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Contrário

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RAPIDINHA

De certeza que são luas? Não serão balões "espiões" da China?

É caso para dizer: “Filhos de Putin”

Impressionante a quantidade de notícias falsas e/ou deturpadas que a comunicação social apresenta 24h/24h. Mais impressionante ainda é constatar que a esmagadora maioria das pessoas não tem capacidade para filtrar o que quer que seja. Papam tudo o que lhes põem na frente. Provavelmente estão à espera de uma “app” que disponibilize filtros que detectem o que é verdade e o que é mentira.

Apesar de nem sempre ser fácil ter a certeza de que aquilo que estamos a ler, ver e ouvir é realmente verdade – porque a esmagadora maioria dos órgãos de comunicação social não são de confiança -, pelo menos, ainda vai sendo possível ter a certeza daquilo que não passa de tremendas mentiras. Basta querer, não se dar à preguiça e procurar por informação séria e credível. Como referi, ainda há quem o faça.

É absolutamente escandalosa a forma como, em poucos dias, a comunicação social transformou um fascista, nazista, xenófobo, homofóbico e violador dos mais básicos direitos humanos num herói. Claro que estou a falar do senhor Volodymyr Zelensky. Aquilo que a comunicação social tem dito sobre este senhor é tão falso que, no mínimo, deveria dar lugar a demissão com justa causa e processos em tribunal de todos quantos fazem parangonas, capas de jornais e de revistas a endeusar um dos políticos mais criminosos da história recente. Mas em relação ao senhor Zelensky e ao seu regime falarei mais tarde. Agora, pretendo apenas denunciar a postura infame da comunicação social, desprovida de qualquer valor ético, moral, de qualquer valor mesmo, excepto o da monetização, mas com a agravante de actuar com o mesmo padrão de comportamento das redes sociais, promovendo a mentira e o ódio. Filhos de Putin.

Vamos a alguns exemplos.

A seguinte fotografia, acompanhada de rasgados elogios e gritos de heroísmo em relação à pessoa do senhor Zelensky, por este se ter vestido o seu camuflado – ah, e como nós bem sabemos que um camuflado transforma qualquer um em herói nacional – e se ter dirigido para a frente de batalha e dar o peito às balas pelo seu país, pois não passa de uma tremenda falsidade. A fotografia é de Abril de 2021. Filhos de Putin.

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E esta imagem de uma senhora idosa a chorar, que ficou com a casa toda destruída depois de um vil ataque das tropas russas. Pois. Trata-se de uma fotografia de 2015. Filhos de Putin.

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E a seguinte imagem retirada de um vídeo, que dava conta de um brutal ataque do exército russo a Kiev, quando na verdade trata-se de imagens de uma explosão ocorrida na China em 2015. Filhos de Putin.

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A imagem seguinte chega até a ser cómica. Um órgão de comunicação italiano apresenta imagens do jogo de vídeo War Thunder, enquanto relata ataques russos. Filhos de Putin.

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Todos também terão visto aquela notícia que dava conta de um grupo de 13 soldados ucranianos que se encontravam numa ilha e que foram atacados por um navio de guerra russo. Os registos de áudio demonstram que os soldados russos pediram aos ucranianos para pousar as armas e assim evitar um banho de sangue. As notícias que venderam como pãezinhos quentes diziam que os ucranianos responderam heroicamente: “vão-se f****”. E que lutaram de forma valente até terem sido chacinados pelos russos. O presidente Zelensky até veio dizer que iria homenagear as heróicas vítimas. Pois, pois. A verdade é que as tropas russas resgataram os soldados ucranianos (que afinal eram 82 e não 13), deram-lhes água e comida e levaram-nos para terra, na Crimeia. Filhos de Putin.

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Outra notícia extremamente chocante e que foi repetida até à exaustão foi a daquele tanque que esmaga uma viatura em circulação, supostamente conduzido por um cidadão idoso que as imagens mostram a ser retirado do carro com vida, depois do esmagamento da viatura. Uma coisa horrível, daquelas que põe qualquer um, até mesmo a pessoa mais pró-Rússia a espumar-se de raiva em relação a Putin. A notícia enfatizava a crueldade dos russos, quando na verdade o tanque de guerra não era russo mas sim ucraniano, que terá perdido o controlo e passado por cima de uma viatura civil. Filhos de Putin.

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Esta é mesmo a mentira mais escandalosa. Passou incessantemente em todos os canais de notícias. Foi noticiado em tudo quanto é órgão de comunicação social. Uma tremenda falsidade que ainda aguarda a devida clarificação que, por muito bem elaborada que seja, não apaga o mal que já causou, muito menos a incompetência e a perfídia de todos quantos estão envolvidos na propagação da mesma.

E ainda aquela notícia que dava conta de uma família ucraniana em lágrimas, em que o homem e pai se despedia da sua mulher e filha para permanecer na Ucrânia a combater as tropas russas. Sim, podemos dizer que o homem era ucraniano (provavelmente também com nacionalidade russa), mas da região de Donetsk e que pertence aos rebeldes pró-russos e que, na verdade, iria permanecer no país para lutar contra as tropas ucranianas. Filhos de Putin.

E muitas outras notícias falsas que já circularam, circulam e vão continuar a circular. Quem pode acreditar numa comunicação social que actua desta forma? Uma comunicação social que não dá espaço ao contraditório e que cancela os órgãos de comunicação e/ou todos aqueles que não apresentem a mesma visão fictícia da realidade.

A Mãe Natureza a fazer o seu caminho

Alguém sabe dizer como é que tem evoluído a pandemia? E como estamos de vacinação? Durante o passado fim-de-semana houve casa aberta para alguém? E as crianças continuam a ser chacinadas vacinadas?

Parece que a pandemia já não serve para incutir medo às pessoas e como está cada vez mais difícil de sustentar as mentiras que foram metralhadas ao longo de dois longos anos, a nossa sempre atenta e isenta comunicação social decidiu abandonar o assunto. Agora, o foco é outro mas, sem surpresas, o esquema é o mesmo.

Contudo, independentemente das falácias perpetradas até à exaustão, a Mãe Natureza – que nunca falha - fez o seu caminho. O vírus SARS-CoV-2, cuja origem ainda está por confirmar - mas que tudo aponta que teve origem num laboratório – acabou por atingir um estágio de evolução natural culminando, para já, numa variante (Ómicron) muitíssimo menos severa, apesar de mais contagiosa. É um processo natural. Os microorganismos tendem a adaptar-se ao seu hospedeiro tentando causar o mínimo de danos possíveis, pois só assim conseguem sobreviver.

Segundo a ciência, a variante Ómicron surgiu em África, mais concretamente, na África do Sul – país com uma taxa de vacinação muito baixa. Ora, ainda bem que assim foi. Também segundo a ciência, cerca de 80% da população africana parece ter adquirido imunidade natural, o que significa que esteve exposta ao vírus. Curiosamente, isso não se reflectiu na taxa de mortalidade, nem nas hospitalizações. Também por curiosidade – só por isso – a população africana apresenta uma elevada taxa da população submetida a tratamentos com o fármaco Ivermectina, por outras razões que não a Covid-19, mas, será que isso não deve ser tido em consideração na análise dos dados?

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Por que razão não curto os russos?

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Ya, sei lá, tipo, existem bué razões que me levam a não curtir os russos. Sei lá, tipo, logo a começar pelo nome que eles deram a eles próprios – russos. Toda a gente sabe que aquilo que eles queriam era ser tipo loiros, como verdadeiros nazis que são. Dizem-se russos só para desviar as atenções. Mas eu não papo grupos, tipo.

Além disso, toda agente sabe que os russos comem criancinhas ao pequeno-almoço. E também por essa razão eu não suporto os russos. E já que falamos em crianças, quando eu era uma, obrigaram-me a comer salada russa na escola, várias vezes, e, meus amigos, aquilo não é comida que se apresente. O que eu gostava mesmo era que me tivessem posto à frente, tipo, big macs e coca-cola. Sim, por mim, eu comia big macs e bebia coca-cola para o resto da vida. Eu sou mais, tipo, do grupo de pessoas que são mais pró-americanas, estão a ver? Se eu pudesse até mudava a minha nacionalidade.

E agora esta coisa, tipo, com a Ucrânia, tipo com bombas e socos nas trombas. Raio dos russos. Como é possível lembrarem-se de tal coisa – invadir um país? E logo um país como a Ucrânia, uma democracia soberana, como lhe chamou o Tó Costa. O que esses russos querem sei eu bem, tipo, afastar o regime actual do senhor Zelensky – que é um santo de um homem – e colocar lá um fantoche do senhor Putin. Que ninguém duvide disso. Mais, Putin queria fazer o mesmo com a França, o azar dele foi que o senhor Macron não deixou que lhe fizessem o teste à Covid aquando da sua última deslocação à Rússia. Macron – que é um tipo inteligente – topou logo que aquilo que o Putin queria era sacar-lhe um samagaio das narinas carregadinho de ADN. E para quê? Tipo para fazer um clone do Macron, claro está. Depois era só dar um copinho de veneno ao Macron verdadeiro e fazer desaparecer o seu corpo. De seguida, era só, tipo, colocar o clone - treinadinho pelo Putin - a mandar em França. Eu sei bem do que falo. Eu vejo televisão.

Mas isto dos russos invadirem países não é novidade nenhuma, pelo que não sei o porquê de tanta algazarra. Vejamos, em 2001 a Rússia invadiu o Afeganistão e deu início a uma guerra que durou 20 anos, onde morreram dezenas de milhares de combatentes e dezenas de milhares de civis. O objectivo era, tipo, eliminar os talibãs do poder. Vinte anos depois, abandonaram o país e deixaram os talibãs no poder. Em 2003, a Rússia invadiu o Iraque. O objectivo é sempre o mesmo – o de libertar o país de um regime opressor, e também porque estavam carregadinhos de armas de destruição maciça, que poderia levar o regime de Saddam Hussein a dizimar o mundo em segundos. Alguns milhares de mortos depois, ficamos todos a saber aquilo que já se suspeitava, tipo, que o arsenal de destruição maciça que os iraquianos detinham correspondia apenas e duas fisgas, um jogo de setas, paus e pedras. Desde, sei lá, tipo 2015, que também temos o conflito no Iémen, onde os russos invadiram o país de mãos dadas com o democrático e soberano governo saudita e fartam-se de chacinar inocentes. E ainda a guerra na Síria, onde ainda há bem poucas semanas os russos liquidaram vários civis, no ataque que fizeram contra o líder do Estado Islâmico. Portanto, isto das invasões russas não é novidade nenhuma. Eles têm-se fartado de violar o direito internacional. E nem vou recuar até bem lá atrás, tipo quando cometeram a loucura de invadir o Vietame, de onde saíram largos anos depois – após milhões de vítimas – com o rabinho entre as pernas. Ou ainda, aquando da invasão da Baía dos Porcos. Ou, tipo, quando manipularam uns tantos Guaidós para interferir na soberania da Venezuela. Os russos são assim, sempre a tentar ciscar no galinheiro dos outros.

E, agora, ainda querem que acreditemos que pretendem libertar a Ucrânia de um regime nazi e fascista. E de que a segurança interna da Rússia está ameaçada pela presença de bases militares da OTAN, perto do seu território, como se isso fosse desculpa. E até já reconheceram as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk como territórios independentes. Em 2017 também reconheceram Jerusalém como a capital de Israel e até moveram a sua embaixada para essa cidade. Todos sabemos como isso contribuiu para o processo de paz no Médio Oriente. A mentira destes russos é sempre a mesma – o recurso ao pretexto da segurança interna para invadir ou promover ataques noutros países. Como se o facto de os EUA – através do seu braço armado (OTAN) – andarem há vários anos a ameaçar, a encurralar e a tentar pôr as patas em cima dos pescoços dos russos fosse razão suficiente para Putin reagir desta maneira. Putin é um líder fraco. Se fosse tipo forte, inteligente e tipo íntegro, como são os líderes da Europa Ocidental, não teria qualquer problema em subjugar-se ao poder imperialista norte-americano. Putin é tipo casmurro e teima em não prostrar-se de quatro e abanar a cauda sempre que os EUA ditam leis ao mundo. Como é que Putin não consegue ver que eles só querem o nosso bem? Arre.

É por tudo isto que eu não suporto os russos. Eu gosto mesmo é dos amaricanos. Se eu pudesse até mudava a minha nacionalidade, não sei se já tinha dito isto. Mas, tipo, também não é nada mau ser um cidadão de um país da Europa Ocidental. Felizmente, a Europa está pejada de excelentes líderes, competentes, impolutos e tipo, cheios de verticalidade. Vejam que com eles ninguém brinca e até já aplicaram uma série de sanções ao regime de Putin. Por exemplo, Portugal atribuiu a nacionalidade portuguesa ao senhor Roman Abramovich, que é amigo próximo de Putin. Querem sanção mais pesada do que ser considerado português?

Da maneira que actuam e, tipo, tomam as “suas” decisões, os líderes europeus até parecem fantoches do senhor Biden, mas isso não passa de mais uma teoria da conspiração de quem tem inveja de uma relação tão apaixonada. A melhor sanção é mesmo o bloqueio do gasoduto Nord Stream 2. Era só o que faltava, tipo duplicar a compra de gás natural à Rússia. O senhor Putin deve achar que vai encher os bolsos às nossas custas. Nós não precisamos do gás do senhor Putin para nada, nem dos seus produtos petrolíferos, porque, tipo graças Deus, nós temos sempre os americanos do nosso lado para nos ajudar a proteger a nossa economia. Se necessário for, eles – os americanos – vendem-nos a energia que necessitarmos. A um bom preço, claro. Ah, como eu gosto dos americanos. Lembram-se de como eles nos ajudaram após a crise do subprime, em 2007 e consequente crise financeira mundial? Ah, se não fossem os Estados Unidos o que teria sido da Europa? E de Portugal… nós bem sabemos que andávamos há muitos anos a viver acima das nossas possibilidades.

Nós somos mesmo muito, tipo, privilegiados. E deveríamos agradecer, tipo, todos os dias aos maravilhosos líderes que seguem, tipo cegamente, as instruções da administração norte-americana. Os líderes europeus estão absolutamente certos, porque os americanos só querem aquilo que é melhor para nós.

Nós não somos seres cujos cérebros foram invadidos, lavados e automatizados para aceitar e propagar narrativas imperialistas. Nós não somos pessoas que, tipo, vivem na ficção que lhes é imposta por uma comunicação social capturada, corrupta, vendida e incompetente. Não senhor. Felizmente, nós temos líderes políticos imaculados e uma comunicação social tipo sempre em cima do acontecimento, sempre detentora e difusora da verdade e que jamais permitirá que gente tipo Putin entre na nossa cabeça.

Ai como é bom ser um cidadão da Europa Ocidental. Mas bom mesmo era ser, tipo, norte-americano. Isso é que era. Aquilo é que é um país exemplar. Eu conheço bem, porque eu vejo televisão, uso o Facebook e tipo até sou assinante da Netflix.

"Quem manda na Europa?", eis a questão

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Esta é a verdadeira questão que está a ser discutida, por estes dias. Ninguém está verdadeiramente interessado na soberania ou no futuro da Ucrânia, até porque se fosse essa a questão, já poderiam – e deveriam - ter actuado em relação à situação daquele país há muito tempo. Aquilo que realmente interessa aos EUA e à Rússia é a disputa pelo controlo da economia europeia.

E o mais grave problema patente nesta questão é que a Europa – nomeadamente a União Europeia – está refém de políticos que não passam de jarras na mesa das negociações.

Mas, comecemos pelas razões que levam a comunidade internacional – sempre muito bem orquestrada pelos EUA – a repudiar as intenções russas e a odiar a Rússia.

Vejamos, a administração Biden – que vai apenas com um ano de vigência – já contabiliza uma série de derrotas. O Build Back Better Plan quase que desapareceu; a protecção do direito de voto de algumas pessoas que estava a ser desprezada pelos republicanos e que o Sr. Biden nada fez para alterar a situação; a crise Covid e o elevado número de mortos; o colapso económico e o programa de recuperação económica da administração Biden que só conduziu a mais inflação. Portanto, aquilo que os EUA – pela mão da administração Biden – deseja é distrair toda a gente acerca dos problemas internos que o país enfrenta. A estratégia não é nova, aliás, ela repete-se de tempos a tempos. Aquilo que se constata é que países como os EUA recorrem sempre a esta solução miraculosa de encobrir os problemas domésticos com a fabricação de uma catástrofe internacional que desvie as atenções. E resulta sempre.

O funcionamento da coisa é sempre igual. Desta feita, logo após a fabricação e difusão da narrativa norte-americana, costuma aparecer logo o Sr. Boris Jonhson a papaguear a mesma historieta encomendada. E, em abono da verdade, Boris Johnson também está muitíssimo interessado em desviar as atenções de si próprio, cuja cabeça anda a ser pedida há muito tempo. Depois, seguem-se os patéticos líderes europeus (União Europeia) – os Macrons e os Scholzs - sempre muito expeditos a satisfazer as pretensões dos seus amigos coloridos. E o mais engraçado é que depois de tantas provas de incompetência, de mentira e de hipocrisia, a larga maioria das populações continua a depositar toda a sua confiança nestes líderes da treta.

A outra parte tem a ver com o facto de os EUA não estarem minimamente interessados em comprar uma guerra com a Rússia – apesar de parecer o contrário -, muito menos interessados estão em defender a soberania da Ucrânia – um país com o qual não têm nenhum tipo de interesses. Portanto, toda esta histeria criada pela administração Biden e que a capturada comunicação social propaga a toda a hora – algo que se estende a todo o mundo (Portugal muito bem incluído) –, de que está iminente uma guerra na Europa deveria ser motivo de muita preocupação para as nações europeias que, invariavelmente assumem a posição que é decretada pelos EUA – o seu carrasco favorito. Se é para ficar com o pescoço debaixo da bota, pois que seja de uma bota americana que dói menos.

Todos se lembram certamente como decorreram as manobras de invasão do Afeganistão e do Iraque. As falsas acusações de que detinham armas de destruição maciça, algo que na altura foi tido como verdade no seio da opinião pública - sempre muito bem informada pela também sempre isenta e competente comunicação social -, que ainda não se cansou destas histórias da carochinha e que continua a embarcar abnegadamente nas patranhas made in USA. O processo é sempre o mesmo, como referi. A administração norte-americana cria uma falácia que é automaticamente assumida pelas nações europeias e, dessa forma, fabricam-se os pressupostos que branqueiam a violação do direito internacional. Aliás, a NATO não é mais do que uma lavandaria que serve apenas para “legitimar” as investidas bélicas dos EUA. Agora, todos dizem que a Rússia está a violar a ordem internacional, ao reconhecer a independência de territórios separatistas na Ucrânia. Mas ninguém se atreveu e/ou atreve a condenar os EUA pelas constantes violações do direito internacional no Médio Oriente. Porquê? Porque se assume que os pressupostos forjados pela administração norte-americana são sempre verdadeiros. Afinal, toda a gente sabe que eles não mentem. Eles são os bons e honestos. E, além disso, toda a gente sabe que é lá que nascem os heróis. O Batman, o Homem-Aranha, o Super-Homem. Na verdade, o mundo ocidental vive e vibra constantemente com a ideia hollywoodesca de que os EUA são os bons, os guardiões do mundo e os outros é que são os maus da fita. De facto, Hollywood consegue endrominar tão bem a cabeça das pessoas, que elas transpõem automaticamente a ficção para a realidade.

Outra coisa que nem sequer tem sido discutida é o facto de a Ucrânia ser um país pejado de movimentos nazistas e fascistas, com os quais o Sr. Biden pretende colaborar e dar cobertura.

Mas a questão essencial que deve ser colada é a de saber se, o que quer que venha a acontecer na Ucrânia, isso será motivo para uma guerra? Com todos os graves problemas que o mundo enfrenta, sobretudo os EUA e a Europa, a quem pode interessar uma guerra neste momento? Uma guerra protagonizada pelas duas maiores potências nucleares? É disso que estamos a falar?

A verdade é que aquilo que está em questão é a Europa e o mercado europeu da energia. Os EUA estão desesperados por vender mais energia à Europa, pelo que consideram fundamental impedir que a Rússia se torne num importante parceiro e fornecedor de energia.

Como todos já devem ter ouvido falar, existe um segundo gasoduto de ligação entre a Rússia e a Alemanha – o Nord Stream 2 – que está pronto a reforçar o abastecimento de gás natural (à Alemanha e resto da Europa). Portanto, é disto que estamos a falar. Os EUA só estão interessados em desviar as atenções sobre os graves problemas políticos internos e, ao mesmo tempo, colmatar os graves problemas económicos com o incremento das relações comerciais com a Europa, sobretudo no que respeita ao fornecimento de energia. É apenas isto. Os guardiões do mundo estão-se nas tintas para a Ucrânia – um país com um governo corrupto e não menos autoritário que o regime de Putin – e estão disponíveis para apoiar militarmente os grupos nazistas e fascistas daquele país, desde que isso leve a água ao seu moinho, ou seja, manter a Europa com o pescoço debaixo da sola. É assim há largas décadas.

Como facilmente se percebe, incluir a Rússia como um dos mais importantes fornecedores externos do mercado energético europeu é muitíssimo mais vantajoso (mais barato) para a Europa do que comprar aos EUA. Contudo, o Sr. Olaf Scholz já comunicou o bloqueio do gasoduto Nord Stream 2. Cumpriu bem as instruções do Sr. Biden, não haja dúvidas. Reparem, os líderes europeus dizem que este bloqueio é uma das principais sanções impostas à Rússia, quando na realidade trata-se mais de uma penosa sanção que os EUA aplicam à própria Europa, que assim fica privada de duplicar o abastecimento de gás natural ao preço mais barato que alguma vez conseguiu negociar. Assim, com esta "sanção" à Rússia, os países europeus terão que pagar uma factura energética cada vez mais cara. Bem podem agradecer aos EUA, que só pretendem evitar o incremento das relações comerciais entre a Rússia e a Europa, para que possam ser eles a explorar o mercado europeu a seu bel-prazer. Tal como sempre fizeram.

Mas que falta de verticalidade aquela que se verifica nos “líderes” europeus, que não passam de fantoches nas mãos do Sr. Biden – o verdadeiro manda-chuva da Europa.

Bem, esperemos que em resposta a esta sanção, o Sr. Putin não se lembre de fechar a torneira do gasoduto Nord Stream 1, tão importante para vários países europeus.

É fácil acabar com a pandemia

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Os especialistas dizem que o pico desta última vaga da pandemia foi atingido a 28 de Janeiro. Dizem também que Portugal entrou numa fase com “tendência decrescente”.

As notícias da nossa sempre muito assertiva comunicação social dão-nos conta de que Portugal regista uma “redução acentuada do perigo pandémico” e “redução acentuada do número dos novos casos positivos”. A comunicação social dá também conta de que os especialistas atribuem a acentuada redução de novos casos positivos “à saturação dos contágios e ao esgotamento de pessoas susceptíveis de contrair a infecção”.

Bem, parece óbvio que se temos centenas de milhares de pessoas em isolamento teremos uma menor quantidade de pessoas susceptíveis de o contrair, porque já estão infectadas. Contudo, não me parece que este factor tenha um peso assim tão significativo, já que a maioria da população ainda está susceptível de contrair a mais recente variante. Basta notar que todas as pessoas que já tiveram infectadas por outras variantes e/ou que estão vacinadas podem contrair a variante Ómicron. Eu conheço vários casos de pessoas vacinadas com a dose de reforço que já testaram positivo à Covid-19 pela terceira vez, desde o início da pandemia.

Mas o meu maior espanto vai no sentido de verificar que os especialistas consideram que tem havido uma descida acentuada dos novos casos positivos, dos internamentos e das mortes. Há de facto uma ligeira – muito ligeira – tendência de descida nos internamentos e nas mortes. Já no número de novos casos, a tendência parece – sim o termo é “parece” – ser de descida acentuada, contudo há que notar que aquilo que verdadeiramente desceu acentuadamente foi o número de testes. A taxa de positividade mantém-se praticamente inalterada.

Portanto, afirmar que se está perante uma descida acentuada de casos não corresponde à realidade. A menos que nos venham dizer que o número de hospitalizações e de mortes está fortemente inflacionado e que os números apresentados nas últimas semanas englobam muitos casos de pessoas que foram hospitalizadas e/ou faleceram por outras razões que não a Covid-19, não se vislumbra nenhuma razão para deixar cair nenhuma das medidas de prevenção ainda em vigor, com excepção da apresentação dos certificados de vacinação – essa idiotice que nunca deveria ter sido implementada.

Seguindo o raciocínio dos especialistas – e tal como eu já aqui referi há muito tempo – é muito fácil acabar com a pandemia e eliminar o vírus de vez, basta deixar de testar.

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Há uma ciência cuja evidência é só de aparência

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Perante o quadro clínico de um bebé com cerca de um ano que apresenta uma inflamação no coração, a “ciência” diz que “aparentemente” o problema deve-se ao facto de a criança estar com Covid-19, já que não há nenhuma “evidência” da existência de outra condição que possa ter desencadeado o problema cardíaco.

Já em relação à criança com seis anos de idade que infelizmente faleceu com uma miocardite – uma semana após a inoculação da vacina contra a Covid-19 -, a mesma “ciência” diz que não há nenhuma evidência de que essa miocardite tenha sido provocada pela vacina, mesmo não se tendo verificado a existência de alguma outra condição de saúde na criança que pudesse ter desencadeado o quadro clínico que culminou no pior desfecho.

Informação é algo diferente

Há vários dias consecutivos que os órgãos de comunicação social passaram a dedicar-se com especial afinco à narrativa da invasão russa à Ucrânia. Tal como acontece em todos os outros assuntos, os órgãos de comunicação social portugueses (e europeus) seguem sempre a agenda norte-americana. Pior do que assistir a uma comunicação social tão vergada, incompetente e falaciosa é constatar que os líderes europeus não passam de um bando de paus-mandados do senhor Biden.

Com que então a Rússia vai invadir a Ucrânia?! Parece que agora as invasões bélicas têm data e hora marcadas. Qualquer pessoa minimamente esclarecida percebe que se a Rússia tivesse alguma intenção de invadir a Ucrânia já o tinha feito, sem pedir licença a ninguém. Mas a Casa Branca, que adora fazer dos russos os malfeitores do mundo – para que as atenções não caiam sobre si própria – quer fazer o mundo acreditar que a Rússia vai mesmo entrar em guerra com a Ucrânia. E os sempre rastejantes líderes europeus seguem as instruções americanas com um grau de enamoramento absolutamente inacreditável.

E são tão estúpidos que ainda nem sequer deram conta que a guerra já começou – a guerra económica. Os preços da energia, do petróleo, bem como de outros bens e serviços já começaram a disparar. As bolsas europeias – os assustadiços mercados – já começaram a apresentar significativas quedas e, mesmo assim, os governos europeus e a comunicação social continuam a martelar forte e feio nessa falsidade que é a “mais do que certa invasão russa”, servindo assim os interesses da Rússia, eventualmente, mas sobretudo os interesses dos Estados Unidos, que têm sempre como objectivo primordial subjugar a Europa – e a Europa prostra-se de quatro, dando cumprimento a essa nobre missão que é a de satisfazer o amigo colorido que tem do outro lado do atlântico.

Voltando à comunicação social que deveria assumir um papel importante, sobretudo naquilo que é a sua principal função – a de informar convenientemente e não a de propagar desinformação encomendada - chegam ao cúmulo de fazer parangonas a dizer que a comunidade ucraniana em Portugal está muito preocupada, quando os cidadãos ucranianos - na Ucrânia – estão a viver as suas vidas normalmente, chegando mesmo a afirmar que não estão nem preocupados nem com medo e que, principalmente, não acreditam em qualquer invasão russa.

Portanto, Putin já disse inúmeras vezes que a Rússia não tem nenhuma intenção de invadir a Ucrânia – é certo que intensificou as movimentações militares junto à fronteira, mas isso não é nada de novo -, e o próprio presidente ucraniano – Volodymyr Zelensky – apelou para que se parasse com o discurso do pânico, mas os americanos é que sabem das coisas. Se eles dizem que vai haver invasão e guerra é porque é verdade. Verdade? A verdade é que o governo norte-americano está a perder a paciência com o facto de a Rússia ainda não ter invadido a Ucrânia. E por essa razão andam histéricos - como referiu Putin – a espalhar o terror, a ver se a coisa vai ou racha.

É a habitual estratégia de semeação do pânico e do medo, para dar continuidade ao culto da imagem de salvadores do mundo. Eles – os americanos - é que são os bons. Os russos, esses são os maus da fita. Já em relação aos líderes europeus, bem, desses emasculados nada se pode esperar, a não ser o facto de que vão seguir as instruções do seu amo como verdadeiros capachos doutrinados que são.

Isso da violência obstétrica não é bem assim...

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Um estudo confirma que Portugal tem taxas de violência obstétrica acima da média europeia. O estudo indica que muitas mulheres portuguesas foram submetidas a práticas não recomendadas e/ou proibidas pela Organização Mundial da Saúde, como a Manobra de Kristeller (que se terá verificado em 49% dos partos) ou a episiotomia – que consiste numa incisão no períneo.

Os dados deste estudo foram recolhidos através de um inquérito online, que envolveu cerca de 21 mil mulheres de 12 países.

Perante estes preocupantes resultados, vem o Presidente da Sociedade Europeia de Medicina Perinatal – Diogo Ayres de Campos - dizer que “é preciso olhar com alguma cautela para estes dados, porque se trata de um inquérito voluntário feito através da Internet”. Vem também uma investigadora (Raquel Costa) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto corroborar as afirmações do Presidente da Sociedade Europeia de Medicina Perinatal, acrescentando que “é preciso ter em conta que o estudo incide sobre o período da pandemia”, e foi ainda mais longe ao afirmar que o estudo pode apresentar um viés em relação ao que realmente acontece em Portugal “porque tipicamente quem responde aos questionários online são mulheres mais escolarizadas”.

É o quê?

Como se já não fosse suficientemente grave querer usar a pandemia como respaldo e desculpa para as más práticas médicas, ainda tem o descaramento de dizer que os resultados do estudo podem estar enviesados “porque as mulheres que responderam são muito escolarizadas”.

Se as mulheres fossem pouco escolarizadas e, provavelmente, menos informadas acerca dos procedimentos clínicos e dos seus direitos, talvez não houvesse nenhuma queixa. E assim já estaria tudo bem. Que chatice, hein?!

Hondt é que o PS teve maioria absoluta?

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Agora que já passou mais de uma semana depois das eleições, falemos da forma como é apurada a distribuição de deputados na Assembleia da República. Como é sabido, a distribuição dos mandatos na Assembleia da República é calculado através do método de Hondt, que converte votos em mandatos.

É este o método utilizado em Portugal, pelo que à luz do mesmo, o PS obteve mesmo a maioria absoluta nas eleições de 30 de Janeiro. Contudo, o PS não obteve a maioria dos votos dos eleitores portugueses. O Partido Socialista obteve 41,68% dos votos, algo que nunca deveria permitir que um partido tivesse a maioria no Parlamento. É certo que as regras são as que conhecemos, mas será que fazem sentido? Será que o método de Hondt é o mais justo e adequado à vontade dos eleitores? Eu acho que não.

Há quem diga que este é o método que apresenta melhor proporcionalidade na relação entre votos e mandatos e que é o mais simples de aplicar. Eu até já ouvi alguns partidos mais pequenos dizerem que é o método mais justo, porque de outra forma poderia fazer com que partidos mais pequenos não conseguissem eleger nenhum deputado. Pois, eu não sei que raio de contas faz esta gente para proferir tais barbaridades. O método de Hondt é altamente favorável aos dois grandes partidos (PS e PSD), permitindo-lhes conquistar maiorias absolutas sem que para isso tenham de conquistar a maioria dos votos. E foi exactamente isso que aconteceu nas últimas eleições.

Outra coisa desprovida de qualquer sentido e que também está na base da utilização deste método é o facto de a eleição decorrer em círculos eleitorais distritais. Os mesmos que defendem o método de Hondt são os mesmos que alegam que os círculos distritais permitem garantir a inclusividade e representatividade. Será mesmo assim? Será que quando o eleitor se desloca à assembleia de voto tem em mente que vai eleger os representantes locais e regionais? Será que fazem ideia de quem são esses candidatos? Claro que não. Se realmente estivesse em causa a integração de diferentes pessoas, de todos os distritos do país, por forma a conferir diferentes visões para o país e conferir uma representação territorial o mais abrangente possível, então por que razão os partidos centram toda a sua campanha eleitoral em meia dúzia de pessoas e, mais concretamente, no “candidato a Primeiro-ministro”?

É claro que isto faz pouco sentido. As listas dos partidos deveriam ser listas únicas, como se houvesse apenas um único círculo eleitoral – o círculo nacional -, pois é de mandatos para uma assembleia nacional que estamos a falar. E se assim fosse, caberia a cada partido garantir a representatividade e inclusividade nas suas próprias listas. A representatividade regional, de género, de pensamento, etc. Reparem, será que alguém está interessado em saber se a Assembleia da República vai ter um deputado que é da sua terra, das terras vizinhas, ou de locais distantes? Óbvio que não. Os eleitores desejam eleger pessoas competentes, que inspirem confiança e que sejam capazes de defender o famigerado “interesse nacional”, independentemente do local onde nasceram e/ou vivem. E são os próprios partidos os primeiros a desconsiderar a importância dos círculos distritais – apesar de dizerem o contrário – quando nomeiam para o topo das listas distritais as principais figuras do partido naquele momento, independentemente de essas pessoas terem alguma relação com o distrito pelo qual se estão a candidatar. Aos partidos – sobretudo aos dois maiores (PS e PSD) - interessa-lhes garantir a eleição de uma certa casta de militantes que faz carreira política na Assembleia da República e a partir dela.

Portanto, é absolutamente indiferente se há mais deputados de Lisboa, do Porto, de Bragança ou de Faro. A Assembleia da República é uma assembleia nacional, onde são maioritariamente discutidos assuntos de âmbito nacional. Tomemos como exemplo a aprovação do Orçamento do Estado, aquilo que esteve na base da última queda do Governo. Mais de 99% das verbas inscritas em sede de orçamento são de âmbito nacional, pelo que não faz diferença nenhuma de onde são naturais e por que distritos se candidataram os deputados que o votam. Contudo, convém recordar que num sistema de eleição sustentado num único círculo eleitoral permitiria que os partidos incluíssem deputados provenientes de onde bem entendessem. A representatividade territorial nunca estaria posta de parte.

Por conseguinte, defendo que uma eleição justa seria aquela em que os partidos teriam que apresentar uma lista única de candidatos a deputados à Assembleia da República que, por sua vez, seriam eleitos pela medida da exacta percentagem de votos que obtivessem e não pelo desfasado e ultrapassado método de Hondt. Só assim os votos de cada português teriam o mesmo valor. Por exemplo, nas últimas eleições, o CDS-PP obteve mais votos do que o PAN e do que o LIVRE, contudo não elegeu nenhum deputado, já o PAN e o LIVRE elegeram um deputado cada.

Se o sistema fosse através de círculo único nacional e pela atribuição de mandatos correspondente à percentagem directa que cada lista obtém, a Assembleia da República assumiria uma representação bastante diferente daquela que vai acontecer. E, acima de tudo, assumiria uma representação mais concordante com a vontade popular.

Vejam as diferenças.

Resultados das últimas eleições (número de mandatos):

LEGIS22.jpg

Se o método de Hondt fosse substituído por um método de aplicação da percentagem nacional de votos à lista única de cada partido, o resultado seria o seguinte:

LEGIS22(2).jpg

Como se pode constatar, o PS nunca teria chegado sequer perto da maioria absoluta. Muito menos o PSD. E é por isso que estes dois partidos nunca vão querer largar o método de Hondt.

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