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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Baixemos ao nível de Bolsonaro (só hoje)

Bolsonaro fez um comentário, nas redes sociais, a uma publicação que compara o aspecto físico de Michelle Bolsonaro, a primeira-dama do Brasil, à primeira-dama francesa, Brigitte Macron, apoucando a aparência física da francesa.

“Um gajo qualquer” afirmava (nas redes) que Macron tem inveja de Bolsonaro por causa dos insinuados dotes de beleza exterior e juventude da mulher do Presidente do Brasil. Bolsonaro não resistiu e com toda a elegância e boa educação respondeu assim ao comentário: “Não humilha cara! Kkkkkkk…”.

Bem, o que dizer disto? Eu até nem fiquei surpreendido com a classe de Bolsonaro, mesmo quando ele é capaz de embalar num comentário que “um gajo qualquer” faz ao aspecto físico da sua mulher. Ele é do tipo que gosta de ver homens a babar-se para cima da sua mulher e ainda faz questão de acrescentar algo. E rir-se desalmadamente. Mesmo sem se aperceber (ou se calhar sim), com esta atitude, Bolsonaro só conseguiu diminuir e desrespeitar a sua própria mulher.

Por outro lado, há algo que me intriga. Achará Bolsonaro que a sua mulher está loucamente apaixonada por ele? Pensará ele que a Michelle ficou inebriada com a sua “enviagrada” masculinidade? Ou estará convicto de que ela se encantou com o seu lado mais intelectual e sensível?

Eu acho que a Michelle gosta mesmo é do Ricardão, do Rodrigão ou lá como é que se chama o negão que lhe guarda as costas. E quem a pode culpar?

O Estado não quer saber, não protege e ainda castiga

Duas crianças (duas irmãs gémeas) foram retiradas aos pais porque as instituições do Estado entenderam que eram vítimas de maus-tratos. Pelo que se sabe, as crianças viviam com os pais numa garagem, obviamente sem as condições mínimas necessárias a uma sobrevivência digna.

Sabe-se também que as crianças têm cerca de 10 anos de idade e não frequentavam a escola há dois ou três anos, sendo que os pais alegam que as tentaram matricular várias vezes, em vários estabelecimentos, sempre sem sucesso. Ao que parece faltava sempre algum documento ou outra coisa qualquer, pelo que se depreende que os pais não estavam a agir de acordo com as regras nem a fazer o que lhes competia, que seria zelar pela educação das suas filhas.

Contudo, apesar de estes pais não terem dado as melhores condições de vida às suas filhas, isso não significa que estas pessoas tenham deixado de ser uma família, não significa que os pais não amem as suas filhas e vice-versa. O Estado tinha (e tem) a obrigação de saber, à velocidade de dois ou três cliques, quantas crianças em idade escolar não estão a frequentar o sistema de ensino e procurar saber porquê. E actuar imediatamente. As crianças em causa foram registadas à nascença, portanto, o Estado sabe da sua existência. Aliás, foi noticiado que o Estado até sabia desta situação há mais de 6 anos. Consta também que esta família já teve uma casa que, por razões desconhecidas, lhes foi retirada.

Agora, após vários anos de inércia, o Estado decidiu actuar. Como? Tentando perceber as dificuldades financeiras daqueles pais? Tentando perceber por que razão vivem naquelas miseráveis condições? Tentando perceber por que razão o próprio Estado falhou, ao não ter dado pela falta daquelas crianças no sistema de ensino? Não. O Estado institucionalizou as crianças e a polícia deteve os pais, alegadamente, por violência doméstica. E é assim que o Estado funciona.

Sabe-se que a CPCJ tinha as crianças sinalizadas, o que quer que isso signifique, mas nunca actuou. Se estes pais são agora acusados de maus-tratos, o Estado foi conivente com esses maus-tratos. 

Os pais destas crianças falharam? Parece-me óbvio que sim, mas o Estado não falhou em menor grau. Separar uma família deve ser sempre uma medida de último recurso. Que outras opções foram dadas a esta família? O que fez o Estado para ajudar esta família a manter-se unida e em condições de vida dignas?

Ai se o Pinto da Costa fosse vivo…

O FC Porto está fora do play-off de acesso à Liga dos Campeões. Depois de ter vencido o Krasnodar, na Rússia, foi eliminado em casa, ao perder por 2-3. Saliente-se o facto de aos 35 minutos de jogo já estarem a comer três batatas.

Não, não é todos os dias, nem todos os anos, que vemos o Porto a sofrer três golos em casa, sobretudo contra equipas ditas “acessíveis”. Não quero retirar mérito à vitória, nem valor à equipa do Krasnodar, mas o Porto tinha toda a obrigação de passar esta eliminatória.

Por que razão não foi capaz? Talvez pelas mesmas razões que estiveram na base da derrota em Barcelos. Talvez pelas mesmas razões que levaram à perda do campeonato (2018/2019). Talvez pelas mesmas razões que levaram à derrota na final da Taça de Portugal e da Taça da Liga. Enfim, há uma clara falta de liderança lá para os lados do Dragão.

Se Pinto da Costa fosse vivo, de certeza que não veríamos este descalabro. O que vejo é um clube desnorteado, com uma série de trapalhadas resultantes da má gestão desportiva que tem vindo a ser seguida no clube. É jogadores importantes que saem a custo zero, é jogadores em fim de carreira a regressar e a assumir a titularidade e, desastre dos desastres, ver jogadores que anteriormente se borrifaram para o clube, saindo a custo zero e, agora, depois de dispensados por um treinador que até já foi dispensado pelo Porto, regressarem pela porta grande, recebidos como heróis, pegarem a titularidade de estaca e, enfim, fazer aquilo que se vê dentro do campo. Se Pinto da Costa estivesse vivo, um jogador como Marcano jamais voltaria a ser dragão.

Portanto, má gestão, péssimos negócios (pelo menos para o clube) e uma total falta de estratégia.

Pinto da Costa deve estar a dar voltas no túmulo.

Marcelo e as desigualdades salariais

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou a revisão do estatuto dos magistrados judiciais, o que faz com que os escalões mais elevados da magistratura tenham um aumento salarial de 700 euros.

Marcelo promulgou o diploma mas advertiu para a necessidade de mitigar as desigualdades salariais já na próxima Legislatura, pois entende que se alargou o fosso salarial entre juízes (alguns) e os elementos de topo das Forças Armadas e das Forças de Segurança.

Note-se que o aumento salarial que estes juízes acabam de conseguir é de montante superior ao salário mensal de centenas de milhares de portugueses. Mas Marcelo está muito preocupado com o fosso criado entre o salário dos juízes de topo e outros cargos públicos de topo.

Bom, em abono da posição da Assembleia da República e do senhor Presidente, temos de reconhecer o facto de estas centenas de milhares de portugueses serem cidadãos de segunda ou terceira categoria, pelo que não devem sequer entrar na discussão do fosso salarial em Portugal.

Que estudassem, como fez o Relvas.