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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

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RAPIDINHA

Este é dos melhores resumos que a seita de propagandistas vendidos já fizeram. Ele faz o destaque à opinião de um capacho do sistema. Ele demoniza e menciona inimigos imaginários. Ele fantasia sobre uma realidade que só existe na cabeça dos patetas e dos vendidos. Ele também conjectura cenários irreais, próprio de quem acredita em unicórnios. E, para finalizar sempre em grande, ele promove e tenta disseminar o medo nas pessoas. Tenham muito medo! O mais engraçado é mesmo quando afirma que a maior ditadura capitalista, o maior estado oligárquico que existe à face da Terra é a "terra da liberdade e da democracia".

Os guardiões da “boa informação”

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Os guardiões da “boa informação” dizem-nos que o exército russo está a destruir a Ucrânia. Dizem-nos – incessantemente – que o exército russo tem arrasado várias cidades ucranianas. Dizem-nos que por onde passam deixam um rasto de morte e destruição.

E ainda nos presenteiam com o palavrório diário do senhor Zelensky, que também farta-se de afirmar que Putin está a destruir a Ucrânia, e que depois disso vai avançar para outros países europeus. Zelensky aparece todos os dias a implorar por mais armas, aviões, para que se feche o espaço aéreo e até mesmo para que a OTAN intervenha directamente no conflito.

Portanto, quem ouve, lê e vê a “boa informação” fica com a sensação de que o exército russo está mais forte do que nunca. E que é uma ameaça para toda a Europa e para o resto do mundo.

Simultaneamente, a mesma “boa informação” diz-nos que a estratégia de invasão do senhor Putin está a ser um desastre – recordemos que apenas dois dias após o início da invasão, já nos dizia que Putin havia perdido a guerra. A “boa informação” diz-nos também que Putin não faz ideia do que se passa no terreno e que o seu exército está até a recusar combater. Ainda acrescentam que as tropas russas não têm munições nem comida e que já morreram cerca de 15 mil soldados.

Em suma, segundo a “boa informação”, o exército russo é uma máquina de destruição maciça que tem de ser parada antes que seja tarde demais e, ao mesmo tempo, dizem-nos que o exército russo não passa de um conjunto de tropas mal preparadas, sem estratégia, sem munições, sem comida e cujos militares quinam a cada esquina.

Sabemos que a isenção, o profissionalismo e a competência no jornalismo são coisas do século passado mas, pelo menos até há bem pouco tempo ainda evidenciavam alguma coerência na falta de todos esses predicados. Agora nem isso.

O Óscar vai para... você?

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Os Óscares nunca me despertaram muito interesse. Contudo, depois de ver o que aconteceu "após" a última cerimónia é impossível não tecer um pequeníssimo comentário. 

Aquilo de que mais se fala "após" a noite de ontem é o "suposto" bofetão que o actor Will Smith terá dado a outro actor - Chris Rock.

Impressionante o facto de a maioria das pessoas ter "automaticamente" acreditado de que se tratou de uma atitude espontânea e muito violenta. Isto vem demonstrar a situação actual em que o mundo ocidental vive, ou seja, permanentemente ludibriado numa "cena de Hollywood". É que nem o facto de ter acontecido na noite dos Óscares de Hollywood e protagonizada por dois actores - dois zombeteiros actores, diga-se - fez com que as pessoas pelo menos duvidassem sobre a veracidade do acto. Se a maioria das pessoas papa este tipo de tretas, mesmo sabendo que elas provêm do reino da encenação, imagine-se qual será o seu nível de lucidez na abordagem a assuntos mais sérios. Acho que os últimos tempos têm sido bastante profícuos em demonstrar a capacidade que a maioria das pessoas evidencia na avaliação dos assuntos que dominam a actualidade.

Bem, já vai sendo tempo de criar a categoria de "Óscar para melhor engolidor de patranhas Hollywoodescas". O problema é que a fábrica das estatuetas não vai ter mãos a medir para tanto Óscar.

A principal causa da guerra – uma União Europeia repugnante

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Aqui está a principal causa do conflito na Ucrânia – o fornecimento de gás à Europa. Foi precisamente a pensar nesta negociata que, nos últimos anos, os EUA intensificaram as provocações e as ameaças à Rússia, manipulando e instrumentalizando a Ucrânia na prossecução desse objectivo.

Está confirmado que até final deste ano os EUA vão fornecer cerca de 15 mil milhões de metros cúbicos de gás à Europa. Gás que os EUA tinham a apodrecer nos seus reservatórios no Texas. Este é apenas um dos objectivos dos EUA.

Outro objectivo é o de continuar a fornecer armamento à Ucrânia e a todos os parceiros europeus da OTAN. Por outras palavras, o segundo objectivo é alimentar o negócio das armas – o negócio da guerra. Por esse motivo, ao invés de vermos os EUA e seus capachos empenhados num acordo de paz, aquilo que vemos é o aumentar da crispação, do clima de ameaça, da escalada militar e da prolongação do conflito. Ou seja, o "polícia do mundo" vem até à Europa - onde decorre uma guerra - e não faz rigorosamente nada para terminar o conflito, muito pelo contrário, o "polícia do mundo" veio para pôr mais lume na fogueira e para assinar acordos comerciais muito benéficos para o seu país e muito penalizadores para os cidadãos europeus.

Portanto, aquilo que a administração norte-americana pretende é isolar e enfraquecer a Rússia, por via da subjugação dos países da Europa Ocidental – sempre dependente dos EUA, em tudo. Isto já nem sequer está no patamar da simples subjugação, isto já é pura sodomização, passiva e deleitosamente praticada pela União Europeia.

Ninguém está interessado na paz na Ucrânia ou em acabar com o sofrimento do povo ucraniano. Aquilo que está em causa é garantir e perpetuar as negociatas dos EUA, que estão desesperados com a perda da sua hegemonia no panorama mundial. E a União Europeia tudo fará para ajudar os seus amigos queridos. Convém é ter a noção de que essa ajuda terá um preço muito mais elevado e que será pago por todos os cidadãos europeus. Como sempre.

Para terminar, aquando das declarações conjuntas, a “líder” da UE apresentou-se com as cores da bandeira da Ucrânia na lapela, já o senhor Joe Biden preferiu ostentar muito orgulhosamente a bandeira do seu país. Detalhes.

Comportamento de manada

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Nunca se viu tanta gente tão satisfeita por concordar com a mesma coisa. O mundo ocidental parece uma enorme seita religiosa, em que a corrente dominante é a doutrina imposta pelos líderes da seita e não qualquer outro sistema de valores, como o outrora muito bem-afamado – sistema democrático. O sectarismo é tão evidente e tão generalizado que aqueles que controlam o enorme rebanho não têm nenhuma dificuldade em determinar aquela que deve ser a visão comum, a verdade plena. E depois, o rebanho de crentes segue apostolicamente os ditames do poder, acreditando piamente que estão a “combater o bom combate”.

O mundo ocidental tornou-se num lugar onde não há espaço para a divergência de opinião e para o debate. Não há espaço para a racionalidade. E, mais grave ainda, deixou de haver espaço para o sentido crítico e para restaurar a memória – mesmo a mais recente. Neste novo mundo ocidental nem sequer há espaço para a ambiguidade. Nem espaço, nem tempo. Isso é coisa do passado, mas como o passado não existe – porque já não há memória – também a ambiguidade deixou de existir. Aconteça o que acontecer, o rebanho está sempre pronto para seguir os ditames. Se alguém se atrever a recusar o discurso e “pensamento” únicos passa logo a ser um teórico da conspiração, ou de extrema-direita, ou antivacinas, ou anticiência, ou um negacionista de qualquer coisa – sendo que “qualquer coisa” corresponde a tudo o que não caiba ou contradiga a doutrina da seita. Mais recentemente, foi criada uma nova classe de excluídos, que são os pretensos “Putinistas”.

É, de facto, muito impressionante e até assustador a forma como a maioria dos cidadãos absorve tão entusiasticamente a narrativa que lhes é fornecida pela mão invisível. Sabemos que a incerteza e a sensação de perigo gera pânico nas pessoas – e todos nós bem sabemos como os últimos tempos têm sido pródigos nessa matéria -, daí a necessidade que muitas delas sentem em tomar parte de um movimento que as faça sentir que estão do lado certo e que estão seguras. O problema é que esse comportamento - em manada – geralmente traz consequências trágicas, individual e colectivamente, porque está sustentado na ideia de que há uma ínfima quantidade de seres humanos com superpoderes, que estão a comandar o barco que nos vai levar ao paraíso.

Olhando para o conflito na Ucrânia, uma vez mais, a narrativa que vem de cima encaixa automaticamente na cabeça da maioria das pessoas, como se não houvesse passado, como se não houvesse memória, como se nada que tivesse acontecido nas últimas décadas pudesse ser enquadrado nas causas que levaram a este conflito. E basta que uma pessoa diga que aquilo que está a acontecer na Ucrânia é consequência das acções do ocidente, para ser automaticamente rotulada de “Putinista”, mesmo que condene a invasão russa. Uma coisa é estar solidário com o povo ucraniano, outra é estar completamente ludibriado por uma narrativa falaciosa e não dar conta disso.

Pode alguém estar contra a decisão de Putin em invadir a Ucrânia e, simultaneamente dar-lhe razão nas queixas que este foi apresentando ao longo de quase duas décadas? Claro que pode. Não só pode, como deve. Independentemente da posição política ou ideológica de cada um, a verdade deve ser sempre assumida. A pergunta pode ser feita de outra forma, ou seja, pode alguém dizer-se pela paz e ignorar as causas que estão na base das graves divergências que originaram o conflito? Como pode um verdadeiro pacifista querer mostrar que é contra a guerra e desejar a paz se não actua de acordo com essas premissas? Ninguém poderá encontrar uma solução para o conflito se não compreender e assumir as suas causas.

Pede-se uma cunha a Marcelo

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Acabar com a população sem-abrigo foi uma das promessas de Marcelo Rebelo de Sousa, no seu primeiro mandato. Marcelo já cumpriu um ano do seu segundo mandato e a situação dos sem-abrigo mantém-se, ou até terá piorado.

Marcelo escudou-se na pandemia para justificar o facto de pouco ter sido feito para acabar de vez com este flagelo. Sinceramente, não percebo como é que uma situação que deveria constituir uma razão para agilizar o processo de erradicação dos sem-abrigo pode ser usada para justificar o contrário.

Marcelo foi ainda mais longe ao protelar a eventual solução deste problema lá para o ano de 2025, 2026 ou 2027. Ou seja, fica-se com a sensação de que este desígnio de Marcelo parece estar a caminho de se tornar numa obra de Santa Engrácia.

Entretanto, em cima de uma pandemia temos mais uma crise de refugiados na Europa. Portugal já se prontificou a receber muitos milhares de refugiados ucranianos. Até ao momento, Portugal já acolheu mais de 10 mil refugiados. Aquilo que nos é dito pelas autoridades políticas e outras entidades é que todos os refugiados ucranianos terão direito a habitação, direito a cuidados de saúde, direito a educação (infantários e escola para as crianças e adolescentes) e até já existe uma “agência de emprego” para garantir oferta de trabalho adequada a estas pessoas. Note-se que essa “agência de emprego” tem como prioridade encontrar emprego adequado, ou seja, a ideia é que as pessoas ucranianas tenham oportunidades condizentes com as suas qualificações profissionais e académicas.

Bem, eu acho óptimo. Agrada-me a ideia de que Portugal deva ser um país exemplar no tratamento e nas oportunidades que oferece a todos os cidadãos que por cá se encontram. Contudo, eu – que até vivo por cá há uns bons aninhos – não tenho testemunhado essa postura em relação a muitos portugueses que vivem com inúmeras dificuldades. E uma das franjas da sociedade que enfrenta mais dificuldades são os sem-abrigo.

Os mais recentes dados oficiais dizem que em Portugal existe cerca de 8.200 sem-abrigo, portanto, um número menor que os mais de 10 mil refugiados ucranianos que já se encontram instalados em Portugal.

Senhor Presidente da República, como pode constatar a pandemia não constitui uma barreira para justificar qualquer tipo de atraso na ajuda aos refugiados da Ucrânia, muito pelo contrário. Por conseguinte, venho por este meio solicitar a influência do senhor Presidente da República – a famigerada magistratura de influência – para que possa interpor uma “cunha”, no sentido de que os sem-abrigo possam usufruir das mesmas benesses que os refugiados ucranianos. Ou vai preferir continuar a reservar-lhes uma mera visita natalícia, para as câmeras de televisão captar e difundir? Como pode ver, quando se quer mesmo, tudo é possível.

Os oligarcas de Washington

Pessoas minimamente atentas certamente já notaram que existe um elevado interesse na escalada militar no conflito na Ucrânia. Portanto, quando o foco deveria estar naquilo que está a ser discutido entre as partes, com vista a alcançar um acordo de paz, vemos o poder ocidental (onde se inclui a comunicação social, claro) a falar constantemente sobre a possibilidade de fechar o espaço aéreo ucraniano, sobre a possibilidade de uma intervenção mais directa e musculada da OTAN, fala-se em enviar mais armamento para a Ucrânia, fala-se até na possibilidade de ataques com armas químicas e biológicas. Tudo isto vem de quem se diz escandalizado com a guerra e de quem diz estar muito empenhado na paz.

Se recuarmos até poucas semanas antes do início da invasão, com certeza que nos lembraremos de como os governos do ocidente estavam em pulgas – visivelmente irritados – com o facto de a Rússia estar a demorar tanto tempo para invadir a Ucrânia. A postura dos líderes ocidentais era a de alguém que estava a perder a cabeça com a possibilidade de o conflito nem sequer vir a acontecer. Assim que aconteceu, era vê-los muito mais relaxados e até com ar de satisfação. Por que razão ficaram tão satisfeitos?

Há poucos dias escrevi porque é que “eles” não querem o fim da guerra, e apresentei várias razões para o ocidente desejar tanto, mas tanto este conflito. Vejamos agora mais algumas razões absolutamente repugnantes.

Antes da invasão da Rússia à Ucrânia, membros do Congresso norte-americano adquiriram acções de empresas de energia e de armamento. Muitos deles fazem parte de comissões que beneficiam de informação privilegiada sobre estes mercados e, surpreendentemente, alguns investiram pela primeira vez neste tipo de acções. O timing diz tudo.

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Mais, os EUA estão a fornecer à Ucrânia mísseis (americanos) Javelin and Stinger, das empresas Lockheed Martin e Raytheon. Ora, pelo menos 18 membros do Congresso têm investimentos relacionados com os activos destas empresas.

Portanto, qual será o significado de tudo isto? Membros do Congresso norte-americano a investir em empresas que lucram muitos milhões com o fornecimento de armas a um país que se encontra em guerra.

Convém recordar que esta prática obscena não é novidade. Em anteriores conflitos – muitos deles fabricados pelos EUA (Afeganistão ou Iraque) – aconteceu a mesma coisa. Ou seja, aqueles que “mandam no mundo” são aqueles que lucram muito com a existência de conflito armados.

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E, já agora, podemos também recordar o que aconteceu em relação às vacinas contra a Covid-19. Vários congressistas norte-americanos investiram nas empresas que estavam a desenvolver as vacinas e também colheram a sua fatia dos muitos milhares de milhões que estas empresas lucraram com uma vacina desenvolvida com o dinheiro dos contribuintes.

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E, mais ainda – quando se puxa o fio ao novelo, nunca mais pára -, para quem tiver interesse em conhecer melhor quem são os Biden é só fazer um pequeno esforço de pesquisa e leitura. O perfil de actuação é sempre o mesmo e a perfídia é tão evidente, que não nos resta outra alternativa senão concluir que isto são tudo fake news e teorias da conspiração. As nossas cabecinhas não aguentariam verdades tão escabrosas.

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https://www.theguardian.com/us-news/2022/feb/27/hunter-biden-joe-biden-president-business-dealings

 

E você, já tem o seu certificado anti-Putin?

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Daniil Medvedev - número um do ranking ATP – foi informado de que não poderá participar no torneio de ténis de Wimbledon, a não ser que denuncie publicamente as acções de Vladimir Putin assegurando que não é apoiante do Presidente russo.

Vejamos, aquilo que nós ouvimos dizer de Vladimir Putin - em todo o lado e a toda a hora – é que se trata de um ditador, um facínora que manda perseguir, prender, torturar e até liquidar todos os seus concidadãos que ousem protestar contra as suas decisões. Eu não sei se isto é verdade, apenas sei que ouço esta narrativa em todo o lado. Ora, como é possível que aqueles que garantem que Putin é tudo o que acabei de referir venham exigir aos cidadãos russos que denunciem publicamente o seu Presidente? Isso não seria o mesmo que assinar uma sentença demasiado pesada? Até de morte, segundo eles próprios?

Esta é mais uma insanidade que vem colocar a narrativa da invasão na Ucrânia no mesmo patamar de insanidade que se verificou na pandemia – agora esquecida. Se bem se lembram, Novak Djokovic também foi impedido de participar no Open da Austrália, apenas por não se encontrar vacinado. Aliás, Djokovic continua impedido de participar em vários torneios, tendo até deixado de liderar o ranking ATP por essa razão. Como sabemos, as vacinas não impedem as pessoas de continuar a contrair o vírus, nem de continuar a propagá-lo.

Portanto, a situação é a mesma. As pessoas são impedidas de continuar as suas carreiras, apenas porque não estão alinhadas com a opinião ou a “moralidade” do poder estabelecido. E quem não obedecer tem que ser punido. É assim que funcionam os sistemas fascistas e ditatoriais.

Ora, sendo a invasão da Ucrânia o novo “prato do dia”, e parecendo a pandemia uma história longínqua, é bem possível que os certificados de vacinação contra a Covid-19 passem a dar lugar aos “certificados anti-Putin”. E quem não tiver o certificado digital anti-Putin, não entra no clube das pessoas exemplares, que fazem deste mundo um lugar maravilhoso.

Há muito tempo escrevi que os certificados de vacinação eram, de facto, um precedente muito perigoso, por se tratar de uma medida completamente inócua em termos de saúde pública e, simultaneamente, brutalmente violadora dos direitos e liberdades de determinados cidadãos. E estranhei muito que aqueles que estão sempre a ligar as sirenes e a berrar muito alto acerca dos perigos dos precedentes – a brigada dos precedentes – não terem dito nada, na altura. Muito pelo contrário, apoiaram cegamente essa medida. Agora, temos a imposição – ainda que virtual, por enquanto – dos certificados anti-Putin.

Continuemos a assistir a toda esta insanidade, como se fosse normal, e um dia destes a imposição (ou inquisição) vai bater à porta de cada um de nós.

A guerra da (des)informação

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Nem todas as guerras passam do terreno para as telas e tablóides, mas a guerra na Ucrânia goza desse privilégio 24h/24h. Há semanas que os bombardeamentos informativos são largamente desproporcionais – por excesso - aos bombardeamentos no terreno. Não que eu considere que a informação não deva ser dada – muito menos que os bombardeamentos no terreno sejam poucos -, o meu espanto vai mais para o facto de muitos outros bombardeamentos, em outros terrenos, não terem a mesma cobertura ou simplesmente não terem nenhuma visibilidade nas telas e nas redes. Além disso, será que os actuais bombardeamentos informativos são fidedignos?

Em princípio, a guerra da desinformação existe nos dois lados da barricada. Digo “em princípio” porque, na realidade, ninguém sabe ao certo o que é dito do outro lado, porque quem manda na informação que circula do lado de cá proíbe que os órgãos de comunicação social do “inimigo” tenham sinal aberto deste lado. Que bons que são os donos da informação do lado de cá, sempre muito preocupados em proteger as nossas cabecinhas frágeis e tão inaptas para fazer a destrinça entre o bem e o mal, entre o certo e o errado. Como nós somos tão incapazes e estúpidos, eles tomam a “liberdade” de nos proteger de vermos o diabo, que é tão feio e mau. Não são uns queridos?

Vejamos, as informações recentes dão conta de que já morreram mais de dois mil civis na Ucrânia, e o Presidente Zelensky informou que os militares ucranianos mortos em combate são muito menos do que as perdas civis. Zelensky diz também que os ucranianos já abateram mais de 12 mil soldados russos. É obra. Considerando a veracidade desta informação, eu suponho que quando Zelensky pede a intervenção da OTAN no terreno é para que esta se despache a ajudar o exército russo, que está a levar um tareão de meia-noite.

Portanto, a informação que circula no ocidente tenta passar uma ideia de que a Ucrânia tem resistido com enorme sucesso. Se bem se lembram, pouquíssimos dias após o início da invasão, os órgãos de comunicação social do lado de cá diziam que Putin já havia perdido a guerra, porque tinha planos para tomar a capital Kiev em apenas dois ou três dias. Bem, eu não sei como é que eles conseguiram aceder aos planos de guerra de Putin, mas eles falam com tanta convicção que eu acredito. Claro que acredito.

Por outro lado, eu suponho, repito, suponho - porque eu não estou autorizado a ver a informação que circula do lado de lá – que Putin tente fazer o mesmo, ou seja, transmitir ao seu povo uma mensagem de sucesso da sua operação militar na Ucrânia.

Como é sabido, os jornalistas praticamente não têm acesso às zonas de combate. Reparem, Zelensky fala de mais de 12 mil militares russos mortos. Alguém viu uma imagem que confirmasse essa “verdade”? Há jornalistas portugueses que, mesmo sentadinhos nas cadeiras confortáveis dos estúdios de televisão nacionais, conseguem saber que os russos deixam os corpos dos seus compatriotas no chão para serem comidos por cães, ou então, sempre que haja baixas, eles recuperam os corpos e mandam-nos para as incineradoras. Claro. Faz todo o sentido. E eu suponho que os militares ucranianos que abateram mais de 12 mil soldados russos, aproveitam para fazer um intervalo enquanto os militares russos incineram os seus compatriotas. No final do processo de incineração, os russos dizem: “Pronto, já está a valer”. E a matança continua.

Por cá, dizem que os russos estão a perder a guerra, porque os avanços no terreno estão mais lentos do que seria esperado. Bem, até nos mostrarem o cronograma da invasão delineada por Putin, nunca poderemos saber se a progressão das tropas russas é lenta ou rápida.

Há um ponto que quase todos já assimilaram – lindos meninos -, o de que tudo aquilo que é dito no lado de cá é o que está certo. E quem tentar sequer levantar a mínima dúvida acerca daquilo que é dito, será automaticamente enxovalhado e rotulado de ser alguém que está a pôr em causa a soberania e a democracia da nação ucraniana. Não sei se conseguem vislumbrar as semelhanças com o que se passou e passa nos assuntos relacionados com a pandemia? Eu não sei se alguém pode confiar numa comunicação social que andou mais de um ano a tentar transformar as vacinas contra a Covid-19 no “santo graal”, e a perseguir, discriminar e enxovalhar as pessoas que não quiseram experimentá-las, para de um momento para o outro passarem a dedicar-se – em exclusivo - ao tiro ao alvo a Vladimir Putin, à eliminação da cultura russa e ao cancelamento da nação russa. Reparem nas absurdas contradições desta gente, que até agora consideravam que a esmagadora maioria do povo ucraniano não era digna de viver em sociedade, sim, porque não estavam (nem estão) vacinados contra a Covid-19 e, portanto, para aqueles que plantam narrativas não passavam de uns chalupas antivacinas, anticiência e terraplanistas. De repente, bastou um pequeno “toque de Putin” para os transformar nos heróis do mundo.

Continuando. O comportamento das redes sociais é muito semelhante ao praticado pelos órgãos de comunicação social. O alinhamento é perfeito. A narrativa é a mesma, não se desvia nem um milímetro. E se alguém ousar desviar-se – porque nas redes sociais não é tão fácil de se proceder ao controlo pré-publicação – é imediatamente cancelado. Como sabemos, as redes sociais silenciaram o lado russo. Note-se que até silenciaram contas de utilizadores que nada têm a ver com este conflito e que nem sequer se pronunciaram sobre o assunto. Mas não são apenas os russos a serem silenciados. Qualquer um que se atreva a contrariar a narrativa pré-estabelecida ou a pôr em causa a veracidade de qualquer informação torna-se alvo de censura.

As redes sociais Facebook e Instagram chegam mesmo a incentivar à violência contra cidadãos russos e apelos à morte de Putin. Não será isto um crime?

E se fossem os EUA a invadir um país? O comportamento destas organizações seria o mesmo? Os EUA já invadiram inúmeros países e, neste momento, continuam a combater directa e indirectamente em terras alheias, onde milhares de inocentes são mortos. Só para que se tenha bem a noção da dimensão da coisa, os EUA são o país que já invadiu ou estiveve/está presente em conflitos armados. Isto não significa que, por esse motivo, a Rússia passe a gozar do direito de invadir a Ucrânia. Claro que não. Mas a sordidez da questão está na hipocrisia evidenciada pelas sociedades ocidentais, na absurda diferença de tratamento que assumem perante coisas iguais.

Então no que respeita às big tech, a coisa assume uma desproporção abissal. Empresas como Facebook, Google, Microsoft e Amazon lucraram e lucram muitos milhares de milhões de dólares com o simples facto de não assumirem uma posição de independência e de neutralidade. Estão sempre do lado do seu governo, servem sempre as suas narrativas e lucram muito com isso. O Pentágono pagou mais de 44 mil milhões de dólares, para que estas corporações cooperassem com o Departamento de Segurança Interna e Departamento de Defesa, através do fornecimento de ferramentas tecnológicas que podem ajudar o exército americano no terreno. Mas também servindo como suporte de disseminação da narrativa da administração norte-americana. Ora, se tivermos em conta que estas empresas têm via aberta para penetrar nas mentes de milhões de pessoas em todo o mundo, rapidamente concluiremos que o mundo ocidental vive numa realidade pré-fabricada e falsificada. 

E é por essa razão que muitos ex-governantes norte-americanos acabam por ir parar à administração das grandes empresas tecnológicas. Desde pessoas que estiveram no Departamento de Defesa, no Departamento de Segurança Interna ou na Agência Nacional de Segurança. Trata-se de uma das portas que mais gira para aqueles lados, através da qual se trafica influências mútuas e se criam as narrativas reinantes que visam servir os interesses das grandes corporações e da malandragem de Washington.

Como pode alguém confiar na informação que provém daqueles que não têm nenhum interesse em defender o que é certo ou errado, mas sim aquilo que cumpre os objectivos das suas agendas putrefactas?

Muitas pessoas até chegam à conclusão de que existem dois pesos e duas medidas, no entanto, passam por cima desse “pormenor” sem qualquer problema. É como se a maioria das pessoas já não tivesse sequer consciência de quem são, para assumir uma posição que lhes foi imposta e que elas abraçam como se fosse a sua desde sempre. Este é o sonho tornado realidade de qualquer sistema ditatorial – aquele em que a vontade de poucos é confortavelmente assimilada pelas massas, que a interiorizam sem o mínimo esforço, desprovidas de qualquer sentido crítico e que ainda a defendem acerrimamente, como se a sua sobrevivência dependesse dela.

Quem será que nós vamos odiar a seguir? É só estar atento às notícias e às tendências das redes sociais.

Eles não querem o fim da guerra

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Há poucos dias, o presidente ucraniano demonstrou disponibilidade para recuar em relação ao pedido de entrada da Ucrânia na OTAN. Tratou-se da maior mudança de posição verificada em qualquer uma das partes (Rússia e Ucrânia), desde o início do conflito. Curiosamente, ninguém quis saber da abertura demonstrada por Zelensky. Após essa enorme viragem de posicionamento seria expectável que, quer os EUA, quer a UE demonstrassem muita vontade em levar essa disponibilidade para a mesa das negociações com Putin. Qualquer pessoa com o mínimo de lucidez percebe que a única solução para este conflito passa por assegurar a neutralidade da Ucrânia, no que respeita ao enquadramento geopolítico. O mesmo significa dizer que a Ucrânia não poderá fazer parte da OTAN, algo que o próprio Zelensky já se prontificou a assumir. Mas que raio, então, não deveríamos estar a ver os líderes políticos ocidentais a insistir neste ponto, como forma de hastear a bandeira da paz na Europa? Por que razão aqueles que tanto incitam à necessidade de um acordo de paz urgente, fizeram tábua rasa da mais importante declaração política que Zelensky fez nos últimos tempos?

A verdade é que nada daquilo que a administração Biden tem feito serve para ajudar o povo ucraniano, muito pelo contrário, só serve para protelar o desfecho deste conflito. Se os EUA estivessem minimamente interessados em terminar com a invasão, teriam aproveitado esta janela de oportunidade aberta pelo presidente ucraniano e, assim, estabelecer um sólido ponto de partida para as negociações de paz.

A verdade é que a continuidade deste conflito é óptimo para a indústria de armamento norte-americana, é óptimo para as empresas do sector energético, é óptimo para a indústria alimentar e dos cereais, é óptimo para a indústria química e, finalmente é óptimo para a imagem dos políticos. Aqui na Europa, políticos como Emmanuel Macron - que vai ter eleições este ano - ou Boris Johnson (que estava com a cabeça a prémio) agradecem o contributo que este conflito traz às suas ambições pessoais. E lembremo-nos que a popularidade de Joe Biden está em queda acentuada há meses. E recordemo-nos que o plano de recuperação económica implementado pela administração Biden só trouxe mais inflação.

Aquilo que dá mesmo muito jeito à administração Biden é que a Ucrânia se torne numa espécie de Afeganistão, ou seja, num interminável campo de matança. Enquanto isso acontecer, as grandes corporações norte-americanas verão os seus lucros aumentar exponencialmente, a economia da Rússia entrará em colapso e – cereja no topo do bolo - Putin poderá continuar a ser o bode expiatório que absorverá as raivas e as culpas por tudo de errado que acontece no planeta. Veja-se que Hillary Clinton até disse que “apesar de esta guerra ser longe do seu país [e como isso faz toda a diferença], trata-se de uma guerra que vai definir o mundo em que eles – os americanos – vivem”. E ainda acrescentou que “os ucranianos estão a combater por todos nós”. Portanto, toda esta insanidade linguística para justificar a brutal inflação e os abjectos aumentos dos preços da energia. Os senhores do poder em Washington alegam que se trata de um conjunto de sacrifícios que o povo americano (e quase todo o mundo) terá que fazer em prol da liberdade e dos valores ocidentais. O quê? Desde quando é que esses valores estão a ser postos em causa pelo governo de Putin? Desde quando o governo russo tem assim tanto poder? E desde quando é que o povo ucraniano foi incumbido de ter a missão de “salvar a América”? Uma completa insanidade. E enquanto este joguinho sórdido continua, milhares ou mesmo milhões de pessoas vão continuar a sofrer, a ver as suas vidas viradas do avesso e até mesmo perder esse bem incalculável que é a vida.

Aquilo a que nós – povo europeu – assistimos subservientemente é o habitual modus operandi dos senhores todo-poderosos de Washington, isto é, pôr a casa dos outros a arder, se possível bem longe da porta deles, apenas com o objectivo de manter o poder e o controlo sobre as massas. E sobre a massa.

Vejam bem a manha daquela gente que até já trataram de encetar negociações com Nicolás Maduro, tendo em vista a compra de petróleo à Venezuela. Ora, se bem se lembram, para a administração norte-americana o Presidente da Venezuela chama-se Juan Guaidó – a minha memória insiste em recordar-me que os EUA reconheceram esse “fantoche” como líder da Venezuela. Por que razão foram agora falar com Nicolás Maduro? A Venezuela já não é um estado autocrático e Maduro um ditador e violador dos direitos humanos? Não era isso que a administração norte-americana dizia até há bem pouquíssimo tempo? Realmente é preciso ser muito masoquista para ainda apoiar e seguir obstinada e obedientemente as instruções de Washington – e como a União Europeia o faz com especial contentamento. Veja-se que depois de um enorme investimento de 10 mil milhões de euros no novo gasoduto, que visa duplicar o fornecimento de gás natural russo (o mais barato), ao que tudo indica, a Europa vai cancelar essa duplicação, tal como Joe Biden “ordenou” que fosse feito. E a União Europeia ainda se compromete a reduzir para níveis mínimos as compras de energia à Rússia.

Impressionante o facto de aqueles que sempre investiram desmesuradamente na globalização, agora não têm capacidade para perceber o entrelaçamento e os custos desse fenómeno. E ainda se socorrem da desculpa esfarrapada de que não podem ficar dependentes da Rússia, que tem o melhor preço para a Europa. Não, preferem ficar dependentes de outros, daqueles que sempre nos puseram as patorras no pescoço.

Portanto, a Europa – que é deficitária em energia – deixará cair o melhor negócio de compra de energia que poderia fazer (mesmo depois de um brutal investimento no pipeline), apenas para satisfazer a vontade do parceiro transatlântico que tem os tanques carregadinhos de gás no Texas e que não fazia a mínima ideia do que lhe fazer. Agora já têm comprador – os totós dos europeus, que pagam sempre todas as facturas.

Reparemos no que este bando de políticos idiotas – os dos EUA e os da UE - dizem acerca desta situação. Dizem-nos que temos que cortar com a compra de energia à Rússia, mesmo que isso cause um enorme aumento de preços. Dizem-nos que é o preço a pagar por uma consciência limpa. Só mesmo os abestalhados dos neoliberais para acharem que a consciência limpa é algo que se pode comprar, que está à venda no mercado e que quem tem dinheiro pode comprá-la. Portanto, vamos lá deixar de comprar energia ao Sr. Putin, porque nós somos pessoas decentes e queremos ter a consciência limpa e dormir bem quando pousarmos a cabeça na travesseira. E onde vamos comprar a energia em falta? Então, no que respeita ao gás, os EUA não precisam. Têm lá muito a “apodrecer” e que agora já vão poder vender aos tansos dos europeus. Já em relação ao petróleo, bem, essa commodity vamos comprá-la, em grande parte, à Arábia Saudita. É mais caro sim senhor, mas é o preço a pagar para ter a consciência limpa. É que, pelo menos, quando compramos à Arábia Saudita sabemos que estamos a negociar com pessoas de bem, que dão lições de humanismo todos os dias, quer no seu país, onde as mulheres não têm direitos, quer nos países vizinhos, como o Iémen, onde milhões morrem à fome e onde o genocídio é o prato principal servido pelos algozes sauditas, especialmente treinados e armados pelos EUA. Incrível, podemos dar as voltas que quisermos, que iremos dar sempre ao mesmo sítio.

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