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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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RAPIDINHA

Um vintém é um vintém, um cretino é um cretino.

A Circulatura das Bestas Quadradas

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No último programa Circulatura do Quadrado da TVI24, onde foi colocado em debate quais as medidas para combater a pandemia, dois dos intervenientes disseram o seguinte:

Pacheco Pereira: “Se se demonstrar que as pessoas que não estão vacinadas são responsáveis pelo regresso da pandemia devem ter restrições”.

Lobo Xavier começou por questionar o moderador do programa se “quer antes soltar os malucos e prender os sãos?”. E depois acrescentou o seguinte, entre outras alarvidades: “Se os números continuarem teremos que introduzir medidas de restrição e serão mais severas para quem recusou a vacinação”.

Impressionante a quantidade de cretinices que este tipo de gente é capaz de proferir. Portanto, numa altura em que está mais do que provado (cientificamente provado) que a propagação do vírus ocorre de igual forma entre vacinados e não vacinados, no caso português ocorre muitíssimo mais entre a população vacinada – porque será? -, vêm estes dois pategos, montados nas suas débeis superioridades intelectuais, insinuar que o brutal aumento de novos casos verificados nos últimos dias, se deve à população não vacinada.

São afirmações ainda mais patetas, se nos recordarmos que a população elegível para vacinação em Portugal que ainda se encontra por vacinar anda à volta dos 2%. Ou seja, estas duas sumidades – já definitivamente sumidas do quadro político nacional – crêem e querem fazer crer que são esses cerca de 2% de população não vacinada que anda a espalhar o vírus pelo país. Devem também achar que essas pessoas se juntaram todas, sem que ninguém tivesse dado conta, inalaram o vírus até não poder mais e agora andam em manadas a tossir e a espirrar para cima da população vacinada.

Quão besta quadrada tem que ser uma pessoa para lhe passar pela cabeça uma formulação de pensamento com estes contornos? 

Que me desculpem os mais sensíveis, mas eu já não tenho paciência para tantas estupidezes, tanta ignorância e tantas mentiras. Se estas pessoas – e outros que tais – não estão em condições de fazer uma discussão séria, aberta e ponderada sobre tão importante assunto, melhor seria que ficassem em casa a soltar as suas apedeutas bufas mentais à beira da lareira.

Congresso de médicos pouco sano

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Ocorreu um surto de Covid-19 num congresso de médicos pneumologistas que se realizou em Albufeira, no Algarve. Curioso o facto de os médicos terem uma repulsa enorme quando se trata da possibilidade de exercer a profissão no Algarve – já todos estamos fartos de ouvir as queixas da falta de médicos nesta região -, contudo, quanto se trata de realizar congressos e outras actividades, lá vão eles a correr todos contentes para os Algarves.

O congresso decorreu no modesto Epic Sana Algarve. Talvez por essa razão, os participantes tivessem dado como garantido que a sanidade estava mais do que assegurada.

Consta que para já são 15 os casos confirmados, o que não deixa de ser incompreensível, já que todos os participantes tiveram que apresentar o sacrossanto certificado digital ou um teste negativo.

Entretanto, pelo que se pode constatar nas imagens recolhidas no evento, os participantes estavam todos a usar máscara, aquando da sua presença nas salas onde decorreram as palestras, pelo que se supõe que a coisa deu-se nas farras que costumam seguir-se à ordem de trabalhos.

Por último, resta apenas acrescentar que este congresso – à semelhança de todos os outros congressos médicos – contou com o alto patrocínio da omnipresente big pharma. Estavam lá todos. Afinal, alguém tinha que pagar a conta, não é verdade? Pagar não será bem o termo, chamemos-lhe "investir".

Chamem O Especialista

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Desde o início da pandemia que os “especialistas” já disseram tanta asneira, nomeadamente no que respeita a previsões, que eu julgo ter chegado a hora de chamar O Especialista. Para mim, já chega de aturar amadores.

Há menos de uma semana, vários especialistas avisavam que na primeira quinzena de Dezembro, Portugal poderia atingir os 2000 casos diários. Entretanto, alguns deles já vieram corrigir a previsão, alertando que a barreira dos 2000 casos diários deverá ser atingida ainda este mês, mas que lá para o Natal já deverão estar acima dos 2000, até mesmo mais próximos dos 3000.

Bem, eu falei com O Especialista e ele disse-me que 974 novos casos registados a uma segunda-feira (ontem) é suficientemente demonstrativo de que a barreira dos 2000 casos já foi ultrapassada. Esperemos pelos números de quarta-feira para ver se ele tem razão.

Entretanto, reconheçamos que alguns (poucos) especialistas até têm tido uma linha de orientação mais assertiva e, sobretudo, mais preventiva e cautelosa do que a restante maioria. Essa minoria mais esclarecida defende o uso da máscara, o teletrabalho e a testagem, por exemplo. Ao que eu acrescentaria o fecho das discotecas e bares e a redução para metade da capacidade nos recintos desportivos e espectáculos culturais. Isto para ontem.

Como é possível continuar a permitir que centenas de pessoas (milhares em todo o país) se amontoem todas as noites, em recintos fechados e sem máscara? Ah pois, só entra quem tem Certificado Digital COVID. Bem se vê que está a resultar.

A maior vergonha de ontem à noite

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Não, não vou falar do péssimo desempenho e resultado da selecção, isso são coisas menores. Que foi uma vergonha, lá isso foi. Mas a maior vergonha da noite foi aquilo que o Presidente da República disse, à saída do Estádio da Luz.

A jornalista da RTP perguntou a Marcelo Rebelo de Sousa: “Hoje o estádio esteve praticamente cheio, com a evolução da Covid acha que isto pode deixar de acontecer? Preocupa-o?”.

Marcelo respondeu: “Confesso que não, porque vi muita gente com máscara e o que é facto é que as pessoas estão atentas a essa preocupação, mas o fundamental agora é, penso eu, a mobilização para Março. E… vamos passar. Vamos passar”.

Aquilo que é realmente um facto é que a esmagadora maioria das pessoas estava sem máscara, tal como vem acontecendo em muitas outras situações. Bem, com os números da pandemia a aumentar a bom ritmo e todo um Inverno ainda pela frente, o que realmente importa ao Presidente é a mobilização para apoiar a selecção em Março.

Marcelo e a vontade popular

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Marcelo Rebelo de Sousa disse que não exigiu nenhum acordo escrito a seguir às próximas eleições, caso não haja nenhuma maioria absoluta. Marcelo considera que isso é “um cenário que antecipa a expressão da vontade do povo” e, por essa razão, seria um “absurdo, porque antes mesmo de o povo escolher, o Presidente estar a pronunciar-se sobre aquilo que ele deve escolher e em que termos deve escolher. Isso não existe”.

Marcelo considera que isso “representaria uma mudança de orientação do Presidente da República relativamente ao passado”.

Eu, que tantas vezes aqui tenho criticado a postura de Marcelo Rebelo de Sousa, devo reconhecer que neste caso o Presidente tem razão. De facto, Marcelo não tem o hábito de se antecipar à expressão da vontade do povo, isso não faz o seu género. Marcelo é mais do tipo que gosta de se antecipar e de se intrometer naquilo que vai ser discutido e aprovado (ou não) na Assembleia da República – esse órgão de soberania que nada tem a ver com a expressão da vontade popular.

Esta malta anda a mangar com a tropa

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Foto: Ana Baião / Expresso

Agora andam a pedir a cabeça do ministro da Defesa, porque este não reportou ao Primeiro-ministro e ao Presidente da República as suspeitas graves que recaíam sobre alguns elementos do exército e a investigação que estava a decorrer.

Incrível. Alguém no seu perfeito juízo acredita que o ministro João Gomes Cravinho não informou António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa sobre as suspeitas e investigações? É preciso ser muito ingénuo ou fingir sê-lo para embarcar em tal disparate.

É óbvio que o ministro reportou – mesmo que informalmente - o caso a Costa e Marcelo que, por sua vez, entenderam ficar em silêncio, provavelmente para não perturbar as investigações. Agora, por que razões vêm dizer que não sabiam de nada? Bem, creio que quando se trata de Costa e Marcelo, não é preciso pensar muito para descortinar razões que a própria razão desconhece, no sentido de explicar determinadas atitudes narcisísticas e de manutenção da imagem.

É também óbvio que se Costa não foi informado pelo seu ministro, então teria que o demitir na hora em que tomou conhecimento do caso. O facto de ainda não o ter feito, só prova que ele foi informado, tal como Marcelo. Daí resulta que se alguém deveria deixar o cargo, não é o ministro João Gomes Cravinho.

Aos dois habituais pantomineiros eu digo: vão mangar com a tropa, pá.

O que ninguém questiona sobre o IVAucher e Autovoucher

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Parece que anda por aí tudo entusiasmado com a esmola que o governo quer dar a quem aderir ao IVAucher/Autovoucher. Consta que são 25 euros (no máximo) em cinco meses, o que equivalerá, em média, a cerca de meio depósito. Uau!

Mas façamos de conta que meio depósito em cinco meses é de facto atractivo. Por que razão é necessário que os cidadãos tenham que aderir a uma plataforma informática? Quem não tiver telemóvel, não tiver cartão bancário ou não souber usar a Internet, como é o caso da maioria das pessoas mais velhas, não poderá usufruir deste “benefício”. Agora parece que já não se consegue fazer nada sem aderir a uma plataforma informática ou uma App. Se não for através de uma App, não presta. Lembrem-se que o governo até acreditava que podia controlar a pandemia com – o quê? -, uma App, pois claro, uma App.

Se o governo chegou à conclusão que tem um excedente fiscal relativo ao consumo de combustíveis, que deve ser devolvido aos contribuintes, por que razão não faz incidir esse desconto directamente no preço do combustível e no acto do pagamento?

Por outro lado, se o governo entende que a devolução deve ocorrer a posteriori, ou seja, após a confirmação de determinado nível de consumo que – pasmem-se todos, não tem que ser apenas em combustível – por que razão as Finanças não recorrem a um sistema que já tem implementado há muito tempo – o E-Factura? Ora, se já dispõe dos dados de cada cidadão – neste caso concreto, todas as facturas emitidas em seu nome (NIF) -, podendo assim, muito fácil e rapidamente ressarcir o contribuinte, por que razão é necessário que os contribuintes e os postos de abastecimento tenham que aderir a uma plataforma electrónica? As Finanças já dispõem de todas as informações necessárias para proceder à devolução ao contribuinte. Não há nenhuma razão válida para obrigar ao registo numa plataforma informática.

Reparem que agora, para beneficiar desta esmola, nem sequer é necessário pedir a factura com NIF, o que é realmente necessário e obrigatório é que o cidadão pague com cartão e NUNCA com dinheiro. O que importa mesmo é registar o cartão bancário. Porquê?

Pois muito bem. Para quem não sabe, a plataforma IVAucher que serve de base para a implementação do Autovoucher é desenvolvida por uma empresa privada. Ou seja, o governo prescindiu de recorrer a uma plataforma estatal de que dispõe – o E-Factura – para contratar uma empresa externa para realizar o trabalhinho (com toda a certeza que será respeitada a protecção de dados dos cidadãos). A empresa em causa é islandesa e chama-se SaltPay. Esta empresa pertence ao banco Borgun que, para quem também desconhece, trata-se de uma instituição de crédito que está a planear a entrada em força no mercado de concessão de créditos em Portugal. Portanto, não sei se conseguem descortinar aqui algum tipo de conflito ou de conciliação de interesses.

O que está aqui a acontecer é que, a troco de uns trocos para os contribuintes, o Estado Português entrega de bandeja um conjunto de informação sensível e valiosa que vai ao encontro dos interesses comerciais de uma instituição de crédito privada, que nem sequer é portuguesa. E ainda lhes paga e bem. Pelo menos, muitíssimo mais do que a esmola oferecida a cada um de nós.

Outra vez a conversa do Natal

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A directora-geral da saúde, Graça Freitas, já se apressou a dizer que é necessário ter o máximo de cidadãos vacinados e, consequentemente com o máximo de imunização para a altura do Natal. Também o Primeiro-ministro, António Costa – à semelhança do que fez no ano passado –, também já deu o seu arzinho a promover os ajuntamentos natalícios. Já só falta o Presidente anunciar a sua agenda para o período de 23 a 26 de Dezembro, com os habituais 17 almoços, 30 jantares e mais uns quantos encontros imediatos de Natal.

Portanto, como sempre, ninguém aprende nada neste país. Se o pós-Natal do ano passado foi uma catástrofe, imaginem como será este ano, quando as autoridades demonstram – uma vez mais – que não aprenderam nada com o sucedido e quando a maioria das pessoas – muito por culpa também das autoridades políticas, da saúde e da comunicação social – julga que pelo facto de estar vacinada, já não há problema.

Depois de tanto tempo e de tantos dados que estão à vista de todos, será muito difícil perceber que qualquer que seja o nível de protecção conferido pelas vacinas, ele é manifestamente inferior ao inicialmente anunciado e insuficiente para travar o avanço da pandemia?

Infelizmente, as vacinas não têm o grau de eficácia necessário para travar a pandemia, nem mesmo para conferir um grau de protecção individual que permita abandonar determinadas medidas de protecção e de contenção da propagação do vírus. É de pasmar a crença que as pessoas depositam nestas vacinas, sobretudo as autoridades políticas e as da saúde.

É óbvio que as vacinas tiveram e têm algum efeito na contenção da pandemia, mas manifestamente insuficiente. Aquilo que travou a pandemia no hemisfério norte foi uma coisa tão evidente e costumeira que se chama Verão. Para os mais esquecidos tenho a dizer que no ano passado também houve Verão e os números da pandemia também se mantiveram controlados nesse período. E aquilo que manteve os números da pandemia mais ou menos controlados até há bem pouco tempo – porque já se viu que a situação tem vindo a agravar-se – é o facto de as temperaturas de Verão terem-se mantido por cá até há menos de duas semanas. Por contraponto, basta notar no que está a acontecer no Reino Unido ou na Dinamarca, onde o Verão já se foi embora há muito mais tempo.

Alguém ainda duvida que o mesmo vai acontecer em Portugal? Nas devidas proporções é claro. É por isso que seria muito importante estar já a antecipar medidas de combate à propagação do vírus que, como todos sabemos, passa por implementar algumas restrições. Não há outra forma de o fazer. Pelo menos, não antes de se implementar novas terapêuticas, que poderão passar pelos novos antivirais (devidamente patenteados, é claro), já que as outras terapêuticas, disponíveis desde o início – mas livres de qualquer patente –, essas foram sempre ignoradas e demonizadas, não por se tratar de soluções baratas que não serviam os interesses da big pharma, mas apenas porque não eram lá grande coisa, pois claro.

E preparem os bracinhos, porque a terceira dose que já está a ser aplicada aos mais velhos vai ser aplicada a todas as outras faixas etárias, pois é essa a instrução dada pela big pharma, perdão, pela ciência.

Os números da pandemia podem até não voltar a atingir os números do final do ano passado e início deste ano – esperemos que não -, mas vão com toda a certeza atingir proporções muito preocupantes se continuarmos a viver como se a pandemia já tivesse acabado e a apostar as fichas todas num processo de vacinação que, como vários estudos científicos e a realidade que está à vista de todos já demonstraram, não está a corresponder às expectativas iniciais e não é solução para terminar a pandemia, nem sequer para a controlar.

O Presidente, os “partidos de governo” e a direita antifascista

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Na declaração que o Presidente da República fez ontem à noite ao país confirmou-se aquilo que já todos esperavam – a marcação de eleições antecipadas para o dia 30 de Janeiro de 2022. Claro que para alguns, a data até parece que não foi escolhida a pensar no interesse do PSD, já que Paulo Rangel havia defendido que as eleições deveriam ocorrer no final de Fevereiro, isto depois daquele encontro em Belém com Marcelo, onde ambos concubinaram o esquema, para que agora a data de 30 de Janeiro parecesse que não foi escolhida, única e exclusivamente a pensar nos interesses do PSD. Marcelísses às claras.

Outra curiosidade que se tem ouvido ultimamente, nomeadamente nas reacções ao anúncio feito pelo Presidente e que a comunicação social faz questão de martelar, é que a decisão de Marcelo é perfeitamente aceitável, mesmo que esteja a favorecer o “seu” PSD, porque – dizem muitos deles – o PSD é um partido de governo. Bem, nós já estávamos habituados a falar em partidos do arco da governação, que se refere aos partidos que já tomaram parte nos governos constitucionais, mas agora a expressão é bem mais específica, pois pretende cristalizar a ideia de que só podemos ter governos do PS ou do PSD. Ou seja, o mesmo de sempre, aqueles que apregoam que o Bloco Central seria um desastre para o país, são aqueles que estão sempre a tentar perpetuá-lo.

Outra técnica que está a ser muito veiculada pela comunicação social – sempre independente e imparcial – é a de recorrer a uma espécie de terapêutica que visa ressuscitar os partidos da “direita democrática” que, como sabemos, estão no fundo do poço a digladiar-se para ver quem consegue subir à tona. Tem-se ouvido alguns dizerem que os partidos da “direita democrática” (PSD e CDS) são dois bastiões fundamentais da Democracia em Portugal, pois ao contrário do que acontece noutros casos, PSD e CDS são dois partidos que, sendo de direita, emergiram da luta contra o poder ditatorial fascista.

Foi, foi. A esses eu pergunto aonde é que foi parar toda aquela malta fascista e seus sabujos, depois do 25 de Abril. Inscreveram-se no PCP, não foi?