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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Presidente dos afectos e dos directos

O Presidente da República telefonou para um programa de televisão da SIC, que estreou ontem e é apresentado por Cristina Ferreira. Marcelo Rebelo de Sousa telefonou para desejar as maiores felicidades a Cristina Ferreira, neste seu novo projecto.

 

A atitude do Presidente da República deixou grande parte dos portugueses estupefactos, pelo que Marcelo logo se apressou a justificar que fez o que fez porque é amigo de Cristina Ferreira e também por uma questão de equidade, aludindo ao facto de ter concedido uma entrevista a Manuel Luís Goucha, da TVI.

 

Ora, vejamos as coisas como realmente são. Marcelo, amigo de Cristina, telefonou-lhe para desejar as maiores felicidades. Não é nada de mais. Agora, o Presidente da República telefonar a uma apresentadora de um programa de televisão para, em directo, lhe desejar as maiores felicidades é algo simplesmente abjecto que, por acaso, também rima com afecto.

 

Pior do que a atitude do Presidente da República, que parece não saber distinguir aquilo que são as funções presidenciais das relações pessoais e de amizade, foram as suas justificações. Primeiro, porque o Presidente da República, que não deixou de ser o cidadão Marcelo Rebelo de Sousa tem todo o direito a cultivar as suas relações de amizade, mas em privado, não em directo e, note-se, depois de ter interrompido uma reunião. Todos supomos que as reuniões de um Presidente da República são de extrema importância e do superior interesse nacional. Não passa pela cabeça de ninguém que as reuniões de um Presidente da República sejam outra coisa.

 

A segunda justificação dada por Marcelo é ainda mais estapafúrdia. Marcelo diz que por ter concedido há poucos dias uma entrevista a Manuel Luís Goucha da TVI, “por uma questão de equilíbrio”, telefonar a Cristina Ferreira, em directo, na sua estreia na SIC, “era o mínimo que devia fazer”. Pára tudo. Marcelo disse que também compete ao Presidente da República ser o garante do equilíbrio das audiências? Foi isso? É que se não foi isso que disse, pelo menos foi o que pareceu.

 

Resta salientar que, se Marcelo entende que cabe ao Presidente da República equilibrar as audiências, então que se prepare para interromper o interesse nacional mais uma quantas vezes, suspendendo outras tantas reuniões, para que possa telefonar a todos os outros canais de televisão, estações de rádio, etc.

 

Não sei o que é pior: um canal que tenta branquear a imagem de um monte de esterco ou um Presidente da República que telefona para um programa da manhã, de outro canal, para desejar felicidades à apresentadora, de quem é amigo. Ah! Em directo.

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