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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

RAPIDINHA

A propaganda intensifica-se. As taxas de juro só baixam - e praticamente nada - porque estamos em cima das eleições europeias. Apenas isso.

O tédio em tons de verde lagarto

Todos os finais de época temos que levar com os lagartos choramingas. Os adeptos sportinguistas só acordam quando a época acaba. E depois é vê-los a arranjar desculpas esfarrapadas para tentar explicar aquilo que não carece de qualquer explicação.

Eu, que tenho uma alma bondosa, farto-me de lançar alertas para que os sportinguistas não percam a noção da realidade, mas é mais forte do que eles. Por exemplo, em Março, aquando da contratação de Rúben Amorim, escrevi que o Sporting de Braga estava a fazer um excelente negócio ao vender o seu treinador ao Sporting, porque fazia um enorme encaixe financeiro e ainda acabaria por terminar o campeonato à frente do rival Sporting. Assim foi.

Seria bom que os sportinguistas acordassem para a vida e se mentalizassem, de uma vez por todas, que os seus principais rivais no campeonato são o Braga, o Vitória SC e o Rio Ave. O Sporting raramente consegue fazer frente ao Porto e ao Benfica na luta pelo título. É só aceitar essa realidade.

Mas, como referi, é mais forte do que eles. A fé cega-lhes o discernimento e, invariavelmente, da mesma forma que acabam a época aos prantos, começarão a próxima temporada a achar que vão ser campeões. Mas não vão, podem registar a aposta.

A jogada parlamentar de Rui Rio

Parecem-me óbvios os objectivos de Rui Rio ao propor o fim dos debates quinzenais. Tal como disse José Sócrates (e com razão), Rui Rio não é grande orador. Os debates quinzenais não trazem grande vantagem à imagem de Rui Rio, muito pelo contrário. Rio não aprecia o debate parlamentar e, por razões meramente idiossincráticas, não tem nada a ganhar com a realização dos debates quinzenais.

Por outro lado, os debates quinzenais têm-se mostrado uma óptima montra para André Ventura (Chega) e Cotrim de Figueiredo (IL), principalmente para André Ventura que, com o fim dos debates quinzenais terá muito menor tempo de antena do que tem tido. Há quem considere que esta medida não vai retirar palco a André Ventura, porque vai fazer com que ele se foque nas redes sociais, algo que o poderá favorecer ainda mais porque aí não tem contraditório.

Bem, para começar, não é verdade que aquilo que se planta nas redes sociais não tenha hipótese de ser contrariado. Depois, todos sabemos que o Chega explora, ao máximo, as intervenções de André Ventura no Parlamento, sobretudo nas questões que coloca ao Primeiro-ministro nos debates quinzenais, pelo que não resta qualquer dúvida que as intervenções parlamentares são a rampa de lançamento de Ventura e dos pequenos partidos.

Por conseguinte, o fim dos debates quinzenais constituem o fim de momentos de verdadeiro desconforto para Rio, que não tem veia para o confronto em Plenário e, simultaneamente, retira os holofotes de cima de gente como Ventura e Cotrim de Figueiredo que, como se sabe, são uma ameaça para o PSD, já que têm vindo a preencher espaço à Direita. E, não raras vezes, a serem apelidados como verdadeira oposição.

Assim, apenas com um tiro, Rui Rio mata dois coelhos. Mas continua a ter que se preocupar (e bem) com o outro coelho.

Viseira ou máscara? Quem autua os polícias?

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   Imagem RTP

 

Se bem me lembro, a directora-geral da saúde disse que “a viseira não é um método que dispense a utilização de uma máscara”.

Graça Freitas explicou que este tipo de equipamento “protege muito bem os olhos e o nariz, mas já não protege tão bem – porque é aberto em baixo – gotículas expelidas através do espirro, da tosse e até mesmo da fala”

Por isso, conclui, “tendo a sua utilidade, [a viseira] deverá ser usada complementarmente com método barreira que permita tapar a boca e o nariz”.

A verdade é que em inúmeras superfícies comerciais e em transportes públicos continua a ser possível entrar apenas com a viseira, portanto, sem o uso obrigatório da máscara.

As próprias forças de segurança continuam a operar e a abordar os cidadãos, muitas vezes para os alertar e até mesmo para lhes aplicar coimas pelo não cumprimento das regras de segurança, sem estar a usar a máscara, apenas a viseira, contrariando as orientações das autoridades de saúde.

Estas situações passam constantemente nas televisões e outros meios de comunicação social, como é possível que as autoridades políticas e de saúde ainda não tenham actuado em conformidade?

Ergue-te c***lho!

O PNR – Partido Nacional Renovador, numa clara tentativa de adicionar algum vigor à coisa, decidiu alterar a sua denominação para “Ergue-te”. Ou seja, a partir de agora o PNR passa a chamar-se Ergue-te.

Eu acho que a mudança faz todo o sentido e gostaria de deixar uma sugestão para a nova identidade visual do partido.

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A canonização de Passos Coelho

Depois de produzida e anunciada a acusação do caso BES, uns quantos iluminados comentadores decidiram (comanditados ou não) partir para a canonização de Passos Coelho. O saudosismo apaixonado proporciona-nos momentos hilariantes. Desatinados, mas verdadeiramente hilariantes.

Então, parecendo que estavam a ler pela mesma cartilha desataram a matraquear coisas do tipo: “Foi Passos Coelho que deixou cair Ricardo Salgado”, “Passos Coelho merece ser louvado, quanto mais não seja pela postura que teve em relação ao BES, enquanto primeiro-ministro”, “Ainda bem que em 2014 o primeiro-ministro era Passos Coelho, imaginem se fosse um governo do PS”, “Passos Coelho disse não a Ricardo Salgado, quando este lhe foi pedir ajuda para não deixar cair o banco”, entre outras intrujices que pretendem dizer o mesmo.

Ora, ninguém sabe ao certo qual o conteúdo da(s) conversa(s) que Ricardo Salgado teve com o ex-primeiro-ministro Passos Coelho, mas eu quase que me atrevo a adivinhar aquilo que Passos Coelho e sua ministra das finanças terão dito, assim que Ricardo Salgado abandonou a sala. Deve ter sido algo do género: “Olha-me este gajo, que se farta de dar dinheiro a toda a gente e agora tem a lata de aparecer aqui de mãos a abanar”. Deve ter sido mais ou menos isto.

Bom, voltando à atitude que Passos Coelho teve em relação ao BES, convém lembrar os senhores comentadores com memória de galinha que, não só Passos Coelho não deixou cair nada nem ninguém, como ainda fez questão de amarrar o Estado ao BES. Dizem eles: “Ah, Passos Coelho não permitiu que o Estado injectasse dinheiro no BES através da CGD, tal como Ricardo Salgado pretendia”. Pois, pois. A verdade é que Passos Coelho não perdeu tempo em injectar 3,9 mil milhões de euros no BES.

De onde raio terão saído esses 3,9 mil milhões de euros? Se não foi da CGD, porque Passos Coelho não foi nenhum irresponsável, de que bolso terá saído tanta pasta?

Negócios à Benfica (ou à Vieira)

Jorge Jesus está de regresso ao Benfica, protagonizando a maior contratação de sempre que um clube português faz num treinador da bola e seus adjuntos. Consta que são 25 milhões de euros que o Benfica terá de pagar pelos três anos de contrato.

Há quem diga que este investimento até pode ser de baixo valor, dependendo dos resultados que Jesus possa vir a apresentar. Claro, mas não é assim com toda a gente?

A verdade é que, do ponto de vista financeiro, Luís Filipe Vieira está a fazer uma péssima contratação, já que o treinador da bola em questão não tem procura no mercado. Não é o mercado que faz o preço? Vieira pode até alegar que conseguiu contratar Jesus, pagando-lhe um salário inferior ao que este recebia no Flamengo, contudo, toda a gente sabe que Jesus estava ansioso por deixar o Flamengo e regressar a Portugal ou outro país europeu, daí ter renovado com o clube brasileiro (há cerca de um mês) por apenas mais um ano. E fê-lo por não haver mais nenhum clube que o quisesse. Essa é que é a verdade. Não existe nenhum clube, além do Benfica, que pretenda contratar Jorge Jesus. Bom, talvez o Casa Pia, o Arrifanense ou o Alfarelense tivessem interessados, mas nenhum deles cumpriria os requisitos exigidos por Jesus.

Portanto, Jesus estava mortinho, mortinho por regressar a Portugal e o Benfica era o único clube interessado. E o que faz Vieira? Abre os cordões à bolsa e paga o maior valor de sempre numa contratação. Como se Jesus fosse garantia de futuros encaixes financeiros, antes pelo contrário, o Benfica terá de preparar-se para abrir ainda mais os cofres, porque o JJ só sabe trabalhar com jogadores feitos e caros.

Não haja dúvida de que foi um grande negócio. Sim, mais um grande negócio para Jorge Jesus.

O Rato Ricciardi

Impoluto e esperto, o Ricciardi

Gosta de receber, o Ricciardi

E nunca sabe quem lhe está a pagar

O rato esquecido, o Ricciardi

Nunca sabe de nada, o Ricciardi

Consegue tudo resolver

Com muita lata

O rato Ricciardi voltou a atacar

Vem com ele brincar

O Ricciardi

O eixo dos mal-entendidos

O Eixo do Mal é um programa de comentário da SIC Notícias, com emissão às quintas-feiras à noite. Os comentadores de serviço são: Clara Ferreira Alves, Luís Pedro Nunes, Pedro Marques Lopes e Daniel Oliveira.

No programa de ontem à noite foi abordada a acusação do caso BES. E o que disseram os entendidos no comentário?

O Luís Pedro Nunes disse sentir-se triste e ficou muito surpreendido com os meandros deste processo. Em 2009 não acreditava que houvesse corrupção deste nível em Portugal, julgava que só havia pequena corrupção. Por amor de Deus, eu não me recordo se em 2009 o Luís Pedro Nunes já ostentava a sua experiente barbicha, mas, estamos a falar de 2009 e não de 1959. Como é possível que alguém com espaço no comentário mediático possa dizer que, em 2009, não lhe passava pela cabeça que já havia este nível de corrupção em Portugal?

A Clara Ferreira Alves acha que, desta vez, esta gente vai parar à prisão, porque a justiça agora funciona. E deseja-lhes ainda que sejam condenados à pobreza que, segundo a própria é aquilo que os arguidos mais temem. À semelhança de Luís Pedro Nunes, a Clara Ferreira Alves parece viver alheada da realidade do país.

Quem ouvir estes dois comentadores e não conhecer minimamente o país ficará com a ideia de que, em Portugal, só existe alta corrupção há uma ou duas décadas. E, pior que isso, ficará também com a sensação de que o sistema judicial funciona e que casos como este não voltarão a acontecer.

Ao Pedro Marques Lopes deu-lhe para atacar o jornalismo, pelo facto de terem atirado para a ribalta as figuras de Cavaco Silva e Miguel Frasquilho, sustentando que nenhum deles foi acusado, nem sequer foram ouvidos no processo. Ora aí é que está o busílis da questão. Por que razão o senhor doutor juiz Carlos Alexandre não quis ouvir estes dois elementos? Vejamos, Cavaco recebeu dinheiro, alegadamente, proveniente do saco azul do BES e ainda afirmou publicamente que a instituição financeira se encontrava de boa saúde e era um banco sólido. Já Frasquilho recebeu pagamentos em diversas contas de familiares, nunca numa conta sua, alegando que pediu para que assim fosse, porque estava a dever dinheiro aos familiares e, então, pediu para que transferissem directamente para as contas desses familiares. Esta desculpa esfarrapada não cabe na cabeça de ninguém, mas Carlos Alexandre atribui-lhe plausibilidade. Carlos Alexandre também não achou necessário ouvir Cavaco Silva e sustentou que ele (Cavaco) não teve qualquer intenção em desinformar os portugueses. Ora, se nem se deu ao trabalho de falar com ele, como pode alvitrar sobre as suas intenções? Deve conhecê-lo de outras andanças, provavelmente.

Eu só gostava de saber quantas sessões de inquérito teriam sido convocadas (com depoimentos presenciais) e quantos milhares de páginas o senhor juiz se daria ao trabalho de redigir, se em vez de Cavaco tivesse sido Sócrates a vender a banha da cobra ao país e a receber dinheiro para a sua campanha eleitoral.

Daniel Oliveira foi o único que se mostrou mais esclarecido sobre o assunto, referindo que muito antes de 2009 já todos sabiam quem era Ricardo Salgado, pelo que nada disto é surpreendente. Alertou ainda para o facto de nenhum dos casos de corrupção postos a nu produziram qualquer refreamento no desmedido poder do sistema financeiro, muito menos nas sórdidas regras pelas quais ele se move.

Não sei se são os efeitos da pandemia, se é do calor ou se é o clima de pré-férias, a verdade é que se exige mais perspicácia e menos credulidade em quem tem tamanho espaço de comentário.

Valoriz€m os m€dico$

Ah os médicos, profissionais de causas maiores como a saúde e a vida. O que seria dos restantes seres humanos, de condição inferior, se não existissem médicos? É por isso que eu defendo a existência de mais médicos, quanto mais melhor.

Quem não quer que haja mais médicos são… os médicos, pois claro. Há bem pouco tempo, o Governo determinou a possibilidade de aumentar o número de vagas nos cursos de medicina e os primeiros a vociferar contra a ideia foram os próprios médicos. O senhor bastonário da Ordem dos Médicos, os representantes das escolas médicas e universidades mostraram-se veementemente contra o aumento do numerus clausus nas faculdades de medicina.

Curioso que, durante muito tempo, as queixas eram de que não havia médicos suficientes, aliás, basta constatar que milhares de portugueses continuam sem médico de família ou então, basta atentar nos tempos de espera para consultas, exames de diagnóstico e cirurgias. Mas, agora que o poder político parece estar inclinado para aumentar o número de vagas, os médicos vêm dizer que, afinal, o problema não é a falta de médicos, mas sim a falta de valorização da carreira médicos.

Anteriormente, os médicos diziam que tinham trabalho a mais, que tinham que se desdobrar em múltiplos turnos e acumular várias funções. Argumentos que entendiam como mais do que justificáveis para exigirem mais "valorização das carreiras". Agora que o Estado permite aumentar o número de vagas para novos médicos, dizem que o problema não é a falta de médicos. Pois não, é a falta de vergonha na cara.

Ou seja, isso do burnout dos médicos que tanto falam, afinal é tudo mentira. Os médicos não só estão plenamente satisfeitos com a carga horária e respectiva carga de trabalho, como ainda se encontram totalmente disponíveis e fresquinhos para realizar trabalho extraordinário, desde que vejam as suas carreiras “valorizadas”.

Mas, o que raio significará “valorizar a carreira dos médicos”? Não terá a ver com questões que se prendam com o estatuto da profissão, certamente, já que se há profissão com estatuto neste país é a dos xôs doutores de bata branca. Notem que até lhes é concedido o direito a estabelecer as regras sobre o número de vagas nas faculdades de medicina. Portanto, eles é que decidem se vão ter concorrência ou não. E, assim, acentuam ainda mais o corporativismo da classe, numa mais que óbvia tentativa de manter uma posição de poder reivindicativo junto do poder político.

Note-se também que ainda se mostraram disponíveis para abrir novas vagas, mas apenas para alunos estrangeiros que desejem obter formação em Portugal.

Não há médicos desempregados, há sim, médicos com mais que um emprego, em muitos casos, no público e no privado. E, depois, há as filas de espera no Serviço Nacional de Saúde, pelo que é urgente que se formem mais médicos. O Estado tem o dever de corrigir esta situação e garantir que os profissionais que forma, a muito custo, vão estar de corpo e alma com o SNS e com a saúde dos portugueses. Tenho a certeza que não faltam pessoas bem-intencionadas e com uma verdadeira vontade de dignificar o ofício, que deveria ser muito mais uma vocação do que um caminho para a obtenção de estatuto social e folga na carteira.

E foi assim, sem mais nem menos, que cheguei à conclusão que aquilo que os médicos querem não é mais e melhores meios técnicos e humanos (então humanos, não mesmo), o que verdadeiramente desejam é mais dinheirinho, como se já não fizessem parte de uma das classes profissionais mais privilegiadas deste país.

Covid: parece que o problema está em coabitar

Marcelo Rebelo de Sousa disse, ontem, no final da reunião no Infarmed, que os principais factores que originaram os actuais surtos de Covid-19 são a coabitação e a convivência social. Disse também que há um estudo que “parece” sugerir que não há relação entre o aumento de casos e o uso dos transportes públicos.

Quão estapafúrdio é ouvir da boca dos principais responsáveis políticos, neste caso, da boca do senhor Presidente da República, que a coabitação é uma das causas que levam ao aumento de casos?

Ora vamos lá ver se a gente se entende. A probabilidade de contágio dentro das habitações é, de facto, a mais elevada possível, mas só quando há alguém infectado, caso contrário é nula. É evidente que o sítio onde todas as pessoas tendem a cumprir menos as regras de protecção e distanciamento é dentro das suas próprias casas. No entanto, o vírus só entra dentro das casas das pessoas se alguém o transportar consigo. Como toda a gente se lembra, em Março e Abril, a solução para travar os surtos de contágio foi… lembram-se? Pois claro. Foi o confinamento. E onde raio as pessoas foram se lembrar de confinar? Olha, parece que foi nas suas casinhas. E o que aconteceu à curva pandémica? Olha, achatou, a bandida. Com o desconfinamento, as pessoas saíram de casa e voltaram a estar em contacto com o vírus. Naturalmente que as pessoas que são responsáveis e que não tenham o azar de se cruzar e/ou ter de conviver com gente irresponsável, terão menor probabilidade de regressar a casa com o bicho.

Portanto, não é a coabitação que causa os surtos, mas sim o desconfinamento, mais concretamente o desconfinamento desregrado.

São as festas Covid e os ajuntamentos de jovens? São o amontoar de pessoas nos transportes públicos? É o facto de as pessoas terem retomado as suas rotinas de trabalho?

Sim. É tudo isto junto. Contudo, não será muito difícil adivinhar que é nos ajuntamentos, onde não se cumpre as regras de distanciamento nem se usa máscara que o risco de contágio é muito maior. E são essas pessoas que depois vão para casa contagiar os familiares com quem vivem que, por sua vez, se tornam em novos agentes de contágio nos mais diversos locais por onde circulam, porque já não estamos confinados. As famosas cadeias de contágio.

O Presidente da República não tem razão quando aponta o dedo à coabitação, até porque é praticamente impossível, à maioria das pessoas, evitar o contágio dentro de portas, sobretudo quando não se sabe se se é portador do vírus. Por outro lado, Marcelo tem razão quando refere a convivência social. É óbvio que é aqui que reside o maior perigo, porque não há distanciamento nem uso de máscara. Mas, não terá sido ele (Marcelo) um dos maiores promotores dessa realidade? Não foi ele que incentivou e continua a incentivar as pessoas a saírem de casa, para ir à praia, às livrarias, aos restaurantes, às esplanadas, aos concertos e, mais recentemente, até apelou para que todos os portugueses rumem ao Algarve neste Verão? Por onde circulam e continuarão a circular milhares de jovens estudantes estrangeiros, desprovidos de quaisquer cuidados e preocupações com a propagação da doença.

Voltamos sempre ao ponto essencial desta pandemia. Não é possível conter a propagação do vírus e andar por aí como se ele não já não existisse. 

Ou armamo-nos em Bolsonaro e não fazemos caso da pandemia, a bem da economia, ou então voltamos a apertar o cerco com mais medidas restritivas. O que não é politicamente aceitável é querer acreditar que um “portem-se bem meninos” seja simultaneamente suficiente para salvar a economia e preservar a saúde das pessoas.

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