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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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As longas noites de vacinação nas ruas de Lisboa

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Aqui há atrasado, o vice-almirante Gouveia e Melo disse: “uns vão ter a vacina artificial (…) e outros a vacina natural”. Foi apenas mais uma das suas pérolas – e ainda há quem diga que o homem é de poucas palavras – que, proferida agora teria muito mais graça.

Têm sido muitas as noites em que algumas ruas da cidade de Lisboa se transformam em autênticas discotecas, com inúmeros amontoados de pessoas, sem qualquer distanciamento e/ou uso de máscara, música alta e muito álcool à mistura. O vice-almirante tinha razão e, a julgar pelo que se tem visto, o processo de vacinação natural está a fazer frente ao processo de vacinação artificial. Por este andar, no final de Setembro não teremos apenas 85% da população vacinada, mas pra aí uns 150%.

Acho que já era altura de o Governo – não estou bem certo de que tenhamos um neste momento - invitar o vice-almirante para também passar a coordenar o processo de vacinação natural, é que a cidade de Lisboa parece o faroeste. Tenho a certeza que o vice-almirante não se faria rogado e até estaria disposto a cancelar algumas cerimónias de condecoração e outras aparições em algumas agendas de pré-campanha eleitoral, só para meter aquela malta na linha. Até porque “colinho dá a mãe em casa”. E alguns agentes da PSP também.

Charlie Watts: um roqueiro cheio de classe

A primeira recordação que tenho de Charlie Watts é a de o ver a tocar bateria, trazendo vestido aquele seu fatinho clássico e simples. Lembro-me de pensar: “Uau, que pinta que tem aquele senhor que está ali na bateria”. Não sei, fazia-me lembrar de pessoas antigas, pessoas autênticas, daquelas que quase já não existem.

Fazer parte de uma banda como os Rolling Stones é algo que obriga qualquer um a ter de vestir a fatiota de superestrela do rock. Contudo, Charlie Watts nunca fez questão disso, muito pelo contrário. Preferiu manter-se sossegado – parece algo impossível para um baterista de uma banda de rock, mas não para Watts -, atrás da sua pequena bateria, sempre no tempo certo, sempre a marcar o ritmo e sempre a dar pulsação e longevidade a uma das maiores bandas de sempre.

Os holofotes da fama nunca se viraram muito para Watts, pois estiveram sempre centrados em Jagger, Richards e suas tricas. Watts não poderia ter desejado mais e melhor para a sua longa e fantástica carreira. Um genuíno poço de humildade, um cavalheiro sem esforço, o melhor baterista que os Rolling Stones poderiam ter tido.

Os Rolling Stones acabam de perder o seu músculo cardíaco, mas o coração do rock, esse vai continuar a bater, muito à custa das compassadas memórias deixadas por Charlie Watts.

 

Atenção, muita atenção!

A partir de hoje, os transportes públicos passam a funcionar sem qualquer limitação à capacidade. Portanto, supõe-se que possam transportar pessoas também na capota.

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Avante com a santa inquisição

No ano passado, o PCP foi metralhado por todos os lados – incluindo a própria comunicação social -, por ter decido avançar com a realização da Festa do Avante!, em plena pandemia. Curiosamente, este ano, a poucas semanas da nova edição da Festa do Avante!, ninguém estrebucha contra a realização do evento. Para que conste, a pandemia continua bem activa e com números bem piores que os do ano passado.

Se calhar, porque há eleições poucas semanas depois do Avante!, não é do superior interesse nacional dos demais partidos políticos andar agora a atacar o PCP, pela realização de actividades políticas.

Pois bem, eu que até defendi o PCP no ano passado, este ano sou obrigado a estar em desacordo, por uma razão muito simples: o PCP parece ter perdido vigor na defesa de valores fundamentais como a Democracia e a Liberdade. Eu esperava isso da maioria dos partidos, mas não do PCP.

O PCP vai exigir a apresentação dessa coisa que se chama Certificado Digital COVID, a todos quantos queiram entrar no recinto da festa – que era conhecida por ser a mais democrática de Portugal. Lógico que o PCP não pode ignorar a lei, muito menos desrespeitá-la, contudo, apesar de se terem mostrado contra a aprovação desta medida no Parlamento Europeu, o PCP defendia uma medida semelhante – no que respeita à apresentação de um certificado de vacinação para a livre circulação de pessoas -, como era o caso do Regulamento Sanitário Internacional, ou seja, a obrigatoriedade da vacinação mantinha-se e esse é que é o busílis da questão – limitar liberdades com base na obrigatoriedade de apresentar um documento que ateste algo a que não se está obrigado. Isto é profundamente inconstitucional e antidemocrático.

O PCP perde uma enorme oportunidade de marcar uma posição forte sobre este tema e de se assumir como derradeiro guardião da Liberdade e da Democracia porque, claramente, mais nenhum partido o poderia fazer.

Assim, o PCP passa a agente activo na punição desse novo comportamento desviante que é não estar vacinado, e na santificação do ofício da vacinação. Bem podem argumentar que é sempre possível realizar um teste à Covid-19, e que até vão disponibilizar uma tenda para o efeito, mesmo ali, debaixo dos ramos de oliveira. Mas quem recusar já sabe, leva com o castigo da espada.

Se apenas houvesse vacinas chinesas, russas e cubanas

Façamos este pequeno exercício de imaginação: consideremos a actual realidade da situação pandémica no mundo, mais concretamente o processo de vacinação em curso. Agora, adicionemos uma alteração – todas as vacinas são provenientes da China, da Rússia e de Cuba.

Como estaria o resto do mundo – sobretudo o mundo ocidental – a lidar com o facto de o processo de vacinação universal estar irremediavelmente atrasado? O que estaria a ser dito sobre as patentes? Estariam os principais agentes políticos, as autoridades da saúde e os grandes laboratórios (norte-americanos e europeus) a argumentar que só assim se pode garantir a continuidade da investigação científica e a segurança das vacinas?

A propósito da situação actual, como é possível que vários líderes políticos (de diferentes países, incluindo Portugal) continuem a sustentar a ideia de que os laboratórios farmacêuticos só se sentirão impelidos a desenvolver investigação científica se souberem que é para lucrar milhares de milhões, porque o facto de estar em causa o desenvolvimento de uma vacina que pode salvar a vida a milhões de pessoas não constitui motivação suficiente, para essa gentinha boa. Como é possível aceitar e ser conivente com esta pandilha que só está interessada em lucrar – e muito – com a pandemia?

E como é possível que a comunicação social nem sequer ouse tocar levemente neste assunto? Será que ainda existem jornalistas livres neste país? Ou já só fazem "jornalismo" pré-pago e à medida?

Vamos lá acabar com “o Covid”

Estamos todos fartos do Covid, não estamos? Então, vamos lá acabar de uma vez por todas com “o Covid” e passar a dizer “a Covid” ou “a Covid-19”, porque assim é que está correcto.

Covid é o acrónimo de corona virus disease, daí advém que Covid-19 representa o nome da doença ("disease", em inglês) causada pelo novo coronavírus (do final de 2019) que - como também já estamos fartinhos de saber - chama-se SARS-CoV2. Então, diz-se “o SARS-CoV2” e “a Covid-19”. Ninguém diz “o tuberculose” ou “a sarampo”, pois não? Ou, melhor ainda, ninguém diz "o NATO", "o ONU", "o NASA" ou "a FMI", certo? Pronto, vamos lá então acabar com “o Covid”, porque já lá vão quase 20 meses e eu começo a ficar um bocado aborrecido. Se bem que também há o lado jocoso da coisa, que se prende com o facto de os (e as) activistas pela não masculinização da linguagem dizerem, com muita frequência, “o Covid”.

Convinha também que os senhores jornalistas passassem a pronunciar “Covid-19” correctamente, ou seja, “covid[e]dezanove” e não “covidezanove”. Pode parecer um pormenor, mas não é, sobretudo se pensarmos que muito provavelmente é por essa razão que muita gente diz “o Covi”, sendo que neste caso já se aceita o artigo no masculino.

Os especialistas de 4.ª e o jornalismo de 5.ª

Há alguns meses, quando ocorreram os primeiros casos de Covid-19 em utentes de lares, as primeiras hospitalizações e até mesmo as primeiras mortes em idosos com a vacinação completa, as notícias – com o habitual suporte dos especialistas – apontavam como causa, o facto de alguns funcionários desses lares ainda não se encontrarem vacinados.

Muito pouco tempo depois, apareceram inúmeros casos semelhantes, apenas com uma diferença – o facto de que todas as pessoas nesses lares (utentes e funcionários) já estarem completamente vacinados. Por essa altura, as notícias passaram a reportar que, apesar de estarem vacinados, os idosos infectados que acabaram por ter que ser hospitalizados e/ou que faleceram tinham vários problemas de saúde associados.

Portanto, a lógica das notícias – e dos especialistas – passou a ser a de que qualquer idoso que venha a falecer com Covid-19 e que tenha a vacinação completa é porque já está muito velhinho, fraco e com doenças associadas; por outro lado, todas as pessoas (incluindo idosos) que venham a adoecer e/ou falecer com Covid-19, mas que não tenham sido vacinadas, mesmo que estejam debilitadas por outras doenças, a conclusão é a de que isso só acontece porque recusaram a vacina.

Neste momento, são vários os surtos activos em lares, sendo que a comunicação social quase não reporta a situação, e quando o faz não revela nenhuma informação sobre o estado da vacinação nos mesmos, o que faz com que a conclusão seja mais do que óbvia.

Entretanto, vão começar a ser realizados testes serológicos em vários lares, no sentido de aferir a quantidade de anticorpos nas pessoas mais idosas. Portanto, o Governo decidiu gastar largas dezenas (senão mesmo centenas) de milhares de euros num estudo que não serve para outra coisa que não seja a de conferir suporte para a decisão de aplicar terceiras doses das vacinas à população mais debilitada. Decisão que já se encontra tomada, mesmo contra a indicação de vários especialistas, que garantem que o estudo não poderá tirar nenhuma ilação acerca do grau de imunidade dessas pessoas, porque isso não depende exclusivamente do número de anticorpos presentes no organismo. Mas o Governo tem sempre aquela tendência de optar por seguir os outros “especialistas”.

A Democracia não é para os partidos

O actual sistema democrático serve os partidos e estes servem-se dele como ninguém

Os partidos políticos estão constantemente a vender-nos a ideia de que vivemos num sistema plenamente democrático, ao mesmo tempo em que alguns deles – principalmente os do arco da governação – nos presenteiam com inúmeros exemplos antidemocráticos.

Muitos dos candidatos que figuram nas listas de alguns partidos para as próximas eleições autárquicas são actuais deputados na Assembleia da República. Só o PS apresenta 16 deputados candidatos a presidências de câmaras, sendo que o PSD apresenta oito dos seus deputados ao mesmo cargo.

Primeiro, não se compreende que um deputado que assumiu funções em Outubro de 2019 esteja disponível para se candidatar a qualquer outro cargo político, em Setembro de 2021. O seu mandato tem, à partida, a duração de quatro anos, pelo que não é aceitável que alguém que assumiu tamanha responsabilidade perante quem os elegeu se mostre, agora, alegremente disponível para o jogo das cadeiras.

É por isso que eu entendo que o cumprimento dos mandatos deveria ser obrigatório, excepto por motivos de força maior (saúde, por exemplo), mas nunca pela dança das cadeiras do poder. Uns poderão advogar que, em Democracia, não se pode obrigar as pessoas a manterem-se num cargo, muito menos impedi-las de se candidatar a outros. Mas, que Democracia é esta, em que os principais partidos não conseguem encontrar nas suas fileiras (ou fora delas) candidatos a cargos políticos, que já não se encontrem no desempenho de outras funções?

Por que razão um partido político com milhares de militantes activos apresenta sempre a mesma meia dúzia de caras, para tudo quanto é cargo político?

E, já agora, será que podemos chamar de Democracia a um sistema em que os cidadãos - apesar de terem liberdade para exercer o seu direito de voto, ou até mesmo renunciar a esse direito – estão “obrigados” a escolher entre uma ínfima minoria de candidatos “impostos” pelos partidos e que se repetem a cada acto eleitoral, durante décadas a fio?

Há partidos que deliberadamente estão muito interessados em perpetuar este sistema democrático.

Certificados Digital Covid e os precedentes

Por onde anda a "brigada dos precedentes"?

Das muitas aberrações que o poder político produziu ao longo da pandemia, o Certificado Digital Covid está seguramente na luta pelas medalhas.

Trata-se de uma imposição, de uma demonstração de poder, mas também de uma manobra de controlo da população por parte das forças governamentais. E vejam como uma medida tão estapafúrdia, limitadora das liberdades e profundamente discriminatória e ofensiva foi tão bem aceite e aplaudida por tantos.

O Certificado Digital Covid não contribui minimamente para o controlo da pandemia, nomeadamente para a redução das cadeias de contágio, desde logo porque é uma evidência científica que as pessoas que estão vacinadas constituem uma potencial fonte de disseminação do vírus, tal como as outras. Portanto, não há nenhuma razão que se prenda com a saúde pública que justifique a sua existência e, só isso, seria razão mais do que suficiente para declinar a sua existência. E também não se vislumbra qualquer necessidade de criar um procedimento que funcione como elemento de chantagem, para que as pessoas que não desejam ser vacinadas mudem de ideias. Desde logo, porque é inadmissível, depois porque a esmagadora maioria das pessoas deseja ser vacinada, mas ainda mais ridículo é verificar que o Governo exige uma certificação de vacinação para a livre circulação de pessoas, num momento em que as vacinas nem sequer estão disponíveis para muitas delas. E, primordialmente, porque a vacinação não é obrigatória.

Como pode o Governo impor a apresentação de um documento que ateste que uma pessoa cumpriu um plano de vacinação para o qual não se encontra obrigada?

Além disso, esta medida é inconstitucional e fere o direito à livre circulação das pessoas. Adicionalmente, convém recordar que já não estamos em estado de emergência – e segundo o Presidente da República não voltaremos a estar – pelo que é inaceitável uma medida desta natureza, que não pretende nem tem qualquer efeito no controlo da pandemia, mas muito eficaz no controlo das pessoas e na limitação das suas liberdades. E estamos só no início. Onde será que esta insanidade vai parar?

Entretanto, já deu para perceber que medidas como estas criam clivagens sociais, e quando associadas a um discurso político fragmentador estão criadas as condições ideais para que se fomente a guerra entre vacinados e não vacinados, porque ela já começou, com o alto patrocínio das autoridades políticas.

Há ainda uma curiosidade que tem a ver com o facto de a “brigada dos precedentes” - aquele grupinho de pessoas que costuma ficar em pulgas sempre que a Constituição é posta em causa – ainda não ter dito nada sobre o assunto. Aquilo é malta que costuma ter via aberta em todos os órgãos de comunicação social, mas agora ninguém os ouve vociferar sobre a perigosidade dos “precedentes” e do mal que isso pode fazer à Democracia. Quando se tratou de conceder apoios sociais a famílias em dificuldades, ai os precedentes; quando se falou em levantar as patentes das vacinas – algo importantíssimo e com verdadeiro impacto no controlo da pandemia – ai os precedentes. Mas para protestar contra medidas que são inócuas no controlo da pandemia e que, por outro lado, são profundamente discriminatórias e ofensivas à liberdade de alguns cidadãos, nem um pio. Devem estar de férias.

A desprezível falta de ética do Público

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O Público noticiou que, entre 11 de Janeiro e 10 de Julho deste ano, morreram 9.231 pessoas com Covid-19, salientando que 99,4% dessas mortes se verificou em pessoas que não estavam completamente vacinadas. Pois, e em 2020 essa percentagem foi de 100%, vejam bem.

Se atentarmos no FACTO de que a 31 de Março de 2021, apenas 5% da população se encontrava totalmente vacinada e se a esse FACTO acrescentarmos outro FACTO, o de que só entre 11 de Janeiro (início do período em análise) e 31 de Março faleceram 9.045 pessoas - cerca de 98% do total de mortos que a notícia refere – rapidamente concluiremos que esta “notícia” não é sequer digna desse nome. Tal como o jornalista que a assina não faz a mínima ideia do que é ser jornalista.

Fazer uma parangona deste nível - que encerra uma enorme falácia – num assunto de tão elevada importância, só pode dever-se a muita incompetência, desonestidade ou ambas. Ah, e também a uma tremenda falta de ética e de probidade jornalística por parte do órgão de comunicação social em questão, algo que também se vai tornando um hábito.