Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Governo acéfalo

O governo que acreditava que as limitações à entrada e saída da Área Metropolitana de Lisboa, apenas ao fim-de-semana, serviria para abrandar o ritmo da propagação do vírus – nomeadamente da variante delta – é o mesmo que, agora, deposita toda a sua fé no conjunto de medidas imbecis que determinou para os concelhos de risco elevado e muito elevado.

A senhora ministra filha do ex-ministro Vieira da Silva – a ministra da saúde anda entretida nos programas da tarde – disse que já não faz sentido continuar a limitar a entrada e saída da AML porque a variante já está espalhada por todo o país. Contudo, não foi capaz de reconhecer a tremenda asnice que foi acreditar que essa medida serviria para alguma coisa. E quem não reconhece os erros vai continuar a errar.

Agora, nos concelhos de risco elevado e muito elevado, só será possível ir a um restaurante se se tiver um Certificado Digital ou um teste negativo, mas apenas ao fim-de-semana. Portanto, à Quinta-feira à noite, por exemplo, pode-se ir jantar a um restaurante que não há qualquer problema, mas à Sexta-feira cuidado, a partir de Sexta à noite e durante todo o fim-de-semana o bicho fica assanhado.

Quanto à realização de um teste, que se não for realizado previamente num laboratório ou numa farmácia, poderá ser feito à entrada do próprio restaurante (autoteste), é preciso não ter nenhuma noção do ridículo para considerar que a realização de testes à entrada dos restaurantes é algo exequível e seguro. Mas muito pior que isso é não perceber que esta medida (quer a exigência de um teste negativo ou do certificado nos concelhos de risco elevado e muito elevado) não tem qualquer impacto na contenção da propagação dos contágios. Vejamos, uma pessoa que habite num concelho de risco elevado ou muito elevado, não possua Certificado de Vacinação e não pretenda realizar o teste, estará impedida de – apenas no referido período – frequentar qualquer restaurante do concelho onde habita, contudo, não terá nenhum entrave a frequentar qualquer restaurante que se localize nos vários concelhos vizinhos, que se encontram fora do âmbito destas restrições.

É impressionante a imbecilidade patente nestes governantes, que consideram que as pessoas que habitam num determinado concelho são passíveis de maior risco de transmissibilidade apenas no concelho onde residem, porque se se deslocarem para os concelhos onde o risco é menor, essas pessoas deixam de representar um perigo para iniciar cadeias de contágio.

Há ainda a parvoíce do Certificado Covid, que parece ser condição suficientemente segura para que um qualquer indivíduo possa desfrutar de um belo repasto em qualquer restaurante que lhe apeteça ir (ao fim-de-semana), mas que não serve para que o Primeiro-ministro possa trabalhar normalmente.

Tal como as medidas restritivas implementadas anteriormente na Área Metropolitana de Lisboa, também estas não terão qualquer impacto na contenção da propagação do vírus.

Modus Operandi de Carlos Alexandr(i)

É já um clássico que caracteriza a forma de actuação do juiz Carlos Alexandre e do Ministério Público. Esta dupla acredita cegamente – porque a Justiça assim o deve ser – que a melhor forma de obtenção de provas é realizar buscas nas casas ou empresas dos suspeitos, meses ou anos depois de se ter levantado a suspeição.

O juiz Carlos Alexandre e o Ministério Público depositam todas as suas capacidades justiceiras nesse momento fulcral que é o da realização das buscas, mesmo depois de toda a comunicação social ter noticiado as suspeições até à exaustão – durante meses ou anos - e da própria Assembleia da República ter realizado as suas famosas comissões de inquérito.

Carlos Alexandre e o Ministério Público não têm dúvidas de que, nessas buscas tardias, vão apanhar os prevaricadores com a boca na botija. Consta até que a primeira diligência incide sobre o gabinete dos indivíduos suspeitos, onde Carlos Alexandre entra e se dirige imediatamente até à secretária e, com o seu especial faro para a coisa, levanta o pisa-papéis e diz: “Aha! O que é que temos aqui?”.

Se por azar, as provas ali não se encontrarem, Carlos Alexandre ordena ao Procurador que procure por uma pasta classificada como: “Contém documentos tóxicos. Não mexer.”.

Se mesmo assim não resultar, a equipa de justiceiros dirigir-se-á a toda a velocidade para o domicílio do suspeito, sem a mínima dúvida de que encontrarão as provas penduradas na porta do frigorífico.

Portugal nos antípodas da Austrália

Ontem, na Austrália, verificaram-se 46 novos casos de Covid-19, sendo que a média da última semana é de 39 casos diários. Já em Portugal, ontem, verificaram-se 1.483 novos casos (número em baixa, por ser segunda-feira) e a média dos últimos sete dias é de 2.160 novos casos por dia.

Na Austrália, as medidas de confinamento são muito mais restritivas e, consequentemente, muito mais eficazes no combate à propagação descontrolada do vírus, impedindo a formação de cadeias de contágio comunitárias. E, dessa forma, acaba por confinar menos tempo. A Austrália tem também em vigor fortes restrições à entrada de viajantes no seu território.

À luz das restrições impostas, o Governo Australiano decidiu cancelar – uma vez mais – a realização do Grande Prémio de F1 e do Grande Prémio de MotoGP, porque em primeiro lugar estão as preocupações com a saúde pública e com o controlo desta pandemia.

Já o Governo Português prontificou-se imediatamente a receber a realização desse Grande Prémio de MotoGP, no Algarve, em Novembro. Até porque - como toda a gente se lembra – Portugal já recebeu a realização deste evento em Abril e a coisa correu lindamente.

Em Portugal, a pandemia combate-se assim, permitindo a entrada de tudo e de todos, sem que se verifique o exigido respeito pela saúde da sua população. Depois, o costume, lamenta-se e atira-se a culpa para cima dos cidadãos – esses prevaricadores -, porque as autoridades, essas nunca deram qualquer sinal de irresponsabilidade, de falta de noção e prevaricação.

Olha-me esta besta…

lpn_eixo.jpg

No último programa Eixo do Mal, da SIC Notícias, Luís Pedro Nunes disse o seguinte, sobre o isolamento do Primeiro-ministro:

“O Primeiro-ministro tem as duas doses tomadas há mais de um mês, teve contacto com um infectado… a DGS mandou o homem para casa 15 dias…”. (Mentira. Não se trata de 15 dias de isolamento).

Entretanto foi interrompido pelo moderador Aurélio Gomes que salientou o facto de que pessoas vacinadas podem ser portadoras do vírus e contagiar. Ao que Luís Pedro Nunes retorquiu:

“Eh pá, não faz sentido”.

Aurélio Gomes voltou a insistir dizendo que “podes ser vacinado e ser portador do vírus e contagiar”.

Indignado, o fundamentalista Luís Pedro Nunes respondeu: “Essa soa mesmo a peta que inventaram há pouco. A pessoa está vacinada… duas semanas depois de vacinada, deslarguem-nos, deslarguem-nos”.

Por breves instantes, ainda considerei a possibilidade de Luís Pedro Nunes poder estar a ser irónico, mas não, o homem estava mesmo a falar a sério e totalmente convicto da tremenda idiotice que acabara de proferir.

Se fosse algo que pudesse ser considerado no âmbito da mera opinião, eu nem me daria ao trabalho de escrever sobre isto. O problema é que a ignorância demonstrada pelo comentador (que também é jornalista) Luís Pedro Nunes leva-o a propagar aquilo a que se costuma chamar de “fake news”, algo que costuma irritar muito este jornalista. O facto de que pessoas já completamente vacinadas podem contrair e propagar o vírus é isso mesmo, um facto. Não é algo que possa ser distorcido, contrariado, negado e transformado em “peta”, muito menos, algo que possa estar sujeito à discricionariedade de quem opina.

Ora, tendo negado um facto repetidamente observado e confirmado pelos profissionais de saúde, e sendo ele um jornalista, aquilo que ele fez foi fabricar e disseminar “fake news”, em directo, num programa que é transmitido por um dos principais canais de notícias e com considerável audiência.

É preciso explicar muito bem ao baralhado Marcelo

O Primeiro-ministro, António Costa, está em isolamento profiláctico devido ao facto de ter estado em contacto com uma pessoa que entretanto testou positivo à Covid-19. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, veio exigir que as autoridades da saúde expliquem muito bem aos portugueses – para que estes não fiquem baralhados – a razão pela qual António Costa foi sujeito a isolamento.

Marcelo considera que se a situação não for muito bem explicada pode levar a que os portugueses desvalorizem a importância da vacina.

Ora, parece-me que Marcelo é que anda a precisar que lhe expliquem algumas coisas. Para começo de conversa, se há problema que não existe em Portugal é a “desvalorização da vacinação”. Cerca de 95% da população portuguesa deseja tomar a vacina contra a Covid-19, pelo que a preocupação de Marcelo cai logo por terra. Marcelo acrescentou ainda o seu receio de que as pessoas entrem em “desconfinamento selvagem” que, segundo o próprio, não tem nada a ver com “desconfinamento organizado”. Uma vez mais, Marcelo baralha-se por completo, já que a improvável desvalorização das vacinas nada têm a ver com o desconfinamento selvagem de que ele falou, muito pelo contrário, é a excessiva confiança na vacinação e em estupidezes como o “Certificado Digital Covid” – aquilo a que Marcelo chama de “desconfinamento organizado” - que, de facto, conduz muitas pessoas ao desconfinamento selvagem.

O que é imperioso explicar a muita gente - e também a Marcelo – é que o facto de se estar vacinado não pode levar ao abandalhamento das medidas de protecção. Até se atingir a chamada “imunidade de grupo”, a vacinação só protege o próprio indivíduo (não totalmente, mas consideravelmente), mas não impede a circulação comunitária do vírus que, por sua vez, pode sofrer mutações e gerar novas estirpes que podem causar problemas à eficácia das vacinas, colocando em causa tudo aquilo que já foi alcançado até agora. Isto já deveria estar mais do que esclarecido na cabeça de toda a gente, principalmente na dos responsáveis políticos.

Marcelo fala da pandemia no pretérito perfeito do indicativo, como se ela não estivesse bem presente e a ganhar força outra vez. Marcelo continua a desvalorizar os números da pandemia que, segundo palavras do próprio, “são de menor gravidade porque não se traduz em mortos”. Diz ainda que os números actuais “não têm nada a ver com os números de há poucos meses, nós é que já não temos memória”. Ora, como bem se vê, o problema que se coloca não é a "desvalorização da vacinação", mas sim a "desvalorização da própria pandemia".

Marcelo, que não se considera tão optimista quanto António Costa, está constantemente a comparar os números do presente com os números trágicos do mês de Janeiro, para que eles possam parecer “de menor gravidade”. Contudo, Marcelo deveria comparar os números actuais com os números do período homólogo anterior. Só para que se tenha a verdadeira noção da gravidade da situação actual, a 30 de Junho de 2020 registaram-se 259 novos casos, já a 30 de Junho de 2021 (ontem) registaram-se 2362 novos casos. Quase 10 vezes mais. Até há bem pouco tempo, algumas pessoas justificavam os números do presente com o facto de se estar a testar mais. E é verdade que se realizam mais testes agora do que no Verão passado, mas não 10 vezes mais, nem mesmo três vezes mais.

Já o número de internamentos a 30/06/2020 foi de 491 casos, ontem o registo contava com 504 casos. Já em cuidados intensivos, a 30/06/2020 havia 73 pessoas, no dia de ontem havia 120 casos, mais 65%. Se a estes números acrescentarmos o importante dado de que no Verão passado ninguém estava vacinado e muito poucos haviam recuperado totalmente da doença e, ainda, de que há uma nova variante que apresenta o dobro do potencial de contágio daquela que circulava há um ano, então os números actuais são realmente graves.

Alguém que explique isto a Marcelo Rebelo de Sousa.

Pág. 2/2