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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

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RAPIDINHA

Não perca a sua dose diária de propaganda que visa a normalização da dizimação da humanidade. Vá lá, não resista. Aos poucos você vai interiorizando que o conflito nuclear tem mesmo que acontecer e que é perfeitamente normal começarmos a escavar túneis subterrâneos para escaparmos a aniquilação geral. E deixe-se de ser piegas. Isso não será o fim do mundo...

A “Esquerda” que insiste em sabotar a Esquerda

Há já algum tempo que anda por aí uma certa “Esquerda”, sempre muito em pulgas, mas muito convencida de que está a fazer e a dizer as coisas certas e justas, quando mais não fazem do que destruir as verdadeiras causas da Esquerda.

Depois de tantas décadas a defender a sua principal causa – a Liberdade -, a Esquerda viu-se (e vê-se) a braços com uma agitação interna, protagonizada por um certa “Esquerda” que decidiu enveredar pelo caminho da defesa do corporativismo capitalista e pela defesa de políticas anti-operárias, sob o pretexto de que havia razões de saúde pública que assim o exigia.

Vejamos, nos últimos dois anos, uma certa “Esquerda” defendeu a implementação de políticas de vigilância, de controlo e até de exclusão dos cidadãos. Desde os certificados de vacinação à censura e cancelamento levados a cabo pelo Estado e pelas grandes corporações (big pharma, grupos de comunicação social e tecnológicas). Esta certa “Esquerda” aplaudiu de pé a um conjunto de medidas repressivas que impactaram negativamente, sobretudo a classe trabalhadora. A Esquerda que sempre defendeu a Liberdade e a Ciência, viu uma grande parte dos seus “militantes” a celebrar a imposição de medidas estapafúrdias que muito violaram a liberdade dos cidadãos, desprovidas de qualquer base científica. Ainda pior do que isso, essa certa “Esquerda” chegou mesmo a defender que a vacinação contra a Covid-19 deveria tornar-se obrigatória. Reparem, isto veio daqueles que mais vezes vociferaram a frase: “Meu corpo, minha escolha”.

Também agora, com a invasão russa à Ucrânia, assiste-se a uma certa “Esquerda” que não se deu ao trabalho de parar para pensar, uma certa “Esquerda” desmemoriada, que prefere embarcar de imediato na corrente única de pensamento – se é que lhe podemos chamar “pensamento”. É uma “Esquerda” que não consegue compreender questões ambíguas. Para essa “Esquerda” é tudo a preto e branco. E se os mesmos do costume – aqueles que referi atrás -, o poder político, as grandes corporações de média, as tecnológicas e a indústria de armamento (que neste contexto substitui a big pharma) decidirem que aquilo que está à nossa frente é preto, então é porque é preto e não branco. E se alguém se atrever a dizer que é cinzento, castanho ou azul-escuro será automaticamente enxovalhado e banido, porque alguém decidiu que há assuntos que não são para ser discutidos, que não pode haver contraditório. E esta certa “Esquerda” que, aparentemente, sempre defendeu a liberdade de expressão e o direito à contra-argumentação, é a primeira a enfileirar no discurso único e a atirar pedras a todos quantos se atrevam a pôr em causa os ditames que vêm de cima. Talvez o facto de grande parte dos militantes dessa “Esquerda” serem avençados das entidades poderosas que referi explique a concomitância.  

No que ao conflito na Ucrânia diz respeito, esta “Esquerda” não aceita discussões. Para ela, aquilo que está em causa é que “há um invasor e um invadido” e ponto final. Como se o problema se resolvesse com a simples e óbvia assunção de uma posição contra a invasão.

Não. Para esta “Esquerda”, aos cidadãos de bem resta apenas decidir de que lado querem estar. Do lado do invasor ou do lado do invadido. Como se houvesse alguma contradição entre estar ao lado do povo ucraniano que sofre e estar contra a invasão da Rússia, e simultaneamente não ser um desmemoriado, não ser hipócrita, ser honesto e não ter dois pesos e duas medidas em relação aos crimes de guerra perpetrados pelos EUA (com ou sem OTAN).

Segundo esta certa “Esquerda” há uma enorme contradição por parte de quem ousa ser honesto e por parte de quem se recusa a ter dois pesos e duas medidas. O relativismo moral invadiu de tal forma a mente desta “Esquerda”, que as actuais agressões da Arábia Saudita ao Iémen ou de Israel à Palestina, o conflito na Síria, ou ainda as anteriores e recentes agressões dos EUA ao Afeganistão, ao Iraque, à Somália e à Líbia não têm qualquer paralelo com a agressão da Rússia à Ucrânia. 

Qualquer pessoa que reflicta um pouco sobre o assunto ficará a pensar que esta “Esquerda” é racista, xenófoba e que já abdicou de defender as minorias. Ou será que alguém consegue engolir a desculpa esfarrapada de que “o conflito na Ucrânia diz-nos mais porque é mais perto de nós”. Bem, como se já não bastasse o relativismo moral, ainda temos que levar com a consternação e a solidariedade de proximidade. Ridículo.

Com uma “Esquerda” destas, a Esquerda não precisa de inimigos. 

Os patetas da União Europeia

Os patetas da União Europeia não têm dito outra coisa que não seja: “ai e tal, nós não precisamos do gás russo para nada, nem do petróleo, nem do carvão…”, “ai e tal, vamos continuar a impor sanções à Rússia e levá-las até ao limite”.

Agora que a Rússia decidiu fechar a torneira do gás para a Bulgária e Polónia, aparecem os mesmos patetas a reclamar que a Putin está a usar o gás como “instrumento de chantagem” e que se trata de uma “medida unilateral agressiva da Rússia”.

São os patetas do costume, a tentar atirar areia para os olhos dos europeus. Depois de terem cumprido com deleitosa subserviência as ordens do senhor Biden, tendo decidido “unilateralmente” inutilizar o gasoduto Nord Stream 2, e depois de terem decido comprar gás aos EUA (porque esses não invadem países) – muitíssimo mais caro, para o povo europeu -, os patetas não se coíbem de fazer estas figurinhas ridículas.

Só faltou dizer que a Rússia tem a obrigação de manter o fornecimento de gás aos países europeus, até que esses tenham uma alternativa e decidam – unilateralmente – mandar os russos dar uma volta ao bilhar grande.

Patetas.

Como era aquilo do futebol ser "onze contra onze e no final..."?

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Há mais de três décadas, o antigo jogador de futebol inglês, Gary Lineker disse que: "No futebol são onze contra onze e no final ganha a Alemanha". A afirmação de Lineker fez sentido, naquela época, mas creio que necessita de ser actualizada.

Hoje, pode-se dizer que "na Alemanha, o futebol são 18 contra 18 e ainda antes do final ganha o Bayern de Munique"

Pimenta na língua do Polígrafo

O Polígrafo propôs-se fazer uma verificação dos factos contidos na explicação que o PCP apresentou, como razões para a não comparência no Plenário da Assembleia da República, aquando da intervenção de Volodymyr Zelensky.

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O Polígrafo apresenta os seguintes argumentos do PCP, comunicados pela líder parlamentar do partido, Paula Santos: “Volodymyr Zelensky personifica um poder xenófobo e belicista, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi, incluindo de carácter paramilitar, de que o chamado Batalhão Azov é exemplo”.

De seguida, apresentarei a avaliação do Polígrafo a azul-escuro, e a verde, a minha avaliação à verificação dos factos que o Polígrafo diz ter efectuado.

O Polígrafo olhou para os argumentos do PCP e diz ter verificado um a um, da seguinte maneira:

1.

O que está em causa: Desde que Zelensky é presidente, foi iniciado algum conflito militar, interno ou externo, pela Ucrânia enquanto Estado (com exceção da defesa à agressão russa, desde 24 de fevereiro deste ano)?

A análise: Volodymyr Zelensky foi eleito a 21 de abril de 2019. Todos os conflitos armados – civis e militares - anteriores a 2022 que tiveram ou têm a Ucrânia como palco iniciaram-se na primeira metade da década: Euromaidan (2013/2014); Donbass (2014). Também a crise na Crimeia – com a perda do território, mas sem confronto militar, apesar do posicionamento de tropas russas – é dessa época (2014).

No discurso de posse, a 20 de maio, Zelensky afirmou que o cessar-fogo no Donbass era uma prioridade.

Avaliação do Polígrafo: Falso

O Polígrafo optou por colocar em causa se foi Zelensky quem deu início a algum conflito militar. Ora, desde logo importa corrigir o Polígrafo no ponto de partida que, premeditadamente escolheu para a verificação dos factos, já que nas acusações que faz ao senhor Zelensky, o PCP nunca menciona que foi ele que iniciou o conflito. E isso nem sequer é o que mais importa. O Polígrafo monta o cenário desta maneira porque pretende deturpar os factos e não o contrário, como seria suposto. A verdade é que Zelensky não terminou o conflito no Donbass, continuou – tal como os seus antecessores – a fazer tábua rasa dos Acordos de Minsk e ainda incrementou o conflito no leste do país.

Avaliação do Contrário ao Polígrafo: Pimenta na língua e tautau no rabinho

2.

O que está em causa: No mandado de Zelensky, desde 2019, houve alguma medida segregadora em relação à presença ou direito à cidadania de algum povo ou etnia ou a proibição do uso da língua russa?

A análise: Não houve nenhuma lei aprovada nem a evidência de prática reiterada discriminatória relativamente a algum povo ou etnia.

No que concerne o idioma russo, a 25 de abril de 2019, quatro dias depois da eleição de Zelensky (mas ainda sem este ter tomado posse), o parlamento ucraniano (órgão de soberania autónomo) aprovou uma lei que obrigavao uso do idioma ucraniano na administração pública e ao seu reforço nos órgãos de comunicação social.

A iniciativa legislativa foi elogiada pelo então ainda presidente ucraniano, Poroshenko, que acabara de perder as eleições presidenciais. Zelensky dissolveu o Parlamento logo no discurso da sua investidura, menos de um mês depois da aprovação desta lei.

Recorde-se que na Ucrânia, os idiomas ucraniano e russo eram ambos de uso generalizado. Zelensky, por exemplo, falava primacialmente russo.

Avaliação do Polígrafo: Falso

O Polígrafo – uma vez mais – aproveita para desvirtuar a análise, e mesmo reconhecendo que existem leis que são discriminatórias e xenófobas na Ucrânia (assim como quem não quer a coisa), o Polígrafo entende que elas não são da autoria e da responsabilidade de Zelensky. Então, o que fez o senhor Zelensky para pôr termo a essas leis segregadoras, discriminatórias e xenófobas? A resposta é NADA, rigorosamente NADA. Segundo o Polígrafo, e por analogia, se após o “25 de Abril de 74”, Portugal tivesse mantido todas as leis do tempo da Ditadura, isso teria sido perfeitamente normal e aceitável, porque essas leis já estavam em vigor. É preciso muito lata.

Avaliação do Contrário ao Polígrafo: Pimenta na língua e tautau no rabinho

3.

O que está em causa: O Batalhão Azov foi criado ou institucionalizado durante o mandato de Zelensky?

A análise: Este batalhão tem, de facto, a sua matriz em movimentos neonazis e supremacistas brancos, desde logo indiciada pelo símbolo que adotou.

Contudo, foi criado em 2014 – para combater as forças pró-russas no conflito no Donbass – e integrado na Guarda Nacional Ucraniana no final de 2014, mais de quatro anos e meio antes de Zelensky chegar à política e ao topo da hierarquia de Estado.

São imputadas a este grupo várias atrocidades nessa guerra civil que decorre na parte leste do país. Atualmente, é uma das forças militares que constitui o bloco militar ucraniano que combate as tropas russas, tentando travar o avanço dos invasores no território da Ucrânia, embora minoritária no relativamente ao contingente global de soldados e milicianos.

Avaliação do Polígrafo: Falso

Isto começa a ficar aborrecido. O Polígrafo volta a recorrer a circunstancialismos, para deixar bem claro que o Batalhão de Azov não foi criado pelo senhor Zelensky. O Batalhão de Azov já existia, por isso o senhor Zelensky não tem nada a ver com isso, entende o Polígrafo. Depois, na “análise”, o Polígrafo refere que o Batalhão de Azov foi criado em 2014, para combater forças pró-russas, como quem diz: “Eh pá, e tal… eles são nazis mas são nazis fofinhos, porque combatem os russos”. Que desfaçatez. Primeiro, eles não combatem forças pró-russas. Eles massacram e liquidam todas a etnias que lhes desagradam, desde ciganos, judeus e ucranianos de ascendência russa.

Os neonazis do Batalhão de Azov foram integrados nas forças de segurança do Estado. Mais uma vez, pouco importa se foi antes ou depois de Zelensky tomar posse, porque Zelensky não tomou nenhuma decisão contrária a essa integração na estrutura do Estado que ele “comanda” há três anos. Pior que isso, aquando da integração que o Polígrafo refere – muito antes de Zelensky – os neonazistas que foram convidados a integrar as forças do Estado ascendiam a poucos milhares, actualmente – e sobretudo depois de Zelensky – são dezenas de milhares.

Alguém, no seu perfeito juízo, acredita que este tipo de gente passa a comportar-se como meninos de coro, só porque passaram a integrar as forças do Estado? Passa pela cabeça de alguém que não são eles quem controlam as forças de que fazem parte? Passa. Passa pelas cabecinhas tontas do Polígrafo.

Avaliação do Contrário ao Polígrafo: Pimenta na língua e tautau no rabinho

4.

O que está em causa: Nas eleições presidenciais de 2019, Zelensky foi apoiado por algum movimento de cariz fascista e/ou neonazi?

Avaliação do Polígrafo: Falso

Para não variar, o Polígrafo volta a inventar questões que não foram levantadas pelo PCP. Em algum momento o PCP disse que Zelensky foi apoiado por algum movimento de cariz fascista e/ou neonazi, “nas eleições presidenciais de 2019”? Respondam senhores do Polígrafo.

Aquilo que o PCP disse foi que Volodymyr Zelensky está “rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi”, algo que é inteiramente verdade. O facto de o Polígrafo ter optado por centrar a análise “nas eleições presidenciais de 2019” – coisa que o PCP não disse – só demonstra que o fez com o objectivo premeditado de terminar a sua avaliação com um retumbante “Falso”.

Pois é. Falso, previsível e sem qualquer sustentação é o Polígrafo.

Avaliação do Contrário ao Polígrafo: Pimenta na língua e tautau no rabinho

5.

O que está em causa: Desde 2014 morreram mais de 15 mil habitantes na região do Dombass, porque há um poder que ataca e massacra a própria população ucraniana?

A análise: O conflito armado no Donbass, que opõe desde o primeiro semestre de 2014 grupos separatistas pró-Rússia (com o apoio deste país) e as forças militares ucranianas, consubstancia uma situação de guerra civil nesta região do extremo leste da Ucrânia.

A indicação de 15 mil habitantes do Donbass mortos na guerra civil não é confirmada por qualquer fonte da ONU. Se analisarmos o relatório das Nações Unidas (ACNHUD) verificamos:

- 3.375 civis mortos (oito meses depois, esse número, conforme já foi citado, era estimado em 3.393)

- 4.150 militares ucranianos

- 5.700 membros de grupos armados pró-russos

Avaliação do Polígrafo: Falso

Ah, este Polígrafo chega quase a ser uma piada. Em nenhum momento, Paula Santos referiu que morreram mais de 15 mil habitantes na região do Donbass, desde 2014. Isto é mais um acrescento, um bónus que o Polígrafo gentilmente adiciona às declarações do PCP, para depois poder contrariá-las. Em boa verdade, o Polígrafo acabou por, apenas e só, analisar as invenções que fez acerca das supostas declarações de Paula Santos, ao invés de proceder à verificação das reais declarações da líder parlamentar do PCP.

Aquilo que Paula Santos disse foi que há “um poder que desde há oito anos ataca e massacra a própria população ucraniana na região do Donbass e persegue e elimina quem se lhe opõe, como se verificou com o massacre de 2 de Maio de 2014, na Casa dos Sindicatos, em Odessa, em que cerca de 42 pessoas foram assassinadas, muitas das quais queimadas vivas, por forças neonazis associadas ao poder ucraniano”. Inteiramente verdade.

Avaliação do Contrário ao Polígrafo: Pimenta na língua e tautau no rabinho

Esta é a minha avaliação ao Polígrafo que, não raras vezes, assume esta postura dissimulada e falsa. Poderão encontrar aqui no blogue vários posts que demonstram que esta avaliação do Polígrafo é uma anedota, sem qualquer ímpeto jocoso. Aliás, o PCP até foi bastante simpático nas declarações que fez sobre o regime do senhor Zelensky.

Mais um golpe "made in USA"

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Mais um golpe made in USA, desta vez contra o primeiro-ministro paquistanês Imran Khan, que foi expulso das suas funções, depois de vários pequenos partidos que o apoiavam terem mudado de ideias e retirarem-lhe a confiança.

Khan foi peremptório ao afirmar que o seu afastamento foi orquestrado pelos Estados Unidos. A verdade é que existem vários relatos e imagens de altos funcionários dos EUA reunidos com políticos paquistaneses, pouco antes da deposição de Khan.

E tudo isto parece ter a ver com o facto de Imran Khan ter recusado juntar-se aos EUA na condenação da invasão da Ucrânia. A própria oposição do primeiro-ministro deposto confirma esta história, alegando que o Paquistão não está em posição de contrariar os ditames dos EUA.

Portanto, estamos perante mais um execrável acto de intromissão da administração norte-americana na soberania de outro Estado. Os mais atentos e menos desmemoriados conhecem bem o cadastro norte-americano no que a este tipo de golpes diz respeito - são já largas dezenas, desde o final da Segunda Guerra Mundial -, mas aquilo que até os mais atentos não esperariam era que a ingerência norte-americana fosse tão descarada, tão desavergonhada, ao ponto de agora serem capaz de fazê-lo às claras, bem na cara de toda a gente, que ainda assim continua incapaz de enxergar. 

A Democracia portuguesa jamais poderá esquecer este dia

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A poucos dias de se celebrar o 48.º aniversário do “25 de Abril de 74”, a Assembleia da República decidiu escancarar as suas portas e estender a passadeira ao senhor Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia. Não sei se poderemos considerar este dia como o mais negro da democracia portuguesa, mas é com toda a certeza um dia que a Democracia jamais poderá esquecer.

A Assembleia da República decidiu – quase unanimemente – acolher e dar palco à propaganda do senhor Zelensky, que mais não irá fazer do que incitar ao ódio, apelar à escalada da guerra, presentear-nos com moralismos de pacotilha e, quem sabe, louvar os feitos heróicos dos seus amigos nazis do Batalhão de Azov, com os quais dorme na mesma cama.

Portanto, hoje, o Parlamento português vai calar-se, prostrar-se, dar a palavra e aplaudir de pé a um chefe de governo que aceita e dá cobertura às forças neonazis que controlam o exército e as demais forças de segurança do seu país. O chefe de um governo que assiste de camarote ao massacre e liquidação de milhares dos seus concidadãos, no leste do país.

Hoje, o chefe de governo de um país onde os dissidentes políticos, os jornalistas que se recusam a propagandear cartilhas encomendadas e os cidadãos que são de outras etnias são perseguidos, presos e assassinados terá via aberta na Casa da Democracia.

O senhor Zelensky proibiu a actividade política a 11 partidos políticos no seu país e ainda mandou prender vários representantes políticos, incluindo o líder do principal partido da oposição.

O senhor Zelensky mandou banir três canais de televisão e vários outros órgãos de comunicação social.

Será que algum dos parlamentares portugueses vai ter a coragem de perguntar ao senhor Zelensky se é normal, no "seu país democrático", proceder-se à perseguição, à detenção e ao abate de pessoas cuja opinião não agrada ao regime.

Será que algum deputado vai inquirir o senhor Zelensky sobre o que aconteceu a Denis Kireev, que fez parte do grupo que efectuou as primeiras negociações com a Rússia, foi detido, torturado, alvejado na cabeça (ao estilo Bucha) e atirado para a rua, onde acabou por falecer esvaído em sangue.

Será que algum corajoso defensor dos valores da Democracia e da Liberdade lhe vai perguntar por Elena Berezhnaya, uma conhecida activista pelos direitos humanos. Elena Berezhnaya fez um incrível trabalho, ao discursar em parlamentos de vários países, acerca do nazismo e suas atrocidades na Ucrânia. Discursou nas Nações Unidas, OSCE e Bundestag. Mesmo tratando-se de uma pessoa com bastante notoriedade no meio político, isso não abrandou os ímpetos persecutórios do governo ucraniano, que a prendeu e a mantém detida.

Também a jornalista Anna German foi detida, juntamente com o seu marido, que nem sequer tem qualquer ligação à política ou ao jornalismo.

Yuri Dudkin, Dmitry Djangirov, Anatoly Shariy e Gonzalo Lira são apenas mais quatro jornalistas detidos pelo regime ucraniano, entre muitos outros que conseguiram escapar a tempo às garras do “democrata e herói” Zelensky.

É um facto que estas notícias não passam nos órgãos de comunicação social – que há muito venderam a alma ao diabo -, mas não há desculpa para que o Parlamento português desconheça tal realidade. Isto para não falar na forma como os civis ucranianos estão a ser feitos reféns e obrigados a servir de escudo humano para protecção do Batalhão de Azov. Veja-se o que está a acontecer agora em Mariupol, que é o principal centro das forças nazistas, as quais têm impedido os civis de deixarem a cidade, obrigando-os a servir de escudo humano e, muito provavelmente, para que possam ser instrumentalizados ou objecto de “limpeza” (termo usado pelo próprio Batalhão de Azov) como aconteceu em Bucha e outras cidades.

O líder do governo que permite tais atrocidades vai ter direito ao uso da palavra na Casa da Democracia. E, como referi, ainda vai ser aplaudido de pé.

Este é um dia que a Democracia portuguesa jamais poderá esquecer e deixar de se envergonhar. 

A hipocrisia que assalta e coloniza as mentes

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Aqueles que vociferam que Vladimir Putin deve ser julgado por crimes de guerra, supostamente cometidos pelos militares russos na Ucrânia são os mesmos que querem prender (175 anos, ou seja, para sempre) Julian Assange. E por que razão? Porque este (Assange) se atreveu a demonstrar que certos e determinados poderosos do mundo ocidental deveriam ser responsabilizados pelos escabrosos crimes de guerra que cometeram. E, nesses casos concretos, não se trata de "supostos" crimes. Trata-se de factos irrefutáveis. 

Azovstal: um paradigma da guerra na Ucrânia

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As circunstâncias actuais do conflito na cidade de Mariupol, sobretudo o cerco ao complexo empresarial da fábrica Azovstal é o melhor exemplo da situação daquilo que se está a passar na Ucrânia.

A Rússia já efectuou o segundo ultimato, tendo em vista a rendição do Batalhão de Azov. A comunicação social ocidental prefere chamar-lhes – aos neonazistas do Batalhão de Azov - de “resistência dos combatentes ucranianos”. O romance entre a comunicação social ocidental e o Batalhão de Azov é tão fantasioso, que mais parece um conto de fadas.

Vejamos, apesar da diabolização que a comunicação social faz de Vladimir Putin – coisa que nunca fez nem faz em relação aos líderes ocidentais, nomeadamente aos dos EUA -, a verdade é que a Rússia tem procurado criar corredores humanitários, no sentido de evacuar os civis e deixar as zonas de combate apenas para as milícias e o exército.

Outra verdade evidente reside no facto de essas milícias – mais concretamente os neonazistas do Batalhão de Azov – fazerem tudo para manter os civis nas cidades, numa sórdida tentativa de dissuadir o avanço do exército russo. E é por isso que os corredores humanitários raramente são bem-sucedidos, porque o Batalhão de Azov não permite que as manobras de evacuação aconteçam – o que eles realmente desejam é usar a população civil como escudos humanos. E todos quantos arriscam furar os pontos de controlo do Batalhão de Azov passam automaticamente à condição se "assistentes dos russos". E já se pode antever o que lhes sucede.

E é exactamente isso que está a acontecer no complexo industrial de Azovstal. Os neonazistas do Batalhão de Azov estão – uma vez mais – a usar a população como escudos humanos. Os valentões do Batalhão de Azov, cujo passatempo preferido é chacinar russos e pró-russos, agora parecem não estar muito interessados em enfrentar o exército russo. Preferem esconder-se atrás da população, onde se incluem muitas crianças.

E em cima desta realidade, a comunicação social ocidental farta-se de propagandear uma imagem romântica de “resistência popular”, como se os civis ucranianos estivessem ali para lutar de livre vontade. Como se eles não saíssem dali a correr sem olhar para trás, se uma e uma só oportunidade lhes fosse concedida.

A SIC e as suas abjectas fontes de informação

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À semelhança de todos os outros órgãos de comunicação social ocidentais, a SIC não dá qualquer espaço ao contraditório. A orientação é a do discurso único e a da flagelação de todos quantos ousarem ter uma opinião diferente. É assim há muito tempo e, por essa razão, estamos conversados sobre a qualidade da informação que propagandeiam.

Mas, recentemente, a SIC conseguiu atingir a proeza hercúlea de registar para a posteridade um novo recorde de abjecção jornalística. Desenganem-se aqueles que pensam que há limites para a incompetência, para a desfaçatez e para a falta de espinha dorsal.

A SIC chegou ao ponto de não demonstrar qualquer pejo em assumir que uma das suas principais fontes de informação, na abordagem que faz ao tema da guerra na Ucrânia é o Batalhão de Azov.

“Não compreendo o teu conceito de cristão”

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Hoje, Sexta-feira Santa, tal como é habitual decorrerá em Roma a Via-Sacra. Para a celebração deste ano, o Vaticano decidiu que numa das estações (na 13.ª de um total de 14), a cruz de Cristo será carregada pelas famílias de duas mulheres, uma russa e outra ucraniana.

Ora, foi aqui que estalou o verniz a determinados seres especiais de nacionalidade ucraniana. Certamente que todos aqueles que não andam por aí distraídos com folclores, já terão notado que ultimamente os cidadãos ucranianos tornaram-se numa espécie de seres santificados. Já os de nacionalidade russa são satânicos e têm que ser excluídos de tudo.

Vejamos, a ideia do Vaticano – não me admirava nada que tenha mesmo partido do Papa Francisco – em colocar duas famílias (uma russa e outra ucraniana) a carregar a cruz de Cristo na mesma estação da Via-Sacra (referente à retirada de Jesus Cristo da cruz) é a metáfora perfeita para o momento que estamos a viver. Além disso, as duas mulheres (russa e ucraniana) referidas no comunicado disponibilizado pelo Vaticano são amigas e até trabalham juntas, numa instituição de solidariedade social.

Portanto, um acto simbólico que poderia e deveria ser utilizado – especialmente pelos ucranianos – como um exemplo real de que as diferenças entre os líderes políticos e a guerra não conseguem quebrar os laços de amizade e irmandade existente entre estes dois povos, está a ser utilizado (por alguns ucranianos) como mais um factor de separação e de fomento do ódio. Como se ucranianos e russos não pudessem conviver pacificamente. Como se não houvesse inúmeras famílias contendo pessoas das duas nacionalidades. Como se não houvesse uma longa história em comum entre estes dois povos.

Isto fez-me lembrar aqueles seres especiais, superiores e inteligentes, que há não muito tempo atrás fizeram questão de afirmar publicamente que tinham terminado as suas relações de amizade com certas pessoas - esses hereges - que se recusaram a tomar a vacina contra a Covid-19.

Esta gentinha deve andar possuída. Podiam aproveitar o tempo pascal para exorcizar os seus demónios. 

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