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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Há pais que não estão para aturar os filhos, nem que lhes paguem

Na sequência da suspensão das actividades lectivas e não lectivas presenciais em estabelecimento escolar ou equipamento social de apoio à primeira infância ou deficiência, desde o dia 22 de Janeiro, o Governo decidiu reactivar a medida de apoio excepcional à família.

Ao abrigo deste mecanismo, os pais que tenham de faltar ao trabalho para prestar assistência inadiável a filho ou dependente a cargo têm direito a receber um apoio correspondente a 2/3 da sua remuneração base, com um limite mínimo de 665 euros e um limite máximo de 1.995 euros.

Foram muitos os pais que, desde a primeira hora, se mostraram extremamente desagradados com o facto de o Governo ter suspendido as actividades lectivas e não lectivas, porque isso obriga a que um dos progenitores tenha que ficar em casa a cuidar dos filhos.

Têm toda a razão, onde é que já se viu obrigar os pais a ter que permanecer confinados em casa com os seus próprios filhos? Não há dinheiro que pague uma situação tão desaprazível.

O Governo deveria ter esses “pais” em melhor conta, pois já teve tempo mais do que suficiente para perceber que esses “pais” não tiveram filhos, eles apenas tiveram netos para os seus pais, ou então, bebés para preencher vagas nos infantários, bebés que se tornam crianças e adolescentes para depois preencherem as vagas das escolas e dos ATL, onde os seus progenitores os vão resgatar à hora mais tardia possível, porque o lar não é um bom lugar para eles, nem os procriadores boa companhia.

Sobre a sobra de vacinas

Tenho ouvido muita gente dizer que é perfeitamente normal que ocorra sobras de vacinas, porque algumas pessoas confirmadas podem não comparecer ao processo de vacinação em curso.

Pedro Marques Lopes é um dos que alinha nessa linha de raciocínio. Eu até concordaria com ele e todos os que dão a mesma justificação, desde que isso não fosse usado como razão para desculpar a inoperância de quem tem a obrigação de evitar que tal aconteça.

Pedro Marques Lopes disse que “é preciso perceber a questão das sobras [das vacinas]”. E vaticinou que “é impossível regulamentar completamente a utilização das sobras”.

E deu o seguinte “simples” exemplo, que justifica a sua posição: “Um centro de saúde tem 300 pessoas para vacinar amanhã. Contactou-as todas. Confirmou. E, de repente, não aparecem cinco à última da hora e estamos para fechar o centro de saúde”. Pedro Marques Lopes remata com o seguinte dilema: “ou se deitam fora ou se faz o quê? Aplicam-se às primeiras pessoas que apareçam”.

Muito bem. Esta explicação – a título de exemplo – até poderia ser aceitável se não existisse um governo, um ministério da saúde, uma DGS, várias ARS e – pasmemo-nos todos – uma task force constituída por peritos, especialmente criada para planear e implementar as regras de vacinação.

Ora, seria muito fácil evitar a situação exemplificada pelo comentador Pedro Marques Lopes. Bastaria que o referido centro de saúde - juntamente com as mais diversas autoridades da saúde envolvidas no processo e, especialmente, a task force - tivesse criado uma lista de utentes suplentes (tendo por base os critérios previamente definidos) que estivessem disponíveis para serem vacinados, no caso de alguém faltar. Isto é que me parece muito “simples” de se fazer. Até porque a maioria das pessoas encontra-se em casa, neste momento, e, muito rapidamente, poderiam deslocar-se ao centro de saúde que, como bem sabemos, se situa nas suas áreas de residência, portanto, a poucos minutos.

Obviamente que o centro de saúde teria que ter em conta o facto de não poder deixar para a “última da hora” para contactar os suplentes, muito menos deixá-lo para fazer depois da hora de fecho do serviço. Chama-se a isto “planear”. Eu julgava que isso já estava a ser feito com o máximo dos rigores. Tal não se verificou e não adianta tentar arranjar desculpas esfarrapadas, para mais um caso de incompetência.

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