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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Presidenciais: eis que o PS se pronunciou

António Costa disse - num passado não muito distante - que “o PS não se pronuncia em abstracto sobre candidaturas presidenciais”. Disse também que o PS só se pronuncia nos momentos próprios. E o momento de o PS se pronunciar sobre as próximas eleições presidenciais foi no passado Sábado. Finalmente.

No final da reunião da Comissão Nacional, o secretário-geral do Partido Socialista anunciou que a orientação do partido é a da liberdade de voto nas próximas presidenciais.

Não se percebe muito bem o que é que António Costa quer dizer com “liberdade de voto”. É que não estamos a falar de uma votação parlamentar, onde todos sabemos que costuma prevalecer o comportamento de rebanho. É óbvio que os militantes do PS são livres de votar em quem muito bem entendem, não é isso que está em questão. Ou seja, não cabe a António Costa dizer aos militantes do PS que estes são “livres” de votar em quem lhes apetecer, contudo, cabe ao secretário-geral do PS tomar uma posição oficial de apoio a um dos candidatos presidenciais.

António Costa parece ignorar aquilo que é a tradição do partido que lidera e, principalmente, as resoluções aprovadas em Congresso Nacional (órgão máximo do partido), que orientam o partido no sentido de apoiar um candidato que seja militante do PS ou da área política do PS. Talvez por essa razão o Congresso Nacional, que deveria ter sido realizado este ano (em Maio) tenha sido adiado para 2021, só depois das presidenciais.

António Costa parece ter muita dificuldade em compreender o alcance das responsabilidades dos cargos que ocupa. Anteriormente, aquando das eleições no Sport Lisboa e Benfica, Costa também não soube separar as águas. Agora, não consegue perceber que, independentemente das boas relações (pessoais e institucionais) que pode ter com Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa é o secretário-geral do Partido Socialista e é nessa qualidade que tem de tomar uma posição. Enquanto líder do PS, António Costa tem a obrigação de tomar uma posição vincada e de apoio a um candidato presidencial, neste caso concreto, à candidata Ana Gomes.

Ana Gomes é militante do PS e detentora de um percurso político irrepreensível. É, acima de tudo, uma candidata do mesmo campo ideológico e teria que ter, obrigatoriamente, o apoio do partido do qual faz parte, mesmo que isso desagrade ao líder do partido.

Ao não declarar um apoio oficial do partido à candidatura de Ana Gomes, o secretário-geral do Partido Socialista teria, no mínimo, que indicar uma razão válida que sustentasse a posição assumida.

Costa não é capaz de perceber que tinha de tomar uma posição em nome do partido e não uma que reflicta a sua vontade pessoal e a daqueles que o apajeiam. Um líder de um partido deve estar ao seu serviço e não a servir-se dele para a prossecução de objectivos pessoais. Costa já deu – reiteradamente – o seu apoio (pessoal) a Marcelo Rebelo de Sousa, aliás, foi o próprio Costa quem anunciou a recandidatura (não oficial) de Marcelo, se bem se lembram. Agora, ao contrariar as indicações, a vontade e o dever do próprio partido, António Costa junta, por obséquio, o apoio do PS à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. Foi isso que ele fez (agora, oficialmente), em total desconsideração pelas orientações estratégicas do partido.

António Costa aprecia muito falar em respeito “inschional” (como ele diz), mas na verdade é um pantomineiro das instituições.

País em emergência, enfermeiros em greve

Entrou hoje em vigor o novo estado de emergência e, em simultâneo, iniciou-se um período de greve dos enfermeiros que durará cinco dias. Ou seja, os enfermeiros decidem fazer greve na semana em que se prevê um acréscimo de 40% nos internamentos hospitalares.

Os enfermeiros podem ter muitas razões de queixa, contudo, num momento em que a pandemia está descontrolada e o SNS está sob alta pressão é absolutamente inaceitável que exerçam, agora, o direito à greve.

A Direita fascizante

Lembram-se daquilo que disseram os políticos e apoiantes da Direita em 2015, quando o PS formou um governo minoritário com o apoio parlamentar de BE, PCP e Os Verdes? Cobras e lagartos, não foi? Disseram tão mal do acordo de governação celebrado entre PS, BE, PCP e Os Verdes que até lhe chamaram - muito depreciativamente - de geringonça.

Agora, os mesmos que estiveram tão contra o célebre acordo de governação, exultam com a formação de uma nova geringonça no Governo Regional dos Açores.

Eu, que sempre achei natural a formação da geringonça a nível nacional, em 2015, não mudei de opinião e não veria nada de errado na replicação desse modelo agora, nos Açores, não fosse esse “pequeníssimo pormenor” de o PSD estar a celebrar um acordo com um partido antidemocrático, racista e xenófobo – o Chega.

Os partidários da Direita consideram que o acordo que o PSD celebra agora com o Chega está em pé de igualdade com o acordo que o PS fez com BE e PCP, mas não está. O BE e o PCP não são partidos antidemocráticos, racistas ou xenófobos, muito pelo contrário. Comparar o BE e o PCP ao Chega é algo que só pode ter lugar em mentes conspurcadas. É que nem sequer existe um único ponto de comparação. E, se dúvidas houver, basta olhar com atenção para aquilo que foi o período de governação 2015-2019.

Os que se rebelaram contra a geringonça de 2015 são os mesmos que agora apresentam uma posição radicalmente diferente. Ora, se em 2015 foram visceralmente contra a formação da geringonça de Esquerda, agora, se tivessem espinha dorsal, teriam de ser os primeiros a opor-se à geringonça açoriana. Desde logo, por uma questão de coerência, segundo, porque o Chega não é um partido como os demais.

Uma referência com assento garantido na nossa tão querida comunicação social, até se deu ao desplante de afirmar que o líder do Chega nos Açores não é um político assim tão disparatado, acrescentando que ele “até já fez parte do PSD”, disse, assim como quem tenta normalizar a coisa. Ora, deixem cá ver se eu me consigo lembrar de que toca saiu o André Ventura…

O Natal é quando o Costa quer

O Primeiro-ministro anda há semanas a dizer que é preciso salvar o Natal. Outros se lhe juntaram nessa encantada missão que é “salvar o Natal”. Eu não sei muito bem o que é que isso significa, mas, nos tempos que correm, acho que todos se dariam por muito felizes se, no Natal, estivessem com saúde, mesmo que para isso o Natal tenha que ser celebrado de forma diferente. Isto, numa perspectiva de quem gosta de celebrar o Natal, já que a época natalícia é completamente indiferente a muita gente.

Mas, o mais espantoso é que falta mais de um mês e meio para o Natal e, como referi atrás, António Costa já anda com o Natal na boca há semanas, o que torna a situação ainda mais absurda. António Costa, enquanto Primeiro-ministro de Portugal deveria estar preocupado em implementar medidas de controlo da pandemia numa perspectiva consistente e de longo prazo e não apenas em como vai “salvar o Natal”, como se estivesse a arranjar uma desculpa para tudo o que de mal está a acontecer e ainda pode piorar antes do Natal. A estratégia de Costa é transferir as preocupações da pandemia para momentos isolados (como o Natal ou as férias de Verão), numa tentativa de retirar o foco no que está a acontecer. Lembremo-nos que Costa também quis “salvar o Verão” e os resultados estão à vista. Agora só quer “salvar o Natal”, como se o tempo que vem depois do Natal não interessasse para nada. Depois vê-se.

Costa é assim, um Primeiro-ministro que vive o dia-a-dia a pensar nas férias de Verão e, mal estas acabam, já só consegue pensar no Natal. O resto do ano é para sofrer. E o povo português já deveria estar habituado a isso, não é verdade senhor Primeiro-ministro?

No que respeita à pandemia, a governação de António Costa tem sido assim, focada em momentos cirúrgicos, como se o vírus desaparecesse no resto do tempo. Um governação sempre atrasada, sempre atrás do prejuízo, quase sempre desajustada e sempre baseada no “vai-se indo e vendo”. Mas, no que respeita ao Natal, que em Portugal não é mais do que um jantar em que se come bacalhau e peru (segundo o próprio Costa) e depois, à meia-noite, vem o Pai-Natal e traz um saco cheio de sonhos lindos para todos, Costa aposta na antecipação, porque um ou dois dias plenos de espírito natalício (para os que lá chegarem com saúde) vale pelo ano todo. Ainda assim, veremos o efeito das medidas.

Como é certo e sabido que o Pai-Natal não vai trazer uma cura para a Covid-19, o que será que o mais alto governante do país tem reservado para o período pós-natalício? Talvez António Costa invente um novo Natal porque, afinal, o Natal é quando o Costa quer.

Vai-se indo e vendo...

Oxalá Trump vença as eleições

Na verdade eu estou-me a marimbar para quem vai vencer as eleições nos EUA. Ao contrário daquilo que muitos advogam, pouco ou nenhum interesse tem para o mundo quem vai vencer as eleições nos EUA, muito menor interesse tem para um país como Portugal que, independentemente de quem seja o Presidente dos EUA, terá sempre uma postura de subserviência.

Eu diria até que pouca diferença faz para os próprios cidadãos norte-americanos quem vai ser o próximo presidente. Se olharmos com atenção para o passado mais recente, rapidamente se constata que independentemente de quem foi o presidente, a história foi uma constante repetição. Para quem já não se recorda, Bush (o filho) era visto como um indivíduo estúpido que iria destruir a reputação dos EUA. Passados estes anos verifica-se que, afinal, Bush (o filho) não era assim tão mau, nem muito diferente do Reagan, do Bush (pai), do Clinton, do Obama ou do Trump.

A verdade é que o Presidente dos EUA não tem assim tanto poder como dizem. Trata-se apenas de um autómato colocado na cadeira do poder. Depois, é tudo uma questão de estilo e de popularidade que apenas servem para desviar as atenções. Enfim, Hollywood no seu melhor.

Mas há uma razão que me leva a desejar a vitória de Trump. Estou muito preocupado com a manutenção dos postos de trabalho de inúmeros jornalistas e comentadores portugueses. Ao longo dos últimos quatro anos, não houve um único dia em que, praticamente todos os órgãos de comunicação social deste país não destacassem pelo menos uma notícia ou um espaço de comentário sobre Donald Trump. Eu nem quero imaginar o que irá acontecer a esses reputados profissionais da comunicação social, caso Trump não vença. Não estou a ver o que poderão fazer durante os próximos quatro anos, caso Biden vença as eleições e os EUA se transformem num verdadeiro Éden.

A bem dos profissionais da nossa comunicação social, que tanto prezo, oxalá Trump vença as eleições.

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