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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Kissinger 1938 vs Zelensky 1945

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Depois de o ex-Secretário de Estado dos EUA - Henry Kissinger - ter dito que a Ucrânia deveria considerar a possibilidade de ceder território à Rússia, para alcançar um acordo de paz, Volodymyr Zelensky apressou-se a dizer que “parece que o calendário do senhor Kissinger não é de 2022, mas de 1938”.

O presidente ucraniano mostrou-se mesmo muito agastado com a sugestão do ex-Secretário de Estado norte-americano e nem sequer percebeu que a intenção de Kissinger era a de evitar que, em breve, o seu calendário - o de Zelensky - apresente o ano de 1945.

Se calhar era melhor começar a pensar em seguir o conselho do senhor Kissinger e negociar. Pela paz. 

O Milhazes que traduza isto

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Oleksiy Arestovych é um “muito chegado” conselheiro de Volodymyr Zelensky. Contudo, quase ninguém sabe quem é este indivíduo. Inexplicavelmente, a comunicação social ocidental que tanto propaga as suas “criações”, tais como o “fantasma de Kiev” ou o “massacre da ilha da cobra”, nunca refere o seu nome, o que é chato, porque os sketches têm direitos de autor.

Arestovych é um blogger, actor e político, pois claro. Trata-se de alguém que é tido como muito inteligente, pela forma como consegue manipular a opinião pública ucraniana (e do mundo ocidental, desde o início do conflito), contudo não suficientemente inteligente para encobrir o rasto das suas trapaças.

Há poucos dias, depois de algumas personalidades políticas do Ocidente terem dito que a Ucrânia deveria considerar a possibilidade de fazer algumas cedências territoriais à Rússia, em troca de uma paz duradoura para as populações, Arestovych disse o seguinte:

"Go f**k yourselves with such proposals, you dumb f**ks, to trade Ukrainian territory a little bit! Are you f**king crazy?"

Bem se vê que as aulas com a madame Victoria Nuland não foram em vão. Creio que ele terá dito isto na língua ucraniana, mas como só encontrei as declarações em inglês, deixo-as aqui na esperança de que o José Milhazes as possa traduzir com a exactidão e a perspicuidade que o caracterizam.

Já agora, se o Milhazes nos pudesse falar um pouco mais acerca desta individualidade e das suas façanhas seria fantástico. Tenho a certeza que o Milhazes (e o Rogeiro) tem muitos elogios e vénias a prestar-lhe.

A "responsabilidade" e a "sensatez" de Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa tem sido questionado sobre a necessidade de voltar a implementar o uso obrigatório da máscara em todos os espaços fechados. Marcelo tem respondido sempre da mesma forma, ou seja, tem dito que isso poderá voltar a acontecer “se os especialistas e autoridades de saúde assim aconselharem”. Recordemos que também António Costa tem dito a mesma coisa.

Convinha recordar que “os especialistas” e as autoridades da saúde (DGS) mostraram-se contra o fim do uso obrigatório da máscara em espaços fechados, medida que entrou em vigor a 22 de Abril pelas mãos do Governo e do Presidente da República. Convém também salientar que os mesmos especialistas ainda não alteraram a sua convicção, muito pelo contrário, têm-se fartado de alertar para a necessidade de voltar a implementar o uso da máscara em espaços fechados, aumentar a testagem, etc.

Portanto, há aqui qualquer coisa que não bate certo. Marcelo e Costa dizem – e sempre disseram – que cabe aos especialistas determinar as medidas de saúde mais adequadas, mas não demonstram qualquer interesse em seguir as suas recomendações agora.

Ontem, Marcelo esteve numa das instalações do Banco Alimentar, um espaço fechado onde as pessoas se amontoavam. Marcelo deu beijinhos, tirou selfies e embrulhou-se na maralha. Sempre sem máscara, claro.

Ora, Marcelo não cometeu nenhuma ilegalidade, já que ele próprio promulgou a lei que o permite comportar-se como se viu. A questão aqui é outra. Um Presidente da República que ignora as instruções dos especialistas e que se atira desta forma para o meio da populaça, quando questionado sobre o uso obrigatório da máscara só tem que responder que isso é coisa do passado, que já não é necessário e que as pessoas não necessitam de ter qualquer tipo de cuidados (distanciamento, etc.), porque é isso que ele faz. Porque é essa a mensagem que ele passa, mesmo quando acrescenta que “confia na responsabilidade e na sensatez dos portugueses”.

Qual responsabilidade e sensatez? Aquelas que ele anda por aí a pregar?

Marcelo continua a ser um fervoroso apologista do lema "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço", tal como no Natal de 2020. 

Pervertidos

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Sobre a “lei das armas” nos EUA diz-se por aí que “aquilo é uma questão cultural”, “na verdade a lei até é bastante democrática, porque permite que todos – não apenas o Estado e os ricos - tenham acesso às armas” e que “a ideia subjacente à lei que possibilita o acesso fácil e indiscriminado às armas é uma boa ideia, porque tem como objectivo permitir que cada indivíduo se possa defender”.

Aqueles que tentam perverter a tamanha perversão que é a “lei das armas” dos EUA, são os mesmos que dizem que os nazis da Ucrânia não são bem nazis, são uma espécie de nazis fofinhos.

Cambada de pervertidos.

As Histórias das Idas da Comunicação Social à Guerra

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Todos os dias, a comunicação social ocidental passa hilariantes rábulas sobre a guerra na Ucrânia. São histórias que quase rivalizam com esse marco histórico da comédia nacional, que foi “A História da Minha Ida à Guerra de 1908” de Raul Solnado. A estação de televisão SIC – líder de audiências – tem até um programa diário de comédia inserido no Jornal da Noite. Os protagonistas são José Milhazes e Nuno Rogeiro. Inicialmente pensei que se tratava de dois foragidos de algum hospital psiquiátrico, mas não, aquilo é mesmo assim – um brilhante espaço de comédia sobre a guerra, em pleno bloco noticiário. O Ricardo Araújo Pereira que se cuide, porque estes dois estão a assumir a dianteira do métier, e até já têm presença diária.

Vejamos algumas das afirmações que a comunicação social ocidental tem feito sobre o conflito na Ucrânia.

Diz-se por aí à boca cheia que “já morreram 30 mil soldados russos”, que "foram destruídos mais de quatro mil tanques de guerra russos”, que “o exército russo está a recorrer ao uso de carros de combate extremamente antigos, porque não tem mais nada, porque o seu equipamento é obsoleto”, que “o exército russo está a ser escorraçado de quase todas as cidades ucranianas”, que “a Rússia não atingiu nenhum objectivo”, que “não tem qualquer hipótese de vencer a guerra”, aliás, esta gente começou a dizer que “Putin já tinha perdido a guerra apenas dois dias depois de ela começar”. E, a cereja no topo do bolo, que “a Ucrânia vai vencer esta guerra”.

Portanto, mais anedótica a comunicação social ocidental não poderia ser.

Vejamos, 20% a 25% da Ucrânia já está sob controlo russo, algo que é verdadeiramente impressionante, pois foi conseguido em apenas 90 dias. Se tivermos em conta a dimensão da Ucrânia e o facto de a Rússia estar também a combater contra as armas da OTAN, os avanços russos têm sido bastante rápidos e nada lentos e parcos como diz a comunicação social.

A Rússia controla quase a totalidade da região de Donbass e está a caminho de assumir o controlo do sul da Ucrânia, que irá culminar – muito provavelmente – com a conquista da cidade de Odessa. Parecem ser esses os planos da Rússia, segundo aquilo que foi anunciado pelas autoridades russas e segundo aquilo que têm sido as movimentações estratégicas no terreno.

Em suma, aquilo que a comunicação social ocidental vem dizendo não passa de mentiras. Mas mentiras tão idiotas que se tornam cómicas. Como toda a gente se deve lembrar, Putin anunciou – no início da invasão – que os três principais objectivos da Rússia eram:

- Impedir a adesão da Ucrânia à OTAN;

- Desmilitarizar a Ucrânia;

- Desnazificar a Ucrânia.

Foram estes os objectivos apresentados por Putin, apesar de a comunicação social e o poder político ocidentais terem inventado outros. Já durante o conflito, Putin anunciou – aquando da retirada das tropas dos arredores de Kiev – que a missão do exército russo se iria concentrar no Donbass e sul da Ucrânia. E é o que está a acontecer neste momento, a uma velocidade bem acelerada, ao contrário do que é regurgitado pela comunicação social.

Neste momento, ninguém com dois dedos de testa pode sequer considerar que a Ucrânia vai aderir à OTAN, seja agora, daqui a 10 anos ou 100 anos. Portanto, o primeiro objectivo foi atingido e está fechado a sete chaves. No que respeita à desmilitarização da Ucrânia, a Rússia já destruiu a maioria das bases militares, depósitos de armas e até laboratórios. O exército ucraniano está fragmentado e quase nem se pode falar na existência de um verdadeiro exército. Consta até que o comandante do exército ucraniano está constantemente em choque como o Presidente da Ucrânia, no que respeita à estratégia de resistência. Aquilo que existe na Ucrânia são um conjunto de grupos e milícias desorganizadas que ainda vão apresentando alguma resistência. Algo que entronca com o terceiro objectivo – o de desnazificar a Ucrânia. Com a derrota e rendição do Batalhão de Azov em Mariupol, parte do terceiro objectivo está também alcançado. Claro que os nazis não foram todos capturados, mas a queda do Batalhão de Azov é um marco importante no cumprimento deste terceiro objectivo.

Portanto, todos os objectivos anunciados pela Rússia – e não aqueles que o Ocidente diz que a Rússia tinha – foram atingidos ou estão em vias de o ser. E que ninguém tenha a mínima dúvida de que serão mesmo atingidos. E podem ter a certeza que, quer a Crimeia – que já foi integrada no território da Rússia -, quer o Donbass e boa parte do sul da Ucrânia vão ser tomados à Ucrânia, para nunca mais voltar ao controlo ucraniano.

E o que está aqui em causa – no que escrevi – não é defender uma posição ou outra. Isso fica para os senhores da comunicação social. O que aqui fiz foi constatar aquilo que são os factos, que não são mostrados nos principais órgãos de comunicação social. A esses reservam-se os factóides e as bestarias.

Voltando àqueles dois da SIC – acho que podemos dizer aqueles dois caralhos, já que foi o próprio Milhazes que introduziu… a palavra, no léxico da guerra -, a coisa é tão patética que o Milhazes até disse que “os russos roubaram mortadela aos ucranianos para enviar para a Rússia”. Verdadeiramente hilariante.

A hipocrisia maléfica mascarada de emoção

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Poucos dias depois de passar um cheque de dezenas de milhares de milhões de dólares à indústria de armamento, Joe Biden aparece em público muito emocionado e chocado com mais um massacre numa escola dos EUA e atreve-se a fazer a seguinte pergunta: “Onde está a nossa espinha dorsal para termos a coragem de enfrentar o lobby das armas?”.

Como se não bastasse ter a coragem de se atrever a retirar dividendos políticos da comoção geral que um momento destes comporta, Biden não apresenta qualquer vergonha na cara para falar como se não tivesse nada a ver com o lobby das armas. Bem, se o Presidente dos EUA não consegue fazer nada contra o poder do lobby das armas, então só lhe resta duas saídas: ou assume com toda a verticalidade da sua espinhal o seu papel de fantoche, ou então renuncia ao cargo.

Já agora, que tipo de espinha dorsal tem um indivíduo que manda treinar e armar até aos dentes, grupos terroristas em países estrangeiros que, por sua vez, se fartam de chacinar a população inocente desses mesmos países, incluindo milhares e milhares de crianças?

A falácia que é "o apoio dos EUA à Ucrânia"

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Corre por aí a notícia de que o Congresso norte-americano aprovou um pacote de ajuda à Ucrânia no valor de 40 mil milhões de dólares. É verdade, 40 mil milhões de dólares. Mas será que este escandaloso montante constitui mesmo uma ajuda à Ucrânia?

Vejamos, a maior parte do dinheiro vai direitinho para as depravadas manápulas da indústria de armamento norte-americana. Se a este copioso montante somarmos os valores que todos os Estados-membros da OTAN serão “obrigados” a despender em aquisição de mais armamento – porque todos têm que seguir o mestre da guerra - imaginem quantas dezenas de milhares de milhões vão parar aos fabricantes de armas. Isto só no imediato. Portanto, não se trata de apoiar a Ucrânia, mas sim de canalizar milhares de milhões para a indústria de armamento. A todos quantos são a favor deste tipo de “ajuda”, a todos quantos são pró-guerra, eu aconselho a investir nas acções da Lockheed Martin, da Raytheon, da Boeing, da Northrop Grumman ou da General Dynamics. Trata-se de um investimento garantido que está prestes a explodir.

O Congresso americano aprovou o envio de enormíssimas quantidades de armas para a Ucrânia, algo que irá causar um descomunal desbaste no stock de armas norte-americano. Mas isso não é um problema para a Administração Biden, porque ela tem carta-branca do Congresso para assinar de cruz as voluptuosas ordens de pagamento à indústria de armamento. Dinheiro que sai dos bolsos dos contribuintes norte-americanos, muitos dos quais estão a atravessar a pior crise das suas vidas.

Convém também salientar que os EUA estão a enviar todo o tipo de armas, incluindo armamento de longo alcance, que permite atingir o território russo. Ou seja, não há qualquer preocupação da parte dos EUA em seleccionar o tipo de armas que envia para a Ucrânia. E o mais absurdo de tudo isto é que nem sequer conseguem ter a certeza de quem vai receber essas armas. Muitas, certamente irão parar às mãos dos nazis do Batalhão de Azov ou outros grupos neonazistas, tal como vem acontecendo há muito tempo, só que agora com outras proporções e muitos outros perigos à espreita.

Esta degradante decisão do Congresso americano e da Administração Biden só vem confirmar que o conflito na Ucrânia se trata mesmo de uma guerra por procuração, onde o povo ucraniano está a ser usado e subjugado pelo maleficente poder do Uncle Sam. 

Os "resistentes", os "bravos", os "heróis" do Batalhão de Azov

São estes os "heróis" que a comunicação social ocidental celebra todos os dias, de manhã à noite. Convinha que os jornalistas e comentadores que admiram e idolatram este tipo de gente - nos maiores palcos da comunicação social - tivessem a noção de que isso facará para sempre tatuado nos seus currículos. Se bem que... a importância do currículo, da reputação, da seriedade e do profissionalismo são coisas do século passado. Além disso, nos tempos actuais é possível reescrever a história a cada segundo.

Nazis na Ucrânia? Puf... Pode lá ser. Isso são mentiras que os russos inventaram. A comunicação social ocidental está lá, de olhos bem abertos, e só viu uns três ou quatro. 

 

E agora, as “Evas Brauns” da comunicação social

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Ontem, no Jornal da Noite da SIC, Nuno Rogeiro levou esta fotografia e acrescentou (muito comovido): “é uma das fotografias mais bonitas, mais espectaculares deste conflito…”, Rodrigo Guedes de Carvalho não contém a emoção e diz: “É extraordinária, é uma fotografia extraordinária…”. E Rogeiro continua: “Ele recebe a luz como se fosse uma dádiva, mais um dia de vida...”.

De facto, um dos momentos mais lindos e românticos da comunicação social. Rogeiro e Guedes de Carvalho pareciam duas verdadeiras Desperate Azov Wives. Mas que bela fotografia. O "nazizinho" a banhar-se na dádiva de luz, que era azul. Só faltou uns laivos amarelados para ser perfeito.

Com maioria, Marta Temido não teme nem treme

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A 22 de Abril deixou de ser obrigatório o fim do uso obrigatório da máscara em espaços fechados, excepto transportes públicos e serviços de saúde. Na altura, o agora governo maioritário tomou essa decisão de modo “unilateral”, já que fez orelhas moucas daquilo que os especialistas diziam, ou seja, que ainda era muito cedo para abandonar o uso das máscaras em espaços fechados. Em cima desta irresponsável decisão, o governo decidiu também acabar com a comparticipação nos testes antigénio.

Agora que o número de contágios atingiram proporções nunca antes vistas – só para que se tenha a noção, no final de Janeiro deste ano a taxa de positividade foi de cerca de 18%, agora é de quase 40% - a ministra da saúde já fala em ouvir os especialistas. Porém, continua a considerar que não há necessidade de voltar a implementar o uso obrigatório da máscara em espaços fechados, nem a atribuir a gratuitidade dos testes nas farmácias.

A senhora ministra da saúde afirma que as pessoas podem e devem recorrer aos autotestes, porque são altamente eficazes. Não, não são. Os autotestes têm uma sensibilidade baixa. Os autotestes só confirmam um resultado positivo quando as pessoas apresentam uma carga viral muito elevada, que ocorre vários dias depois de já estarem positivas, sintomáticas e potencialmente contagiosas.

A senhora ministra Marta Temido diz que o aumento do número de casos não se reflecte nos internamentos e óbitos. E acrescenta que, neste momento, o controlo da pandemia passa pela “auto-regulação” do comportamento das pessoas. A ministra da saúde mostra-se confiante na responsabilidade das pessoas nos seus comportamentos diários.

Bem, está claro que a senhora ministra Marta Temido ainda não conseguiu aprender nada com esta pandemia. Com que então o aumento “brutal” do número de casos não se reflecte nos internamentos e óbitos. Primeiro, isso nem sequer corresponde à verdade, pois o director do serviço de urgência do hospital de São João já veio confirmar o contrário. Para além disso, a senhora ministra da saúde já deveria saber que o número de internamentos e de óbitos não sofre um reflexo imediato. Estes números tendem a aumentar semanas depois do aumento abrupto de casos. Depois de tantas vagas, a senhora ministra ainda prefere ficar à espera para ver.

Quanto ao facto de Marta Temido mostrar-se muito confiante no comportamento responsável dos cidadãos, basta recordar a responsabilidade e bom senso que tiveram no Natal de 2020 e por aí fora.

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