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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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RAPIDINHA

Não perca a sua dose diária de propaganda que visa a normalização da dizimação da humanidade. Vá lá, não resista. Aos poucos você vai interiorizando que o conflito nuclear tem mesmo que acontecer e que é perfeitamente normal começarmos a escavar túneis subterrâneos para escaparmos a aniquilação geral. E deixe-se de ser piegas. Isso não será o fim do mundo...

Infarmed sempre na vã guarda

A maioria das pessoas deposita total confiança no Infarmed. E porquê? Porque o Infarmed é uma instituição deveras credível? Porque os seus profissionais são tão competentes e únicos, que inviabilizam qualquer tentativa de deslocalização da instituição para outras paragens? Porque estão sempre a antecipar ilegalidades, não-conformidades, perigosidades, entre outras promiscuidades, que colocam em causa a saúde pública?

Sim, deve ser por tudo isso. Ou então, será apenas porque o Infarmed é daquelas instituições abençoadas e que goza de uma santimónia invejável.

A mais recente decisão do Infarmed visa suspender os tratamentos da COVID-19 com hidroxicloroquina. Os profissionais do Infarmed são assim, sagazes e avant-garde. Umas verdadeiras sumidades no métier. Sempre na vã guarda da avaliação técnico-científica.

Como é seu hábito, o Infarmed exerce toda a sua autoridade medicamentosa só depois de todas as suas congéneres internacionais, a Agência Europeia do Medicamento ou ainda a Organização Mundial de Saúde se pronunciar sobre qualquer assunto que envolva a avaliação e o controlo de medicamentos.

Desta feita, o Infarmed atrasou-se tanto a pronunciar-se sobre o uso da hidroxicloroquina no combate à COVID-19, que até Donald Trump teve tempo para mudar de opinião em relação a este assunto. É obra. Mais um marco histórico para o Infarmed.

Os Idiotas Liberais (IL)

Os Idiotas Liberais defendem um Estado pouco interventivo, um Estado que não se intrometa na actividade privada. No fundo, os IL idealizam e fantasiam a total ausência de Estado, por considerarem que este não serve para nada.

Os Idiotas Liberais querem que o Estado, agora, recorra fortemente às unidades privadas de saúde, para tentar reduzir as filas de espera de exames e cirurgias que ficaram adiadas durante os últimos meses. E quando dizem “recorrer fortemente”, querem mesmo dizer “forte e feio”, ou seja, a qualquer preço.

Os Idiotas Liberais acusam o Estado de apresentar um SNS que não é capaz de satisfazer as necessidades dos utentes e que, por essa razão, deve recorrer aos privados. Acusam ainda o Estado de ter atrasado a realização de exames de diagnóstico e cirurgias, durante o período mais crítico da pandemia.

Aquilo que os Idiotas Liberais fazem de conta que não sabem é que as unidades privadas de saúde se recusaram a tratar doentes com coronavírus, contribuindo também para que o SNS não pudesse dar seguimento à realização de muitos exames e cirurgias que estavam programados. Agora, só agora, parecem estar muito interessados em ajudar o SNS, por um preço especial, claro.

Os Idiotas Liberais alegam que os privados da saúde não estavam preparados para o combate ao coronavírus, como se alguém, em qualquer parte do mundo estivesse.

Os Idiotas Liberais não sabem para que serve o Estado, apenas sabem que costuma passar uns cheques bem chorudos, aos quais devem a sua existência.

Ou o vírus enfraqueceu, ou então…

Uma das principais razões, senão mesmo a principal, que levou ao confinamento foi o facto de o coronavírus ser considerado de elevado contágio, algo que poderia levar ao colapso dos serviços de saúde.

Os portugueses aderiram bem ao confinamento. É um facto. Agora, querem que os portugueses saiam de casa à força toda. Compreende-se a preocupação com os efeitos nefastos do desconfinamento, acho que todos nós estamos cientes dessas dificuldades, contudo, o perigo que levou ao confinamento mantém-se. Ou não? Ainda não ouvi ninguém com autoridade na matéria dizer que o vírus está mais fraco e que o risco de contágio se reduziu significativamente.

Ainda assim, há uma grande fatia de portugueses que parece já ter regressado à normalidade. As pessoas estavam fartas de estar fechadas em suas casas e, agora, com o apelo das temperaturas e com os valentes empurrões do Presidente da República (PR) e Primeiro-Ministro (PM) sentem-se “à vontadinha” para encher praias e esplanadas, porque o bicho já não pega.

Relembremo-nos que, há bem poucas semanas, o cenário para o Verão deste ano era o de que o acesso às praias durante a época balnear iria ser bastante restrito e controlado. E que iria ser um Verão diferente de todos os outros.

Pois bem, a verdade é que o Verão ainda não chegou, nem tão pouco abriu a época balnear e algumas praias já estão repletas de gente. Note-se que até Marcelo e Costa foram à praia, provavelmente com o intuito de dar um bom exemplo, mas que mais não fizeram do que dar um péssimo exemplo, algo a que já estamos a ficar habituados. As mais altas figuras do Estado em plena praia, fora da época balnear, se calhar era para colmatar a falta de nadadores-salvadores.

É óbvio que as praias são locais propícios ao contágio. Não se trata de um ambiente fechado, é certo, mas são locais de aglomeração, onde não se usa máscara e os cuidados de higiene, desinfecção e etiqueta respiratória são praticamente nulos. Então as novas regras para se frequentar as praias são absolutamente ridículas. Como é possível achar que 1,5 metros de distância entre toalhas é seguro? Então, já não se leva em consideração a deslocação do ar? Se alguém espirrar e/ou tossir (e vão ser muitos a fazê-lo, com toda a certeza) já não há perigo? 1,5 metros é suficiente? Eu acho que não, a menos que o bicho não seja tão contagioso como se diz.

Eu diria que estas novas regras de utilização das praias não servem nem para uma situação de normalidade, quanto mais na actual situação.

Pelo que vi (na televisão, claro), algumas praias estão a ter a afluência habitual de um normal dia de Verão. Vi também que muitas pessoas não cumprem sequer as novas regras de utilização das praias, regras que pouca ou nenhuma segurança conferem aos banhistas. As autoridades políticas devem estar a contar que este bicho seja mais do “mato” do que da praia. Deve ser isso.

 

Marcelo fala aos pastorinhos

Sempre que Marcelo Rebelo de Sousa fala ao país eu fico com a sensação de que está a falar aos pastorinhos. A luz (mediática) ganha outro brilho e a maioria das pessoas – os pastorinhos – fica como que anestesiada a ouvir aquele matraqueado, embalado naquele tom sacerdotal.

Marcelo conseguiu o milagre de se canonizar ainda em vida e, assim, pode dizer e fazer os maiores disparates, que vai ter sempre a maioria a aplaudi-lo e venerá-lo.

Ontem, Marcelo foi a Ovar buscar pão-de-ló para os netos e, a dada altura, numa tentativa de solenizar a visita aproveitou para enaltecer a pessoa do senhor Presidente da Câmara local, Salvador Malheiro ("um herói"), estendendo a homenagem aos demais presidentes de câmara do país.

Marcelo disse:

“Eles [Presidentes de Câmaras] tiveram que descobrir testes onde não existiam, eles tiveram que descobrir máscaras onde elas não existiam, eles tiveram de ir buscar protecção sanitária sabe-se lá onde, eles tiveram que telefonar para o Presidente da República, para o Primeiro-Ministro, para o líder da oposição, para os ministros, para os secretários de estado, enfim, para todo o mundo”. “Todos os dias tiveram que, aqui e ali, tomar decisões (…) em cima da hora…” porque a situação era premente.

Marcelo parecia extasiado com a abnegação dos senhores Presidentes de Câmara, ali representados por Salvador Malheiro (o herói). O que pensará Marcelo sobre aquilo que os portugueses estariam à espera por parte daqueles que elegeram? Que eles se recolhessem no conforto de suas casas a "twittar" e "instagramar" #vaificartudobem? Ou que estivessem reunidos numa mesa farta com os senhores da construção civil, a decidir como é que uma mão vai lavar a outra? Porque agora, mais do que nunca, é preciso lavar muito bem as mãos.

Marcelo aproveitou também para “saudar Rui Rio, líder da oposição e candidato a Primeiro-Ministro (…) que foi exemplar”, algo que Marcelo autenticou com o facto de ter recebido várias mensagens “não só de cá, como lá de fora, da Europa e do Mundo”. E todos sabemos que o cidadão português sobe logo três níveis quando o elogio vem do estrangeiro. Marcelo mostrou o seu entusiasmo pela forma “como ele [Rui Rio] tinha colocado a interesse nacional acima do interesse partidário num período crítico (…) e que foi importante para os portugueses ver que Rui Rio tinha sentido de estado, que o levava a realmente estar, ali, onde tinha de estar, ao lado dos portugueses, isso deu uma força ao país… foi um exemplo”.

Realmente, os portugueses não esperariam nada disto por parte de Rui Rio. Os portugueses têm demonstrado reiteradamente que não apreciam políticos com sentido de estado, muito menos que ponham o interesse nacional acima dos interesses pessoais.

Marcelo quis tanto enaltecer a pessoa de Rui Rio que ainda referiu que, ele próprio (Marcelo), “enquanto líder da oposição não conseguiria fazer aquilo que ele [Rui Rio] fez, por muito que tentasse não conseguiria”. Ah, grande Marcelo! Depois de se amantizar com António Costa, vem agora passar a mão pelo pêlo de Rio, não vá uma substancial parte do eleitorado do PSD levar a mal.

Marcelo parece aqueles homens, que depois de terem passado uns dias em clima de romance com as suas amásias, está agora de regresso a casa para passar o fim-de-semana com a mulher e família que tanto ama. E, como todo bom marido dissimulado não se esqueceu de levar uma jóia, um ramo de flores e uma caixa de chocolates para ofertar à sua amada esposa.

Com Marcelo é assim, vale tudo. Vale mesmo tudo para manter a imagem de “Sua Santidade”. E a verdade é que resulta. Também, com tanto pastorinho que pra aí anda.

P.S.: Mais tarde, Marcelo voltou a ter um encontro fugaz com sua "amásia de eleição". Passos Coelho diria que foi um óptimo dia de campanha eleitoral para o Dr. Rebelo de Sousa.

Se eu sinto vergonha, o que sentirá um governante?

Há uma família que está a ser alvo de uma acção de despejo em plena pandemia. A respectiva acção, obviamente, foi interposta pelo dono do imóvel, uma imobiliária que não quer dar a cara. Pudera.

Não quero saber sobre os contornos da situação que, eventualmente confere ao novo dono do imóvel o direito de expulsar os inquilinos antigos donos. Aquilo que sei é que se trata de uma família extremamente necessitada, em que o pai está doente com cancro, a mãe padece de uma doença degenerativa, estando em cadeira de rodas e o filho, que poderia ser o pilar daquela família, também não teve muita sorte, padecendo também de uma doença degenerativa que lhe causa bastantes limitações.

Quando digo que não quero saber dos restantes contornos da situação refiro-me concretamente às eventuais condicionantes que terão levado esta família ao incumprimento para com o credor. O que eu não consigo aceitar é que uma família com tamanhas dificuldades tenha que passar por esta situação, principalmente nesta altura.

Como é possível as autoridades deste país permitirem que tal aconteça? Como é possível que o Governo central (através dos mais diversos organismos, tal como a Segurança Social), ou o poder local, concretamente a Câmara Municipal não façam nada em relação a esta grave situação? Parece que já foi sugerida uma nova casa para esta família, a questão é que essa casa não apresenta as condições de acessibilidade necessárias. Como é possível pensar-se que uma família com estas características possa habitar numa casa em que é necessário subir escadas?

Quanto à dignidade e moralidade do novo proprietário estamos conversados.

NOTA: Como poderão verificar foram efectuadas correcções ao texto inicial, dado que as primeiras informações que obtive sobre este caso davam conta de que se tratava de uma situação entre inquilinos e proprietário. Na verdade, trata-se de uma família que entrou em incumprimento com o pagamento das prestações da sua casa ao banco, sendo que o imóvel acabou por ser adquirido por uma imobiliária no decorrer de um processo judicial. Segundo informação disponível no site da RTP, uma decisão judicial terá impedido a tentativa de despejo por parte da imobiliária. Acresce ainda o facto de a Câmara Municipal (Sintra) estar a par da situação de emergência desta família e, segundo a mesma reportagem da RTP, esta família aguarda por uma habitação social desde 2018. De salientar ainda o facto de lhes terem cortado a água e a luz logo após o fim do Estado de Emergência. Inacreditável.

Ciência não é opinião. Ou é?

Se a ciência se produz com base em meras opiniões, então somos todos cientistas e não sabíamos. Sim, porque o facto de algumas opiniões contingenciais emanarem de cientistas (e outros que se gostam de fazer passar por), isso, por si só, não é suficiente para ser considerado como um acto científico ou, num sentido mais abrangente, de ciência propriamente dita.

Se é verdade que um cientista é um ser humano como todos os outros, e que padece de todas as idiossincrasias tal como todos os seus semelhantes, também não é menos verdade que um cientista só produz conhecimento científico (ciência) quando esse conhecimento está devidamente sustentado em factos irrefutáveis.

Ora, o decurso da história científica já nos demonstrou, por demasiadas vezes, que aquilo que hoje é verdade amanhã é mentira, como se estivéssemos a discutir futebóis.

Então, nos últimos tempos, temos ouvido a comunidade científica atestar tudo e o seu contrário, sustentando as suas contraditórias conclusões em centenas de artigos científicos, publicados nas mais reputadas revistas científicas. Estudos científicos que pululam como coelhos, de todas as cores e tamanhos.

Em sua defesa, os cientistas alegam que a ciência se faz assim mesmo, isto é, com inúmeros estudos que buscam o conhecimento científico, mesmo que se contradigam. Certo, concordo com a parte de que o conhecimento científico deve ser constantemente perseguido e posto em causa. Aliás, aquilo que mais aprecio num cientista é a sua capacidade para colocar questões e tentar encontrar respostas. O que eu não posso aceitar é que apareçam, numa base quase diária, um manancial de estudos científicos cujas conclusões contrariam os estudos do dia anterior.

A ciência faz-se sustentada em factos e, por essa razão, não pode ser uma coisa hoje e manhã outra completamente diferente, porque os factos não se alteram assim tão rapidamente. Infelizmente, temos testemunhado uma ciência com muito pouca consciência.

A traquitana que pode lançar a Ana

Há uns tempos houve quem achasse insólito que um governo minoritário do Partido Socialista pudesse ter o aval dos partidos da Esquerda na Assembleia da República. Acharam tão estranho que trataram logo de baptizar esse acordo à esquerda de “geringonça”.

Curiosamente, os mesmos que viram o diabo onde ele não se encontrava são os mesmos que, agora, não viram nada de estranho no concubinato político entre Costa e Marcelo. E é por isso que aqui estou, para baptizar essa bizarrice que foi o anúncio de uma recandidatura mais que certa, mas que ninguém imaginaria que seria o líder do Partido Socialista e Primeiro-Ministro a fazê-lo. E nem me vou pronunciar sobre o local onde se deu a chavasquice.

Assim, a partir de agora, chamarei a essa coisa que tanto une Costa a Marcelo de “traquitana” que, empurra daqui, empurra dali, vai seguramente conduzir os dois ao seu destino.

Há quem considere que Marcelo não necessita da “traquitana” para se reeleger, o facto é que ele não enjeitou o repto de António Costa, muito pelo contrário, aproveitou de imediato a boleia de Costa, que tem estado com a sua popularidade em alta. Além disso, Marcelo sabe que não vai poder andar a distribuir beijinhos e abraços, e isso talvez o esteja a apoquentar.

Já António Costa, aproveitou o momento para matar dois coelhos com um único tiro, desviando com elevada eficácia os holofotes sobre a borrada (ou burrada) que havia feito no assunto “Novo Banco” e, imagine-se, retirar o tapete a qualquer putativo candidato (candidata, melhor dizendo) presidencial da área do partido a que ele próprio dirige, apenas para evitar que alguém que não alinha pelo mesmo diapasão lhe cause algum desconforto. Pedindo emprestado o adjectivo a Ana Gomes, deprimente, António Costa, deprimente.

A verdade é que Ana Gomes já havia decidido não se candidatar à Presidência da República, pelo que não havia necessidade. Contudo, após esta tratantice, talvez Ana Gomes possa mudar de ideias e avançar com a sua candidatura. Talvez seja mesmo esta traquitana a lançar Ana Gomes.

Semáforos nas praias? Não será melhor optar por rotundas?

Então, parece que as praias vão ter semáforos à entrada, para controlar o acesso das pessoas e evitar a sua acumulação em excesso.

Ora, se é para melhor controlar o acesso, a acumulação e a fluidez, não seria preferível optar pela construção de rotundas? Não sei… Os especialistas sempre defenderam que as rotundas são mais eficazes.

Depois é só colocar lá um agente da autoridade com um megafone a repetir: É circular, é circular!

Pandemia no país, pandemónio na política

Como se não bastasse a pandemia que assola o país e o mundo, agora temos um pandemónio no panorama político nacional.

A balbúrdia instalou-se depois de o Primeiro-Ministro ter faltado ao compromisso de apenas autorizar nova injecção de capital no Novo Banco após serem conhecidos os resultados da auditoria ainda em curso. António Costa garantiu, na Assembleia da República que tal não aconteceria, mas aconteceu. Aliás, já havia acontecido quando o Primeiro-Ministro negou tal facto perante os deputados e o país.

Mas, será que houve mesmo uma falha de compromisso por parte de António Costa? Acho que já todos sabemos que há uma hierarquia de compromissos por parte de quem governa, agora e no passado, sendo que em primeiro lugar estão sempre os bancos. Por este prisma pode-se dizer que não houve falha de compromisso.

Passará pela cabeça de alguém, que António Costa não sabia mesmo que a transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco já havia sido autorizada e realizada pelo Ministro das Finanças? Alguém acredita que o Ministro das Finanças, apesar de todo o capital de confiança amealhado nos últimos anos, tomaria uma decisão desta natureza sem que desse conta disso ao chefe do Governo? Aliás, esta nova injecção de capital decorre de obrigações contratuais e, tal como referiu Mário Centeno, independentemente dos resultados da auditoria em curso, teria que ser sempre efectuada. O problema reside no facto de António Costa ter garantido que tal não iria acontecer, sem que antes se soubesse a situação real do banco.

A mim, parece-me que tudo isto não passa de uma encenação por parte de António Costa e o próprio Mário Centeno, à qual se juntou Marcelo Rebelo de Sousa, tendo em vista criar um motivo válido para a saída do actual Ministro das Finanças. Podem dizer que Centeno poderia deixar o Governo sem ter que se encenar uma situação desta natureza, mas a verdade é que ninguém previa, há alguns meses atrás, que uma nova crise se abatesse sobre a economia e colocasse o país com as contas numa situação delicada novamente. Ora, sendo Mário Centeno o “Ronaldo das Finanças”, não lhe ficaria nada bem sair só por sair. Assim já tem um motivo válido.

A verdade é que tudo isto é muitíssimo grave. É duplamente grave a atitude do Primeiro- Ministro, porque se não sabia da transferência tinha que demitir o Ministro das Finanças na hora. Se sabia, e eu acho que sabia, está a gozar com os portugueses e com o seu dinheiro e, nesse caso, quem se devia demitir na hora era ele próprio.

E, em pleno pandemónio político, o Primeiro-Ministro, que também é líder do Partido Socialista, aproveita para lançar a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República, deixando claro que não haverá espaço para candidatos “socialistas”. Repto que, com maior ou menor inibição, Marcelo recebeu com especial regozijo. Vejam lá que até nem perdeu tempo em pôr-se ao lado de António Costa (que por estes dias anda com a imagem em alta), alinhando num puxão de orelhas público a Mário Centeno.

Portanto, um Presidente da República que não consegue despir a fatiota de comentador (função que o elegeu, isso explica tudo) e que se intromete nas decisões governamentais, pensando apenas na sua reeleição. E um Primeiro-Ministro que pretende capitalizar e perpetuar o seu estado de graça até ao final da legislatura, pelo menos.

Aquilo que está a acontecer no panorama político português é, de facto, vergonhoso. Recuperando uma expressão usada por Miguel Sousa Tavares: pura traficância política.

Se Portugal fosse o Brasil…

E se Portugal fosse um país como o Brasil? Já imaginaram quais seriam as principais notícias a marcar a actualidade? À parte da pandemia Covid-19, claro.

Eu consigo vislumbrar algumas capas de jornais com as seguintes notícias:

O Presidente do Conselho, André Ventura, acaba de ordenar o confinamento imediato (no Tarrafal) de todos os ciganos, refugiados, negros e de todas as pessoas que tenham opiniões contrárias às suas. O próprio André Ventura caba de ser capturado ao abrigo desta sua ordem, já que apresenta um dos pressupostos enunciados. Ainda antes de ser enviado para o Tarrafal, André Ventura ordenou o fim do campeonato de futebol da Primeira Liga, determinando que o campeão é o Benfica.

Ou então…

O Ministro da Justiça, Carlos Alexandre acaba de decretar prisão imediata para todos os cidadãos portugueses que tenham recebido dinheiro emprestado de um amigo, a menos que esse amigo seja um procurador da república condenado por corrupção.

Ou ainda…

A Ministra da Cultura, Maria Vieira, decreta o fim de “O Programa da Cristina”, que deverá ser substituído por um programa educacional que faça concorrência à Telescola. Para o efeito já contratou oradores de alto gabarito, entre os quais Pedro Arroja, Cosme Vieira ou Mário Machado.  Ricardo Araújo Pereira também será substituído, nos seus programas, por José Diogo Quintela. Entretanto, a senhora ministra acaba também de nomear Pedro Passos Coelho como novo director do Teatro Politeama.

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