, já está a fazer a antevisão do espectáculo, começando por anunciar que se aproximam dias com excelentes condições para a prática da modalidade. E logo que apareçam as primeiras labaredas, lá vão eles com aquela sôfrega que os caracteriza, em busca da desgraça.

 

De seguida, é aquilo a que já todos estamos habituados, muitos directos televisivos, blocos noticiários que não falam de outra coisa, passando as mesmas imagens em fastidiosos ciclos contínuos. Os repetitivos relatos que dão conta do número de frentes activas, das viaturas envolvidas, dos meios aéreos, do número de efectivos humanos, do sentido da deslocação do vento, os hectares ardidos e as casas engolidas, tudo repetido até à exaustão, deixando no ar a ideia de que o golo está iminente, que pode acontecer a qualquer momento. E todos sabemos o que é um golo neste espectáculo mórbido.

 

Não menos execrável é a postura das autoridades em pleno “teatro” das operações. Alguns elementos das autoridades policiais desfazem-se em disponibilidade e simpatia para com qualquer indivíduo que a eles se dirija com um microfone na mão. Quanto aos responsáveis da Protecção Civil, bem, marcar conferências de imprensa para as 13h00 diz quase tudo.

 

Por que razão a Protecção Civil faz conferências de imprensa, sempre que há um incêndio? A emissão de um comunicado escrito seria mais do que suficiente. Além disso, a comunicação social já está cansada de saber aquilo que têm para dizer e já o repetiu incessantemente. No entanto, monta-se o circo e junta-se a fome à vontade de comer.

 

É, de facto, abominável a forma como a comunicação social e as autoridades lidam com este assunto. Não há nada que satisfaça mais um incendiário do que ver o seu “trabalho” ser o centro de todas as atenções. O espectáculo mediático montado em torno dos incêndios é o melhor reconhecimento que os criminosos que os praticam poderiam ter. Dar-lhes esse prazer é fazer parte do problema.

 

Eu deixei de acompanhar as notícias sobre o grande incêndio do fim-de-semana, mas cheira-me que Monchique perdeu.

 

Aperta-se o cerco a Rui Rio

Rui Rio assumiu a liderança do PSD há cerca de 6 meses e, desde então, há uma certa e considerável Direita que não aceita tal facto. É por isso que temos assistido a uma série de raides, mais ou menos combinados com um certa comunicação social.

 

O último ataque a Rui Rio foi protagonizado por Pedro Duarte, um ex-líder da JSD com barba grisalha e contou com o alto patrocínio da comunicação social anti-Rio. Pedro Duarte diz que “não quer desgastar a actual liderança”, mas “está pronto para derrubá-la”. Diz que “não quer pôr areia na engrenagem”, enquanto descarrega um camião de brita em cima dela. Disse ainda que não é como outros, que não está interessado em criar manobras conspirativas e calculismos relativamente ao que possa acontecer nas próximas Legislativas. Pedro Duarte não pode esperar até às Legislativas, porque aí será tarde demais, para ele e para os que, tal como ele, não deverão fazer parte das listas de candidatos a deputados.

 

Pedro Duarte usou ainda o argumento de que “Rui Rio está a preparar-se para se candidatar a vice-primeiro-ministro”, como se isso fosse mau para o PSD, considerando a situação política actual. 

 

Rui Rio até pode dar-se por satisfeito em poder vir a ser o vice de António Costa, já Pedro Duarte pretende ser o próprio António Costa do PSD, tentando derrubar o líder do seu partido, eleito por uma clara maioria de militantes, sendo que neste caso, pretende fazê-lo ainda antes de qualquer acto eleitoral. Ousado o rapazola.

 

Mas, porquê este cerco feroz a Rui Rio? Porquê conspirar contra uma líder, eleito democraticamente, desde o primeiro segundo? Será porque Rui Rio terá em mente fazer uma rodagem de cadeiras? Uma limpeza? Será porque muitos daqueles que ainda mantêm o seu lugarzinho de deputado “mal pago”, segundo dizem, estão a pouco mais de um ano de perder o assento?

 

São perguntas legítimas de se fazer. Contudo, eu que conheço bem esta malta, posso assegurar-vos que toda esta agitação tem a ver com a defesa do interesse nacional. Sim, o sempre inviolável interesse nacional que estes mártires estão dispostos a defender até à morte.

Livros grátis para todos, refeições só para alguns

O Governo decidiu que as escolas vão passar a disponibilizar refeições nas férias (Natal e Páscoa) para alunos carenciados. O Governo alega tratar-se de mais uma medida de combate às desigualdades sociais, sendo que abrangerá todos os alunos beneficiários de acção social.

 

Concordo, em parte. Mas não compreendo a razão pela qual um Governo entende que os livros devem ser gratuitos para todos os alunos, todos, não apenas para os beneficiários de acção social, e no que respeita às refeições, essas só as disponibiliza para os mais carenciados.

 

Eu acredito que existe justiça social quando os mais carenciados são os mais apoiados. E é por essa razão que discordo da gratuitidade dos manuais escolares para todos.

 

Dizem que os livros alimentam o espírito e, nesse sentido, podem ser considerados como alimento. Contudo, parece-me que na pirâmide das necessidades, a alimentação do corpo aparece em primeiro lugar, pelo que a haver gratuitidade ela deve começar na alimentação e só depois no resto, como os manuais escolares.

 

Se calhar, se aparecer por aí uma empresa de confecção de refeições escolares, uma que se chame “Porto Confeccionadora”, por exemplo, talvez o Estado lhe entregue o monopólio das refeições escolares em regime de exclusividade e universalidade. E aí já haverá refeições para todos, à pala do Estado, tal como nos livros.

Sumos de kunami fresquinho na Padaria Portuguesa

Anda por aí uma onda de queixas contra a Padaria Portuguesa. Em causa está o facto de vários estabelecimentos estarem a servir sumos de laranja natural com larvas.

 

Após inúmeras reclamações, o director da qualidade da cadeia de lojas admitiu que existem, de facto, alguns casos em que foram servidos aos clientes sumos com larvas. Contudo, alega que a culpa é da fraca qualidade da laranja do Algarve, que por ser tão docinha atrai a mosca da fruta. Terá dito ainda que as moscas em questão são extremamente limpas e que as larvas que bóiam no sumo não só não fazem mal à saúde, como são intensamente nutritivas. Mais, devido ao enorme respeito que a Padaria Portuguesa tem pelos seus clientes, não será cobrado mais pelo acréscimo desse especial ingrediente.

 

Muito bem. Se eu estivesse no lugar do José Diogo Quintela, já teria demitido o referido director da qualidade, não por ele ter optado por sacudir a água do capote, mas porque não esteve à altura da esplendorosa qualidade dos produtos e do requintado serviço da Padaria Portuguesa. É que, na verdade, aquilo não é sumo de laranja natural. Trata-se, pois, de sumo de kunami fresquinho. É importante que os clientes saibam o que estão a consumir. As pessoas já deveriam saber que a Padaria Portuguesa não é um estabelecimento qualquer, como tal, não se reduz ao ridículo de servir aos seus clientes meros sumos de laranja natural, daqueles que se servem em qualquer lugarejo. Não. A Padaria Portuguesa só serve sumo de kunami fresquinho. Só para pessoas de gosto sofisticado.

 

Servem-lhes um néctar desta categoria e ainda reclamam. Está bonito, está.

 

Trump contra o fabrico de armas… de plástico

Donald Trump disse que “não faz muito sentido” poder imprimir armas 3D em casa. Eu detesto ter que admiti-lo mas, uma vez mais, sou obrigado a concordar com ele. Afinal, que sentido faz imprimir armas 3D em casa quando se pode adquirir duas carabinas pelo preço de uma em qualquer esquina?

 

Contudo, o Governo de Trump aprovou a lei que permite a impressão de armas 3D. Convém também salientar que, apesar de serem de plástico, aquilo é capaz de aleijar um bocado.

 

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