Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

A negligência médica deveria ser sempre televisada

Infelizmente constata-se que a esmagadora maioria das queixas apresentadas na Ordem dos Médicos resultam sempre em arquivamento, o mesmo só não acontece quando a alegada negligência é televisionada.

O mais recente caso mediático é o do bebé de Setúbal que nasceu com malformações graves, porque o médico garantiu que estava tudo bem, mesmo depois de ter sido questionado e alertado pelos pais, no seguimento daquilo que lhes foi transmitido noutra clínica. Entretanto, o Conselho Disciplinar da Ordem dos Médicos decidiu suspender preventivamente o médico. A propósito disso mesmo, o próprio bastonário da Ordem dos Médicos havia dito, há dias, que a Ordem iria actuar. O senhor bastonário disse ainda que a Ordem vai criar uma competência específica para ecografias na gravidez. Que bonito! Agora que têm os holofotes em cima fazem tudo e mais alguma coisa.

Veja-se, o médico em questão já tinha vários processos na Ordem dos Médicos, sendo que pelo menos um desses casos apresenta contornos muito semelhantes a este. E o que fez a Ordem dos Médicos em relação a isso? No caso da bebé Luana, que nasceu em 2011, sem queixo e com as pernas viradas ao contrário, o caso foi arquivado. Para a Ordem dos Médicos não houve negligência, nem lugar a sanções ou punições. O caso não foi mediatizado, não mobilizou a opinião pública e por conseguinte, não convenceu o Conselho Disciplinar.

Agora, como este caso se tornou mediático, a Ordem apressou-se a tomar decisões, para mostrar que está ali para alguma coisa.

Gostaria de perguntar a senhor bastonário por que razão a Ordem não actuou anteriormente, em relação aos casos que já tinha em mãos?

Pode dizer que havia processos disciplinares e/ou inquéritos em curso, porque como é hábito, quando se apresenta uma queixa contra um médico, normalmente, a Ordem dá início a um processo disciplinar que, normalmente é arquivado sem que o médico em questão seja alvo de qualquer punição, pois claro. A coisa começa logo mal na raiz, isto é, nunca deveria competir à Ordem dos Médicos avaliar as queixas apresentadas contra os seus profissionais. Sim, porque quando alguém apresenta uma reclamação (no Livro de Reclamações) contra um médico, ela é enviada para a respectiva Ordem, para apreciação. Está errado. Deveria ser uma entidade independente a fazê-lo. Isto é o mesmo que ter o Pinto da Costa ou o Luís Filipe Vieira a arbitrar um jogo entre o Benfica e o Porto.

Podem dizer que as pessoas podem sempre apresentar a queixa no Ministério Público, mas a verdade é que o desfecho dos casos apresentados nesta entidade não muda muito de figura, sendo que a maioria das pessoas não têm condições para seguirem com um processo-crime contra quem quer que seja, muito menos contra médicos que, como se sabe, são uma classe superprotegida e a quem raramente são aplicadas qualquer tipo de sanções.

Gostaria ainda de desafiar a Ordem dos Médicos a apresentar dados concretos sobre todas as queixas apresentadas contra os seus profissionais e quais os desfechos das mesmas. Posso desde já adiantar-me a adivinhar que mais de 99% das mesmas foram arquivadas. Se calhar é porque as pessoas que apresentam queixa nunca têm razão. Deve ser isso, deve. Como se os portugueses fossem de reclamar muito e sem razão, especialmente no que aos senhores doutores diz respeito. Todos sabemos que a maioria das pessoas não reclama dos médicos, mesmo quando têm graves motivos para o fazer. É também por isso que a classe sempre viveu e vive em constante impunidade e acobertada por uma Ordem que, na verdade, não sabe defender os seus profissionais, porque a única forma de defender os profissionais de uma classe é quando se separa o trigo do joio, quando se pune ou elimina aqueles que conspurcam a classe. 

Imaginem qual seria a actuação da Ordem dos Médicos, neste caso concreto, se o mesmo não fosse mediatizado pelos órgãos de comunicação social.

Pois… É isso…

 

O “novo” governo é para durar?

Para já não me atrevo a apostar, desde logo porque, neste momento, não se vislumbra quem pudesse sair a ganhar com a queda deste governo, mesmo sendo minoritário. O anterior governo do PS também era minoritário e durou os quatro anos, mas as circunstâncias eram bem diferentes. Em 2015, para que pudesse formar governo, o PS necessitou do apoio dos partidos de esquerda, agora, o mesmo não é necessário, já que desta vez o PS venceu as eleições. E como não há uma maioria parlamentar alternativa…

Estranha-se o facto de António Costa não querer firmar um acordo escrito com o Bloco de Esquerda. Dessa forma conseguiria conferir maior estabilidade à governação. Não se percebe. Costa diz que queria replicar a “geringonça”, mas como o PCP não quer, o PS não aceita firmar acordos apenas com o BE. Não se percebe mesmo. Fica-se até com a impressão que António Costa anseia pelo momento em que alguém se atreva a deitá-lo abaixo, precipitando novas eleições e, consequentemente uma vitória do PS com a tão desejada maioria absoluta. Se for esta a estratégia de António Costa, pode ser que a coisa lhe saia bastante ao lado. O futuro dirá.

O que se pode esperar, então, deste “novo” governo?

Não creio que se possa esperar muito mais do que aquilo que já foi feito na anterior legislatura. Ou seja, antevejo um governo preparado apenas para o engonhanço. Sinceramente, parece tratar-se de um governo que vai trabalhar apenas para as aparências e não para aquilo que é sua função: governar. Mais ministérios, alguns deles com nomes parolos como “Modernização”, “Coesão Territorial”, “Transição Digital”, “Acção Climática”, enfim, tudo nomes que estão em voga e que agradam à maioria. Pode ser que resulte, mas eu desconfio, normalmente quem dá muita importância a estas picuinhices não dá tanta importância ao que realmente importa.

Ah! E ainda teremos quatro Ministros de Estado. C’um caneco! Então, os ministros não são todos do Estado?

Parlamento ao rubro

Os resultados eleitorais das Legislativas de ontem não apresentam uma correlação de forças muito diferente da verificada em 2015. Contudo, são várias as mudanças desta nova configuração parlamentar que me levam a antever que a coisa, além de mais colorida, vai ficar bem mais engraçada.

Primeiro, importa salientar a vitória do Partido Socialista, que cresceu em toda a linha, mas que não conseguiu atingir a tão desejada maioria absoluta. Assim, ou o PS consegue reeditar a geringonça ou algo muito semelhante, ou então, teremos um Governo que certamente não colherá a estabilidade necessária para durar os 4 anos.

Quanto ao resultado do PSD, verifica-se uma pesada derrota (perdeu 12 deputados) que os laranjas festejaram como se de uma grande vitória se tratasse. Deu para perceber que estavam mesmo à espera de perder por muitos.

O Bloco de Esquerda tem um ligeiro decréscimo, pouco significativo e mantém o número de deputados. Contudo, galvaniza a sua posição de terceira força política.

A CDU sai bastante penalizada. Perde 5 deputados e sai destas eleições como o único partido da geringonça que perdeu com isso. Curioso. Parece que a maioria dos eleitores apreciou a geringonça e deseja a sua reedição mas, simultaneamente, são os pais da geringonça os únicos a perder votos e mandatos.

O CDS cai estrondosamente, perdendo 13 deputados, reduzindo-se à sua verdadeira significância. Volta a ser o “partido do táxi”, bastando que um dos deputados eleitos possua a carteira profissional de taxista para caberem todos no mesmo táxi. Talvez Assunção Cristas se aventure nessa nova profissão, já que vai deixar a liderança do partido.

O PAN quadruplica a representatividade. Passa de 1 para 4 deputados eleitos. Bem podem dizer que foram os grandes vencedores da noite. Recordemos que o PAN não tem uma máquina de comunicação muito profissional e tem tido muito má comunicação social, que lhes tem feito alguma perseguição, sobretudo através do rol de comentadores em tudo que é canal de TV.

Agora, uma palavra sobre os partidos que elegeram pela primeira vez um deputado. O Livre, o Chega e a Iniciativa Liberal.

O Livre atinge um resultado há muito merecido. Conseguiu eleger a futura deputada Joacine Katar Moreira e, a meu ver, até merecia um melhor resultado. Trata-se de gente competente e com ideias interessantes para o país.

O Chega elege André Ventura. Não é uma grande surpresa. Se a comunicação social consegue eleger um Presidente da República, por que razão não iria conseguir eleger um deputado? Apesar de não concordar com praticamente tudo o que diz André Ventura, não me parece que a sua eleição configure um perigo para a Democracia, como muitos afirmam. Pelo contrário, o futuro demonstrará que os receios que alguns atiram para o populismo de André Ventura rapidamente se dissiparão. O Chega é um partido unipessoal, com o único objectivo de dar protagonismo à sua figura de proa e de o catapultar para a ribalta política. O populismo de André Ventura não é genuíno, trata-se de populismo bastardo com objectivos meramente eleitoralistas, mas sem qualquer perigo para a Democracia.

O perigo para a Democracia vem de partidos com o Iniciativa Liberal. Esses sim, são genuínos populistas, com um programa político ultraliberal, com o objectivo cimeiro de destruir o Estado Social. Trata-se de um partido de betos, filhos de papá, altamente impreparados mas muito bem apadrinhados e plantados em sectores estratégicos da sociedade portuguesa e, por isso, com maior probabilidade de se ramificar. Mas ainda bem que conseguiram representatividade, assim, todos poderão ver bem do que se trata.

Só tenho pena que nesta salada de frutas parlamentar não haja lugar para Santana Lopes e Tino de Rans. A sério que tenho pena. Gosto destes dois figurões.