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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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António Costa nomeia António Costa (Silva) porque é incompetente

Uma coisa é o chefe de um governo querer auscultar a sociedade civil e procurar obter a opinião de um grupo de pessoas (o mais heterógeno possível) que não estejam directamente envolvidas na política, outra coisa é nomear uma só pessoa, fora do espectro político, para assumir a responsabilidade de coordenar e elaborar um plano de recuperação económica que vai incidir sobre um período de 10 anos, o equivalente a 2,5 legislaturas.

O Primeiro-Ministro, António Costa, nomeou António Costa Silva para essa árdua tarefa, o que levou muita gente a apelidá-lo de “paraministro”, mas considerando os contornos da situação eu diria que tratar-se-á mais de um “superministro”.

Vejamos. António Costa lidera um vasto governo, cheio de ministros, secretários de estado, chefes de gabinete e um infindável rol de assessores para tudo e mais alguma. Não há uma única alma no meio de toda essa gente com competência para coordenar um plano de recuperação económica? Qual a necessidade de nomear o presidente executivo de uma empresa "privada" para assumir tão importante tarefa? Fazê-lo é a mais cândida assunção de pura incompetência.

De nada serve António Costa vir com argumentos dúbios sobre a idoneidade e competência do outro António Costa (Silva), porque isso, mesmo que fosse verdade, não apaga aquilo que está aos olhos de todos: o actual governo não tem competência para elaborar e coordenar um Programa de Recuperação Económica e Social. António Costa, o Primeiro-Ministro, foi ainda mais longe recorrendo a balelas do tipo: “ministros fazem política, técnicos fazem trabalho técnico”, justificando que o convite a António Costa Silva não foi feito para “assessorar negócios”, mas para “pensar estrategicamente o país”.

Mau, seguindo o raciocínio do Primeiro-Ministro, podemos depreender que cabe aos políticos “assessorar negócios” e aos técnicos “pensar estrategicamente o país”. É isso?

O senhor Primeiro-Ministro está equivocado. Os políticos deveriam ser os melhores representantes da sociedade civil, que deles espera que encontrem soluções de governação. Um Primeiro-Ministro não pode vir com teorias disparatadas de abertura da governação à sociedade civil, porque não foi para isso que foi eleito. Assim, só demonstra a sua total impreparação para liderar um governo.

Outra questão importante tem a ver com a pessoa de António Costa Silva, presidente executivo da Partex. Para quem não sabe, a Partex é uma empresa petrolífera que era detida pela Fundação Calouste Gulbenkian, mas que foi vendida a uma empresa pública tailandesa, no ano passado. António Costa Silva é um engenheiro de minas, com uma vasta especialização em petróleo e, portanto, o independente ideal para pensar estrategicamente o país, sobretudo quando a transição energética é um dos principais desígnios da governação. 

No que respeita à tomada de posições políticas, Costa Silva é conhecido por ser um fervoroso anti-geringonça, por sobrepor os interesses financeiros aos interesses ambientais, por divergir das posições do actual Secretário de Estado da Energia, entre outras aversões a tudo que provenha da esquerda política. É também um efusivo defensor da intervenção esbanjadora do Estado na economia, que para ele significa "o interesse das empresas".

No despacho publicado, o Primeiro-Ministro fez questão de vincar que António Costa Silva não auferirá qualquer remuneração. Não sei porquê, mas eu tendo a ficar muito desconfiado quando vejo um presidente executivo de uma grande empresa ter tempo de sobra e disponibilidade para prestar serviço público de graça. Mas, felizmente, ainda há gente boa neste país, dispostos a trabalhar de graça, dia e noite, só para o bem da nação.

O cheiro de milhares de milhões a fundo perdido é capaz de converter qualquer capitalista inveterado ao mais radical altruísmo.

“Não paramos. Estamos On”, dizem eles…

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Os trabalhadores independentes continuam impossibilitados de requerer a renovação do pedido de apoio extraordinário à redução de actividade económica. As mais recentes notícias dão conta de que o apoio referente ao mês de Maio ainda não foi concedido porque o respectivo formulário, que deveria estar disponível online, ainda não foi disponibilizado.

A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social informou que o formulário esteve disponível, no passado Sábado, mas que entretanto foi retirado, porque o formulário continha um novo requisito que, segundo Ana Mendes Godinho, causou “bastante desconforto e alguma preocupação”. Parece que o novo formulário obrigava os beneficiários a declarar, sob compromisso de honra, que teriam de retomar a “actividade profissional no prazo de oito dias”, como se isso dependesse exclusivamente das suas vontades. Estou certo de que a maioria nunca teria solicitado o apoio, muito menos teria parado de trabalhar se a tal não se vissem obrigados.

Os trabalhadores independentes (a sua maioria) sempre foram mal-amados por parte dos governos, algo que não se compreende, principalmente este desamor que o actual governo demonstra para com os trabalhadores independentes a quem devem, pelo menos, a enorme redução da taxa de desemprego verificada nos últimos anos.

Além de mal-amados, ainda têm que levar com esta atitude persecutória por parte do Estado. O governo anuncia medidas de apoio a esta classe de trabalhadores, medidas essas que até nem são grande coisa, mas depois falha categoricamente na sua aplicação. O atraso verificado nos serviços da Segurança Social já cheirava a esturro, uma vez que eles dizem que “não pararam e estão sempre on, mas agora não resta qualquer dúvida que há instruções claras para empecilhar o procedimento. Recorde-se que, já em Março, andaram a solicitar o IBAN aos beneficiários, quando essa informação já se encontrava disponível nos serviços.

Mas o cenário é bem pior daquilo que tem sido noticiado, já que não é apenas o apoio referente ao mês de Maio que está em atraso, também o de Abril está por efectuar em muitos dos casos. Existem muitos trabalhadores independentes que, já em Abril, não puderam realizar o pedido do apoio extraordinário relativo a esse mês porque, também nessa altura, o formulário não esteve disponível no site da Segurança Social. Aliás, muitos trabalhadores, só receberam o apoio relativo ao mês de Março no decorrer do mês de Maio, algo que, agora, parece fortalecer a ideia de que existe instruções para emperrar os apoios a quem trabalha, quer trabalhar e não pode.

Para causar ainda mais transtorno, a Segurança Social tratou de efectivar muitos dos apoios já concedidos por meio de vales CTT, mesmo depois de ter anunciado como obrigatório o pagamento por transferência bancária. Tanta trapalhada, tantos erros e tantos atrasos num serviço que “não pára e está on”, não pode ser obra do acaso.

Como sempre, temos um Estado perseguidor e que tudo faz para dificultar a vida a quem já tem dificuldades de sobra, mas que é sempre muito lampeiro a passar cheques milionários a bancos falidos.

Ah se o Governo me desse 500 euros…

O antigo Ministro da Economia, Pires de Lima, defende que o Governo deveria dar um voucher (até 500 euros) a cada família portuguesa, para o gozo de férias em estabelecimentos turísticos nacionais.

Só mesmo uma mente tão brilhante como a do antigo ministro de Passos e Portas poderia alcançar uma ideia tão fantástica. Enquanto a maioria de nós passou todo este tempo de confinamento sem saber o que pensar do futuro, atrofiados no desânimo, Pires de Lima aproveitou esse tempo para levedar uma ideia que pode salvar a economia do país.

Pires de Lima está convicto de que “com um cheque de 500 euros nas mãos, os portugueses perderão o medo e sairão de casa”. Ora tomem lá mais esta! Para quem duvidava das capacidades de Pires de Lima, aí está mais uma descoberta importantíssima: o preço da coragem. Para quem não sabe, trata-se de uma das mais importantes variáveis dos modelos económicos – o preço da coragem – tomem nota, são 500 euros.

Eu já não consigo pensar noutra coisa. Se o Governo me desse 500 euros, mesmo que me fosse possível escolher onde os gastar, eu não teria quaisquer dúvidas, ia já de férias para um sítio qualquer, em Portugal, claro.

É óbvio que já apareceram por aí uns e outros a dizer que há problemas mais graves por resolver. Alegam que muita gente perdeu o seu emprego, que muitos viram os seus rendimentos reduzidos, muitos não estão a conseguir pagar os empréstimos, as rendas, as contas da electricidade e da água, os medicamentos e, muitos mais, que já nem sequer têm dinheiro para comer. Que piegas!

De facto, há gente que não aprende, gente que não consegue perceber a hierarquia das necessidades. Então não sabem que primeiro devem satisfazer-se as necessidades mais básicas? Que em Portugal são: um carro de luxo, um smartphone topo de gama e, claro, umas belas férias.

Pires de Lima deveria ser condecorado pela sua grandiosa ideia. Eu não consigo vislumbrar outra coisa melhor para gastar 500 euros neste momento. Ou era em férias ou então em packs de Super Bock Mini.

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