Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Uma certa direita

Há por aí uma certa direita que, na realidade, sempre existiu e nunca conseguiu distanciar-se dos seus defeitos congénitos. No pós-25 de Abril, essa direita soube dissimular-se, transfigurar-se e encontrar o caminho para se manter viva até hoje.

 

Só que agora, essa especial e saudosista direita está pronta para se rebelar e revelar-se. A onda crescente de populismo que brota um pouco por todo o mundo, tem estimulado os genes mais rebeldes dessa direita suprimida e sufocada.

 

As eleições brasileiras foram o mote que encontraram para sair do armário, para, muito suavemente, deixar cair a máscara. Alguns soldados disciplinados dessa direita aproveitaram a vitória de Bolsonaro, para deixar transluzir algumas daquelas ideias bolorentas que embalam há décadas. Essa direita parece querer aproveitar a histeria do momento, com a esperança de que Portugal venha a ter um Bolsonaro.

 

No passado Domingo, alguns destacados políticos dessa franja, não conseguiu suster a enorme alegria com a vitória de Bolsonaro e só faltou sair até ao largo para largar o foguetório.

 

Essa direita anda por aí muito entusiasmada, mas ao mesmo tempo com medo que um qualquer se aventure a liderar um projecto que ela anda a chocar há anos.

Bolsonaro vs. Bolsonaro

Para surpresa de muitos, o Bolsonaro vencedor das eleições é um defensor da Constituição, da Democracia e da Liberdade. Ora, aquele que era sobejamente conhecido por defender a ditadura militar, por ser populistas, racista, xenófobo, misógino, por incitar a violência, por defender a tortura e por negligenciar os direitos humanos, afinal, é um democrata convicto e defensor da Constituição. Ou será que não?

 

Veremos. O que me parece é que este “novo” Bolsonaro vencedor das eleições, que lê um discurso de vitória muito pouco espontâneo revela, uma vez mais, a perfídia que se esconde por detrás das palavras que, aparentemente, são geradoras de confiança.

 

Para já ficamos a saber que Bolsonaro quer “menos Brasília” e mais Barra da Tijuca, quer “menos ministérios” e mais Bolsonaro, Filhos & Companhia (muito) Limitada e quer ainda “menos burocracia”, que para ele significa “menos Congresso”.

A escolha é simples: Guariroba ou Bolsonaro?

É já no próximo Domingo que o Brasil vai escolher o seu próximo Presidente. Já há muito quem diga que o vencedor das eleições presidenciais já se encontra escolhido, mas como o Brasil ainda é uma democracia, o melhor mesmo é esperar para ver.

 

As sondagens há muito que dão a vitória a Bolsonaro e os inquéritos de opinião indicam que o eleitorado que vai votar em Bolsonaro vai fazê-lo em modo anti-PT. Ou seja, a maioria das pessoas que pretende votar em Bolsonaro diz que o vai fazer para evitar que o PT continue no poder. Bom, se entendem por “poder” a presidência, convém lembrar que o PT já não está no poder há mais de dois anos.

 

Mas a “grande” questão que se coloca ao povo brasileiro no próximo dia 28 de Outubro é se pretendem continuar a viver em democracia ou regressar aos tempos da ditadura. É isto que está em causa. É bem verdade que, todos os dias, a democracia expõe-nos os seus mais variados defeitos. E o Brasil que o diga. Tal como dizia Saramago, o sistema democrático permite fazer coisas nada democráticas, democraticamente. Mas entre isso e uma ditadura fascista, a escolha parece-me óbvia.

 

O PT pode ter feito asneiras (que partido não as fez?) e é compreensível que algumas pessoas tenham muitas reservas em relação ao voto em Haddad, contudo, perante esta dicotomia não deveriam existir dúvidas.

 

Digamos que, para algumas pessoas, o amargo do voto em Haddad pode assemelhar-se a ter que comer guariroba ao almoço e ao jantar. Mas entre comer guariroba ou engolir baldes de merda todos os dias, creio que a escolha não é difícil.

 

Vá, votem com juizinho.

Cavaco é uma giga rota

Devo começar por dizer que não li o mais recente livro de Cavaco, nem vou ler. Contudo, considero-me suficientemente esclarecido pelos resumos que vieram a público (infelizmente não encontrei os "Apontamentos Sr. Américo).

 

Ora, uma vez mais, Cavaco vem fazer prova de vida com um conjunto de histórias que ele desenterrou do passado, como se fosse um ajuste de contas com todos aqueles que o fizeram sentir-se menor do que realmente é.

 

Mas, a julgar pelos resumos, Cavaco não consegue sequer ser coerente, nomeadamente quando diz que a “demissão irrevogável” de Paulo Portas foi incompreensível e “absolutamente inaceitável” e que teve como propósito “destruir a credibilidade da ministra das Finanças”. Alega ainda que Portas teve uma atitude de “infantilidade pouco patriótica”, que contrastava com a postura de “sentido de Estado e determinação” de Passos Coelho.

 

Comecemos e terminemos rapidamente pela credibilidade da ministra das Finanças de então. Como nunca houve credibilidade, o assunto morre à nascença. Agora Portas. Que se saiba, Paulo Portas apresentou um único pedido de demissão (irrevogável, é um facto) e, por causa disso, Cavaco considera-o infantil e político sem sentido de Estado. Por outro lado, Passos Coelho (o primeiro-ministro de então) que, segundo Cavaco, apresentou-lhe várias vezes a demissão já é um político com “sentido de Estado e determinação”.

 

Resumindo, Cavaco chama a si toda a responsabilidade de o Governo PSD/CDS ter durado até ao final da Legislatura, mesmo depois de os líderes de ambos os partidos da coligação terem apresentado a demissão, por diversas vezes, no seu conjunto, com a justificação de que não havia condições para governar. Portanto, tal como eu referi aqui na altura, aquele era o governo de Cavaco.

 

E o que disse Cavaco depois da demissão irrevogável de Portas? E depois de o PS ter recusado fazer parte de um Compromisso de Salvação Nacional? Cavaco disse que o governo PSD/CDS continuaria até final da Legislatura, mais forte e coeso do que nunca. A coerência de Cavaco.

 

Entretanto, apareceu por aí Passos Coelho dizendo que também anda a escrevinhar umas coisas para juntar às de Cavaco. Ou seja, Passos Coelho entende que este livro de Cavaco pode ser o princípio de uma campanha que o reabilitará como político e o catapultará, de novo, para a liderança do PSD. Pode até ser, mas este livro de Cavaco é mais um atestado de incompetência ao próprio Passos Coelho que, segundo as afirmações de Cavaco, andou a fazer de conta que era o primeiro-ministro, quando na verdade ele se encontrava em Belém.

 

Por fim, que isto já vai demasiado longo, Cavaco volta a demonstrar o ser pequenino que é e sempre foi, e que não é capaz de guardar para si, conversas que ocorreram em circunstâncias especiais e que deveriam ficar circunscritas ao reduto institucional. Coisas demasiado grandes para caberem em Cavaco.

 

Como se diz na minha terra, Cavaco é uma giga rota.

Matar pessoas tudo bem, jornalistas é outra coisa…

Em causa está a postura da comunidade internacional face ao assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. Antes de mais, quero deixar claro que repudio o assassinato do referido jornalista, que acabou por ser mais uma vítima às mãos do regime saudita.

 

O mais irritante nestas situações é a reiterada postura de alguns líderes mundiais, que vêm agora condenar este acto em concreto, exigindo responsabilidades ao regime saudita e ponderando a aplicação de sanções. Por exemplo, a Alemanha já anunciou que vai suspender a venda de armas à Arábia Saudita e que vai pressionar a União Europeia para a tomada de uma posição conjunta nesse sentido.

 

Portanto, vender armas ao regime saudita para que eles possam chacinar crianças no Iémen, tudo bem. Agora, chegar ao ponto de liquidar um jornalista na embaixada saudita na Turquia, isso já ultrapassa os limites da decência.

 

Hipócritas.

 

O juiz que inocenta Sócrates a cada entrevista que dá

O juiz conspirador.

O juiz que gosta de comentar os processos que conduz.

O juiz que produz interpretações pessoais sobre os acusados.

O juiz que não aprecia seguir os trâmites da justiça.

O juiz que pensa que a justiça é ele próprio.

O juiz que não acredita na justiça, a não ser na sua.

O juiz que não confia no seu próprio trabalho.

O juiz que tem medo de ver o seu trabalho escrutinado por um colega.

O juiz que lança suspeitas sobre a conduta do seu colega.

O juiz que não confia no Conselho Superior de Magistratura.

O juiz que pede dinheiro emprestado ao amigo Procurador suspeito de corrupção.

O juiz que aprecia muito as câmaras da TV.

O juiz que gosta de dar entrevistas.

O juiz que inocenta Sócrates a cada entrevista que dá.

 

Pronto, acabo de encontrar um título para o texto de hoje. Já só falta o texto…

 

P.S. Aguarda-se com elevada expectativa as entrevistas do juiz à TVI e à CMTV.

Roger Waters para totós (ou fanáticos por Bolsonaro)

Roger Waters está no Brasil para uma série de 8 concertos, sendo que 4 já aconteceram. Os primeiros 2 concertos foram em São Paulo, onde o artista foi vaiado por ter demonstrado ser contra a eleição de Bolsonaro para a presidência do Brasil.

 

Parece que algumas das pessoas presentes no espectáculo, afinal, não eram fãs do fundador da banda Pink Floyd, mas sim do candidato Jair Bolsonaro. Sim, porque a ideia de que é possível ser fã de ambos não é sequer concebível. Ainda que alguns fanáticos por Bolsonaro considerem que sim.

 

E o que dizem os fanáticos por Bolsonaro que foram assistir ao concerto do Roger Waters? Que o músico inglês não tem nada que fazer política nos seus espectáculos. Que Roger Waters não tem que manifestar a sua opinião sobre eleições de um país que não é o seu. E que deve limitar-se a tocar e cantar porque foi para isso que foi chamado.

 

Inacreditável não é? Não o facto de essas pessoas terem manifestado intolerância e falta de espírito democrático, mas sim o facto de demonstrarem que não fazem nenhuma ideia de quem é Roger Waters.

 

Vamos lá então explicar aos totós fanáticos por Bolsonaro, quem é Roger Waters.

 

Roger Waters é um músico, escritor, cantor, compositor e um dos fundadores da banda inglesa Pink Floyd. Waters é também um activista político, social e ambiental. As canções que escreveu, quer na era Pink Floyd quer a solo, os discos que editou, com a banda e a solo, bem como, e agora muita atenção, todos os seus espectáculos são momentos de activismo e não apenas de performance musical. Toda a actividade de Roger Waters é uma celebração da paz, da vida e do amor ao próximo. Ou seja, tudo aquilo que o fascismo não é.

 

Ir a um concerto do Roger Waters e esperar que ele não faça afirmações políticas é completamente estúpido, desde logo porque grande parte das suas canções o são. Parece que até estou a ver os “fanáticos por Bolsonaro” a cantarem todos contentitos a canção “Pigs (Three Different Ones)” e depois a vaiar o Roger Waters por apresentar um #EleNão no ecrã e fazer um pequeno discurso anti-fascista. Caros fanáticos por Bolsonaro, o tema “Pigs (Three Different Ones)” não é a história dos Três Porquinhos. A canção “Picture That” não é sobre tirar selfies. “Smell the Roses” não é sobre jardinagem. “Another Brick In The Wall” não é sobre o dia-a-dia de um pedreiro.

 

Pensando bem, não seria de esperar outra atitude por parte de quem apoia Bolsonaro.

 

Bolsominions, ha ha, charade you are!

Por que razão o Benfica quer identificar os bloggers?

É espantoso que o Benfica esteja tão interessado em apurar que são as pessoas por detrás dos blogs que têm publicado informações confidenciais sobre o clube.

 

Se o Benfica se sente lesado com essas publicações só tem que recorrer às vias legais e fazer valer os seus direitos. Basta apresentar uma queixa contra desconhecidos (identificando os blogs em questão), não é necessário saber quem são as pessoas. E depois é só deixar a justiça fazer o seu caminho.

 

Com tanta insistência para identificar os bloggers e, eventualmente, saber quais as missas que frequentam, fica-se com a impressão que o Benfica pretende resolver esta questão "à sua maneira" e não pelas vias legais. Ou então, o Benfica estará apenas interessado em identificar as pessoas para lhes poder oferecer uns vouchers, ou umas camisolas oficiais do clube, ou bilhetes VIP, ou outra coisa qualquer.

E que tal umas perguntinhas para o Salvador Malheiro?

Saberá Salvador Malheiro a diferença entre um relvado natural e um relvado sintético? Saberá qual a diferença entre um militante dirigir-se a uma secção de voto pelo seu próprio pé ou através de carripanas de arregimentação? Saberá que é possível haver dezenas de militantes a viver na mesma casa? Saberá Salvador Malheiro que um número de telemóvel pode pertencer a mais que uma pessoa, ou setenta? Saberá o senhor vice-presidente do PSD qual a diferença entre uma safira e uma safina?

 

E, já agora, qual a diferença entre um ratinho e um coelho?

O problema do SNS não é a falta de dinheiro

O Orçamento do Estado para o ano de 2019 prevê um acréscimo na ordem das centenas de milhares de euros para o SNS. Entretanto, alguns profissionais do sector, nomeadamente médicos e enfermeiros, já demonstraram algum descontentamento pelo facto de considerarem que o acréscimo de valor previsto é insuficiente.

 

Pois é. O tempo passa, diferentes partidos alternam-se no poder, até o ministro já foi substituído, mas o maior problema mantém-se. E esse problema não é a falta de dinheiro, mas sim a forma como ele é despendido.

 

O SNS tem um enorme cancro que é a dívida à indústria farmacêutica e aos fornecedores de produtos de saúde. Assim à primeira vista até parece que me estou a contradizer, mas não. É aqui que reside o grande problema do SNS. Nunca ninguém ousa perguntar a razão pela qual os fornecedores, a quem o Estado deve milhares de milhões de euros, raramente manifestam descontentamento e continuam a fornecer produtos ao Estado.

 

Se calhar é porque aquilo que cobram pelos produtos fornecidos é muitíssimo acima do que deveria ser. Se calhar é porque a percentagem que o Estado lhes paga já é mais do que suficiente para manterem lucros astronómicos. E, se calhar, porque sabem que o Estado acabará sempre por pagar a totalidade da factura, mesmo que demore muito tempo.

 

A verdade é que com tantos milhões em dívida, não há nenhum fornecedor que tenha fechado as portas por causa disso, sendo que a esmagadora maioria apresenta extraordinários lucros, ano após ano. E alguns têm o Estado como principal ou único cliente.

 

Não, não é falta de dinheiro. É dinheiro fora do sítio.

Pág. 1/3